folder Categoria
1 · Gan Eden
por Bruno Accioly comment 0 Comentários access_time 205 min de leitura

Gênesis

Gênesis 1

1. No princípio Deus criou os céus e a terra.

Nota
Os Dingir, Homens e Mulheres notáveis de tempos arcanos, viviam uma dura vida em meio às condições extremamente desafiadoras, numa Era Glacial que foi interrompida pela violenta erupção de um vulcão.

Em uma única explosão, a montanha fez o céu aparecer novamente e derreteu o gelo (Apsu) fazendo com que geiseres de água salgada (Tiamat) irrompessem.

2. Era a terra sem forma e vazia; trevas co­briam a face do abismo, e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.

Nota
A percepção do que havia à sua volta era de que nada havia à sua volta. O chão de gelo empedernido, a couraça de Apsu,  era a expressão do nada que, em despenhadeiros esparsos conferiam-lhes as condições para se aproximarem das revôltas águas salgadas de Tiamat, de onde conseguiam capturar alguma comida.

As resilientes criaturas notáveis que vagavam por sobre o infindável dorso de Apsu e em busca das escamas de Tiamat, por sobre as águas em quaisquer de seus estados vagavam portanto.

3. Disse Deus: “Haja luz”, e houve luz.

Nota
A espessa camada de nuvens e fuligem expelida do vulcão, formavam uma coluna de fumaça que fazia do céu uma extensão do solo empedernido de gelo, quase indistintos diante dos clarões gerados pelas chamas esparsas do vulcão revolto.

O clamor de um dos líderes do grupo, em uma explosão de ira e sofrimento, coincidiu com colossal explosão cuja onda de choque provocou a abertura do céu de nuvens e cingiu tanto os céus como o solo de gelo, que rugiu sob seus pés.

4. Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas.

Nota
A luz, na forma de destroços incandecentes e lava, foi percebida pelos novos deuses como algo poderoso e como resposta ao clamor de seu líder, que levantou a clava incandecente seguida dos relâmpagos e trovões que bradavam da turbulência metereológica.

5. Deus chamou à luz dia, e às trevas cha­mou noite. Passaram-se a tarde ­e a manhã; esse foi o primeiro dia.

Nota
Centenas de anos contato com o ciclo de dias e noites, com pouca ou nenhuma noção de tempo como dimensão mensurável ou inteligível. E eles redescobriram e renomearam os dias e noites.

6. Depois disse Deus: “Haja entre as águas um firmamento que separe águas de águas”.

Nota
Entre o rugir do dorso de Apsu, que se partia e liquefazia, até o dorso escorregadio, liquefeito e salgado de Tiamat, que por baixo dele se fazia revolto, irrompeu-se e expandiu o relevo da Terra, que dividiu as águas em toda sua extensão.

(O hebraico רקיע, transliterado, “raqia”, traduzido por “firmamento”, equivocadaente, lê-se “extensão” ou “expansão”, em uma tradução mais adequada.)

7. En­tão Deus fez o firmamento e separou as águas que ficaram abaixo do firmamento das que ficaram por cima. E assim foi.

Nota
As ações dos novos deuses fez com que as águas doces corressem nos rios por sobre os filhos de Apsu e Tiamat, Lahmu e Lahamu, Lodo e Lama, correndo na direção dos mares, que estavam abaixo.

8. Ao firma­mento, Deus chamou céu. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o segundo dia.

Nota
Quando finda a revolta de Apsu e Tiamat e seus corpos jaziam aos pés de seus filhos Lahmu e Lahamu, ao que restou acima do todo, os deuses entenderam por céus.

9. E disse Deus: “Ajuntem-se num só lugar as águas que estão debaixo do céu, e apareça a parte seca”. E assim foi.

Nota
E disseram os deuses: “Que as águas tendam a se espalhar nos vales abaixo dos céus e que as partes secas peristam despontando acima delas.”

10. À parte seca De­us chamou terra, e cha­mou mares ao conjunto das águas. E Deus viu que ficou bom.

Nota
Ao que era seco os deuses nomearam “terra”, e batizou de “mares” ao conjunto das águas.

11. Então disse Deus: “Cubra-se a terra de vegetação: plantas que deem sementes e árvores cujos frutos produzam sementes de acor­do com as suas espé­cies”. E assim foi.

12A terra fez bro­tar a vegetação: plantas que dão sementes de acordo com as suas espé­cies, e árvores cujos frutos produzem sementes de acordo com as suas espécies. E Deus viu que ficou bom.

13. Passaram-se­ a tarde e a manhã; esse foi o ter­ceiro dia.

Nota
Após tamanha desolação os novos deuses viram a vegetação ressurgir em grande variedade e magnificência.

14. Disse Deus: “Haja luminares no firma­mento do céu para separar o dia da noite. Sir­vam eles de sinais para marcar estações, dias e anos,

15. e sirvam de lu­minares no firmamento do céu para ilu­minar a terra”. E assim foi.

16. Deus fez os dois gran­des lumi­nares: o maior para go­vernar o dia e o menor para gover­nar a noite; fez também as estrelas.

17. Deus os colo­cou no firmamento do céu para iluminar a terra,

18. governa­r o dia e a noite, e separar a luz das tre­vas. E Deus viu que ficou bom.

19. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o quarto dia.

Nota
Notaram os deuses o Sol, a Lua e as Estrelas e suas funções possíveis.

20. Disse também Deus: “Encham-se as águas de seres vivos, e voem as aves sobre a terra, sob o firmamento do céu”.

21. Assim Deus criou os gran­des animais aquáti­cos e os demais seres vivos que povoam as á­guas, de acor­do com as suas espécies; e todas as aves, de acordo com as suas espécies. E Deus viu que ficou bom.

22. En­tão De­us os abençoou, dizendo: “Sejam férteis e multipliquem-se! Encham as águas dos mares! E multipli­quem-se as aves na terra”.

23. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o quinto dia.

Nota
As águas se mostraram populosas de criaturas e férteis de vida.

24. E disse Deus: “Produza a terra seres vivos de acordo com as suas espécies: rebanhos domésticos, ani­mais selvagens e os demais seres vivos da terra, cada um de acor­do com a sua espécie”. E assim foi.

25. Deus fez os animais sel­vagens de acordo com as suas espé­cies, os reba­nhos domésticos de acor­do com as suas espécies, e os demais seres vivos da terra de acordo com as suas espécies. E Deus viu que ficou bom.

26. Então disse Deus: “Façamos o homem à nossa imagem, con­for­me a nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os grandes animais de toda a terra e sobre todos os pequenos animais ­que se movem rente ao chão”.

Nota
Os Kadmonim foram criados pelos Dingir em campos para a eles servirem e, neste hiato, uma revolta ocorreu, com ajuda de um ou mais deuses.

27. Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.

Nota
Os deuses elegeram seus Kadmonim (Igigi) para a eles servirem.

28. Deus os abençoou e lhes disse: “Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra”.

29. Disse Deus: “Eis que dou a vocês todas as plantas que nascem em toda a terra e produzem sementes, e todas as árvores que dão frutos com se­mentes. Elas servirão de alimento para vocês.

30. E dou todos os vegetais como alimento a tudo o que tem em si fôlego de vida: a todos os gran­des animais da terra­, a todas as aves do céu e a todas as criaturas que ­se movem rente ao chão”. E assim foi.

31. E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom. Passaram-se a tarde e a ma­nhã; esse foi o sexto dia.

Gênesis 2

1. Assim foram concluídos os céus e a terra, e ­tudo o que neles há.

2. No sétimo dia Deus já havia concluído a obra que realizara, e nesse dia descansou.

3. A­bençoou Deus o sétimo dia e o santificou, por­que nele descansou de toda a obra que realizara na criação.

Adão e Eva

4. Esta é a história das origens dos céus e da terra, no tempo em que foram criados: Quando o Senhor Deus fez a terra e os céus,

5. ainda não tinha brotado nenhum arbusto no campo, e nenhuma plan­ta havia germinado, porque o ­Senhor Deus ainda não tinha feito chover sobre a terra, e tam­bém não havia ho­mem para cultivar o solo.

6. Todavia brotava água da terra e irrigava toda a superfície do solo.

7. Então o Senhor Deus for­mou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida, e o homem se tornou um ser vivente.

Nota
Adamah foi eleito em meio às populações existentes.

8. Ora, o Senhor Deus tinha plantado um jardim no Éden, para os lados do leste, e ali co­locou o homem que formara.

9. Então o Senhor Deus fez nascer do solo todo tipo de árvores agradáveis aos olhos e boas para alimento. E no meio do jardim estavam a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal.

10. No Éden nascia um rio que irrigava o jardim, e depois se dividia em quatro.

11. O nome do primeiro é Pisom. Ele percorre toda a terra de Havilá, onde existe ouro.

12. O ouro daquela terra é excelente; lá também existem o bdélio e a pedra de ônix.

13. O segundo, que percorre toda a terra de Cuxe, é o Giom.

14. O terceiro, que corre pelo lado leste da Assíria, é o Tigre. E o quar­to rio é o Eufrates.

15. O Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para cuidar dele e cultivá-lo.

Nota
Fundado o campo paradisíaco onde o autoproclamado deus único tentaria novamente criar um Enoshim.

16. E o Senhor Deus ordenou ao homem: “Coma livre­mente de qual­quer árvore do jardim,

17. mas não coma da árvore do conheci­mento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certa­mente você morrerá”.

Nota
A Árvore da Vida seria a fonte da Imortalidade, o Pleroma Noesis, enquanto a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal seria a árvore que daria acesso à Civilização.

18. Então o Senhor Deus declarou: “Não é bom que o homem esteja só; farei para ele al­guém que o auxilie e lhe corresponda”.

Nota
Foi eleita pela deidade uma Kadmonim, que foi ofertada à ele. E ela era chamada Lilith.

19. De­pois que formou da terra todos os animais do campo e todas as aves do céu, o Senhor Deus os trouxe ao homem para ver como este lhes chamaria; e o nome que o homem desse a cada ser vivo, esse seria o seu nome.

Nota
Lilith foi violada por Adamah e dele ficou embaraçada.

20. As­sim o homem deu nomes a todos os rebanhos domésticos, às aves do céu e a todos os animais selvagens. Todavia não se encontrou para o homem alguém que o auxiliasse e lhe correspondesse.

Nota
Lilith dera a luz à uma menina chamada Chavah e dela seria separada.

21. Então o Senhor Deus fez o homem cair em profundo sono e, enquanto este dormia, tirou-lhe uma das costelas, fechando o lugar com carne.

22. Com a costela que havia tirado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher e a levou até ele.

23. Disse então o homem:”Esta, sim, é osso dos meus ossose carne da minha carne! Ela será chamada mulher,porque do homem foi tirada”.

Nota
Adamah, portanto, pega para consorte a própria filha.

24. Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne.

25. O homem e sua mulher viviam nus, e não sentiam vergonha.

Gênesis 3

A queda do homem

1Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais selvagens que o Senhor Deus tinha feito. E ela perguntou à mulher: “Foi isto mesmo que Deus disse: ‘Não comam de nenhum fruto das árvores do jardim’?”

2Respondeu a mulher à serpente: “Pode­mos comer do fruto das árvores do jardim,

3mas Deus disse: ‘Não comam do fruto da árvore que está no meio do jardim, nem toquem nele; do contrário vocês morrerão’ “.

4Disse a serpente à mulher: “Certamente não morrerão!

5Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês, como Deus, serão conhecedores do bem e do mal”.

6Quando a mulher viu que a árvore parecia agradável ao paladar, era atraente aos olhos e, além disso, desejável para dela se obter discernimento, tomou do seu fruto, comeu-o e ­o deu a seu ma­rido, que comeu também.

7Os olhos dos dois se abriram, e perceberam que estavam nus; então juntaram folhas de figueira para cobri­r-se.

8Ouvindo o homem e sua mulher os passos do Senhor Deus, que andava pelo jardim quando soprava a brisa do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus entre as árvores do jardim.

9Mas o Senhor Deus chamou o ho­mem, perguntando: “Onde está você?”

10E ele respondeu: “Ouvi teus passos no jardim e fiquei com medo, porque estava nu; por isso me escondi”.

11E Deus perguntou: “Quem disse que você estava nu? Você comeu do fruto da árvore da qual o proibi de comer?”

12Disse o homem: “Foi a mulher que me deste por companheira que me deu do fruto da árvore, e eu comi”.

13O Senhor Deus perguntou então à mu­lher: “Que foi que você fez?”Respondeu a mulher: “A serpente me en­ganou, e eu comi”.

14Então o Senhor Deus declarou à ser­pente:”Uma vez que você fez isso,maldita é vocêentre todos os rebanhos domésticose entre todos os animais selvagens!Sobre o seu ventre você rastejará,e pó comerá todos os dias da sua vida.

15Porei inimizadeentre você e a mulher,entre a sua descendênciae o descendente dela;este ferirá a sua cabeça,e você lhe ferirá o calcanhar”.

16À mulher, ele declarou:”Multiplicarei grandementeo seu sofrimento na gravidez;com sofrimento você dará à luz filhos.Seu desejo será para o seu marido,e ele a dominará”.

17E ao homem declarou:”Visto que você deu ouvidos à sua mulhere comeu do fruto da árvoreda qual ordenei a vocêque não comesse,maldita é a terra por sua causa;com sofrimento vocêse alimentará delatodos os dias da sua vida.

18Ela lhe dará espinhos e ervas daninhas,e você terá que alimentar-sedas plantas do campo.

19Com o suor do seu rostovocê comerá o seu pão,até que volte à terra,visto que dela foi tirado;porque você é pó,e ao pó voltará”.

20Adão deu à sua mulher o nome de Eva, pois ela seria mãe de toda a humanidade.

21O Senhor Deus fez roupas de pele e com elas vestiu Adão e sua mulher.

22Então disse o Senhor Deus: “Agora o homem se tornou como um de nós, conhe­cendo o bem e o mal. Não se deve, pois, permitir que ele tome também do fruto da árvore da vida e o coma, e viva para sem­pre”.

23Por isso o Senhor Deus o mandou embora do jardim do Éden para cultivar o solo do qual fora tirado.

24Depois de expulsar o homem, colocou a leste do jardim do Éden querubins e uma espada flamejante que se movi­a, guar­dando o caminho para a árvore da vida.

Gênesis 4

Caim e Abel

1Adão teve relações com Eva, sua mu­lher, e ela engravidou e deu à luz Caim. Disse ela: “Com o auxílio do Senhor tive um filho ho­mem”.

2Voltou a dar à luz, desta vez a Abel, irmão dele.Abel tornou-se pastor de ovelhas, e Caim, agricultor.

3Passado algum tempo, Caim trouxe do fruto da terra uma ofe­rta ao ­Senhor.

4Abel, por sua vez, trouxe as partes gordas das primei­ras crias do seu reba­nho. O Senhor aceitou com agrado Abel e sua oferta,

5mas não aceitou Caim e sua oferta. Por isso Caim se enfureceu e o seu rosto se transtornou.

6O Senhor disse a Caim: “Por que você está furioso? Por que se transtornou o seu ros­to?

7Se você fizer o bem, não será aceito? Mas, se não o fizer, saiba que o pecado o ame­aça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo”.

8Disse, porém, Caim a seu irmão Abel: “Vamos para o campo”. Quando estavam lá, Caim atacou seu irmão Abel e o matou.

9Então o Senhor perguntou a Caim: “On­de está seu irmão Abel?”Respondeu ele: “Não sei; sou eu o respon­sável por meu irmão?”

10Disse o Senhor: “O que foi que você fez? Escute! Da terra o sangue do seu irmão está clamando.

11Agora amaldiçoado é você pela terra, que abriu a boca para receber da sua mão o sangue do seu irmão.

12Quan­do você cultivar a terra, esta não lhe dará mais da sua força. Vo­cê será um fugitivo errante pelo mundo”.

13Disse Caim ao Senhor: “Meu castigo é maior do que posso supor­tar.

14Hoje me expul­sas desta terra, e terei que me esconder da tua face; serei um fugitivo errante pelo mundo, e qualquer que me encontrar me matará”.

15Mas o Senhor lhe respondeu: “Não será assim; se alguém matar Caim, sofrerá sete vezes a vingança”. E o Senhor colocou em Caim um sinal, para que ninguém que viesse a encontrá-lo o matasse.

16Então Caim afastou-se da presença do Senhor e foi viver na terra de Node, a leste do Éden.

17Caim teve relações com sua mulher, e ela engravidou e deu à luz Enoque. Depois Caim fundou uma cidade, à qual deu o nome do seu filho Eno­que.

18A Enoque nasceu Irade, Ira­de gerou a Meujael, Meujael a Metusael, e Metusael a Lameque.

19Lameque tomou duas mulheres: uma chamava-se Ada; a outra, Zilá.

20Ada deu à luz Jabal, que foi o pai daqueles que moram em tendas e criam rebanhos.

21O nome do irmão dele era Jubal, que foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta.

22Zilá também deu à luz um filho, chamado Tubalcaim, que fabri­cava todo tipo de ferramentas de bronze e de ferro. Tubalcaim teve uma irmã chamada Naamá.

23Disse Lameque às suas mulheres:”Ada e Zilá, ouçam-me;mulheres de Lameque,escutem minhas palavras:Eu matei um homem porque me feriu,e um menino, porque me machucou.

24Se Caim é vingado sete vezes,Lameque o será setenta e sete”.

25Novamente Adão teve relações com sua mulher, e ela deu à luz outro filho, a quem cha­mou Sete, dizendo: “Deus me concedeu um filho ­no lugar de Abel, visto que Caim o matou”.

26Tam­bém a Sete nasceu um filho, a quem deu o nome de Enos.Nessa época começou-se a invocar o no­me do Senhor.

Gênesis 5

Desde Adão a Noé

1Este é o registro da descendência de Adão:Quando Deus criou o homem, à semelhan­ça de Deus o fez;

2homem e mulher os cri­ou. Quando foram criados, ele os abençoou e os cha­mou Ho­mem.

3Aos 130 anos, Adão gerou um filho à sua se­me­lhança, conforme a sua ima­gem; e deu-lhe o nome de Sete.

4Depois que gerou Sete, Adão viveu 800 anos e gerou outros filhos e filhas.

5Viveu ao todo 930 anos e mor­reu.

6Aos 105 anos, Sete gerou Enos.

7Depois que gerou Enos, Sete viveu 807 anos e gerou outros filhos e filhas.

8Viveu ao todo 912 anos e morreu.

9Aos 90 anos, Enos gerou Cainã.

10De­pois que gerou Cainã, Enos viveu 815 anos e gerou outros filhos e filhas.

11Viveu ao todo 905 anos e morreu.

12Aos 70 anos, Cainã gerou Maalaleel.

13De­pois que gerou Maalaleel, Cainã viveu 840 anos e gerou outros filhos e filhas.

14Viveu ao todo 910 anos e morreu.

15Aos 65 anos, Maalaleel gerou Jarede.

16De­pois que gerou Jarede, Maalaleel viveu 830 anos e gerou outros filhos e filhas.

17Viveu ao todo 895 anos e morreu.

18Aos 162 anos, Jarede gerou Enoque.

19De­pois que gerou Eno­que, Jarede viveu 800 anos e gerou outros filhos e filhas.

20Viveu ao todo 962 anos e morreu.

21Aos 65 anos, Enoque gerou Matusa­lém.

22Depois que gerou Matusalém, Eno­que andou com Deus 300 anos e gerou outros filhos e fi­lhas.

23Viveu ao todo 365 anos.

24Enoque andou com Deus; e já não foi encontrado, pois Deus o havia arrebatado.

25Aos 187 anos, Matusalém gerou Lame­que.

26Depois que gerou Lameque, Matu­salém viveu 782 anos e gerou outros filhos e fi­lhas.

27Viveu ao todo 969 anos e morreu.

28Aos 182 anos, Lameque gerou um filho.

29Deu-lhe o nome de Noé e disse: “Ele nos aliviará do nosso trabalho e do sofrimento de nos­sas mãos, causados pela terra que o Senhor amaldiçoou”.

30Depois que Noé nasceu, Lame­que viveu 595 anos e gerou outros filhos e fi­lhas.

31Viveu ao todo 777 anos e morreu.

32Aos 500 anos, Noé tinha gerado Sem, Cam e Jafé.

Gênesis 6

O dilúvio

1Quando os homens começaram a multiplicar-se na terra e lhes nas­ceram filhas,

2os fi­lhos de Deus viram que as filhas dos homens eram bonitas, e escolheram para si aquelas que lhes agradaram.

3Então disse o Senhor: “Por causa da perversidade do homem, meu Espírito não contende­rá com ele para sem­pre; ele só viverá cento e vinte a­nos”.

4Naqueles dias, havia nefilins na terra, e também posterior­mente, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens e elas lhes deram filhos. Eles foram os heróis do passado, homens famosos.

5O Senhor viu que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal.

6Então o ­Senhor arrependeu-se de ter feito o homem sobre a ter­ra, e isso cortou-lhe o coração.

7Dis­se o Se­nhor: “Farei desaparecer da face da terra o homem que criei, os homens e também os ani­mais, grandes e pequenos, e as aves do céu. Arrependo-me de havê-los feito”.

8A Noé, porém, o Senhor mostrou bene­volência.

9Esta é a história da família de Noé:Noé era homem justo, íntegro entre o po­vo da sua época; ele andava com Deus.

10Noé gerou três filhos: Sem, Cam e Jafé.

11Ora, a terra estava corrompida aos olhos de Deus e cheia de violência.

12Ao ver como a terra se corrompera, pois toda a humanidade havia corrompido a sua conduta,

13Deus disse a Noé: “Da­rei fim a todos os seres humanos, por­que a terra encheu-se de violên­cia por causa deles. Eu os destruirei com a terra.

14Você, porém, fará uma arca de madeira de cipreste; divida-a em compartimentos e revista-a de piche por dentro e por fora.

15Faça-a com cento e trinta e cinco metros de comprimento, vinte e dois metros e meio de largura e treze metros e meio de altura.

16Faça-lhe um teto com um vão de quarenta e cinco centímetros entre o teto e o corpo da arca. Coloque uma porta lateral na arca e faça um andar superior, um médio e um inferior.

17″Eis que vou trazer águas sobre a terra, o Dilúvio, para destruir debaixo do céu toda criatura que tem fôlego de vida. Tudo o que há na terra perecerá.

18Mas com você estabelecerei a minha aliança, e você entrará na arca com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos.

19Faça entrar na arca um casal de cada um dos seres vivos, macho e fêmea, para conser­vá-los vivos com você.

