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Tábula
Alta Crítica Mitológica
por Bruno Accioly comment 0 Comentários access_time 8 min de leitura

Tábula é o nome dado ao universo no qual se desenrola a história de Pleroma e pode ser entendida como uma camada de abstração, um simulacro do universo em que vivemos, cuja história, cultura e todas as demais características, coincidem com aquelas presentes no mundo que partilhamos.

É neste contexto ficcional que ocorre a investigação através de Alta Crítica Mitológica presente em Pleroma e, apesar dos signos e símbolos invocados e avaliados neste processo, não há um compromisso com a realidade objetiva, sendo antes um exercício de reconstrução do passado de Tábula e não do universo que habitamos.

A investigação da Tábula, portanto, seria um processo de exploração, estudo e interpretação desse universo com o intuito de entender o passado de um universo ficcional fazendo uma avaliação forense de evidências colhidas em escrituras que permeiem a mitologia de diferentes culturas pregressas.

Conceito da Tábula

Tábula emerge portanto, como um campo fértil para a Alta Crítica Teológica, onde as escrituras e textos sagrados são vistos não como verdades divinas absolutas ou como documentos conflitantes com aqueles que vêm de diferentes culturas, mas como documentos  passíveis de avaliações comparadas e interpretações forenses em nome de descobrir o que de fato aconteceu.

A narrativa de Tábula conduz os exploradores deste universo a uma investigação forense meticulosa. Através da análise de evidências coletadas de escrituras antigas e artefatos misteriosos, busca-se reconstruir o passado complexo e enigmático de Tábula. Esta abordagem, desvinculada da realidade objetiva do nosso próprio mundo, permite um mergulho nas histórias e mitologias que formam a espinha dorsal deste universo paralelo.

Tábula oferece mais do que uma história, mas antes um espelho que reflete temas universais como verdade, poder e fé, questionando a natureza da história da realidade. Ao reimaginar mitos, lendas e eventos históricos, Tábula não apenas enriquece sua trama com novas perspectivas, mas também desafia os leitores e espectadores a pensar de maneira diferente sobre as histórias e crenças que moldam suas próprias compreensões do mundo.

Em Tábula, cada descoberta é uma porta para novas possibilidades de interpretação e compreensão. Este universo é uma tela para a imaginação criativa assistida pela realidade, onde cada aspecto do conhecido é reinventado com base no que, normalmente, é ignorado por ter origem em uma cultura diferente, proporcionando uma experiência narrativa que é ao mesmo tempo familiar e surpreendentemente nova.

Tábula é um convite para repensar o que sabemos e explorar o que poderia ser, em um mundo onde a história e a mitologia se entrelaçam de maneiras inesperadas e reveladoras.

Investigação da Tábula

Em Tábula, um universo ficcional rico e complexo, as escrituras canônicas, apócrifas e pseudoepígrafas assumem papéis significativos na moldagem da narrativa e na compreensão da história e da teologia desse mundo. Essas categorias de textos, embora espelhem classificações similares do nosso mundo, adquirem conotações e importâncias distintas dentro desse contexto ficcional:

  1. Escrituras Canônicas: No universo de Tábula, as escrituras canônicas seriam os textos que são amplamente reconhecidos e aceitos pelas principais tradições religiosas desse mundo. Elas formam a base das crenças e práticas religiosas estabelecidas e são consideradas autoritativas e sagradas pelas instituições religiosas dominantes. No entanto, através da lente da Alta Crítica Teológica, esses textos também são examinados de forma crítica e analítica, buscando entender as camadas de interpretação, contexto histórico e influências culturais que moldaram seu desenvolvimento.
  2. Escrituras Apócrifas: As escrituras apócrifas em Tábula incluiriam textos e escritos que, embora possuam significado histórico ou religioso, não são oficialmente reconhecidos pelas autoridades religiosas principais. Estes textos podem oferecer visões alternativas ou complementares às narrativas canônicas, e muitas vezes contêm ideias, histórias ou ensinamentos que divergem ou expandem o entendimento estabelecido. A investigação desses textos pode revelar novas perspectivas sobre a teologia, a história e a cultura de Tábula.
  3. Escrituras Pseudoepígrafas: No contexto de Tábula, as escrituras pseudoepígrafas seriam obras atribuídas falsamente a autores ou figuras históricas importantes, mas que foram escritas por outros autores em períodos posteriores. Esses textos podem ser usados para explorar temas, ideias e narrativas que não são abordadas nas escrituras canônicas ou apócrifas. A análise dessas obras pode oferecer insights sobre as diferentes interpretações, crenças e correntes teológicas presentes em Tábula.

Em Tábula, o estudo dessas diferentes categorias de escrituras é essencial para uma compreensão completa do universo ficcional. Cada categoria oferece um ângulo único de visão sobre a história, a teologia e a cultura desse mundo, permitindo uma exploração rica e multifacetada das diversas crenças e narrativas que compõem o tapeçaria de Tábula. A investigação desses textos, portanto, não é apenas um exercício acadêmico, mas também um mergulho profundo na essência e na complexidade desse universo fictício.

Alta Crítica Mitológica

A Alta Crítica Mitológica, também conhecida como Crítica Histórica, é um método de análise e estudo forense aplicado a textos religiosos, canônicos, apócrifos e pseudoepígrafos, podendo envolver outros textos sagrados e seculares e intertextualizações.

Este método busca entender a origem, o contexto, a composição e a intenção dos textos, diferenciando-se da “Baixa Crítica”, que se concentra mais na determinação do texto mais original possível e na crítica textual.

Através da Alta Crítica Mitológica é possível estabelecer relações entre acontecimentos, personagens e outras escrituras, traçando linhas que acabam por apontar para tendências e traçar contornos que apontam na direção de uma imagem mais clara do que pode ter tido lugar nos contextos avaliados.

Conclusão

A Tábula, como uma representação ficcional do nosso universo, proporciona um palco único para a investigação do passado. Este universo, tão paralelo ao nosso, mas independente em sua essência, abre um leque de possibilidades para reimaginar e reinterpretar os elementos históricos, culturais e religiosos que conhecemos. Não se trata portanto apenas de entretenimento mas antes de uma ferramenta intelectual que nos desafia a olhar para além das narrativas estabelecidas, questionando e explorando as múltiplas camadas da realidade e da ficção.

No coração de Tábula, a investigação realizada acerca do Pleroma através da Alta Crítica Mitológica oferece uma abordagem fascinante e meticulosa para entender este mundo. Este método de análise, ao invés de buscar verdades absolutas, foca em desvendar a complexidade e as diversas interpretações possíveis das escrituras e textos sagrados. Ao fazer isso, a Alta Crítica Mitológica em Tábula não apenas ilumina o passado desse universo ficcional, mas também reflete sobre as narrativas e crenças do nosso próprio mundo, instigando um diálogo entre realidade e ficção.

Finalmente, Tábula se destaca como um exemplo e de como a ficção pode ser usada para investigar temas profundos e complexos. A forma como este universo aborda as escrituras canônicas, apócrifas e pseudoepígrafas revela um rico tecido de história, mitologia e teologia, entrelaçado de maneira a oferecer uma compreensão mais profunda do próprio conceito de narração e história. Assim, Tábula não é apenas um mundo para ser explorado por sua história e cultura; é um espelho que reflete nossas próprias buscas por significado, verdade e compreensão, tanto do passado quanto do presente.


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