20De cada espécie de ave, de cada espécie de animal grande e de cada espécie de animal pequeno que se move rente ao chão virá um casal a você para que sejam conservados vivos.

21E armazene todo tipo de alimento, ­para que você e eles tenham mantimento”.

22Noé fez tudo exatamente como Deus lhe tinha ordenado.

Gênesis 7

1Então o Senhor disse a Noé: “Entre na arca, você e toda a sua família, porque você é o único justo que encontrei nesta geração.

2Leve com você sete casais de cada espécie de animal puro, macho e fêmea, e um casal de cada espécie de animal impuro, macho e fêmea,

3e leve tam­bém sete casais de aves de cada espécie, macho e fêmea, a fim de preservá-los em toda a terra.

4Daqui a sete dias farei chover sobre a terra qua­renta dias e quarenta noites, e farei desaparecer da face da terra todos os seres vivos que fiz”.

5E Noé fez tudo como o Senhor lhe tinha ordenado.

6Noé tinha seiscentos anos de idade quan­do as águas do Dilúvio vieram sobre a terra.

7Noé, seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos entraram na arca, por causa das águas do Dilúvio.

8Casais de animais grandes, puros e impuros, de aves e de todos os animais pequenos que se movem rente ao chão

9vieram a Noé e entraram na arca, como Deus tinha ordenado a Noé.

10E, depois dos sete dias, as águas do Dilúvio vieram sobre a terra.

11No dia em que Noé completou seiscen­tos anos, um mês e dezessete dias, nesse mesmo dia todas as fontes das grandes profundezas jor­raram, e as compor­tas do céu se abriram.

12E a chuva caiu sobre a terra quarenta dias e quarenta noites.

13Naquele mesmo dia, Noé e seus filhos, Sem, Cam e Jafé, com sua mulher e com as mu­lheres de seus três filhos, entraram na arca.

14Com eles entraram todos os animais de acordo com as suas espécies: todos os animais selva­gens, todos os rebanhos domésticos, todos os demais seres vivos que se movem rente ao chão ­e todas as criaturas que têm asas: todas as aves e todos os outros animais que voam.

15Casais de todas as criaturas que tinham fôlego de vida vieram a Noé e entraram na arca.

16Os animais que entraram foram um macho e uma fêmea de cada ser vivo, conforme Deus ordenara a Noé. Então o Senhor fechou a porta.

17Quarenta dias durou o Dilúvio, e as águas aumentaram e elevaram a arca acima da terra.

18As águas prevaleceram, aumen­tando muito sobre a terra, e a arca flutuava na superfície das águas.

19As águas dominavam cada vez mais a terra, e foram cobertas todas as altas montanhas debaixo do céu.

20As águas su­biram até quase sete metros acima das montanhas.

21Todos os seres vivos que se movem so­bre a terra pereceram: aves, rebanhos domésti­cos, animais selvagens, todas as pequenas criatu­ras que povoam a terra e toda a humanidade.

22Tu­do o que havia em terra seca e tinha nas narinas o fôlego de vida morreu.

23Todos os seres vivos foram exterminados da face da terra; tanto os homens como os animais grandes, os animais pequenos que se movem rente ao chão e as aves do céu foram exterminados da terra. Só resta­ram Noé e aqueles que com ele estavam na arca.

24E as águas prevaleceram sobre a terra cento e cinquenta dias.

Gênesis 8

1Então Deus lembrou-se de Noé e de todos os animais selvagens e rebanhos domésticos que estavam com ele na arca, e enviou um vento sobre a terra, e as águas começaram a baixar.

2As fontes das profundezas e as comportas do céu se fecharam, e a chuva parou.

3As águas foram baixando pouco a pouco sobre a terra. Ao fim de cento e cinquenta dias, as águas tinham diminuído,

4e, no décimo sétimo dia do sétimo mês, a arca pousou nas montanhas de Ara­rate.

5As águas continuaram a baixar até o décimo mês, e no primeiro dia do décimo mês aparece­ram os topos das montanhas.

6Passados quarenta dias, Noé abriu a jane­la que fizera na arca.

7Esperando que a terra já tivesse aparecido, Noé soltou um corvo, mas este ficou dando voltas.

8Depois­ soltou uma pomba para ver se as águas tinham diminuído na superfície da terra.

9Mas a pomba não encontrou lugar onde pousar os pés porque as águas ainda cobriam toda a superfície da terra e, por isso, voltou para a arca, a Noé. Ele estendeu a mão para fora, apanhou a pomba e a trouxe de volta para dentro da arca.

10Noé esperou mais sete dias e soltou nova­mente a pomba.

11Quando voltou ao entardecer, a pomba trouxe em seu bico uma folha nova de oliveira. Noé então ficou sabendo que as águas tinham diminuído sobre a terra.

12Esperou ainda outros sete dias e de novo soltou a pomba, mas dessa vez ela não voltou.

13No primeiro dia do primeiro mês do ano seiscentos e um da vida de Noé, secaram-se as águas na terra. Noé então removeu o teto da arca e viu que a super­fície da terra estava seca.

14No vigésimo sétimo dia do segundo mês, a terra estava completamente seca.

15Então Deus disse a Noé:

16″Saia da arca, você e sua mulher, seus filhos e as mulheres deles.

17Faça que saiam também todos os anima­is que estão com você: as aves, os grandes animais e os pequenos que se movem rente ao chão. Faça-os sair para que se espalhem pela terra, sejam férteis e se multipliquem”.

18Então Noé saiu da arca com sua mulher e seus filhos e as mulheres deles,

19e com todos os grandes animais e os pequenos que se movem rente ao chão ­e todas as aves. Tudo o que se move sobre a terra saiu da arca, uma espécie após outra.

20Depois Noé construiu um altar dedicado ao Senhor e, tomando alguns animais e aves puros, ofereceu-os como holocausto, queimando-os sobre o altar.

21O Senhor sentiu o aroma agradável e disse a si mes­mo: “Nun­ca mais amaldiçoarei a terra por causa do homem, pois o seu coração é inteiramente inclinado para o mal desde a infância. E nunca mais destruirei todos os seres vivos como fiz desta vez.

22″Enquanto durar a terra,plantio e colheita,frio e calor,verão e inverno,dia e noitejamais cessarão”.

Gênesis 9

A aliança de Deus com Noé

1Deus abençoou Noé e seus filhos, dizendo-lhes: “Sejam férteis, multipliquem-se e encham a terra.

2Todos os animais da terra tre­merão de medo diante de vocês: os animais sel­vagens, as aves do céu, as criaturas que se mo­vem rente ao chão e os peixes do mar; eles estão entregues em suas mãos.

3Tudo o que vive e se move servirá de alimento para vocês. Assim como dei a vocês os vegetais, agora dou todas as coisas.

4″Mas não comam carne com sangue, que é vida.

5A todo aquele que derramar sangue, tanto ho­mem como animal, pedirei contas; a cada um pedirei contas da vida do seu próximo.

6″Quem derramar sangue do homem,pelo homem seu sangue será derramado;porque à imagem de Deusfoi o homem criado.

7″Mas vocês sejam férteis e multipliquem-se; espalhem-se pela terra e proliferem nela”.

8Então disse Deus a Noé e a seus filhos, que estavam com ele:

9″Vou estabelecer a minha aliança com vocês e com os seus futuros descen­dentes,

10e com todo ser vivo que está com vo­cês: as aves, os rebanhos domés­ticos e os animais selvagens, todos os que saíram da arca com vocês, todos os seres vivos da terra.

11Esta­beleço uma aliança com vocês: Nunca mais será ceifada nenhuma forma de vida pelas águas de um dilúvio; nunca mais haverá dilúvio para des­truir a terra”.

12E Deus prosseguiu: “Este é o sinal da aliança que estou fazendo entre mim e vocês e com todos os seres vivos que estão com vocês, para todas as gerações futuras:

13o meu arco que coloquei nas nuvens. Será o sinal da minha alian­ça com a terra.

14Quando eu trouxer nuvens sobre a terra e nelas aparecer o arco-íris,

15então me lembrarei da minha aliança com vocês e com os seres vivos de todas as espécies. Nunca mais as águas se tornarão um dilúvio para destruir toda forma de vida.

16Toda vez que o arco-íris estiver nas nuvens, olharei para ele e me lembra­rei da aliança eterna entre Deus e todos os seres vivos de todas as espécies que vivem na terra”.

17Concluindo, disse Deus a Noé: “Esse é o sinal da ali­ança que estabeleci entre mim e toda forma de vida que há sobre a terra”.

Os filhos de Noé

18Os filhos de Noé que saíram da arca fo­ram Sem, Cam e Jafé. Cam é o pai de Canaã.

19Esses foram os três filhos de Noé; a partir de­les toda a terra foi povoada.

20Noé, que era agricultor, foi o primeiro a plan­tar uma vinha.

21Be­beu do vinho, embriagou-se e ficou nu dentro da sua tenda.

22Cam, pai de Canaã, viu a nudez do pai e foi contar aos dois irmãos que estavam do lado de fora.

23Mas Sem e Jafé pegaram a capa, levantaram-na sobre os ­ombros e, andando de costas para não verem a nudez do pai, cobriram-no.

24Quando Noé acordou do efeito do vinho e descobriu o que seu filho caçula lhe havia fei­to,

25disse:”Maldito seja Canaã!Escravo de escravosserá para os seus irmãos”.

26Disse ainda:”Bendito seja o Senhor,o Deus de Sem!E seja Canaã seu escravo.

27Amplie Deus o território de Jafé;habite ele nas tendas de Sem,e seja Canaã seu escravo”.

28Depois do Dilúvio Noé viveu trezentos e cinquenta anos.

29Vi­veu ao todo novecentos e cinquenta anos e mor­reu.

Gênesis 10

O mapa das nações

1Este é o registro da descendência de Sem, Cam e Jafé, filhos de Noé. Os filhos deles nasceram depois do Dilúvio.

2Estes foram os filhos de Jafé:Gômer, Magogue, Madai, Javã, Tubal,Meseque e Tirás.

3Estes foram os filhos de Gômer:Asquenaz, Rifate e Togarma.

4Estes foram os filhos de Javã:Elisá, Társis, Quitim e Rodanim.

5Deles procedem os povos marítimos, os quais se sepa­raram em seu território, conforme a sua língua, cada um segundo os clãs de suas na­ções.

6Estes foram os filhos de Cam:Cuxe, Mizraim, Fute e Canaã.

7Estes foram os filhos de Cuxe:Sebá, Havilá, Sabtá, Raamá e Sabtecá.Estes foram os filhos de Raamá:Sabá e Dedã.

8Cuxe gerou também Ninrode, o primeiro homem poderoso na terra.

9Ele foi o mais valen­te dos caçadores, e por isso se diz: “Valente como Nin­rode­”.

10No início o seu reino abran­gia Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de Sinear.

11Des­sa terra ele partiu para a Assíria, onde fundou ­Nínive, Reobote-Ir, Calá

12e Resém, que fica entre Nínive e Calá, a grande cidade.

13Mizraim gerou os luditas, os anamitas, os leabitas, os naftuítas,

14os patrusitas, os casluítas, dos quais se originaram os filisteus, e os cafto­ritas.

15Canaã gerou Sidom, seu filho mais ve­lho, e Hete,Posteriormente, os clãs cananeus se espa­lharam.

16como também os jebu­seus, os amor­reus, os girgaseus,

17os heveus, os arqueus, os sineus,

18os arvadeus, os zemareus e os hama­teus.

19As fronteiras de Canaã estendiam-se desde Sidom, iam até Gerar, e chegavam a Gaza e, de lá, prosseguiam até Sodoma, Gomorra, Admá e Zeboim, chegando até Lasa.

20São esses os descendentes de Cam, con­forme seus clãs e línguas, em seus territórios e nações.

21Sem, irmão mais velho de Jafé, também gerou filhos. Sem foi o antepassado de todos os filhos de Héber.

22Estes foram os filhos de Sem:Elão, Assur, Arfaxade, Lude e Arã.

23Estes foram os filhos de Arã:Uz, Hul, Géter e Meseque.

24Arfaxade gerou Salá, e este gerou Hé­ber.

25A Héber nasceram dois filhos:um deles se chamou Pelegue, porque em sua época a terra foi dividida; seu irmão chamou-se Joctã.

26Joctã gerou Almodá, Salefe, Hazarmavé, Jerá,

27Adorão, Uzal, Dicla,

28Obal, Abimael, Sabá,

29Ofir, Havilá e Jobabe. Todos esses foram filhos de Joctã.

30A região onde viviam estendia-se de Messa até Sefar, nas colinas ao leste.

31São esses os descendentes de Sem, con­forme seus clãs e línguas, em seus territórios e nações.

32São esses os clãs dos filhos de Noé, dis­tribuídos em suas nações, conforme a história da sua descen­dência. A partir deles, os povos se dispersaram pela terra, depois do Dilúvio.

Gênesis 11

A torre de Babel

1No mundo todo havia apenas uma língua, um só modo de falar.

2Saindo os homens do Oriente, encontra­ram uma pla­nície em Sine­ar e ali se fixaram.

3Disseram uns aos outros: “Vamos fazer tijolos e queimá-los bem”. Usavam tijolos em lugar de pedras, e piche em vez de argamassa.

4Depois disseram: “Vamos construir uma cidade, com uma torre que alcance os céus. Assim nosso nome será famoso ­e não seremos espalhados pela face da terra”.

5O Senhor desceu para ver a cidade e a torre que os homens estavam constru­indo.

6E disse o Senhor: “Eles são um só povo e falam uma só língua, e come­çaram a construir isso. Em breve nada poderá impedir o que planejam fazer­.

7Venham, desçamos e confundamos a língua que falam, para que não entendam mais uns aos outros”.

8Assim o Senhor os dispersou dali por toda a terra, e pararam de construir a cidade.

9Por isso foi chamada Babel, porque ali o Senhor confundiu a língua de todo o mun­do. Dali o Senhor os espalhou por toda a terra.

Desde Sem a Abrão

10Este é o registro da descendência de Sem:Dois anos depois do Dilúvio, aos 100 anos de idade, Sem gerou Arfaxade.

11E depois de ter gerado Arfaxade, Sem viveu 500 anos e ge­rou outros filhos e filhas.

12Aos 35 anos, Arfaxade gerou Salá.

13De­pois que gerou Salá, Arfaxade viveu 403 anos e gerou outros filhos e filhas.

14Aos 30 anos, Salá gerou Héber.

15Depois que gerou Héber, Salá viveu 403 anos e gerou outros filhos e filhas.

16Aos 34 anos, Héber gerou Pelegue.

17De­pois que gerou Pele­gue, Héber viveu 430 anos e gerou outros filhos e filhas.

18Aos 30 anos, Pelegue gerou Reú.

19De­pois que gerou Reú, Pelegue viveu 209 anos e gerou outros filhos e filhas.

20Aos 32 anos, Reú gerou Serugue.

21De­pois que gerou Seru­gue, Reú viveu 207 anos e gerou outros filhos e filhas.

22Aos 30 anos, Serugue gerou Naor.

23De­pois que gerou Naor, Serugue viveu 200 anos e gerou outros filhos e filhas.

24Aos 29 anos, Naor gerou Terá.

25Depois que gerou Terá, Naor viveu 119 anos e gerou outros filhos e filhas.

26Aos 70 anos, Terá havia gerado Abrão, Naor e Harã.

27Esta é a história da família de Terá:Terá gerou Abrão, Naor e Harã. E Harã gerou Ló.

28Harã morreu em Ur dos caldeus, sua terra natal, quando ainda vivia Terá, seu pai.

29Tan­to Abrão como Naor casaram-se. O nome da mulher de Abrão era Sarai, e o nome da mu­lher de Naor era Milca; esta era filha de Harã, pai de Milca e de Iscá.

30Ora, Sarai era estéril; não tinha filhos.

31Terá tomou seu filho Abrão, seu neto Ló, filho de Harã, e sua nora Sarai, mulher de seu filho Abrão, e juntos partiram de Ur dos caldeus para Canaã. Mas, ao chegarem a Harã, estabeleceram-se ali.

32Terá viveu 205 anos e morreu em Harã.

Gênesis 12

A chamada de Abrão

1Então o Senhor disse a Abrão: “Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mos­trarei.

2″Farei de você um grande povo,e o abençoarei.Tornarei famoso o seu nome,e você será uma bênção.

3Abençoarei os que o abençoareme amaldiçoarei os que o amaldiçoarem;e por meio de vocêtodos os povos da terraserão aben­çoados”.

4Partiu Abrão, como lhe ordenara o Senhor, e Ló foi com ele. Abrão tinha setenta e cinco anos quando saiu de Harã.

5Levou sua mulher Sarai, seu sobrinho Ló, todos os bens que haviam acumulado e os seus servos, com­prados em Harã; partiram para a terra de Canaã e lá chega­ram.

6Abrão atravessou a terra até o lugar do carvalho de Moré, em Siquém. Naque­la época, os cananeus habitavam essa terra.

7O Senhor apa­receu a Abrão e disse: “À sua descendência darei esta terra”. Abrão cons­truiu ali um altar dedicado ao Senhor, que lhe havia aparecido.

8Dali prosseguiu em direção às colinas a leste de Betel, onde armou acampa­mento, tendo Betel a oeste e Ai a leste. Constru­iu ali um altar dedicado ao Senhor e invocou o nome do Senhor.

9Depois Abrão partiu e pros­seguiu em direção ao Neguebe.Abrão no Egito

Abrão no Egipto

10Houve fome naquela terra, e Abrão des­ceu ao Egito para ali viver algum tempo, pois a fome era rigorosa.

11Quando estava chegando ao Egito, disse a Sarai, sua mulher: “Bem sei que você é bonita.

12Quando os egípcios a virem, dirão: ‘Esta é a mulher dele’. E me matarão, mas dei­xarão você viva.

13Diga que é minha irmã, para que me tratem bem por amor a você e mi­nha vida seja poupada por sua causa”.

14Quando Abrão chegou ao Egito, viram os egípcios que Sarai era uma mulher muito bonita.

15Vendo-a, os homens da corte do faraó a elogiaram diante do faraó, e ela foi levada ao seu palácio.

16Ele tratou bem a Abrão por causa dela, e Abrão recebeu ovelhas e bois, jumentos e jumentas, servos e servas, e camelos.

17Mas o Senhor puniu o faraó e sua corte com graves doenças, por causa de Sarai, mulher de A­brão.

18Por isso o faraó mandou chamar Abrão e disse: “O que você fez comigo? Por que não me falou que ela era sua mulher?

19Por que disse que era sua irmã? Foi por isso que eu a tomei para ser minha mulher. Aí está a sua mu­lher. Tome-a e vá!”

20A seguir o faraó deu or­dens para que providenciassem o necessário para que Abrão partisse com sua mulher e com tudo o que possuía.

Gênesis 13

Abrão e Lot separam-se

1Saiu, pois, Abrão do Egito e foi para o Neguebe, com sua mulher e com tudo o que possuía, e Ló foi com ele.

2Abrão tinha enrique­cido muito, tanto em gado como em prata e ouro.

3Ele partiu do Neguebe em direção a Be­tel, indo de um lugar a outro, até que chegou ao lugar entre Betel e Ai onde já havia armado acam­pamento anteriormente

4e onde, pela pri­meira vez, tinha cons­truído um altar. Ali Abrão invocou o nome do Senhor.

5Ló, que acompanhava Abrão, também possuía rebanhos e tendas.

6E não podiam morar os dois juntos na mesma região, porque pos­suíam tantos bens que a terra não podia sustentá-los.

7Por isso surgiu uma desavença entre os pastores dos rebanhos de Abrão e os de Ló. Nessa época os cananeus e os ferezeus habi­tavam aque­la terra.

8Então Abrão disse a Ló: “Não haja desa­vença entre mim e você, ou entre os seus pasto­res e os meus; afinal somos irmãos!

9Aí está a terra inteira diante de você. Vamos separar-nos. Se você for para a esquer­da, irei para a direita; se for para a direita, irei para a esquer­da”.

10Olhou então Ló e viu todo o vale do Jordão, todo ele bem irrigado, até Zoar; era como o jardim do Senhor, como a terra do Egito. Isto se deu antes de o Senhor destruir Sodoma e Gomorra.

11Ló escolheu todo o vale do Jordão e partiu em direção ao leste. Assim os dois se separaram:

12Abrão ficou na terra de Canaã, mas Ló mudou seu acampamento para um lugar próximo a Sodo­ma, entre as cidades do vale.

13Ora, os homens de Sodoma eram extremamen­te perversos e pecadores contra o Senhor.

14Disse o Senhor a Abrão, depois que Ló separou-se dele: “De onde você está, olhe para o norte, para o sul, para o leste e para o oeste:

15to­da a terra que você está vendo darei a você e à sua descendência para sempre.

16Tornarei a sua descendência tão numerosa como o pó da terra. Se for possível contar o pó da terra, tam­bém se poderá contar a sua descendência.

17Per­corra esta terra de alto a baixo, de um lado a outro, porque eu a darei a você”.

18Então Abrão mudou seu acampamento e passou a viver próximo aos carvalhos de Manre, em Hebrom, onde construiu um altar dedicado ao Senhor.

Gênesis 14

Abrão salva Lot

1Naquela época, Anrafel, rei de Sinear, Arioque, rei de Elasar, Quedorla­omer, rei de Elão, e Tidal, rei de Goim,

2foram à guerra con­tra Bera, rei de Sodoma, contra Birsa, rei de Gomorra, contra Sinabe, rei de Admá, contra Seme­ber, rei de Zeboim, e contra o rei de Belá, que é Zoar.

3Todos esses últimos juntaram suas tropas no vale de Sidim, onde fica o mar Salga­do.

4Doze anos estiveram sujei­tos a Que­dorlao­mer, mas no décimo terceiro ano se rebelaram.

5No décimo quarto ano, Quedorlaomer e os reis que a ele tinham-se aliado derrotaram os refains em Asterote-Carnaim, os zuzins em Hã, os emins em Savé-Quiriataim

6e os horeus desde os montes de Seir até El-Parã, próximo ao deserto.

7Depois, voltaram e foram para En-Mispate, que é Cades, e conquistaram todo o território dos amalequitas e dos amorreus que viviam em Hazazom-Tamar.

8Então os reis de Sodoma, de Gomorra, de Admá, de Zeboim e de Belá, que é Zoar, mar­charam e tomaram posição de combate no vale de Sidim

9contra Quedorlaomer, rei de Elão, contra Tidal, rei de Goim, contra Anrafel, rei de Sinear, e contra Ario­que, rei de Elasar. Eram quatro reis contra cinco.

10Ora, o vale de Sidim era cheio de poços de betume e, quando os reis de Sodoma e de Gomorra fugiram, alguns dos seus homens caíram nos poços e o restante es­capou para os montes.

11Os vencedores saquea­ram todos os bens de Sodoma e de Gomorra e todo o seu mantimento, e partiram.

12Levaram também Ló, sobrinho de Abrão, e os bens que ele possuía, visto que morava em Sodoma.

13Mas alguém que tinha escapado veio e relatou tudo a Abrão, o hebreu, que vivia próximo aos carvalhos de Manre, o amorreu. Manre e os seus irmãos Escol e Aner eram aliados de Abrão.

14Quan­do Abrão ouviu que seu parente fora levado prisioneiro, mandou convocar os trezen­tos e dezoito homens treinados, nascidos em sua casa, e saiu em perseguição aos inimigos até Dã.

15Atacou-os durante a noite em grupos, e assim os derrotou, perse­guindo-os até Hobá, ao norte de Damasco.

16Recuperou todos os bens e trouxe de volta seu parente Ló com tudo o que possuía, com as mulheres e o restan­te dos prisioneiros.

17Voltando Abrão da vitória sobre Que­dorlaomer e sobre os reis que a ele se haviam aliado, o rei de Sodoma foi ao seu encontro no vale de Savé, isto é, o vale do Rei.

18Então Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, trouxe pão e vinho

19e abençoou Abrão, dizendo:”Bendito seja Abrãopelo Deus Altíssimo,Criador dos céus e da terra.

20E bendito seja o Deus Altíssimo,que entregou seus inimigosem suas mãos”.E Abrão lhe deu o dízimo de tudo.

21O rei de Sodoma disse a Abrão: “Dê-me as pessoas e pode ficar com os bens”.

22Mas Abrão respondeu ao rei de Sodoma: “De mãos levantadas ao Senhor, o Deus Altíssi­mo, Criador dos céus e da terra, juro

23que não acei­tarei nada do que pertence a você, nem mesmo um cordão ou uma correia de sandália, para que você jamais venha a dizer: ‘Eu enriqueci A­brão’.

24Nada aceita­rei, a não ser o que os meus servos comeram e a porção pertencente a Aner, Escol e Man­re, os quais me acompanharam. Que eles recebam a sua porção”.

Gênesis 15

A aliança de Deus com Abrão

1Depois dessas coisas o Senhor falou a Abrão numa visão:”Não tenha medo, Abrão!Eu sou o seu escudo;grande será a sua recompensa!”

2Mas Abrão perguntou: “Ó Soberano Se­nhor, que me darás, se con­tinuo sem filhos e o herdeiro do que possuo é Eliézer de Damasco?”

3E acrescentou: “Tu não me deste filho algum! Um servo da minha casa será o meu herdei­ro!”

4Então o Senhor deu-lhe a seguinte res­posta: “Seu herdei­ro não será esse. Um filho gerado por você mesmo será o seu herdeiro”.

5Le­van­do-o para fora da tenda, disse-lhe: “Olhe para o céu e conte as estrelas, se é que pode contá-las”. E prosseguiu: “Assim será a sua des­cendência”.

6Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi creditado como justiça.

7Disse-lhe ainda: “Eu sou o Senhor, que o tirei de Ur dos caldeus para dar a você esta terra como herança”.

8Perguntou-lhe Abrão: “Ó Soberano Senhor­, como posso saber que tomarei posse de­la?”

9Respondeu-lhe o Senhor: “Traga-me uma novilha, uma cabra e um car­neiro, todos com três anos de vida, e também uma rolinha e um pombi­nho”.

10Abrão trouxe todos esses animais, cortou-os ao meio e colocou cada metade em frente à outra; as aves, porém, ele não cortou.

11Nisso, aves de rapina começaram a descer so­bre os cadáveres, mas Abrão as enxotava.

12Ao pôr do sol, Abrão foi tomado de sono profundo, e eis que vieram sobre ele trevas densas e apavorantes.

13Então o Senhor lhe disse: “Saiba que os seus descendentes serão estrangeiros numa terra que não lhes pertencerá, onde também serão escravizados e oprimidos por quatro­centos anos.

14Mas eu castigarei a nação a quem servirão como escravos e, depois de tudo, sairão com muitos bens.

15Você, porém, irá em paz a seus antepassados e será sepultado em boa velhice.

16Na quarta geração, os seus descen­dentes voltarão para cá, porque a malda­de dos amor­reus ainda não atingiu a medida completa”.

17Depois que o sol se pôs e veio a escuri­dão, eis que um fogareiro esfumaçante, com uma tocha acesa, passou por entre os peda­ços dos animais.

18Naquele dia, o Senhor fez a se­guinte alian­ça com Abrão: “Aos seus descenden­tes dei esta terra, desde o ribeiro do Egito até o grande rio, o Eufra­tes:

19a terra dos queneus, dos quenezeus, dos cadmo­neus,

20dos hititas, dos ferezeus, dos refains,

21dos amorreus, dos cananeus, dos girga­seus e dos jebuseus”.

Gênesis 16

Agar e Ismael

1Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe dera ne­nhum filho. Como tinha uma serva egíp­cia, chamada Hagar,

2disse a Abrão: “Já que o Senhor me impediu de ter filhos, possua a mi­nha serva; talvez eu possa formar família por meio dela”. Abrão atendeu à proposta de Sarai.

3Quando isso aconteceu, já fazia dez anos que Abrão, seu marido, vivia em Canaã. Foi nessa ocasião que Sarai, sua mulher, lhe entregou sua serva egípcia Hagar.

4Ele possuiu Ha­gar, e ela engravidou.Quando se viu grávida, começou a olhar com desprezo para a sua senhora.

5Então Sarai disse a Abrão: “Caia sobre você a afronta que venho sofrendo. Coloquei minha serva em seus braços e, agora que ela sabe que engravidou, despreza-me. Que o Senhor seja o juiz entre mim e você”.

6Respondeu Abrão a Sarai: “Sua serva está em suas mãos. Faça com ela o que achar melhor”. Então Sarai tanto maltratou Hagar que esta acabou fugindo.

7O Anjo do Senhor encontrou Hagar perto de uma fonte no de­serto, no caminho de Sur,

8e perguntou-lhe: “Ha­gar, serva de Sarai, de onde você vem? Para onde vai?”Respondeu ela: “Estou fugindo de Sarai, a minha senhora”.

9Disse-lhe então o Anjo do Senhor: “Vol­te à sua senhora e sujeite-se a ela”.

10Disse mais o Anjo: “Multiplicarei tanto os seus descendentes que ninguém os poderá contar”.

11Disse-lhe ainda o Anjo do Senhor:”Você está grávida e terá um filho,e lhe dará o nome de Ismael,porque o Senhor a ouviuem seu sofrimento.

12Ele será como jumento selvagem;sua mão será contra todos,e a mão de todos contra ele,e ele viverá em hostilidadecontra todos os seus irmãos”.

13Este foi o nome que ela deu ao Senhor, que lhe havia falado: “Tu és o Deus que me vê”, pois dissera: “Teria eu visto Aquele que me vê?”

14Por isso o poço, que fica entre Cades e Bere­de, foi chamado Beer-Laai-Roi.

15Hagar teve um filho de Abrão, e este lhe deu o nome de Ismael.

16Abrão estava com oi­tenta e seis anos de idade quando Hagar lhe deu Ismael.

Gênesis 17

A aliança da circuncisão

1Quando Abrão estava com noventa e nove anos de idade o Senhor lhe apareceu e disse: “Eu sou o Deus todo-poderoso; ande segundo a minha vontade ­e seja íntegro.

2Esta­belecerei a minha aliança entre mim e você e multiplicarei muitíssimo a sua descendência”.

3Abrão prostrou-se com o rosto em terra, e Deus lhe disse:

4″De minha parte, esta é a minha alian­ça com você. Você será o pai de muitas nações.

5Não será mais cha­mado Abrão; seu nome será Abraão, porque eu o constituí pai de muitas nações.

6Eu o tornarei extremamente prolífero; de você farei nações e de você procederão reis.

7Estabelecerei a minha aliança como aliança eter­na entre mim e você e os seus futuros descendentes­, para ser o seu Deus e o Deus dos seus descenden­tes.

8Toda a terra de Canaã, onde agora você é estrangeiro, darei como proprieda­de perpétua a você e a seus descen­dentes; e serei o Deus deles.

9″De sua parte”, disse Deus a Abraão, “guarde a minha ali­ança, tanto você como os seus futuros descendentes.

10Es­ta é a minha alian­ça com você e com os seus descendentes, aliança que terá que ser guardada: Todos os do sexo masculino entre vocês serão circun­cidados na carne.

11T­erão que fazer essa marca, que será o sinal da aliança entre mim e vocês.

12Da sua geração em diante, todo menino de oito dias de idade entre vocês terá que ser circuncidado, tanto os nasci­dos em sua casa quanto os que forem comprados de estrangeiros e que não forem descen­dentes de vocês.

13Sejam nascidos em sua casa, sejam com­prados, terão que ser circuncidados. Minha alian­ça, marcada no corpo de vocês, será uma aliança perpétua.

14Qualquer do sexo masculino que for incircunciso, que não tiver sido circun­cidado, será eliminado do meio do seu povo; quebrou a minha aliança”.

15Disse também Deus a Abraão: “De agora em diante sua mulher já não se chamará Sarai; seu nome será Sara.

16Eu a abençoarei e tam­bém por meio dela darei a você um filho. Sim, eu a abençoarei e dela procederão na­ções e reis de povos”.

17Abraão prostrou-se com o rosto em terra; riu-se e disse a si mes­mo: “Poderá um homem de cem anos de idade gerar um filho? Poderá Sara dar à luz aos noventa anos?”

18E Abraão disse a Deus: “Permite que Ismael ­seja o meu her­dei­ro!”

19Então Deus respondeu: “Na verdade Sara, sua mulher, lhe dará um filho, e você lhe chamará Isaque. Com ele estabelecerei a minha aliança, que será aliança eterna para os seus fu­turos descendentes.

20E, no caso de Ismael, leva­rei em conta o seu pedido. Também o abençoa­rei; eu o farei prolífero e multiplicarei muito a sua descendên­cia. Ele será pai de doze príncipes e dele farei um grande povo.

21Mas a minha ali­ança, eu a estabelecerei com Isaque, filho que Sara dará a você no ano que vem, por esta época”.

22Quan­do terminou de falar com Abraão, Deus subiu e retirou-se da presença dele.

23Naquele mesmo dia, Abraão tomou seu filho Ismael, todos os nascidos em sua casa e os que foram comprados, todos os do sexo mascu­lino de sua casa, e os circunci­dou, como Deus lhe ordenara.

24Abraão tinha noventa e nove anos quando foi circuncidado,

25e seu filho Ismael tinha treze;

26Abraão e seu filho Ismael foram circuncidados naquele mesmo dia.

27E com Abraão foram circunci­dados todos os de sua casa, tanto os nascidos em casa como os com­prados de estrangeiros.

Gênesis 18

Os três visitantes

1O Senhor apareceu a Abraão perto dos carvalhos de Manre, quando ele estava sen­tado à entrada de sua tenda, na hora mais quen­te do dia.

2Abraão ergueu os olhos e viu três ho­mens em pé, a pouca distân­cia. Quan­do os viu, saiu da entrada de sua tenda, correu ao encontro deles e curvou-se até o chão.

3Disse ele: “Meu senhor, se mereço o seu favor, não passe pelo seu servo sem fazer uma parada.

4Mandarei buscar um pouco d’água para que lavem os pés e descansem debaixo desta árvore.

5Vou trazer a vocês também o que comer, para que recuperem as forças e prossigam pelo cami­nho, agora que já chegaram até este seu servo”.”Está bem; faça como está dizendo”, res­ponderam.

6Abraão foi apressadamente à tenda e dis­se a Sara: “Depressa, pegue três medidas da melhor farinha, amasse-a e faça uns pães”.

7Depois correu ao rebanho e escolheu o melhor novilho, e o deu a um servo, que se apres­sou em prepará-lo.

8Trouxe então coalha­da, leite e o novilho que havia sido prepa­rado, e os serviu. Enquanto comiam, ele ficou perto deles em pé, debaixo da árvore.

9″Onde está Sara, sua mulher?”, pergunta­ram.”Ali na tenda”, respondeu ele.

10Então disse o Senhor: “Voltarei a você na primavera, e Sara, sua mulher, terá um filho”.Sara escutava à entrada da tenda, atrás dele.

11Abra­ão e Sara já eram velhos, de idade bem avançada, e Sara já tinha passado da idade de ter filhos.

12Por isso riu consigo mesma, quan­do pensou: “Depois de já estar velha e meu senhor já idoso, ainda terei esse prazer?”

13Mas o Senhor disse a Abraão: “Por que Sara riu e disse: ‘Poderei realmente dar à luz, agora que sou idosa?’

14Existe alguma coisa impossível para o Senhor? Na primavera volta­rei a você, e Sara terá um filho”.

15Sara teve medo, e por isso men­tiu: “Eu não ri”.Mas ele disse: “Não negue, você riu”.

16Quando os homens se levantaram para partir, avistaram lá embaixo Sodoma; e Abraão os acompanhou para despedir-se.

Abraão intercede por Sodoma

17Então o Senhor disse: “Esconderei de Abraão o que estou para fazer?

18Abraão será o pai de uma nação grande e pode­rosa, e por meio dele todas as nações da terra serão abençoadas.

19Pois eu o escolhi, para que ordene aos seus filhos e aos seus descendentes que se conservem no caminho do Senhor, fazendo o que é justo e direito, para que o Senhor faça vir a Abraão o que lhe prometeu”.

20Disse-lhe, pois, o Senhor: “As acusa­ções contra Sodoma e Gomorra são tantas e o seu pecado é tão grave

21que descerei para ver se o que eles têm feito corresponde ao que te­nho ouvido. Se não, eu saberei”.

22Os homens partiram dali e foram para Sodoma, mas Abraão per­maneceu diante do Senhor.

23Abraão aproxi­mou-se dele e disse: “Exterminarás o justo com o ímpio?

24E se hou­ver cinquenta justos na cidade? Ainda a destrui­rás e não pouparás­ o lugar por amor aos cin­quenta justos que nele estão?

25Lon­ge de ti fazer tal coisa: matar o justo com o ímpio, tratando o justo e o ímpio da mesma maneira. Longe de ti! Não agirá com justiça o Juiz de toda a terra?”

26Respondeu o Senhor: “Se eu encontrar cinquenta justos em Sodoma, pouparei a cidade toda por amor a eles”.

27Mas Abraão tornou a falar: “Sei que já fui muito ousado a ponto de falar ao Senhor, eu que não passo de pó e cinza.

28Ainda assim per­gunto: E se faltarem cinco para completar os cinquenta justos? Destruirás a cidade por causa dos cinco?”Disse ele: “Se encontrar ali quarenta e cinco, não a destruirei”.

29″E se encontrares apenas quarenta?”, insistiu Abraão.Ele respondeu: “Por amor aos quarenta não a destruirei”.

30Então continuou ele: “Não te ires, Se­nhor, mas permite-me falar. E se apenas trinta forem encontra­dos ali?”Ele respondeu: “Se encontrar trinta, não a destruirei”.

31Prosseguiu Abraão: “Agora que já fui tão ousado falando ao Senhor, pergunto: E se apenas vinte forem encontrados ali?”Ele respondeu: “Por amor aos vinte não a destruirei”.

32Então Abraão disse ainda: “Não te ires, Senhor, mas permite-me falar só mais uma vez. E se apenas dez forem encontrados?”Ele respondeu: “Por amor aos dez não a destruirei”.

33Tendo acabado de falar com Abraão, o Senhor partiu, e Abraão voltou para casa.

Gênesis 19

Sodoma e Gomorra destruídas

1Os dois anjos chegaram a Sodoma ao anoitecer, e Ló estava sentado à porta da cidade. Quando os avistou, levantou-se e foi recebê-los. Prostrou-se com o rosto em terra

2e disse: “Meus senho­res, por favor, acompanhem-me à casa do seu servo. Lá poderão lavar os pés, passar a noite e, pela manhã, seguir caminho”.”Não, passaremos a noite na praça”, res­ponderam.

3Mas ele insistiu tanto com eles que, final­mente, o acompanharam e entraram em sua ca­sa. Ló mandou preparar-lhes uma refeição e assar pão sem fermento, e eles comeram.

4Ainda não tinham ido deitar-se, quando todos os homens de toda parte da cidade de Sodoma, dos mais jovens aos mais velhos, cer­caram a casa.

5Cha­maram Ló e lhe disseram: “Onde estão os homens que vieram à sua casa esta noite? Traga-os para nós aqui fora para que tenhamos rela­ções com eles”.

6Ló saiu da casa, fechou a porta atrás de si

7e lhes disse: “Não, meus ­amigos! Não façam essa perversidade!

8Olhem, tenho duas filhas que ainda são virgens. Vou trazê-las para que vocês façam com elas o que bem entenderem. Mas não façam nada a estes homens, porque se acham debaixo da proteção do meu teto”.

9″Saia da frente!”, gritaram. E disseram: “Este homem chegou aqui como estrangeiro, e agora quer ser o juiz! Faremos a você pior do que a eles”. Então empurraram Ló com violên­cia e ­avançaram para arrombar a porta.

10Nisso, os dois visitantes agarraram Ló, puxaram-no para dentro e fecharam a porta.

11De­pois feriram de cegueira os homens que estavam à porta da casa, dos mais jovens aos mais velhos, de manei­ra que não conse­guiam encontrar a porta.

12Os dois homens perguntaram a Ló: “Vo­cê tem mais alguém na cidade – genros, filhos ou filhas, ou qualquer outro parente? Tire-os daqui,

13porque estamos para destruir este lugar. As acusações feitas ao Senhor contra este povo são tantas ­que ele nos enviou para destruir a ci­dade”.

14Então Ló foi falar com seus genros, os quais iam casar-se com suas filhas, e lhes disse: “Saiam imediatamente deste lugar, porque o Senhor está para destruir a cidade!” Mas pensaram que ele estava brincando.

15Ao raiar do dia, os anjos insistiam com Ló, dizendo: “Depressa! Leve daqui sua mulher e suas duas filhas, ou vocês também serão mor­tos quando a cidade for casti­gada”.

16Tendo ele hesitado, os homens o agarraram pela mão, como também a mulher e as duas filhas, e os tiraram dali à força e os deixaram fora da cidade, porque o Senhor teve misericór­dia deles.

17Assim que os tiraram da cidade, um deles disse a Ló: “Fuja por amor à vida! Não olhe para trás e não pare em lugar nenhum da planície! Fuja para as montanhas, ou você será mor­to!”

18Ló, porém, lhes disse: “Não, meu se­nhor!

19Seu servo foi favorecido por sua benevo­lência, pois o senhor foi bondoso comigo, poupan­do-me a vida. Não posso fugir para as montanhas, senão esta calamidade cairá sobre mim, e morrerei.

20Aqui perto há uma cidade pequena. Está tão próxima que dá para correr até lá. Deixe-me ir para lá! Mesmo sendo tão pequena, lá estarei a salvo”.

21″Está bem”, respondeu ele. “Também lhe aten­derei esse pedido; não destruirei a cidade da qual você fala.

22Fuja depressa, porque nada poderei fazer enquanto você não chegar lá”. Por isso a cidade foi chamada Zoar.

23Quando Ló chegou a Zoar, o sol já havia nascido sobre a terra.

24Então o Senhor, o próprio Senhor, fez chover do céu fogo e en­xofre sobre Sodoma e Gomorra.

25Assim ele destruiu aquelas cidades e toda a planície, com todos os habitantes das cidades e a vegetação.

26Mas a mulher de Ló olhou para trás e se trans­formou numa coluna de sal.

27Na manhã seguinte, Abraão se levantou e voltou ao lugar onde tinha estado diante do Senhor.

28E olhou para Sodoma e Go­morra, para toda a planície, e viu uma densa fumaça subindo da terra, como fumaça de uma fornalha.

29Quando Deus arrasou as cidades da pla­nície, lembrou-se de Abraão e tirou Ló do meio da catástrofe que destruiu as cidades onde Ló vivia.

Lot e as suas filhas

30Ló partiu de Zoar com suas duas filhas e passou a viver nas montanhas, porque tinha me­do de permanecer em Zoar. Ele e suas duas fi­lhas ficaram morando numa caverna.

31Um dia, a filha mais velha disse à mais jovem: “Nosso pai já está velho, e não há ho­mens nas redondezas que nos possuam, segundo o costume de toda a terra.

32Vamos dar vinho a nosso pai e então nos deitaremos com ele para preservar a sua linhagem”.

33Naquela noite, deram vinho ao pai, e a filha mais velha entrou e se deitou com ele. E ele não percebeu quando ela se deitou nem quan­do se levantou.

34No dia seguinte a filha mais velha disse à mais nova: “Ontem à noite deitei-me com meu pai. Vamos dar-lhe vinho também esta noite, e você se deitará com ele, para que preservemos a linhagem de nosso pai”.

35Então, outra vez deram vinho ao pai naquela noite, e a mais nova foi e se deitou com ele. E ele não percebeu quan­do ela se deitou nem quan­do se levantou.

36Assim, as duas filhas de Ló engravidaram do próprio pai.

37A mais velha teve um filho e deu-lhe o nome de Moabe; este é o pai dos moabitas de hoje.

38A mais nova também teve um filho e deu-lhe o nome de Ben-Ami; este é o pai dos amonitas de hoje.

Gênesis 20

Abraão e Abimeleque

1Abraão partiu dali para a região do Neguebe e foi viver entre Cades e Sur. Depois morou algum tempo em Gerar.

2Ele dizia que Sara, sua mulher, era sua irmã. Então Abimele­que, rei de Gerar, mandou buscar Sara e tomou-a para si.

3Certa noite Deus veio a Abimeleque num sonho e lhe disse: “Você morrerá! A mulher que você tomou é casada”.

4Mas Abimeleque, que ainda não havia tocado nela, disse: “Senhor, destruirias um povo inocente?

5Não foi ele que me disse: ‘Ela é mi­nha irmã’? E ela também não disse: ‘Ele é meu irmão’? O que fiz foi de coração puro e de mãos limpas”.

6Então Deus lhe respondeu no sonho: “Sim, eu sei que você fez isso de coração puro. Eu mesmo impedi que você pecasse contra mim e por isso não lhe permiti tocá-la.

7Agora devol­va a mulher ao marido dela. Ele é profeta e orará em seu favor, para que você não morra. Mas, se não a devol­ver, esteja certo de que você e todos os seus morrerão”.

8Na manhã seguinte, Abimeleque convo­cou todos os seus conselheiros e, quando lhes contou tudo o que acontecera, tiveram muito medo.

9Depois Abime­leque chamou Abraão e disse: “O que fizeste conosco? Em que foi que pequei contra ti para que trouxesses tamanha culpa sobre mim e sobre o meu reino? O que me fizeste não se faz a ninguém!”

10E perguntou Abime­leque a Abraão: “O que te levou a fazer isso?”

11Abraão respondeu: “Eu disse a mim mes­mo: Certamente ninguém teme a Deus neste lugar, e irão matar-me por causa da minha mulher.

12Além disso, na verdade ela é minha irmã por parte de pai, mas não por parte de mãe; e veio a ser minha mulher.

13E, quando Deus me fez sair errante da casa de meu pai, eu disse a ela: As­sim você me provará sua lealdade: em qual­quer lugar aonde formos, diga que sou seu ir­mão”.

14Então Abimeleque trouxe ovelhas e bois, servos e servas, deu-os a Abraão e devolveu-lhe Sara, sua mulher.

15E disse Abime­leque: “Minha terra está diante de ti; podes ficar onde quise­res”.

16A Sara ele disse: “Estou dando a seu irmão mil peças de prata, para reparar a ofen­sa feita a você diante de todos os seus; assim ­to­dos saberão que você é inocente”.

17A seguir Abraão orou a Deus, e Deus curou Abimeleque, sua mulher e suas servas, de forma que puderam novamente ter filhos,

18por­que o Senhor havia tornado estéreis todas as mulheres da casa de Abimeleque por causa de Sara, mulher de Abraão.

Gênesis 21

O nascimento de Isaque

1O Senhor foi bondoso com Sara, como lhe dissera, e fez por ela o que prometera.

2Sara engravidou e deu um filho a Abraão em sua velhice, na época fixada por Deus em sua promessa.

3Abraão deu o nome de Isaque ao filho que Sara lhe dera.

4Quando seu filho Isaque tinha oito dias de vida, Abraão o circuncidou, conforme Deus lhe havia ordenado.

5Estava ele com cem anos de idade quando lhe nasceu Isa­que, seu filho.

6E Sara disse: “Deus me encheu de riso, e todos os que souberem disso rirão comigo”.

7E acrescentou: “Quem diria a Abraão que Sara amamentaria filhos? Contudo eu lhe dei um filho em sua velhice!”

Agar e Ismael mandados embora

😯 menino cresceu e foi desmamado. No dia em que Isaque foi desma­mado, Abraão deu uma grande festa.

9Sara, porém, viu que o filho que Hagar, a egípcia, dera a Abraão estava rindo de Isaque,

10e disse a Abra­ão: “Livre-se daquela escrava e do seu filho, porque ele jamais será herdeiro com o meu filho Isaque”.

11Isso perturbou demais Abraão, pois en­volvia um filho seu.

12Mas Deus lhe disse: “Não se perturbe por causa do menino e da escrava. Atenda a tudo o que Sara lhe pedir, porque será por meio de Isaque que a sua descendência há de ser consider­ada.

13Mas também do filho da escra­va farei um povo; pois ele é seu descen­dente”.

14Na manhã seguinte, Abraão pegou al­guns pães e uma vasilha de couro cheia d’água, entregou-os a Hagar e, tendo-os colocado nos ombros dela, despediu-a com o menino. Ela se pôs a caminho e ficou vagando pelo deserto de Berseba.

15Quando acabou a água da vasilha, ela deixou o menino debaixo de um arbusto

16e foi sentar-se perto dali, à distância de um tiro de flecha, porque pensou: “Não posso ver o menino morrer”. Sentada ali perto, começou a chorar.

17Deus ouviu o choro do menino, e o anjo de Deus, do céu, chamou Hagar e lhe disse: “O que a aflige, Hagar? Não tenha medo; Deus ou­viu o menino chorar, lá onde você o deixou.

18Le­vante o menino e tome-o pela mão, porque dele farei um grande povo”.

19Então Deus lhe abriu os olhos, e ela viu uma fonte. Foi até lá, encheu de água a vasilha e deu de beber ao menino.

20Deus estava com o menino. Ele cresceu, viveu no deserto e tornou-se flecheiro.

21Vivia no deserto de Parã, e sua mãe conseguiu-lhe uma mulher da terra do Egito.

O acordo em Berseba

22Naquela ocasião, Abimeleque, acompa­nhado de Ficol, comandante do seu exército, disse a Abraão: “Deus está contigo em tudo o que fazes.

23Agora, jura-me, diante de Deus, que não vais enganar-me, nem a mim nem a meus filhos e descendentes. Trata ­a nação que te aco­lheu como estrangeiro com a mesma bondade com que te tratei”.

24Respondeu Abraão: “Eu juro!”

25Todavia Abraão reclamou com Abimele­que a respeito de um poço que os servos de Abime­leque lhe tinham tomado à força.

26Mas Abimeleque lhe respondeu: “Não sei quem fez isso. Nunca me disseste nada, e só fiquei saben­do disso hoje”.

27Então Abraão trouxe ovelhas e bois, deu-os a Abimeleque, e os dois firmaram um acordo.

28Abraão separou sete ovelhas do reba­nho,

29pelo que Abimeleque lhe perguntou: “Que signi­ficam estas sete ovelhas que separaste das demais?”

30Ele respondeu: “Aceita estas sete ovelhas de minhas mãos como testemu­nho de que eu cavei este poço”.

31Por isso aquele lugar foi chamado Berse­ba, porque ali os dois fizeram um juramento.

32Firmado esse acordo em Berseba, Abimeleque e Ficol, comandante das suas tropas, voltaram para a terra dos filisteus.

33Abraão, por sua vez, plan­tou uma tamargueira em Berseba e ali invocou o nome do Senhor, o Deus Eterno.

34E morou Abraão na terra dos filisteus por lon­go tempo.

Gênesis 22

O nascimento de Isaque

1O Senhor foi bondoso com Sara, como lhe dissera, e fez por ela o que prometera.

2Sara engravidou e deu um filho a Abraão em sua velhice, na época fixada por Deus em sua promessa.

3Abraão deu o nome de Isaque ao filho que Sara lhe dera.

4Quando seu filho Isaque tinha oito dias de vida, Abraão o circuncidou, conforme Deus lhe havia ordenado.

5Estava ele com cem anos de idade quando lhe nasceu Isa­que, seu filho.

6E Sara disse: “Deus me encheu de riso, e todos os que souberem disso rirão comigo”.

7E acrescentou: “Quem diria a Abraão que Sara amamentaria filhos? Contudo eu lhe dei um filho em sua velhice!”

Agar e Ismael mandados embora

😯 menino cresceu e foi desmamado. No dia em que Isaque foi desma­mado, Abraão deu uma grande festa.

9Sara, porém, viu que o filho que Hagar, a egípcia, dera a Abraão estava rindo de Isaque,

10e disse a Abra­ão: “Livre-se daquela escrava e do seu filho, porque ele jamais será herdeiro com o meu filho Isaque”.

11Isso perturbou demais Abraão, pois en­volvia um filho seu.

12Mas Deus lhe disse: “Não se perturbe por causa do menino e da escrava. Atenda a tudo o que Sara lhe pedir, porque será por meio de Isaque que a sua descendência há de ser consider­ada.

13Mas também do filho da escra­va farei um povo; pois ele é seu descen­dente”.

14Na manhã seguinte, Abraão pegou al­guns pães e uma vasilha de couro cheia d’água, entregou-os a Hagar e, tendo-os colocado nos ombros dela, despediu-a com o menino. Ela se pôs a caminho e ficou vagando pelo deserto de Berseba.

15Quando acabou a água da vasilha, ela deixou o menino debaixo de um arbusto

16e foi sentar-se perto dali, à distância de um tiro de flecha, porque pensou: “Não posso ver o menino morrer”. Sentada ali perto, começou a chorar.

17Deus ouviu o choro do menino, e o anjo de Deus, do céu, chamou Hagar e lhe disse: “O que a aflige, Hagar? Não tenha medo; Deus ou­viu o menino chorar, lá onde você o deixou.

18Le­vante o menino e tome-o pela mão, porque dele farei um grande povo”.

19Então Deus lhe abriu os olhos, e ela viu uma fonte. Foi até lá, encheu de água a vasilha e deu de beber ao menino.

20Deus estava com o menino. Ele cresceu, viveu no deserto e tornou-se flecheiro.

21Vivia no deserto de Parã, e sua mãe conseguiu-lhe uma mulher da terra do Egito.

O acordo em Berseba

22Naquela ocasião, Abimeleque, acompa­nhado de Ficol, comandante do seu exército, disse a Abraão: “Deus está contigo em tudo o que fazes.

23Agora, jura-me, diante de Deus, que não vais enganar-me, nem a mim nem a meus filhos e descendentes. Trata ­a nação que te aco­lheu como estrangeiro com a mesma bondade com que te tratei”.

24Respondeu Abraão: “Eu juro!”

25Todavia Abraão reclamou com Abimele­que a respeito de um poço que os servos de Abime­leque lhe tinham tomado à força.

26Mas Abimeleque lhe respondeu: “Não sei quem fez isso. Nunca me disseste nada, e só fiquei saben­do disso hoje”.

27Então Abraão trouxe ovelhas e bois, deu-os a Abimeleque, e os dois firmaram um acordo.

28Abraão separou sete ovelhas do reba­nho,

29pelo que Abimeleque lhe perguntou: “Que signi­ficam estas sete ovelhas que separaste das demais?”

30Ele respondeu: “Aceita estas sete ovelhas de minhas mãos como testemu­nho de que eu cavei este poço”.

31Por isso aquele lugar foi chamado Berse­ba, porque ali os dois fizeram um juramento.

32Firmado esse acordo em Berseba, Abimeleque e Ficol, comandante das suas tropas, voltaram para a terra dos filisteus.

33Abraão, por sua vez, plan­tou uma tamargueira em Berseba e ali invocou o nome do Senhor, o Deus Eterno.

34E morou Abraão na terra dos filisteus por lon­go tempo.

Gênesis 23

A morte de Sara

1Sara viveu cento e vinte e sete anos

2e morreu em Quiriate-Arba, que é He­brom, em Canaã; e Abraão foi lamentar e chorar por ela.

3Depois Abraão deixou ali o corpo de sua mulher e foi falar com os hititas:

4″Sou apenas um estrangeiro entre vocês. Cedam-me alguma propriedade para sepultura, para que eu tenha onde enterrar a minha mulher”.

5Responderam os hititas a Abraão:

6″Ouça-nos, senhor; o senhor é um príncipe de Deus em nosso meio. Enterre a sua mulher nu­ma de nossas sepulturas, na que lhe parecer me­lhor. Ne­nhum de nós recusará ceder-lhe sua sepultura para que enterre a sua mulher”.

7Abraão levantou-se, curvou-se perante o povo daquela terra, os hititas,

8e disse-lhes: “Já que vocês me dão permissão para sepultar minha ­mulher, peço que intercedam por mim junto a Efrom, filho de Zoar,

9a fim de que ele me ceda a caverna de Macpela, que lhe pertence e se encontra na divisa do seu campo. Peçam-lhe que a ceda a mim pelo preço justo, para que eu tenha uma propriedade para sepultura entre vocês”.

10Efrom, o hitita, estava sentado no meio do seu povo e respondeu a Abraão, sendo ouvi­do por todos os hititas que tinham vindo à porta da cidade:

11″Não, meu senhor. Ouça-me, eu lhe cedo o campo e também a caverna que nele está. Cedo-os na presença do meu povo. Sepulte a sua mulher”.

12Novamente Abraão curvou-se perante o povo daquela terra

13e disse a Efrom, sendo ou­vido por todos: “Ouça-me, por favor. Pagarei o preço do campo. Aceite-o, para que eu possa sepultar a minha mulher”.

14Efrom respondeu a Abraão:

15″Ouça-me, meu senhor: aquele pedaço de terra vale quatro­centas peças de prata, mas o que significa isso entre mim e você? Sepulte a sua mulher”.

16Abraão concordou com Efrom e pesou-lhe o valor por ele estipulado diante dos hititas: quatrocentas peças de prata, de acordo com o peso corrente entre os merca­dores.

17Assim o campo de Efrom em Macpela, perto de Manre, o próprio campo com a caverna que nele há e todas as árvores dentro das divisas do campo, foi transferido

18a Abraão como sua propriedade diante de todos os hititas que tinham vindo à porta da cidade.

19Depois disso, Abraão sepultou sua mulher Sara na caverna do campo de Macpela, perto de Man­re, que se en­contra em Hebrom, na terra de Canaã.

20Assim o campo e a caverna que nele há foram transferi­dos a Abraão pelos hititas como propriedade para sepultura.

Gênesis 24

Isaque e Rebeca

1Abraão já era velho, de idade bem avançada, e o ­Senhor em tudo o aben­çoara.

2Dis­se ele ao servo mais velho de sua casa, que era o responsável por tudo quanto tinha: “Ponha a mão debaixo da minha coxa

3e jure pelo Se­nhor, o Deus dos céus e o Deus da terra, que não buscará mulher para meu filho entre as filhas dos cana­neus, no meio dos quais estou vivendo,

4mas irá à minha terra e buscará entre os meus parentes uma mulher para meu filho Isaque”.

5O servo lhe perguntou: “E se a mulher não quiser vir comigo a esta terra? Devo então levar teu filho de volta à terra de onde vieste?”

6″Cuidado!”, disse Abraão, “Não deixe o meu filho voltar para lá.

7″O Senhor, o Deus dos céus, que me tirou da casa de meu pai e de minha terra natal e que me prometeu sob juramento ­que à minha descendência daria esta terra, enviará o seu anjo adian­te de você para que de lá traga uma mulher para meu filho.

8Se a mulher não quiser vir, você estará livre do jura­mento. Mas não leve o meu filho de volta para lá.”

9Então o servo pôs a mão debaixo da coxa de Abraão, seu senhor, e jurou cumprir aque­la palavra.

10O servo partiu, com dez camelos do seu senhor, levando também do que o seu senhor tinha de melhor. Partiu para a Mesopotâmia, em direção à cidade onde Naor tinha morado.

11Ao cair da tarde, quando as mulheres costumam sair para buscar água, ele fez os camelos se ajoelha­rem junto ao poço que ficava fora da cidade.

12Então orou: “Senhor, Deus do meu senhor Abraão, dá-me neste dia bom êxito e seja bondoso com o ­meu senhor Abraão.

13Co­mo vês, estou aqui ao lado desta fonte, e as jovens do povo desta cidade estão vindo para tirar água.

14Concede que a jovem a quem eu disser: Por favor, incline o seu cântaro e dê-me de be­ber, e ela me responder: ‘Bebe. Também darei água aos teus camelos’, seja essa a que escolhes­te para teu servo Isaque. Saberei assim que ­foste bondoso com o meu senhor”.

15Antes que ele terminasse de orar, surgiu Rebeca, filha de Betuel, filho de Milca, mulher de Naor, irmão de Abraão, trazendo no ombro o seu cântaro.

16A jovem era muito bonita e vir­gem; nenhum homem tivera relações com ela. Rebeca desceu à fonte, encheu seu cântaro e voltou.

17O servo apressou-se ao encontro dela e disse: “Por favor, dê-me um pouco de água do seu cântaro”.

18″Beba, meu senhor”, disse ela, e tirou rapidamente dos ombros o cântaro e o serviu.

19Depois que lhe deu de beber, disse: “Ti­rarei água também para os seus camelos até saciá-los”.

20Assim ela esvaziou depressa seu cântaro no bebedouro e correu de volta ao poço para tirar mais água para todos os camelos.

21Sem dizer nada, o homem a observava atenta­mente para saber se o Senhor tinha ou não co­roado de êxito a sua missão.

22Quando os camelos acabaram de beber, o homem deu à jovem um pen­dente de ouro de seis gramas e duas pulseiras de ouro de cento e vinte gramas,

23e perguntou: “De quem você é filha? Diga-me, por favor, se há lugar na casa de seu pai para eu e meus companhei­ros passarmos a noite”.

24″Sou filha de Betuel, o filho que Milca deu a Naor”, respondeu ela;

25e acrescen­tou: “Temos bastante palha e forragem, e também temos lugar para vocês passarem a noite”.

26Então o homem curvou-se em adoração ao Senhor,

27dizendo: “Bendito seja o Senhor, o Deus do meu senhor Abraão, que não retirou sua bondade e sua fidelidade do meu senhor. Quanto a mim, o Senhor me conduziu na jorna­da até a casa dos parentes do meu senhor”.

28A jovem correu para casa e contou tudo à família de sua mãe.

29Rebeca tinha um irmão chamado Labão. Ele saiu apressado à fonte para conhecer o homem,

30pois tinha visto o penden­te e as pulseiras no braço de sua irmã, e ouvira Rebeca contar o que o homem lhe dissera. Saiu, pois, e foi encontrá-lo parado junto à fonte, ao lado dos camelos.

31E disse: “Venha, bendito do Senhor! Por que ficar aí fora? Já arrumei a casa e um lugar para os camelos”.

32Assim o homem dirigiu-se à casa, e os camelos foram descarrega­dos. Deram palha e forragem aos camelos, e água ao homem e aos que estavam com ele para lavarem os pés.

33De­pois lhe trouxeram comida, mas ele disse: “Não comerei enquanto não disser o que tenho para dizer”.Disse Labão: “Então fale”.

34E ele disse: “Sou servo de Abraão.

35O Senhor o abençoou muito, e ele se tornou mui­to rico. Deu-lhe ovelhas e bois, prata e ouro, servos e servas, camelos e jumentos.

36Sara, mulher do meu senhor, na velhice lhe deu um filho, que é o herdeiro de tudo o que Abra­ão possui.

37E meu senhor fez-me jurar, dizendo: ‘Você não buscará mulher para meu filho entre as filhas dos cana­neus, em cuja terra estou vi­vendo,

38mas irá à família de meu pai, ao meu pró­prio clã, buscar uma mulher para meu filho’.

39″Então perguntei a meu senhor: E se a mulher não quiser me acompa­nhar?

40″Ele respondeu: ‘O Senhor, a quem tenho servido, enviará seu anjo com você e coroará de êxito a sua missão, para que você traga para meu filho uma mulher do meu próprio clã, da família de meu pai.

41Quando chegar aos meus parentes, você estará livre do juramento se eles se recusarem a entregá-la a você. Só então você estará livre do juramento’.

42″Hoje, quando cheguei à fonte, eu disse: Ó Senhor, Deus do meu senhor Abraão, se assim desejares, dá êxito à missão de que fui incumbido.

43Aqui estou em pé diante desta fon­te; se uma moça vier tirar água e eu lhe disser: Por favor, dê-me de beber um pouco de seu cântaro,

44e ela me responder: ‘Bebe. Também darei água aos teus came­los’, seja essa a que o Senhor escolheu para o filho do meu senhor.

45″Antes de terminar de orar em meu cora­ção, surgiu Rebeca, com o cântaro ao ombro. Dirigiu-se à fonte e tirou água, e eu lhe disse: Por favor, dê-me de beber.

46″Ela se apressou a tirar o cântaro do ombro e disse: ‘Bebe. Também darei água aos teus camelos’. Eu bebi, e ela deu de beber tam­bém aos camelos.

47″Depois lhe perguntei: De quem você é filha?”Ela me respondeu: ‘De Betuel, filho de Naor e Milca’.”Então coloquei o pendente em seu nariz e as pulseiras em seus braços,

48e curvei-me em adoração ao Senhor. Bendisse ao ­Senhor, o Deus do meu senhor Abraão, que me guiou pelo caminho certo para buscar para o filho dele a neta do irmão do meu senhor.

49Agora, se quise­rem mos­trar fidelidade e bondade a meu senhor, digam-me; e, se não quiserem, digam-me tam­bém, para que eu decida o que fazer”.

50Labão e Betuel responderam: “Isso vem do Senhor; nada lhe po­demos dizer, nem a favor, nem contra.

51Aqui está Rebeca; leve-a com você e que ela se torne a mulher do filho do seu senhor, como disse o Senhor”.

52Quando o servo de Abraão ouviu o que disseram, curvou-se até o chão diante do Se­nhor.

53Então o servo deu joias de ouro e de prata e vestidos a Rebeca; deu também presentes valiosos ao irmão dela e à sua mãe.

54Depois ele e os homens que o acompanhavam comeram, beberam e ali passaram a noite.Ao se levantarem na manhã seguinte, ele disse: “Deixem-me voltar ao meu senhor”.

55Mas o irmão e a mãe dela responderam: “Deixe a jovem ficar mais uns dez dias conosco; então você poderá partir”.

56Mas ele disse: “Não me detenham, agora que o Senhor coroou de êxito a minha missão. Vamos despedir-nos, e voltarei ao meu senhor”.

57Então lhe disseram: “Vamos chamar a jovem e ver o que ela diz”.

58Chamaram Rebeca e lhe perguntaram: “Você quer ir com este homem?””Sim, quero”, respondeu ela.

59Despediram-se, pois, de sua irmã Rebeca, de sua ama, do servo de Abraão e ­dos que o acom­panhavam.

60E abençoaram Rebeca, dizendo-lhe:”Que você cresça, nossa irmã,até ser milhares de milhares;e que a sua descendência conquisteas cidades dos seus inimigos”.

61Então Rebeca e suas servas se apronta­ram, montaram seus camelos e partiram com o homem. E assim o servo partiu levando Rebeca.

62Isaque tinha voltado de Beer-Laai-Roi, pois habitava no Neguebe.

63Certa tarde, saiu ao campo para meditar. Ao erguer os olhos, viu que se aproximavam camelos.

64Rebeca também ergueu os olhos e viu Isaque. Ela desceu do camelo

65e perguntou ao servo: “Quem é aquele homem que vem pelo campo ao nosso encon­tro?””É meu senhor”, respondeu o servo. Então ela se cobriu com o véu.

66Depois o servo contou a Isaque tudo o que havia feito.

67Isaque levou Rebeca para a tenda de sua mãe, Sara; fez dela sua mulher, e a amou; assim Isaque foi consolado após a morte de sua mãe.

Gênesis 25

A morte de Abraão

1Abraão casou-se com outra mulher, cha­mada Que­tura.

2Ela lhe deu os seguintes filhos: Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Isbaque e Suá.

3Joc­sã gerou Sabá e Dedã; os descenden­tes de Dedã foram os assuritas, os le­tusitas e os leumitas.

4Os filhos de Midiã foram Efá, Éfer, Enoque, Abida e Elda. Todos esses foram descendentes de Que­tura.

5Abraão deixou tudo o que tinha para Isa­que.

6Mas para os filhos de suas concubinas deu presentes; e, ainda em vida, enviou-os para lon­ge de Isaque, para a terra do oriente.

7Abraão viveu cento e setenta e cinco anos.

8Morreu em boa velhice, em idade bem avançada, e foi reunido aos seus antepassados.

9Seus filhos, Isaque e Ismael, o sepultaram na caverna de Mac­pela, perto de Manre, no campo de Efrom, filho de Zoar, o hitita,

10campo que Abra­ão comprara dos hiti­tas. Foi ali que Abraão e Sara, sua mulher, foram sepultados.

11Depois da morte de Abraão, Deus abençoou seu filho Isaque. Isaque morava próximo a Beer-Laai-Roi.

Os filhos de Ismael

12Este é o registro da descendência de Ismael, o filho de Abraão que Hagar, a serva egíp­cia de Sara, deu a ele.

13São estes os nomes dos filhos de Ismael, alistados por ordem de nascimen­to: Nebaiote, o filho mais velho de Ismael, Quedar, Adbeel, Mibsão,

14Misma, Dumá, Massá,

15Hadade, Te­má, Jetur, Nafis e Quedemá.

16Foram esses os doze filhos de Ismael, que se tornaram os líderes de suas tribos; ­os seus povoados e acampamen­tos receberam os seus nomes.

17Ismael viveu cento e trinta e sete anos. Morreu e foi reunido aos seus antepassados.

18Seus descendentes se estabeleceram na região que vai de Havilá a Sur, próximo à fronteira com o Egito, na direção de quem vai para Assur. E viveram em hostilidade contra todos os seus irmãos.

Jacob e Esaú

19Esta é a história da família de Isaque, filho de Abraão:Abraão gerou Isaque,

20o qual aos quaren­ta anos se casou com Rebeca, filha de Betuel, o arameu de Padã-Arã, e irmã de Labão, também arameu.

21Isaque orou ao Senhor em favor de sua mulher, porque era estéril. O Senhor respon­deu à sua oração, e Rebeca, sua mulher, engra­vidou.

22Os meninos se empurravam dentro dela, pelo que disse: “Por que está me aconte­cendo isso?” Foi então consultar o Senhor.

23Disse-lhe o Senhor:”Duas nações estão em seu ventre;já desde as suas entranhasdois povos se separarão;um deles será mais forte que o outro,mas o mais velho servirá ao mais novo”.

24Ao chegar a época de dar à luz, confirmou-se que havia gêmeos em seu ventre.

25O pri­meiro a sair era ruivo, e todo o seu corpo era como um manto de pelos; por isso lhe deram o nome de Esaú.

26Depois saiu seu irmão, com a mão agarrada no calcanhar de Esaú; pelo que lhe deram o nome de Jacó. Tinha Isaque sessen­ta anos de idade quando Rebeca os deu à luz.

27Os meninos cresceram. Esaú tornou-se caçador habilidoso e vivia percorrendo os cam­pos, ao passo que Jacó cuidava do rebanho e vivia nas tendas.

28Isaque preferia Esaú, porque gostava de comer de suas caças; Rebeca preferia Jacó.

29Certa vez, quando Jacó preparava um ensopado, Esaú chegou famin­to, voltando do cam­po,

30e pediu-lhe: “Dê-me um pouco desse ensopado vermelho aí. Estou faminto!” Por isso também foi chamado Edom.

31Respondeu-lhe Jacó: “Venda-me primei­ro o seu direito de filho mais velho”.

32Disse Esaú: “Estou quase morrendo. De que me vale esse direito?”

33Jacó, porém, insistiu: “Jure primeiro”. Ele fez um juramento, ven­dendo o seu direito de filho mais velho a Jacó.

34Então Jacó serviu a Esaú pão com enso­pado de lenti­lhas. Ele comeu e bebeu, levantou-se e se foi.Assim Esaú desprezou o seu direito de filho mais velho.

Gênesis 26

Isaque e Abimeleque

1Houve fome naquela terra, como ti­nha acontecido no tempo de Abraão. Por isso Isaque foi para Gerar, onde Abimeleque era o rei dos filisteus.

2O ­Senhor apareceu a Isaque e disse: “Não desça ao Egito; procure estabelecer-se na terra que eu lhe indicar.

3Permaneça nesta terra mais um pouco, e eu estarei com você e o aben­çoarei. Porque a você e a seus des­cende­ntes darei todas estas terras e confir­marei o jura­men­to que fiz a seu pai, Abraão.

4Tor­narei seus descen­dentes tão nume­rosos como as estrelas do céu e lhes darei todas estas terras; e por meio da sua descen­dência todos os povos da terra serão abençoados,

5porque Abraão me obedeceu e guar­dou meus preceitos, meus mandamentos, meus decretos e minhas leis”.

6Assim Isaque ficou em Gerar.

7Quando os homens do lugar lhe pergunta­ram sobre a sua mulher, ele disse: “Ela é minha irmã”. Teve medo de dizer que era sua mu­lher, pois pensou: “Os homens deste lugar podem matar-me por causa de Rebeca, por ser ela tão bonita”.

8Isaque estava em Gerar já fazia muito tempo. Certo dia, Abimeleque, rei dos filisteus, estava olhando do alto de uma janela quando viu Isaque acariciando Rebeca, sua mulher.

9En­tão Abime­leque chamou Isaque e lhe disse: “Na verdade ela é tua mulher! Por que me disseste que ela era tua irmã?”Isaque respondeu: “Porque pensei que eu poderia ser morto por causa dela”.

10Então disse Abimeleque: “Tens ideia do que nos fizeste? Qualquer homem bem poderia ter-se deitado com tua mulher, e terias trazido culpa sobre nós”.

11E Abimeleque advertiu todo o povo: “Quem tocar neste homem ou em sua mulher certamente morrerá!”

12Isaque formou lavoura naquela terra e no mesmo ano colheu a cem por um, porque o Senhor o abençoou.

13O homem enriqueceu, e a sua riqueza conti­nuou a aumentar, até que ficou riquíssimo.

14Possuía tantos rebanhos e servos que os filisteus o invejavam.

15Estes taparam todos os poços que os servos de Abraão, pai de Isaque, tinham cavado na sua época, enchendo-os de terra.

16Então Abimeleque pediu a Isaque: “Sai de nossa terra, pois já és poderoso demais para nós”.

17Por isso Isaque mudou-se de lá, acampou no vale de Gerar e ali se estabeleceu.

18Isaque reabriu os poços cavados no tempo de seu pai, Abraão, os quais os filisteus fecharam depois que Abraão morreu, e deu-lhes os mesmos no­mes que seu pai lhes tinha dado.

19Os servos de Isaque cavaram no vale e descobriram um veio d’água.

20Mas os pastores de Gerar discutiram com os pastores de Isaque, dizendo: “A água é nossa!” Por isso Isaque deu ao poço o nome de Eseque, porque discutiram por causa dele.

21Então os seus servos cavaram outro poço, mas eles também discutiram por causa dele; por isso o chamou Sitna.

22Isaque mu­dou-se dali e cavou outro poço, e ninguém discutiu por causa dele. Deu-lhe o nome de Reo­bote, dizendo: “Agora o Senhor nos abriu es­paço e prosperare­mos na terra”.

23Dali Isaque foi para Berseba.

24Naque­la noite, o Senhor lhe apareceu e disse: “Eu sou o Deus de seu pai, Abraão. Não tema, porque estou com você; eu o abençoarei e multiplicarei os seus descende­ntes por amor ao meu servo Abraão”.

25Isaque construiu nesse lugar um altar e invocou o nome do Senhor. Ali armou acampa­mento, e os seus servos cavaram outro poço.

26Por aquele tempo, veio a ele Abimele­que, de Gerar, com Auzate, seu conselheiro pessoal, e Ficol, o comandante dos seus exércitos.

27Isaque lhes perguntou: “Por que me vieram ver, uma vez que foram hostis e me mandaram embora?”

28Eles responderam: “Vimos claramente que o Senhor está contigo; por isso dissemos: Façamos um juramento entre nós. Queremos firmar um acordo contigo:

29Tu não nos farás mal, assim como nada te fizemos, mas sempre te tratamos bem e te despedimos em paz. Agora sabemos que o Senhor te tem abençoado”.

30Então Isaque ofereceu-lhes um banquete, e eles comeram e beberam.

31Na manhã seguinte os dois fizeram juramento. Depois Isaque os despediu e partiram em paz.

32Naquele mesmo dia, os servos de Isaque vieram falar-lhe sobre o poço que tinham cava­do e disseram: “Achamos água!”

33Isaque deu-lhe o nome de Seba e, por isso, até o dia de hoje aquela cidade é conhecida como Berseba.

34Tinha Esaú quarenta anos de idade quan­do escolheu por mulher a Judite, filha de Beeri, o hitita, e também a Basemate, filha de Elom, o hitita.

35Elas amarguraram a vida de Isaque e de Rebeca.

Gênesis 27

Isaque e Abimeleque

1Houve fome naquela terra, como ti­nha acontecido no tempo de Abraão. Por isso Isaque foi para Gerar, onde Abimeleque era o rei dos filisteus.

2O ­Senhor apareceu a Isaque e disse: “Não desça ao Egito; procure estabelecer-se na terra que eu lhe indicar.

3Permaneça nesta terra mais um pouco, e eu estarei com você e o aben­çoarei. Porque a você e a seus des­cende­ntes darei todas estas terras e confir­marei o jura­men­to que fiz a seu pai, Abraão.

4Tor­narei seus descen­dentes tão nume­rosos como as estrelas do céu e lhes darei todas estas terras; e por meio da sua descen­dência todos os povos da terra serão abençoados,

5porque Abraão me obedeceu e guar­dou meus preceitos, meus mandamentos, meus decretos e minhas leis”.

6Assim Isaque ficou em Gerar.

7Quando os homens do lugar lhe pergunta­ram sobre a sua mulher, ele disse: “Ela é minha irmã”. Teve medo de dizer que era sua mu­lher, pois pensou: “Os homens deste lugar podem matar-me por causa de Rebeca, por ser ela tão bonita”.

8Isaque estava em Gerar já fazia muito tempo. Certo dia, Abimeleque, rei dos filisteus, estava olhando do alto de uma janela quando viu Isaque acariciando Rebeca, sua mulher.

9En­tão Abime­leque chamou Isaque e lhe disse: “Na verdade ela é tua mulher! Por que me disseste que ela era tua irmã?”Isaque respondeu: “Porque pensei que eu poderia ser morto por causa dela”.

10Então disse Abimeleque: “Tens ideia do que nos fizeste? Qualquer homem bem poderia ter-se deitado com tua mulher, e terias trazido culpa sobre nós”.

11E Abimeleque advertiu todo o povo: “Quem tocar neste homem ou em sua mulher certamente morrerá!”

12Isaque formou lavoura naquela terra e no mesmo ano colheu a cem por um, porque o Senhor o abençoou.

13O homem enriqueceu, e a sua riqueza conti­nuou a aumentar, até que ficou riquíssimo.

14Possuía tantos rebanhos e servos que os filisteus o invejavam.

15Estes taparam todos os poços que os servos de Abraão, pai de Isaque, tinham cavado na sua época, enchendo-os de terra.

16Então Abimeleque pediu a Isaque: “Sai de nossa terra, pois já és poderoso demais para nós”.

17Por isso Isaque mudou-se de lá, acampou no vale de Gerar e ali se estabeleceu.

18Isaque reabriu os poços cavados no tempo de seu pai, Abraão, os quais os filisteus fecharam depois que Abraão morreu, e deu-lhes os mesmos no­mes que seu pai lhes tinha dado.

19Os servos de Isaque cavaram no vale e descobriram um veio d’água.

20Mas os pastores de Gerar discutiram com os pastores de Isaque, dizendo: “A água é nossa!” Por isso Isaque deu ao poço o nome de Eseque, porque discutiram por causa dele.

21Então os seus servos cavaram outro poço, mas eles também discutiram por causa dele; por isso o chamou Sitna.

22Isaque mu­dou-se dali e cavou outro poço, e ninguém discutiu por causa dele. Deu-lhe o nome de Reo­bote, dizendo: “Agora o Senhor nos abriu es­paço e prosperare­mos na terra”.

23Dali Isaque foi para Berseba.

24Naque­la noite, o Senhor lhe apareceu e disse: “Eu sou o Deus de seu pai, Abraão. Não tema, porque estou com você; eu o abençoarei e multiplicarei os seus descende­ntes por amor ao meu servo Abraão”.

25Isaque construiu nesse lugar um altar e invocou o nome do Senhor. Ali armou acampa­mento, e os seus servos cavaram outro poço.

26Por aquele tempo, veio a ele Abimele­que, de Gerar, com Auzate, seu conselheiro pessoal, e Ficol, o comandante dos seus exércitos.

27Isaque lhes perguntou: “Por que me vieram ver, uma vez que foram hostis e me mandaram embora?”

28Eles responderam: “Vimos claramente que o Senhor está contigo; por isso dissemos: Façamos um juramento entre nós. Queremos firmar um acordo contigo:

29Tu não nos farás mal, assim como nada te fizemos, mas sempre te tratamos bem e te despedimos em paz. Agora sabemos que o Senhor te tem abençoado”.

30Então Isaque ofereceu-lhes um banquete, e eles comeram e beberam.

31Na manhã seguinte os dois fizeram juramento. Depois Isaque os despediu e partiram em paz.

32Naquele mesmo dia, os servos de Isaque vieram falar-lhe sobre o poço que tinham cava­do e disseram: “Achamos água!”

33Isaque deu-lhe o nome de Seba e, por isso, até o dia de hoje aquela cidade é conhecida como Berseba.

34Tinha Esaú quarenta anos de idade quan­do escolheu por mulher a Judite, filha de Beeri, o hitita, e também a Basemate, filha de Elom, o hitita.

35Elas amarguraram a vida de Isaque e de Rebeca.

Gênesis 28

1Então Isaque chamou Jacó, deu-lhe sua bên­ção e lhe ordenou: “Não se case com mulher cananeia.

2Vá a Padã-Arã, à casa de Be­tuel, seu avô materno, e case-se com uma das filhas de Labão, irmão de sua mãe.

3Que o Deus todo-poderoso o abençoe, faça-o prolífero e multiplique os seus descen­dentes, para que você se torne uma co­munidade de povos.

4Que ele dê a você e a seus descendentes a bênção de Abraão, para que você tome posse da terra na qual vive como estrangeiro, a terra dada por Deus a Abraão”.

5Então Isaque despediu Jacó e este foi a Padã-Arã, a Labão, filho do arameu Betuel, irmão de Rebeca, mãe de Jacó e Esaú.

6Esaú viu que Isaque havia abençoado a Jacó e o havia mandado a Padã-Arã para esco­lher ali uma mulher e que, ao abençoá-lo, dera-lhe a ordem de não se casar com mulher cananeia.

7Também soube que Jacó obede­cera a seu pai e a sua mãe e fora para Padã-Arã.

8Percebendo então Esaú que seu pai Isaque não aprovava as mulhe­res cananeias,

9foi à casa de Ismael e to­mou a Maala­te, irmã de Nebaiote, filha de Ismael, filho de Abraão, além das outras mulheres que já tinha.

O sonho de Jacob em Betel

10Jacó partiu de Berseba e foi para Harã.

11Chegando a determinado lugar, parou para pernoitar, porque o sol já se havia posto. To­mando uma das pedras dali, usou-a como traves­seiro ­e deitou-se.

12E teve um sonho no qual viu uma escada apoiada na terra; o seu topo alcan­çava os céus, e os anjos de Deus subiam e des­ciam por ela.

13Ao lado dele estava o Senhor, que lhe disse: “Eu sou o Senhor, o Deus de seu pai Abraão e o Deus de Isaque. Darei a você e a seus descendentes a terra na qual você está deitado.

14Seus descendentes serão como o pó da terra, e se espalharão para o Oeste e para o Leste, para o Norte e para o Sul. Todos os po­vos da terra serão abençoados por meio de você e da sua descen­dência.

15Estou com você e cui­darei de você, aonde quer que vá; e eu o trarei de volta a esta terra. Não o deixarei enquanto não fizer o que lhe prometi”.

16Quando Jacó acordou do sono, disse: “Sem dúvida o ­Senhor está neste lugar, mas eu não sabia!”

17Teve medo e disse: “Temível é este lugar! Não é outro, senão a casa de Deus; esta é a porta dos céus”.

18Na manhã seguinte, Jacó pegou a pedra que tinha usado como travesseiro, colocou-a em pé como coluna e derramou óleo sobre o seu topo.

19E deu o nome de Betel àque­le lugar, embora a cidade anteriormente se chamasse Luz.

20Então Jacó fez um voto, dizendo: “Se Deus estiver comigo, cuidar de mim nesta via­gem que estou fazendo, prover-me de comida e roupa,

21e levar-me de volta em segurança à casa de meu pai, então o ­Senhor será o meu Deus.

22E esta pedra que hoje coloquei como coluna servirá de santuário de Deus; e de tudo o que me deres certamente te darei o dízimo”.

Gênesis 29

1Então Isaque chamou Jacó, deu-lhe sua bên­ção e lhe ordenou: “Não se case com mulher cananeia.

2Vá a Padã-Arã, à casa de Be­tuel, seu avô materno, e case-se com uma das filhas de Labão, irmão de sua mãe.

3Que o Deus todo-poderoso o abençoe, faça-o prolífero e multiplique os seus descen­dentes, para que você se torne uma co­munidade de povos.

4Que ele dê a você e a seus descendentes a bênção de Abraão, para que você tome posse da terra na qual vive como estrangeiro, a terra dada por Deus a Abraão”.

5Então Isaque despediu Jacó e este foi a Padã-Arã, a Labão, filho do arameu Betuel, irmão de Rebeca, mãe de Jacó e Esaú.

6Esaú viu que Isaque havia abençoado a Jacó e o havia mandado a Padã-Arã para esco­lher ali uma mulher e que, ao abençoá-lo, dera-lhe a ordem de não se casar com mulher cananeia.

7Também soube que Jacó obede­cera a seu pai e a sua mãe e fora para Padã-Arã.

8Percebendo então Esaú que seu pai Isaque não aprovava as mulhe­res cananeias,

9foi à casa de Ismael e to­mou a Maala­te, irmã de Nebaiote, filha de Ismael, filho de Abraão, além das outras mulheres que já tinha.

O sonho de Jacob em Betel

10Jacó partiu de Berseba e foi para Harã.

11Chegando a determinado lugar, parou para pernoitar, porque o sol já se havia posto. To­mando uma das pedras dali, usou-a como traves­seiro ­e deitou-se.

12E teve um sonho no qual viu uma escada apoiada na terra; o seu topo alcan­çava os céus, e os anjos de Deus subiam e des­ciam por ela.

13Ao lado dele estava o Senhor, que lhe disse: “Eu sou o Senhor, o Deus de seu pai Abraão e o Deus de Isaque. Darei a você e a seus descendentes a terra na qual você está deitado.

14Seus descendentes serão como o pó da terra, e se espalharão para o Oeste e para o Leste, para o Norte e para o Sul. Todos os po­vos da terra serão abençoados por meio de você e da sua descen­dência.

15Estou com você e cui­darei de você, aonde quer que vá; e eu o trarei de volta a esta terra. Não o deixarei enquanto não fizer o que lhe prometi”.

16Quando Jacó acordou do sono, disse: “Sem dúvida o ­Senhor está neste lugar, mas eu não sabia!”

17Teve medo e disse: “Temível é este lugar! Não é outro, senão a casa de Deus; esta é a porta dos céus”.

18Na manhã seguinte, Jacó pegou a pedra que tinha usado como travesseiro, colocou-a em pé como coluna e derramou óleo sobre o seu topo.

19E deu o nome de Betel àque­le lugar, embora a cidade anteriormente se chamasse Luz.

20Então Jacó fez um voto, dizendo: “Se Deus estiver comigo, cuidar de mim nesta via­gem que estou fazendo, prover-me de comida e roupa,

21e levar-me de volta em segurança à casa de meu pai, então o ­Senhor será o meu Deus.

22E esta pedra que hoje coloquei como coluna servirá de santuário de Deus; e de tudo o que me deres certamente te darei o dízimo”.

Gênesis 30

Quando Raquel viu que não dava filhos a Jacó, teve inveja de sua irmã. Por isso disse a Jacó: “Dê-me filhos ou morrerei!”

2Jacó ficou irritado e disse: “Por acaso estou no lugar de Deus, que a impediu de ter fi­lhos?”

3Então ela respondeu: “Aqui está Bila, minha serva. Deite-se com ela, para que tenha filhos em meu lugar e por meio dela eu também possa formar família”.

4Por isso ela deu a Jacó sua serva Bila por mulher. Ele deitou-se com ela,

5Bila engravidou e deu-lhe um filho.

6Então Raquel disse: “Deus me fez justiça, ouviu o meu clamor e deu-me um fi­lho”. Por isso deu-lhe o nome de Dã.

7Bila, serva de Raquel, engravidou nova­mente e deu a Jacó o segundo filho.

8Então disse Raquel: “Tive grande luta com minha irmã e ven­ci”. Pelo que o chamou Naftali.

9Quando Lia viu que tinha parado de ter filhos, tomou sua serva Zilpa e a deu a Jacó por mulher.

10Zilpa, serva de Lia, deu a Jacó um filho.

11Então disse Lia: “Que grande sorte!” Por isso o chamou Gade.

12Zilpa, serva de Lia, deu a Jacó mais um filho.

13Então Lia exclamou: “Como sou feliz! As mulheres dirão que sou feliz”. Por isso lhe deu o nome de Aser.

14Durante a colheita do trigo, Rúben saiu ao campo, encontrou algumas mandrágoras e as trouxe a Lia, sua mãe. Então Raquel disse a Lia: “Dê-me algumas mandrágoras do seu filho”.

15Mas ela respondeu: “Não lhe foi suficien­te tomar de mim o marido? Vai tomar também as mandrá­goras que o meu filho trouxe?” Então disse Raquel: “Jacó se deitará com você esta noite, em troca das mandrá­goras trazidas pelo seu filho”.

16Quando Jacó chegou do campo naquela tarde, Lia saiu ao seu encontro e lhe disse: “Ho­je você me possuirá, pois eu comprei esse direito com as man­drágoras do meu filho”. E naquela noite ele se deitou com ela.

17Deus ouviu Lia, e ela engravidou e deu a Jacó o quinto filho.

18Disse Lia: “Deus me recompensou por ter dado a minha serva ao meu marido”. Por isso deu-lhe o nome de Issacar.

19Lia engravidou de novo e deu a Jacó o sexto fi­lho.

20Disse Lia: “Deus presenteou-me com uma dá­diva preciosa. Agora meu marido me tratará melhor; afinal já lhe dei seis fi­lhos”. Por isso deu-lhe o nome de Zebulom.

21Algum tempo depois, ela deu à luz uma menina a quem chamou Diná.

22Então Deus lembrou-se de Raquel. Deus ouviu o seu clamor e a tornou fértil.

23Ela engra­vidou, deu à luz um filho e disse: “Deus tirou de mim a minha humilhação”.

24Deu-lhe o nome de José e disse: “Que o Senhor me a­crescen­te ainda outro filho”.

Os rebanhos de Jacob aumentam

25Depois que Raquel deu à luz José, Jacó disse a Labão: “Deixe-me voltar para a minha terra natal.

26Dê-me as minhas mulheres, pelas quais o servi, e os meus filhos, e partirei. Você bem sabe quanto trabalhei para você”.

27Mas Labão lhe disse: “Se mereço sua consideração, peço-lhe que fique. Por meio de adivinhação descobri que o Senhor me abenço­ou por sua causa”.

28E acrescentou: “Diga o seu salário, e eu lhe pagarei”.

29Jacó lhe respondeu: “Você sabe quan­to trabalhei para você e como os seus rebanhos cresceram sob os meus cuidados.

30O pouco que você possuía antes da minha chegada au­mentou muito, pois o Senhor o abençoou depois que vim para cá. Contudo, quando farei algo em favor da minha pró­pria família?”

31Então Labão perguntou: “Que você quer que eu lhe dê?” “Não me dê coisa algu­ma”, res­pondeu Jacó. “Voltarei a cuidar dos seus reba­nhos se você concordar com o seguinte:

32hoje passarei por todos os seus rebanhos e tirarei do meio deles todas as ovelhas salpicadas e pinta­das, todos os cordeiros pretos e todas as cabras pintadas e salpicadas. Eles serão o meu salário.

33E a minha honestidade dará testemunho de mim no futuro, toda vez que você resolver veri­ficar o meu salário. ­Se estiver em meu poder alguma cabra que não seja salpicada ou pintada, e algum cordeiro que não seja preto, poderá considerá-los roubados.”

34E disse Labão: “De acordo. Seja como você disse”.

35Na­quele mesmo dia, Labão sepa­rou todos os bodes que tinham listras ou man­chas bran­cas, todas as cabras que tinham pintas ou manchas bran­cas e todos os cordeiros pretos e os pôs aos cuidados de seus fi­lhos.

36Afastou-se então de Jacó, à distância equiva­lente a três dias de viagem, e Jacó continuou a apas­centar o resto dos rebanhos de Labão.

37Jacó pegou galhos verdes de estoraque, amendoeira e plátano e neles fez listras bran­cas, descascando-os parcialmente e expondo assim a parte branca interna dos galhos.

38De­pois fixou os galhos des­cascados junto aos bebedouros, na frente dos rebanhos, no lugar onde costumavam ­beber água. Na época do cio, os rebanhos vi­nham beber e

39se acasa­lavam diante dos galhos. E geravam filhotes listrados, salpicados e pinta­dos.

40Ja­có separava os filhotes do rebanho dos demais, e fazia com que esses ficassem juntos dos animais listrados e pretos de Labão. Assim foi formando o seu próprio rebanho que separou do de Labão.

41Toda vez que as fêmeas mais fortes esta­vam no cio, Jacó colocava os galhos nos bebedouros, em frente dos animais, para que se acasalassem perto dos galhos;

42mas, se os animais eram fracos, não os colocava ali. Desse modo, os animais fracos ficavam para Labão e os mais fortes para Jacó.

43Assim o homem ficou extremamente rico, tornando-se dono de grandes rebanhos e de servos e servas, came­los e jumentos.

Gênesis 31

Jacob foge de Labão

1Jacó, porém, ouviu falar que os filhos de Labão es­tavam dizendo: “Jacó tomou tudo que o nosso pai tinha e juntou toda a sua riqueza à custa do nosso pai”.

2E Jacó percebeu que a atitude de Labão para com ele já não era a mes­ma de antes.

3E o Senhor disse a Jacó: “Volte para a terra de seus pais e de seus paren­tes, e eu estarei com você”.

4Então Jacó mandou chamar Raquel e Lia para virem ao campo onde estavam os seus re­banhos,

5e lhes disse: “Vejo que a atitude do seu pai para comigo não é mais a mesma, mas o Deus de meu pai tem estado comigo.

6Vocês sabem que trabalhei para seu pai com todo o empenho,

7mas ele tem me feito de tolo, mudan­do o meu salário dez vezes. Contudo, Deus não permitiu que ele me prejudicasse.

8Se ele dizia: ‘As crias salpicadas serão o seu salário’, todos os rebanhos geravam filhotes salpicados; e, se ele dizia: ‘As que têm listras serão o seu salário’, todos os rebanhos geravam filhotes com ­listras.

9Foi assim que Deus tirou os rebanhos de seu pai e os deu a mim.

10″Na época do acasalamento, tive um sonho em que olhei e vi que os machos que fe­cundavam o rebanho tinham listras, eram salpi­cados e ma­lhados.

11O Anjo de Deus me disse no sonho: ‘Ja­có!’ Eu respondi: ‘Eis-me aqui!’

12En­tão ele disse: ‘Olhe e veja que todos os machos que fecundam o rebanho têm listras, são salpica­dos e ma­lhados, porque tenho visto tudo o que Labão lhe fez.

13Sou o Deus de Betel, onde você ungiu uma coluna e me fez um voto. Saia agora desta terra e volte para a sua terra na­tal’ “.

14Raquel e Lia disseram a Jacó: “Temos ainda parte na herança dos bens de nosso pai?

15Não nos trata ele como estrangeiras? Não ape­nas nos vendeu como também gastou tudo o que foi pago por nós!

16Toda a riqueza que Deus tirou de nosso pai é nossa e de nossos filhos. Portanto, faça tudo quanto Deus lhe orde­nou”.

17Então Jacó ajudou seus filhos e suas mulheres a montar nos camelos,

18e conduziu todo o seu rebanho, junto com todos os bens que havia acumulado em Padã-Arã, para ir à terra de Canaã, à casa de seu pai, Isaque.

19Enquanto Labão tinha saído para tosquiar suas ovelhas, Raquel roubou de seu pai os ídolos do clã.

20Foi assim que Jacó enganou a Labão, o arameu, fugindo sem lhe dizer nada.

21Ele­ fugiu com tudo o que tinha e, atraves­sando o Eufrates, foi para os montes de Gileade.

Labão persegue Jacob

22Três dias depois, Labão foi informado de que Jacó tinha fugido.

23To­mando consigo os homens de sua família, perseguiu Jacó por sete dias e o alcançou nos montes de Gileade.

24En­tão, de noite, Deus veio em sonho a Labão, o arameu, e o advertiu: “Cuidado! Não diga nada a Jacó, não lhe faça promessas nem ameaças”.

25Labão alcançou Jacó, que estava acam­pado nos montes de Gileade. Então Labão e os homens se acamparam ali também.

26Ele pergun­tou a Jacó: “Que foi que você fez? Não só me enganou como também raptou minhas filhas como se fossem prisioneiras de guer­ra.

27Por que você me enganou, fugindo em segredo, sem avisar-me? Eu teria celebrado a sua partida ­com alegria e cantos, ao som dos tambo­rins e das harpas.

28Vo­cê nem sequer me deixou beijar meus netos e minhas filhas para despedir-me deles. Você foi insensa­to.

29Te­nho poder para prejudicá-los; mas, na noite pas­sada, o Deus do pai de vocês me advertiu: ‘Cuidado! Não diga nada a Jacó, não lhe faça promessas nem ameaças’.

30Agora, se você partiu porque tinha saudade da casa de seu pai, por que roubou meus deuses?”

31Jacó respondeu a Labão: “Tive medo, pois pensei que você tiraria suas filhas de mim à força.

32Quanto aos seus deuses, quem for en­contrado com eles não ficará vivo. Na presença dos nossos parentes, veja você mesmo se está aqui comigo qualquer coisa que lhe pertença, e, se estiver, leve-a de volta”. Ora, Jacó não sabia que Raquel os havia roubado.

33Então Labão entrou na tenda de Jacó, e nas tendas de Lia e de suas duas servas, mas nada encontrou. Depois de sair da tenda de Lia, entrou na tenda de Raquel.

34Raquel tinha colo­cado os ídolos dentro da sela do seu camelo e estava sentada em cima. Labão vasculhou toda a tenda, mas nada encontrou.

35Raquel disse ao pai: “Não se irrite, meu se­nhor, por não poder me levantar em sua pre­sença, pois estou com o fluxo das mulhe­res”. Ele procurou os ídolos, mas não os encontrou.

36Jacó ficou irado e queixou-se a Labão­: “Qual foi meu crime? Que pecado cometi para que você me persiga furiosamente?

37Você já vasculhou tudo o que me pertence. Encontrou algo que lhe pertença? Então coloque tudo aqui na frente dos meus paren­tes e dos seus, e que eles julguem entre nós dois.

38″Vinte anos estive com você. Suas ove­lhas e cabras nunca abortaram, e jamais comi um só carneiro do seu rebanho.

39Eu nunca levava a você os animais despedaçados por feras; eu mes­mo assumia o prejuízo. E você pedia contas de todo animal roubado de dia ou de noite.

40O calor me consumia de dia, e o frio de noite, e o sono fugia dos meus olhos.

41Foi assim nos vinte anos em que fiquei em sua casa. Traba­lhei para você catorze anos em troca de suas duas filhas e seis anos por seus reba­nhos, e dez vezes você alterou o meu salário.

42Se o Deus de meu pai, o Deus de Abraão, o Temor de Isaque, não esti­vesse comigo, certa­mente você me despediria de mãos vazias. Mas Deus viu o meu sofrimento e o trabalho das minhas mãos e, na noite passada, ele manifestou a sua decisão”.

43Labão respondeu a Jacó: “As mulheres são minhas filhas, os filhos são meus, os reba­nhos são meus. Tudo o que você vê é meu. Que posso fazer por essas minhas filhas ou pelos filhos que delas nasceram?

44Façamos agora, eu e você, um acordo que sirva de testemunho en­tre nós dois”.

45Então Jacó tomou uma pedra e a colo­cou em pé como coluna.

46E disse aos seus pa­rentes: “Juntem algumas pedras”. Eles apanha­ram pedras e as amontoaram. Depois comeram ali, ao lado do monte de pedras.

47Labão o cha­mou Jegar-Saaduta, e Jacó o chamou Galeede.

48Labão disse: “Este monte de pedras é uma testemu­nha entre mim e você, no dia de hoje”. Por isso foi chamado Galeede.

49Foi tam­bém chamado Mispá, por­que ele declarou: “Que o Senhor nos vigie, a mim e a você, quan­do estivermos separados um do outro.

50Se você mal­tratar minhas filhas ou menosprezá-las, to­mando outras mulheres além delas, ainda que ninguém saiba, lembre-se de que Deus é teste­munha entre mim e você”.

51Disse ainda Labão a Jacó: “Aqui estão este monte de pedras e esta coluna que coloquei entre mim e você.Então Jacó fez um juramento em nome do Temor de seu pai, Isaque.

52S­ão testemunhas de que não passarei para o lado de lá para prejudicá-lo, nem você passará para o lado de cá para preju­dicar-me.

53Que o Deus de Abraão, o Deus de Naor, o Deus do pai deles, julgue entre nós”.

54Ofereceu um sacrifí­cio no monte e chamou os parentes que lá esta­vam para uma refeição. Depois de comerem, passaram a noite ali.

55Na manhã seguinte, Labão beijou seus netos e suas filhas e os abençoou, e depois vol­tou para a sua terra.

Gênesis 32

Jacob prepara-se para se encontrar com Esaú

1Jacó também seguiu o seu caminho, e anjos de Deus vieram ao encon­tro dele.

2Quan­do Jacó os avis­tou, disse: “Este é o exército ­de Deus!” Por isso deu àquele lugar o nome de Maanaim.

3Jacó mandou mensageiros adiante dele a seu irmão Esaú, na região de Seir, território de Edom.

4E lhes ordenou: “Vocês dirão o seguinte ao meu senhor Esaú: Assim diz teu servo Jacó: Morei na casa de Labão e com ele permaneci até agora­.

5Tenho bois e jumentos, ovelhas e cabras, servos e servas. Envio agora esta mensagem ao meu senhor, para que me recebas bem”.

6Quando os mensageiros voltaram a Jacó, disseram-lhe: “Fomos até seu irmão Esaú, e ele está vindo ao seu encontro, com quatro­centos homens”.

7Jacó encheu-se de medo e foi tomado de angústia. Então dividiu em dois grupos todos os que estavam com ele, bem como as ovelhas, as cabras, os bois e os camelos,

8pois assim pen­sou: “Se Esaú vier e atacar um dos grupos, o outro poderá es­capar”.

9Então Jacó orou: “Ó Deus de meu pai Abraão, Deus de meu pai Isaque, ó Senhor que me disseste: ‘Volte para a sua terra e para os seus parentes e eu o farei prosperar’;

10não sou digno de toda a bondade e lealdade com que trataste o teu servo. Quando atravessei o Jordão eu tinha apenas o meu cajado, mas agora possuo duas caravanas.

11Livra-me, rogo-te, das mãos de meu irmão Esaú, porque tenho medo que ele venha nos atacar, tanto a mim como às mães e às crianças.

12Pois tu prometeste: ‘Esteja certo de que eu o farei prosperar e farei os seus des­cendentes tão numerosos como a areia do mar, que não se pode contar’ “.

13Depois de passar ali a noite, escolheu entre os seus rebanhos um presente para o seu irmão Esaú:

14duzen­tas cabras e vinte bodes, du­zentas ovelhas e vinte carneiros,

15trinta fêmeas de camelo com seus filhotes, quarenta vacas e dez touros, vinte jumentas e dez jumentos.

16Designou cada rebanho sob o cuidado de um servo e disse-lhes: “Vão à minha fren­te e man­tenham certa distância entre um rebanho e outro”.

17Ao que ia à frente deu a seguinte instru­ção: “Qua­ndo meu irmão Esaú encontrar-se com você e lhe perguntar: ‘A quem você pertence, para onde vai e de quem é todo este rebanho à sua frente?’,

18você responderá: É do teu servo Jacó. É um presente para o meu senhor Esaú; e ele mesmo está vindo atrás de nós”.

19Também instruiu o segundo, o terceiro e todos os outros que acompanhavam os reba­nhos: “Digam também a mesma coisa a Esaú quando o encontra­rem.

20E acrescentem: Teu servo Jacó está vindo atrás de nós”. Porque pen­sava: “Eu o apaziguarei com esses presentes que estou enviando antes de mim; mais tarde, quan­do eu o vir, talvez me receba”.

21Assim os pre­sentes de Jacó seguiram à sua frente; ele, porém, passou a noite no acampa­mento.

Jacob luta com Deus

22Naquela noite, Jacó levantou-se, tomou suas duas mulheres, suas duas servas e seus on­ze filhos para atravessar o lugar de passagem do Jaboque.

23De­pois de havê-los feito atravessar o ribeiro, fez passar também tudo o que possuía.

24E Jacó ficou sozinho. Então veio um homem que se pôs a lutar com ele até o amanhe­cer.

25Quan­do o homem viu que não poderia dominar Jacó, tocou-lhe na articulação da coxa, de forma que a deslocou enquanto luta­vam.

26Então o homem disse: “Deixe-me ir, pois o dia já despon­ta”. Mas Jacó lhe respondeu: “Não te deixarei ir, a não ser que me aben­çoes”.

27O homem lhe perguntou: “Qual é o seu nome?””Jacó”, respondeu ele.

28Então disse o homem: “Seu nome não será mais Jacó, mas sim Israel, porque você lutou com Deus e com homens e venceu”.

29Prosseguiu Jacó: “Peço-te que digas o teu nome”.Mas ele respondeu: “Por que pergunta o meu nome?” E o abençoou ali.

30Jacó chamou àquele lugar Peniel, pois disse: “Vi a Deus face a face e, todavia, minha vida foi poupada”.

31Ao nascer do sol, atravessou Peniel, man­cando por causa da coxa.

32Por isso, até o dia de hoje, os israelitas não comem o músculo ligado à articulação do quadril, porque nesse músculo Jacó foi ferido.

Gênesis 33

Jacob encontra-se com Esaú

1Quando Jacó olhou e viu que Esaú estava se aproximando com quatrocen­tos ho­mens, dividiu as crianças entre Lia, Raquel e as duas servas.

2Colocou as servas e os seus filhos à frente; Lia e seus filhos, de­pois; e Raquel com José, por último.

3Ele mesmo pas­sou à frente e, ao aproxi­mar-se do seu irmão, curvou-se até o chão sete vezes.

4Mas Esaú correu ao encontro de Jacó e abraçou-se ao seu pescoço, e o beijou. E eles choraram.

5Então Esaú ergueu o olhar e viu as mulheres e as crianças. E perguntou: “Quem são estes?”Jacó respondeu: “São os filhos que Deus concedeu ao teu servo”.

6Então as servas e os seus filhos se aproxi­maram e se curvaram.

7Depois, Lia e os seus filhos vieram e se curvaram. Por último, chega­ram José e Raquel, e também se curvaram.

8Esaú perguntou: “O que você pretende com todos os reba­nhos que encon­trei pelo cami­nho?””Ser bem recebido por ti, meu senhor”, respondeu Jacó.

9Disse, porém, Esaú: “Eu já tenho muito, meu irmão. Guarde para você o que é seu”.

10Mas Jacó insistiu: “Não! Se te agradaste de mim, aceita este presente de minha parte, porque ver a tua face é como contemplar a face de Deus; além disso, tu me recebeste tão bem!

11Aceita, pois, o presente que te foi trazido, pois Deus tem sido favorável para comigo, e eu já tenho tudo o que necessito”. Jacó tanto insistiu que Esaú acabou aceitando.

12Então disse Esaú: “Vamos seguir em frente. Eu o acompanharei”.

13Jacó, porém, lhe disse: “Meu senhor sabe que as crian­ças são frágeis e que estão sob os meus cuidados ovelhas e vacas que ama­men­tam suas crias. Se forçá-las demais na caminhada, um só dia que seja, todo o rebanho morrerá.

14Por isso, meu senhor, vai à frente do teu servo, e eu sigo atrás, devagar, no passo dos rebanhos e das crianças, até que eu chegue ao meu senhor em Seir”.

15Esaú sugeriu: “Permita-me, então, deixar alguns homens com você”.Jacó perguntou: “Mas para quê, meu se­nhor? Ter sido bem recebido já me foi sufi­cien­te!”

16Naquele dia, Esaú voltou para Seir.

17Ja­có, todavia, foi para Sucote, onde construiu uma casa para si e abrigos para o seu gado. Foi por isso que o lugar recebeu o nome de Sucote.

18Tendo voltado de Padã-Arã, Jacó che­gou a sal­vo à cidade de Si­quém, em Canaã, e acampou próximo da cidade.

19Por cem peças de prata comprou dos filhos de Hamor, pai de Siquém, a parte do campo onde tinha armado acampamento.

20Ali edificou um altar e lhe cha­mou El Elohe Israel.

Gênesis 34

Dina e Siquem

1Certa vez, Diná, a filha que Lia dera a Jacó, saiu para conhecer as mulheres daquela terra.

2Si­quém, filho de Hamor, o heveu, gover­nador daquela região, viu-a, agarrou-a e a violentou.

3Mas o seu cora­ção foi atraído por Diná, filha de Jacó, e ele amou a moça e falou-lhe com ternura.

4Por isso Siquém foi dizer a Hamor, seu pai: “Consiga-me aquela moça para que seja minha mulher”.

5Quando Jacó soube que sua filha Diná tinha sido desonrada, seus filhos estavam no campo, com os rebanhos; por isso esperou cala­do até que ­regressassem.

6Então Hamor, pai de Siquém, foi conver­sar com Jacó.

7Quando os filhos de Jacó volta­ram do campo e souberam ­de tudo, ficaram pro­fundamente entristecidos e irados, porque Si­quém tinha cometido um ato vergonhoso em Israel, ao deitar-se com a filha de Jacó – coisa que não se faz.

8Mas Hamor lhes disse: “Meu filho Si­quém apaixonou-se pela filha de vocês. Por fa­vor, entreguem-na a ele para que seja sua mu­lher.

9Casem-se entre nós; deem-nos suas fi­lhas e tomem para vocês as nossas.

10Estabeleçam-se entre nós. A terra está aberta para vocês: habitem-na, façam comércio nela e adquiram propriedades”.

11Então Siquém disse ao pai e aos irmãos de Diná: “Concedam-me este favor, ­e eu lhes darei o que me pedirem.

12Aumentem quan­to quiserem o preço e o presente pela noiva, e pa­garei o que me pedi­rem. Tão somente me deem a moça por mulher”.

13Os filhos de Jacó, porém, respon­deram com falsidade a Siquém e a seu pai, Hamor, por ter Siquém desonrado Diná, a irmã deles.

14Dis­seram: “Não podemos fazer isso; jamais entrega­remos nossa irmã a um homem que não seja circuncidado. Seria uma vergonha para nós.

15Da­remos nosso consentimento a vocês com uma condição: que vocês se tornem como nós, circuncidando todos os do sexo masculino.

16Só então lhes daremos as nossas filhas e poderemos casar-nos com as suas. Nós nos estabeleceremos entre vocês e seremos um só povo.

17Mas, se não aceitarem circuncidar-se, tomaremos nossa irmã e partire­mos”.

18A proposta deles pareceu boa a Hamor e a seu filho Si­quém.

19O jovem, que era o mais respeitado de todos os da casa de seu pai, não demorou em cumprir o que pediram, porque realmente gostava da filha de Jacó.

20Assim Hamor e seu filho Siquém dirigiram-se à porta da cidade para conversar com os seus concidadãos. E disseram:

21″Esses homens são de paz. Permitam que eles habitem em nossa terra e façam comércio entre nós; a terra tem bastante lugar para eles. Poderemos casar com as suas filhas, e eles com as nossas.

22Mas eles só consentirão em viver conosco co­mo um só povo sob a condi­ção de que todos os nossos homens sejam circuncidados, como eles.

23Lembrem-se de que os seus rebanhos, os seus bens e todos os seus outros animais passarão a ser nossos. Aceitemos então a condição para que se estabeleçam em nosso meio”.

24Todos os que saíram para reunir-se à porta da cidade concordaram com Hamor e com seu filho Siquém, e todos os homens e meninos da cidade foram circuncidados.

25Três dias depois, quando ainda sofriam do­res, dois filhos de Jacó, Simeão e Levi, irmãos de Diná, pegaram suas espadas e atacaram a cidade despreven­ida, matando todos os ho­mens.

26Mataram ao fio da espada Hamor e seu filho Siquém, tiraram Diná da casa de Siquém e parti­ram.

27Vieram então os outros filhos de Jacó e, passando pelos corpos, saquearam a cidade onde sua irmã tinha sido deson­rada.

28Apoderaram-se das ovelhas, dos bois e dos jumentos, e de tudo o que havia na cidade e no campo.

29Le­varam as mulhe­res e as cri­anças, e saquearam todos os bens e tudo o que havia nas casas.

30Então Jacó disse a Simeão e a Levi: “Vo­cês me puseram em grandes apuros, atrain­do sobre mim o ódio dos cananeus e dos fere­zeus, habitantes desta terra. Somos poucos, e, se eles juntarem suas forças e nos atacarem, eu e a minha família seremos des­truídos”.

31Mas eles responderam: “Está certo ele tratar nossa irmã como uma prostituta?”

Gênesis 35

Dina e Siquem

1Certa vez, Diná, a filha que Lia dera a Jacó, saiu para conhecer as mulheres daquela terra.

2Si­quém, filho de Hamor, o heveu, gover­nador daquela região, viu-a, agarrou-a e a violentou.

3Mas o seu cora­ção foi atraído por Diná, filha de Jacó, e ele amou a moça e falou-lhe com ternura.

4Por isso Siquém foi dizer a Hamor, seu pai: “Consiga-me aquela moça para que seja minha mulher”.

5Quando Jacó soube que sua filha Diná tinha sido desonrada, seus filhos estavam no campo, com os rebanhos; por isso esperou cala­do até que ­regressassem.

6Então Hamor, pai de Siquém, foi conver­sar com Jacó.

7Quando os filhos de Jacó volta­ram do campo e souberam ­de tudo, ficaram pro­fundamente entristecidos e irados, porque Si­quém tinha cometido um ato vergonhoso em Israel, ao deitar-se com a filha de Jacó – coisa que não se faz.

8Mas Hamor lhes disse: “Meu filho Si­quém apaixonou-se pela filha de vocês. Por fa­vor, entreguem-na a ele para que seja sua mu­lher.

9Casem-se entre nós; deem-nos suas fi­lhas e tomem para vocês as nossas.

10Estabeleçam-se entre nós. A terra está aberta para vocês: habitem-na, façam comércio nela e adquiram propriedades”.

11Então Siquém disse ao pai e aos irmãos de Diná: “Concedam-me este favor, ­e eu lhes darei o que me pedirem.

12Aumentem quan­to quiserem o preço e o presente pela noiva, e pa­garei o que me pedi­rem. Tão somente me deem a moça por mulher”.

13Os filhos de Jacó, porém, respon­deram com falsidade a Siquém e a seu pai, Hamor, por ter Siquém desonrado Diná, a irmã deles.

14Dis­seram: “Não podemos fazer isso; jamais entrega­remos nossa irmã a um homem que não seja circuncidado. Seria uma vergonha para nós.

15Da­remos nosso consentimento a vocês com uma condição: que vocês se tornem como nós, circuncidando todos os do sexo masculino.

16Só então lhes daremos as nossas filhas e poderemos casar-nos com as suas. Nós nos estabeleceremos entre vocês e seremos um só povo.

17Mas, se não aceitarem circuncidar-se, tomaremos nossa irmã e partire­mos”.

18A proposta deles pareceu boa a Hamor e a seu filho Si­quém.

19O jovem, que era o mais respeitado de todos os da casa de seu pai, não demorou em cumprir o que pediram, porque realmente gostava da filha de Jacó.

20Assim Hamor e seu filho Siquém dirigiram-se à porta da cidade para conversar com os seus concidadãos. E disseram:

21″Esses homens são de paz. Permitam que eles habitem em nossa terra e façam comércio entre nós; a terra tem bastante lugar para eles. Poderemos casar com as suas filhas, e eles com as nossas.

22Mas eles só consentirão em viver conosco co­mo um só povo sob a condi­ção de que todos os nossos homens sejam circuncidados, como eles.

23Lembrem-se de que os seus rebanhos, os seus bens e todos os seus outros animais passarão a ser nossos. Aceitemos então a condição para que se estabeleçam em nosso meio”.

24Todos os que saíram para reunir-se à porta da cidade concordaram com Hamor e com seu filho Siquém, e todos os homens e meninos da cidade foram circuncidados.

25Três dias depois, quando ainda sofriam do­res, dois filhos de Jacó, Simeão e Levi, irmãos de Diná, pegaram suas espadas e atacaram a cidade despreven­ida, matando todos os ho­mens.

26Mataram ao fio da espada Hamor e seu filho Siquém, tiraram Diná da casa de Siquém e parti­ram.

27Vieram então os outros filhos de Jacó e, passando pelos corpos, saquearam a cidade onde sua irmã tinha sido deson­rada.

28Apoderaram-se das ovelhas, dos bois e dos jumentos, e de tudo o que havia na cidade e no campo.

29Le­varam as mulhe­res e as cri­anças, e saquearam todos os bens e tudo o que havia nas casas.

30Então Jacó disse a Simeão e a Levi: “Vo­cês me puseram em grandes apuros, atrain­do sobre mim o ódio dos cananeus e dos fere­zeus, habitantes desta terra. Somos poucos, e, se eles juntarem suas forças e nos atacarem, eu e a minha família seremos des­truídos”.

31Mas eles responderam: “Está certo ele tratar nossa irmã como uma prostituta?”

Gênesis 36

Dina e Siquem

1Certa vez, Diná, a filha que Lia dera a Jacó, saiu para conhecer as mulheres daquela terra.

2Si­quém, filho de Hamor, o heveu, gover­nador daquela região, viu-a, agarrou-a e a violentou.

3Mas o seu cora­ção foi atraído por Diná, filha de Jacó, e ele amou a moça e falou-lhe com ternura.

4Por isso Siquém foi dizer a Hamor, seu pai: “Consiga-me aquela moça para que seja minha mulher”.

5Quando Jacó soube que sua filha Diná tinha sido desonrada, seus filhos estavam no campo, com os rebanhos; por isso esperou cala­do até que ­regressassem.

6Então Hamor, pai de Siquém, foi conver­sar com Jacó.

7Quando os filhos de Jacó volta­ram do campo e souberam ­de tudo, ficaram pro­fundamente entristecidos e irados, porque Si­quém tinha cometido um ato vergonhoso em Israel, ao deitar-se com a filha de Jacó – coisa que não se faz.

8Mas Hamor lhes disse: “Meu filho Si­quém apaixonou-se pela filha de vocês. Por fa­vor, entreguem-na a ele para que seja sua mu­lher.

9Casem-se entre nós; deem-nos suas fi­lhas e tomem para vocês as nossas.

10Estabeleçam-se entre nós. A terra está aberta para vocês: habitem-na, façam comércio nela e adquiram propriedades”.

11Então Siquém disse ao pai e aos irmãos de Diná: “Concedam-me este favor, ­e eu lhes darei o que me pedirem.

12Aumentem quan­to quiserem o preço e o presente pela noiva, e pa­garei o que me pedi­rem. Tão somente me deem a moça por mulher”.

13Os filhos de Jacó, porém, respon­deram com falsidade a Siquém e a seu pai, Hamor, por ter Siquém desonrado Diná, a irmã deles.

14Dis­seram: “Não podemos fazer isso; jamais entrega­remos nossa irmã a um homem que não seja circuncidado. Seria uma vergonha para nós.

15Da­remos nosso consentimento a vocês com uma condição: que vocês se tornem como nós, circuncidando todos os do sexo masculino.

16Só então lhes daremos as nossas filhas e poderemos casar-nos com as suas. Nós nos estabeleceremos entre vocês e seremos um só povo.

17Mas, se não aceitarem circuncidar-se, tomaremos nossa irmã e partire­mos”.

18A proposta deles pareceu boa a Hamor e a seu filho Si­quém.

19O jovem, que era o mais respeitado de todos os da casa de seu pai, não demorou em cumprir o que pediram, porque realmente gostava da filha de Jacó.

20Assim Hamor e seu filho Siquém dirigiram-se à porta da cidade para conversar com os seus concidadãos. E disseram:

21″Esses homens são de paz. Permitam que eles habitem em nossa terra e façam comércio entre nós; a terra tem bastante lugar para eles. Poderemos casar com as suas filhas, e eles com as nossas.

22Mas eles só consentirão em viver conosco co­mo um só povo sob a condi­ção de que todos os nossos homens sejam circuncidados, como eles.

23Lembrem-se de que os seus rebanhos, os seus bens e todos os seus outros animais passarão a ser nossos. Aceitemos então a condição para que se estabeleçam em nosso meio”.

24Todos os que saíram para reunir-se à porta da cidade concordaram com Hamor e com seu filho Siquém, e todos os homens e meninos da cidade foram circuncidados.

25Três dias depois, quando ainda sofriam do­res, dois filhos de Jacó, Simeão e Levi, irmãos de Diná, pegaram suas espadas e atacaram a cidade despreven­ida, matando todos os ho­mens.

26Mataram ao fio da espada Hamor e seu filho Siquém, tiraram Diná da casa de Siquém e parti­ram.

27Vieram então os outros filhos de Jacó e, passando pelos corpos, saquearam a cidade onde sua irmã tinha sido deson­rada.

28Apoderaram-se das ovelhas, dos bois e dos jumentos, e de tudo o que havia na cidade e no campo.

29Le­varam as mulhe­res e as cri­anças, e saquearam todos os bens e tudo o que havia nas casas.

30Então Jacó disse a Simeão e a Levi: “Vo­cês me puseram em grandes apuros, atrain­do sobre mim o ódio dos cananeus e dos fere­zeus, habitantes desta terra. Somos poucos, e, se eles juntarem suas forças e nos atacarem, eu e a minha família seremos des­truídos”.

31Mas eles responderam: “Está certo ele tratar nossa irmã como uma prostituta?”

Gênesis 37

Dina e Siquem

1Certa vez, Diná, a filha que Lia dera a Jacó, saiu para conhecer as mulheres daquela terra.

2Si­quém, filho de Hamor, o heveu, gover­nador daquela região, viu-a, agarrou-a e a violentou.

3Mas o seu cora­ção foi atraído por Diná, filha de Jacó, e ele amou a moça e falou-lhe com ternura.

4Por isso Siquém foi dizer a Hamor, seu pai: “Consiga-me aquela moça para que seja minha mulher”.

5Quando Jacó soube que sua filha Diná tinha sido desonrada, seus filhos estavam no campo, com os rebanhos; por isso esperou cala­do até que ­regressassem.

6Então Hamor, pai de Siquém, foi conver­sar com Jacó.

7Quando os filhos de Jacó volta­ram do campo e souberam ­de tudo, ficaram pro­fundamente entristecidos e irados, porque Si­quém tinha cometido um ato vergonhoso em Israel, ao deitar-se com a filha de Jacó – coisa que não se faz.

8Mas Hamor lhes disse: “Meu filho Si­quém apaixonou-se pela filha de vocês. Por fa­vor, entreguem-na a ele para que seja sua mu­lher.

9Casem-se entre nós; deem-nos suas fi­lhas e tomem para vocês as nossas.

10Estabeleçam-se entre nós. A terra está aberta para vocês: habitem-na, façam comércio nela e adquiram propriedades”.

11Então Siquém disse ao pai e aos irmãos de Diná: “Concedam-me este favor, ­e eu lhes darei o que me pedirem.

12Aumentem quan­to quiserem o preço e o presente pela noiva, e pa­garei o que me pedi­rem. Tão somente me deem a moça por mulher”.

13Os filhos de Jacó, porém, respon­deram com falsidade a Siquém e a seu pai, Hamor, por ter Siquém desonrado Diná, a irmã deles.

14Dis­seram: “Não podemos fazer isso; jamais entrega­remos nossa irmã a um homem que não seja circuncidado. Seria uma vergonha para nós.

15Da­remos nosso consentimento a vocês com uma condição: que vocês se tornem como nós, circuncidando todos os do sexo masculino.

16Só então lhes daremos as nossas filhas e poderemos casar-nos com as suas. Nós nos estabeleceremos entre vocês e seremos um só povo.

17Mas, se não aceitarem circuncidar-se, tomaremos nossa irmã e partire­mos”.

18A proposta deles pareceu boa a Hamor e a seu filho Si­quém.

19O jovem, que era o mais respeitado de todos os da casa de seu pai, não demorou em cumprir o que pediram, porque realmente gostava da filha de Jacó.

20Assim Hamor e seu filho Siquém dirigiram-se à porta da cidade para conversar com os seus concidadãos. E disseram:

21″Esses homens são de paz. Permitam que eles habitem em nossa terra e façam comércio entre nós; a terra tem bastante lugar para eles. Poderemos casar com as suas filhas, e eles com as nossas.

22Mas eles só consentirão em viver conosco co­mo um só povo sob a condi­ção de que todos os nossos homens sejam circuncidados, como eles.

23Lembrem-se de que os seus rebanhos, os seus bens e todos os seus outros animais passarão a ser nossos. Aceitemos então a condição para que se estabeleçam em nosso meio”.

24Todos os que saíram para reunir-se à porta da cidade concordaram com Hamor e com seu filho Siquém, e todos os homens e meninos da cidade foram circuncidados.

25Três dias depois, quando ainda sofriam do­res, dois filhos de Jacó, Simeão e Levi, irmãos de Diná, pegaram suas espadas e atacaram a cidade despreven­ida, matando todos os ho­mens.

26Mataram ao fio da espada Hamor e seu filho Siquém, tiraram Diná da casa de Siquém e parti­ram.

27Vieram então os outros filhos de Jacó e, passando pelos corpos, saquearam a cidade onde sua irmã tinha sido deson­rada.

28Apoderaram-se das ovelhas, dos bois e dos jumentos, e de tudo o que havia na cidade e no campo.

29Le­varam as mulhe­res e as cri­anças, e saquearam todos os bens e tudo o que havia nas casas.

30Então Jacó disse a Simeão e a Levi: “Vo­cês me puseram em grandes apuros, atrain­do sobre mim o ódio dos cananeus e dos fere­zeus, habitantes desta terra. Somos poucos, e, se eles juntarem suas forças e nos atacarem, eu e a minha família seremos des­truídos”.

31Mas eles responderam: “Está certo ele tratar nossa irmã como uma prostituta?”

Gênesis 38

Judá e Tamar

1Por essa época, Judá deixou seus ir­mãos e passou a viver na casa de um homem de Adulão, chamado Hira.

2Ali Judá encontrou a filha de um cananeu cha­mado Suá e casou-se com ela. Ele a possuiu,

3ela engravidou e deu à luz um filho, ao qual ele deu o nome de Er.

4Tor­nou a engravidar, teve um filho e deu-lhe o nome de Onã.

5Quando estava em Quezibe, ela teve ainda outro filho e chamou-o Selá.

6Judá escolheu uma mulher chamada Ta­mar para Er, seu filho mais velho.

7Mas o Senhor reprovou a conduta perversa de Er, filho mais velho de Judá, e por isso o matou.

8Então Judá disse a Onã: “Case-se com a mulher do seu irmão, cumpra as suas obri­gações de cunhado para com ela e dê uma descen­dência a seu ir­mão”.

9Mas Onã sabia que a descendên­cia não seria sua; assim, toda vez que possuía a mulher do seu irmão, derramava o sêmen no chão para evitar que seu irmão tivesse descen­dência.

10O Senhor reprovou o que ele fazia, e por isso o matou também.

11Disse então Judá à sua nora Tamar: “More como viúva na casa de seu pai até que o meu filho Selá cresça”, porque temia que ele viesse a morrer, como os seus irmãos. Assim Tamar foi morar na casa do pai.

12Tempos depois morreu a mulher de Judá, filha de Suá. Passado o luto, Judá foi ver os tosquiadores do seu rebanho em Timna com o seu amigo Hira, o adulamita.

13Quando foi dito a Tamar: “Seu sogro está a caminho de Timna para tosquiar suas ove­lhas”,

14ela trocou suas roupas de viúva, cobriu-se com um véu para se disfarçar e foi sentar-se à entrada de Enaim, que fica no caminho de Tim­na. Ela fez isso porque viu que, embora Selá já fosse crescido, ela não lhe tinha sido dada em casamento.

15Quando a viu, Judá pensou que fosse uma pros­tituta, porque ela havia encoberto o rosto.

16Não sabendo que era a sua nora, dirigiu-se a ela, à beira da estrada, e disse: “Venha cá, quero deitar-me com você”.

17Ela lhe perguntou: “O que você me dará para deitar-se comigo?”Disse ele: “Eu lhe man­darei um cabritinho do meu rebanho”.E ela perguntou: “Você me deixará algu­ma coisa como garantia até que o mande?”

18Disse Judá: “Que garantia devo dar-lhe?”Respondeu ela: “O seu selo com o cordão, e o cajado que você tem na mão”. Ele os entre­gou e a possuiu, e Tamar engravidou dele.

19Ela se foi, tirou o véu e tornou a vestir as roupas de viúva.

20Judá mandou o cabritinho por meio de seu amigo adulamita, a fim de reaver da mulher sua garantia, mas ele não a encon­trou,

21e per­guntou aos homens do lugar: “Onde está a pros­tituta cultual que costuma ficar à beira do cami­nho de Enaim?”Eles responderam: “Aqui não há nenhuma prostituta cultual”.

22Assim ele voltou a Judá e disse: “Não a encontrei. Além disso, os homens do lugar dis­seram que lá não há nenhuma prostituta cul­tual”.

23Disse Judá: “Fique ela com o que lhe dei. Não quero que nos tornemos objeto de zomba­ria. Afinal de contas, mandei a ela este cabriti­nho, mas você não a encontrou”.

24Cerca de três meses mais tarde, disseram a Judá: “Sua nora Tamar prostituiu-se, e na sua prostituição ficou grávida”.Disse Judá: “Tragam-na para fora e queimem-na viva!”

25Quando ela estava sendo levada para fora, mandou o seguinte recado ao sogro: “Es­tou grávida do homem que é dono destas coi­sas”. E acrescentou: “Veja se o senhor reconhe­ce a quem pertencem este selo, este cordão e este cajado”.

26Judá os reconheceu e disse: “Ela é mais justa do que eu, pois eu devia tê-la entregue a meu filho Selá”. E não voltou a ter relações com ela.

27Quando lhe chegou a época de dar à luz, havia gêmeos em seu ventre.

28Enquanto ela dava à luz, um deles pôs a mão para fora; então a parteira pegou um fio vermelho e amar­rou o pulso do menino, dizendo: “Este saiu primeiro”.

29Mas, quando ele recolheu a mão, seu irmão saiu, e ela disse: “Então você conseguiu uma brecha para sair!” E deu-lhe o nome de Perez.

30Depois saiu seu irmão que estava com o fio vermelho no pulso, e foi-lhe dado o nome de Zerá.

Gênesis 39

José e a mulher de Potifar

1José havia sido levado para o Egito, onde o egíp­cio Potifar, oficial do faraó e capitão da guarda, comprou-o dos ismaelitas que o ti­nham levado para lá.

2O Senhor estava com José, de modo que este pros­perou e passou a morar na casa do seu senhor egípcio.José era atraente e de boa aparência,

3Quan­do este percebeu que o Senhor estava com ele e que o fazia prosperar em tudo o que realizava,

4agradou-se de José e tornou-o administrador de seus bens. Potifar deixou a seu cuidado a sua casa e lhe confiou tudo o que possuía.

5Desde que o deixou cui­dando de sua casa e de todos os seus bens, o Senhor abençoou a casa do egípcio por causa de José. A bênção do Senhor estava sobre tudo o que Potifar possuía, tanto em casa como no cam­po.

6Assim, deixou ele aos cuidados de José tudo o que tinha, e ­não se preocupava com coisa alguma, exceto com sua própria comida.

7e, depois de certo tempo, a mulher do seu senhor começou a cobiçá-lo e o convidou: “Venha, deite-se comigo!”

8Mas ele se recusou e lhe dis­se: “Meu senhor não se preocupa com coisa alguma de sua casa, e tudo o que tem deixou aos meus cuidados.

9Ninguém desta casa está acima de mim. Ele nada me negou, a não ser a senhora, porque é a mulher dele. Como poderia eu, en­tão, cometer algo tão perverso e pecar contra Deus?”

10Assim, em­bora ela insistisse com José dia após dia, ele se recusava a deitar-se com ela e evitava ficar perto dela.

11Um dia ele entrou na casa para fazer suas tarefas, e nenhum dos empregados ali se encon­trava.

12Ela o agarrou pelo manto e voltou a convidá-lo: “Vamos, deite-se comigo!” Mas ele fugiu da casa, deixando o manto na mão dela.

13Quando ela viu que, ao fugir, ele tinha deixado o manto em sua mão,

14chamou os em­pregados e lhes disse: “Vejam, este hebreu nos foi trazido para nos insultar! Ele entrou aqui e tentou abusar de mim, mas eu gritei.

15Quan­do me ouviu gritar por socorro, largou seu manto ao meu lado e fugiu da casa”.

16Ela conservou o manto consigo até que o senhor de José che­gasse à casa.

17En­tão repetiu-lhe a história: “Aquele escravo hebreu que você nos trouxe aproximou-se de mim para me insultar.

18Mas, quando gritei por socorro, ele largou seu manto ao meu lado e fugiu”.

19Quando o seu senhor ouviu o que a sua mulher lhe disse: “Foi assim que o seu escravo me tratou”, ficou indignado.

20Mandou buscar José e lançou-o na prisão em que eram postos os prisioneiros do rei. José ficou na prisão,

21mas o Senhor esta­va com ele e o tratou com bondade, concedendo-lhe a simpatia do carcereiro.

22Por isso ­o carcereiro encarregou José de todos os que esta­vam na prisão, e ele se tornou responsável por tudo o que lá sucedia.

23O carce­reiro não se pre­ocupava com nada do que estava a cargo de José, porque o Senhor estava com José e lhe concedia bom êxito em tudo o que realizava.

Gênesis 40

O chefe de vinhos e o padeiro

1Algum tempo depois, o copeiro e o padeiro do rei do Egito fizeram uma ofensa ao seu senhor, o rei do Egito.

2O faraó irou-se com os dois oficiais, o chefe dos copeiros e o chefe dos padei­ros,

3e mandou prendê-los na casa do capitão da guarda, na pri­são em que José estava.

4O capitão da guarda os deixou aos cuidados de José, que os servia.Depois de certo tempo,

5o copeiro e o padeiro do rei do Egito, que estavam na prisão, sonharam. Cada um teve um sonho, ambos na mesma noite, e cada sonho tinha a sua própria interpretação.

6Quando José foi vê-los na manhã seguin­te, notou que estavam abati­dos.

7Por isso per­guntou aos oficiais do faraó, que também esta­vam presos na casa do seu senhor: “Por que hoje vocês estão com o semblante triste?”

8Eles responderam: “Tivemos sonhos, mas não há quem os interprete”.Disse-lhes José: “Não são de Deus as interpre­tações? Contem-me os sonhos”.

9Então o chefe dos copeiros contou o seu sonho a José: “Em meu sonho vi diante de mim uma videira,

10com três ramos. Ela brotou, flo­resceu e deu uvas que amadureciam em cachos.

11A taça do faraó estava em minha mão. Peguei as uvas, e as espremi na taça do faraó, e a entre­guei em sua mão”.

12Disse-lhe José: “Esta é a interpretação: os três ramos são três dias.

13Dentro de três dias o faraó vai exaltá-lo e restaurá-lo à sua posi­ção, e você servirá a taça na mão dele, como costu­mava fazer quando era seu copeiro.

14Quando tudo estiver indo bem com você, lembre-se de mim e seja bondoso comigo; fale de mim ao faraó e tire-me desta prisão,

15pois fui trazido à força da terra dos hebreus, e também aqui nada fiz para ser jogado neste calabouço”.

16Ouvindo o chefe dos padeiros essa inter­pretação favorável, disse a José: “Eu também tive um sonho: sobre a minha cabeça havia três cestas de pão branco.

17Na cesta de cima havia todo tipo de pães e doces que o faraó aprecia, mas as aves vinham comer da cesta que eu trazia na ca­beça”.

18E disse José: “Esta é a interpretação: as três cestas são três dias.

19Den­tro de três dias o faraó vai decapitá-lo e pendurá-lo numa árvore. E as aves comerão a sua carne”.

20Três dias depois era o aniversário do faraó, e ele ofereceu um ban­quete a todos os seus conselheiros. Na presença deles reapresen­tou o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros;

21res­taurou à sua posição o chefe dos copeiros, de modo que ele voltou a ser aquele que servia a taça do faraó,

22mas ao chefe dos padeiros mandou enforcar, como José lhes dissera em sua interpretação.

23O chefe dos copeiros, porém, não se lembrou de José; ao contrário, esque­ceu-se dele.

Gênesis 41

O sonho de Faraó

1Ao final de dois anos, o faraó teve um sonho. Ele estava em pé junto ao rio Nilo,

2quan­do saíram do rio sete vacas belas e gordas, que começaram a pastar entre os juncos.

3Depois saíram do rio mais sete vacas, feias e ma­gras, que foram para junto das outras, à beira do Nilo.

4Então as vacas feias e magras comeram as sete vacas belas e gordas. Nisso o faraó acordou.

5Tornou a adormecer e teve outro sonho. Sete espigas de trigo, graúdas e boas, cresciam no mesmo pé.

6Depois brotaram outras sete es­pigas, mirradas e ressequidas pelo vento leste.

7As espigas mir­radas engoliram as sete espigas graúdas e cheias. Então o faraó acordou; era um sonho.

8Pela manhã, perturbado, mandou chamar todos os magos e sábios do Egito e lhes contou os sonhos, mas ninguém foi capaz de interpretá-los.

9Então o chefe dos copeiros disse ao fa­raó: “Hoje me lembro de minhas faltas.

10Certa vez o faraó ficou irado com dois dos seus servos e man­dou prender-me junto com o chefe dos padeiros, na casa do capitão da guarda.

11Certa noite cada um de nós teve um sonho, e cada sonho tinha uma interpretação.

12Pois bem, havia lá conosco um jovem hebreu, servo do capitão da guarda. Contamos a ele os nossos sonhos, e ele os inter­pretou, dando a cada um de nós a interpretação do seu próprio sonho.

13E tudo aconteceu conforme ele nos dissera: eu fui restau­rado à minha posição, e o outro foi enforcado”.

14O faraó mandou chamar José, que foi trazido depressa do cala­bouço. Depois de se barbear e trocar de roupa, apresentou-se ao faraó.

15O faraó disse a José: “Tive um sonho que ninguém consegue interpre­tar. Mas ouvi falar que você, ao ouvir um sonho, é capaz de interpretá-lo”.

16Respondeu-lhe José: “Isso não depende de mim, mas Deus dará ao faraó uma resposta favorável”.

17Então o faraó contou o sonho a José: “Sonhei que estava em pé, à beira do Nilo,

18quan­do saíram do rio sete vacas, belas e gor­das, que começaram a pastar entre os juncos.

19De­pois saíram outras sete, raquíticas, muito feias e magras. Nunca vi vacas tão feias em toda a terra do Egito.

20As vacas magras e feias co­meram as sete vacas gordas que tinham apareci­do primeiro.

21Mes­mo depois de havê-las comi­do, não parecia que o tivessem feito, pois conti­nuavam tão magras como antes. Então acordei.

22″Depois tive outro sonho. Vi sete espi­gas de cereal, cheias e boas, que cresciam num mesmo pé.

23Depois delas, brotaram outras sete, murchas e mirradas, ressequidas pelo vento les­te.

24As espigas magras engoliram as sete espi­gas boas. Contei isso aos magos, mas ninguém foi capaz de explicá-lo”.

25″O faraó teve um único sonho”, disse-lhe José. “Deus revelou ao faraó o que ele está para fazer.

26As sete vacas boas são sete anos, e as sete espigas boas são também sete anos; trata-se de um único sonho.

27As sete vacas magras e feias que surgiram depois das outras, e as sete espigas mirradas, quei­madas pelo vento leste, são sete anos. Serão sete anos de fome.

28″É exatamente como eu disse ao faraó: Deus mostrou ao faraó aquilo que ele vai fazer.

29Sete anos de muita fartura estão para vir sobre toda a terra do Egito,

30mas depois virão sete anos de fome. Então todo o tempo de fartura será esquecido, pois a fome arruinará a terra.

31A fome que virá depois será tão rigorosa que o tempo de fartura não será mais lembrado na terra.

32O sonho veio ao faraó duas vezes porque a ques­tão já foi decidida por Deus, que se apres­sa em realizá-la.

33″Procure agora o faraó um homem crite­rioso e sábio e ponha-o no comando da terra do Egito.

34O faraó também deve estabelecer supervisores para recolher um quin­to da colheita do Egito durante os sete anos de fartura.

35Eles deverão recolher o que puderem nos anos bons que virão e fazer estoques de trigo que, sob o controle do faraó, serão armazenados nas cida­des.

36Esse estoque servirá de reserva para os sete anos de fome que virão sobre o Egito, para que a terra não seja arrasada pela fome.”

37O plano pareceu bom ao faraó e a todos os seus conselheiros.

38Por isso o faraó lhes per­guntou: “Será que vamos achar alguém como este homem, em quem está o espírito divino?”

39Disse, pois, o faraó a José: “Uma vez que Deus lhe revelou todas essas coisas, não há ninguém tão criterioso e sábio como você.

40Vo­cê terá o comando de meu palácio, e todo o meu povo se sujeitará às suas ordens. Somente em relação ao trono serei maior que você”.

José, governador do Egipto

41E o faraó prosseguiu: “Entrego a você agora o co­mando de toda a terra do Egito”.

42Em seguida, o faraó tirou do dedo o seu anel-selo e o colocou no dedo de José. Mandou-o vestir linho fino e colocou uma corrente de ouro em seu pescoço.

43Tam­bém o fez subir em sua segunda carruagem real, e à frente os arautos iam gritan­do: “Abram caminho!” Assim José foi posto no comando de toda a terra do Egito.

44Disse ainda o faraó a José: “Eu sou o faraó, mas sem a sua palavra ninguém poderá levantar a mão nem o pé em todo o Egito”.

45O fa­raó deu a José o nome de Zafenate-Paneia e lhe deu por mulher Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om. Depois José foi inspecionar toda a terra do Egito.

46José tinha trinta anos de idade quando começou a servir ao faraó, rei do Egito. Ele se ausentou da presença do faraó e foi percorrer todo o Egito.

47Durante os sete anos de fartura a terra teve grande produção.

48José recolheu todo o excedente dos sete anos de fartura no Egito e o armazenou nas cidades. Em cada cidade ele armazenava o trigo colhido nas lavouras das redondezas.

49Assim José estocou muito trigo, como a areia do mar. Tal era a quantidade que ele parou de anotar, porque ia além de toda medida.

50Antes dos anos de fome, Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om, deu a José dois filhos.

51Ao primeiro, José deu o nome de Ma­nassés, dizendo: “Deus me fez esquecer todo o meu sofrimento e toda a casa de meu pai”.

52Ao segundo filho, chamou Efraim, dizen­do: “Deus me fez prosperar na terra onde tenho sofrido”.

53Assim chegaram ao fim os sete anos de fartura no Egito,

54e começaram os sete anos de fome, como José tinha predito. Houve fome em todas as terras, mas em todo o Egito havia ali­mento.

55Quando todo o Egito começou a sofrer com a fome, o povo clamou ao faraó por comi­da, e este respondeu a todos os egípcios: “Dirijam-se a José e façam o que ele disser”.

56Quando a fome já se havia espalhado por toda a terra, José mandou abrir os locais de ar­mazenamento e começou a vender trigo aos egíp­cios, pois a fome se agravava em todo o Egito.

57E de toda a terra vinha gente ao Egito para comprar trigo de José, porquanto a fome se agravava em toda parte.

Gênesis 42

Os irmãos de José vão ao Egipto

1Quando Jacó soube que no Egito ha­via trigo, disse a seus filhos: “Por que estão aí olhando uns para os outros?”

2Disse ainda: “Ou­vi dizer que há trigo no Egito. Desçam até lá e com­prem trigo para nós, para que possamos continuar vivos e não morramos de fome”.

3Assim dez dos irmãos de José desceram ao Egito para comprar trigo.

4Jacó não deixou que Benja­mim, irmão de José, fosse com eles, temendo que algum mal lhe acon­tecesse.

5Os filhos de Israel estavam entre outros que tam­bém foram comprar trigo, por causa da fome na terra de Canaã.

6José era o governador do Egito e era ele que ven­dia trigo a todo o povo da terra. Por isso, quan­do os irmãos de José chegaram, cur­varam-se diante dele com o rosto em terra.

7José reco­nheceu os seus irmãos logo que os viu, mas agiu como se não os conhecesse, e lhes falou aspera­mente: “De onde vocês vêm?”Responderam eles: “Da terra de Canaã, para comprar comida”.

8José reconheceu os seus irmãos, mas eles não o reconheceram.

9Lembrou-se então dos sonhos que tivera a respeito deles e lhes disse: “Vocês são espiões! Vieram para ver onde a nossa terra está desprotegida”.

10Eles responderam: “Não, meu senhor. Teus servos vieram comprar comida.

11Todos nós somos filhos do mesmo pai. Teus servos são homens honestos, e não espiões”.

12Mas José insistiu: “Não! Vocês vieram ver onde a nossa terra está desprotegida”.

13E eles disseram: “Teus servos eram doze irmãos, todos filhos do mesmo pai, na terra de Canaã. O caçula está agora em casa com o pai, e o outro já morreu”.

14José tornou a afirmar: “É como lhes fa­lei: Vocês são espiões!

15Vocês serão postos à prova. Juro pela vida do faraó que vocês não sairão daqui, enquanto o seu irmão caçula não vier para cá.

16Man­dem algum de vocês buscar o seu irmão enquanto os demais aguardam pre­sos. Assim ficará provado se as suas palavras são verdadeiras ou não. Se não forem, juro pela vida do faraó que ficará confirmado que vocês são espiões!”

17E os deixou presos três dias.

18No terceiro dia, José lhes disse: “Eu te­nho temor de Deus. Se querem salvar sua vi­da, façam o seguinte:

19se vocês são homens honestos, deixem um dos seus irmãos aqui na prisão, enquanto os demais voltam, levando trigo para matar a fome das suas famílias.

20Tragam-me, porém, o seu irmão caçula, para que se comprovem as suas palavras e vocês não tenham que mor­rer”.

21Eles se prontificaram a fazer isso e disse­ram uns aos outros: “Cer­tamente estamos sendo punidos pelo que fizemos a nosso irmão. Vimos como ele estava angustiado, quando nos implo­rava por sua vida, mas não lhe demos ouvidos; por isso nos sobreveio esta angústia”.

22Rúben respondeu: “Eu não lhes disse que não maltratassem o menino? Mas vocês não quiseram me ouvir! Agora teremos que prestar contas do seu sangue”.

23Eles, porém, não sabiam que José podia compreendê-los, pois ele lhes falava por meio de um intérprete.

24Nisso José retirou-se e começou a cho­rar, mas logo depois voltou e conversou de no­vo com eles. Então escolheu Simeão e mandou acor­rentá-lo dian­te deles.

25Em seguida, José deu ordem para que enchessem de trigo suas bagagens, devolvessem a prata de cada um deles, colocando-a nas baga­gens, e lhes dessem mantimentos para a viagem. E assim foi feito.

26Eles puseram a carga de trigo sobre os seus jumentos e partiram.

27No lugar onde pararam para pernoitar, um deles abriu a bagagem para pegar forragem para o seu jumento e viu a prata na boca da ba­gagem.

28E disse a seus irmãos: “Devolveram a minha prata. Está aqui em minha ba­gagem”.Tomados de pavor em seu coração e tremendo, disseram uns aos outros­: “Que é isto que Deus fez conosco?”

29Ao chegarem à casa de seu pai Jacó, na terra de Canaã, relataram-lhe tudo o que lhes acontecera, dizendo:

30″O homem que governa aquele país falou asperamente conosco e nos tratou como espiões.

31Mas nós lhe as­seguramos que somos homens honestos e não espiões.

32Dissemos também que éramos doze irmãos, filhos do mesmo pai, e que um já havia morrido e que o caçula estava com o nosso pai, em Canaã.

33″Então o homem que governa aquele país nos disse: ‘Vejamos se vocês são honestos: um dos seus ir­mãos ficará aqui comigo, e os outros poderão voltar e levar mantimentos para matar a fome das suas famílias.

34Tragam-me, porém, o seu irmão caçula, para que eu compro­ve que vocês não são espiões, mas sim, homens honestos. Então lhes devolverei o irmão e os autorizarei a fazer negócios nesta terra’ “.

35Ao esvaziarem as bagagens, dentro da bagagem de cada um estava a sua bolsa cheia de prata. Quando eles e seu pai viram as bolsas cheias de prata, ficaram com medo.

36E disse-lhes seu pai Jacó: “Vocês estão tirando meus filhos de mim! Já fiquei sem José, agora sem Simeão e ainda querem levar Benjamim. Tudo está contra mim!”

37Então Rúben disse ao pai: “Podes matar meus dois filhos se eu não o trouxer de volta. Deixa-o aos meus cuidados, e eu o trarei”.

38Mas o pai respondeu: “Meu filho não descerá com vocês; seu irmão está morto, e ele é o único que resta. Se qualquer mal lhe aconte­cer na viagem que estão por fazer, vocês farão estes meus cabelos brancos descer à sepultu­ra com tristeza”.

Gênesis 43

A segunda viagem ao Egipto

1A fome continuava rigorosa na terra.

2Assim, quando acabou todo o trigo que os fi­lhos de Jacó tinham tra­zido do Egito, seu pai lhes disse: “Voltem e comprem um pouco mais de comida para nós”.

3Mas Judá lhe disse: “O homem nos adver­tiu s­everamente: ‘Não voltem à minha presença, a não ser que tragam o seu ir­mão’.

4Se enviares o nosso irmão conosco, desceremos e comprare­mos comida para ti.

5Mas, se não o enviares conosco, não iremos, porque foi assim que o ho­mem falou: ‘Não voltem à minha presença, a não ser que tragam o seu irmão’ “.

6Israel perguntou: “Por que me causaram esse mal, contando àquele homem que tinham outro ir­mão?”

7E lhe responderam: “Ele nos interrogou sobre nós e sobre nossa família. E também nos perguntou: ‘O pai de vocês ainda está vivo? Vocês têm outro irmão?’ Nós simplesmente respondemos ao que ele nos perguntou. Como poderíamos saber que ele exigiria que levásse­mos o nosso irmão­?”

8Então disse Judá a Israel, seu pai: “Deixa o jovem ir comigo e partiremos imediatamente, a fim de que tu, nós e nossas crianças sobre­viva­mos e não venhamos a morrer.

9Eu me compro­meto pessoalmente pela segurança dele; podes me considerar responsável por ele. Se eu não o trouxer de volta e não o colocar bem aqui na tua presença, serei culpado diante de ti pelo resto da minha vida.

10Como se vê, se não tivéssemos demorado tanto, já teríamos ido e voltado duas vezes”.

11Então Israel, seu pai, lhes disse: “Se tem que ser assim, que seja! Coloquem alguns dos melhores produtos da nossa terra na bagagem e levem-nos como presente ao tal homem: um pouco de bálsamo, um pouco de mel, algumas especiarias e mirra, algumas nozes de pistache e amên­doas.

12Levem prata em dobro, e devolvam a prata que foi colocada de volta na boca da bagagem de vocês. Talvez isso tenha acontecido por engano.

13Pe­guem também o seu irmão e voltem àque­le homem.

14Que o Deus todo-po­deroso lhes conceda miseri­cór­dia diante daquele homem, para que ele permita que o seu outro irmão e Benjamim voltem com vocês. Quan­to a mim, se ficar sem filhos, sem filhos ficarei”.

15Então os homens desceram ao Egito, levando o presente, prata em dobro e Ben­jamim, ­e foram à presença de José.

16Quando José viu Benjamim com eles, disse ao administrador de sua casa: “Leve estes homens à minha casa, mate um animal e prepare-o; eles almoçarão comigo ao meio-dia”.

17Ele fez o que lhe fora ordenado e levou-os à casa de José.

18Eles ficaram com medo, quan­do foram levados à casa de José, e pensa­ram: “Trouxeram-nos aqui por causa da prata que foi devolvida às nossas bagagens na primei­ra vez. Ele quer atacar-nos, subjugar-nos, tornar-nos escravos e tomar de nós os nossos ju­mentos”.

19Por isso, dirigiram-se ao administrador da casa de José e lhe disseram à entrada da casa:

20″Ouça, senhor! A primeira vez que viemos aqui foi realmente para comprar comida.

21Mas, no lugar em que paramos para pernoitar, abrimos nossas bagagens e cada um de nós encon­trou a prata que tinha trazido, na quantia exata. Por isso a trou­xemos de volta conosco,

22além de mais prata, para comprar comida. Não sabemos quem pôs a prata em nossa bagagem”.

23″Fiquem tranquilos”, disse o administra­dor. “Não tenham medo. O seu Deus, o Deus de seu pai, foi quem lhes deu um tesouro em suas bagagens, porque a prata de vocês eu recebi.” Então soltou ­Simeão e o levou à presença deles.

24Em seguida, os levou à casa de José, deu-lhes água para lavarem os pés e forragem para os seus jumentos.

25Eles então prepararam o pre­sente para a chegada de José ao meio-dia, por­que ficaram sabendo que iriam almoçar ali.

26Quando José chegou, eles o presentea­ram com o que tinham trazido e curvaram-se diante dele até o chão.

27Ele então lhes pergun­tou como passavam e disse em seguida: “Como vai o pai de vocês, o homem idoso de quem me falaram? Ainda está vivo?”

28Eles responderam: “Teu servo, nosso pai, ainda vive e passa bem”. E se curvaram para prestar-lhe honra.

29Olhando ao redor e vendo seu irmão Benjamim, filho de sua mãe, José perguntou: “É este o irmão caçula de quem me falaram?” E acrescen­tou: “Deus lhe conceda graça, meu fi­lho”.

30Profundamente emocionado por causa de seu irmão, José apressou-se em sair à procura de um lugar para chorar, e, entrando em seu quarto, chorou.

31Depois de lavar o rosto, saiu e, controlando-se, disse: “Sirvam a comida”.

32Serviram a ele em separado dos seus irmãos e também dos egípcios que comiam com ele, porque os egípcios não podiam comer com os hebreus, pois isso era sacrilégio para eles.

33Se­us irmãos foram colocados à mesa perante ele por ordem de idade, do mais velho ao mais moço, e olhavam perplexos uns para os outros.

34Então ­lhes serviram da comida da mesa de José, e a porção de Benjamim era cinco vezes maior que a dos outros. E eles festejaram e be­beram à vontade.

Gênesis 44

A taça de prata no saco

1José deu as seguintes ordens ao admi­nistrador de sua casa: “Encha as bagagens des­ses homens com todo o mantimento que pude­rem carregar e coloque a prata de cada um na boca de sua bagagem.

2Depois coloque a minha taça, a taça de prata, na boca da bagagem do caçula, junto com a prata paga pelo trigo”. E ele fez tudo conforme as ordens de José.

3Assim que despontou a manhã, despedi­ram os homens com os seus jumentos.

4Ainda não tinham se afastado da cidade, quando José disse ao administrador de sua casa: “Vá atrás daqueles homens e, quando os alcançar, diga-lhes: Por que retribuíram o bem com o mal?

5Não é esta a taça que o meu senhor usa para beber e para fazer adivinhações? Vocês comete­ram grande mal­dade!”

6Quando ele os alcançou, repetiu-lhes es­sas palavras.

7Mas eles lhe responderam: “Por que o meu senhor diz isso? Longe dos seus ser­vos fazer tal coisa!

8Nós lhe trouxemos de volta, da terra de Canaã, a prata que encontramos na boca de nossa bagagem. Como roubaríamos prata ou ouro da casa do seu senhor?

9Se algum dos seus servos for encontrado com ela, morre­rá; e nós, os demais, seremos escravos do meu se­nhor”.

10E disse ele: “Concordo. Somente quem for encontrado com ela será meu escravo; os demais estarão livres”.

11Cada um deles descarregou depressa a sua bagagem e abriu-a.

12O administrador come­çou então a busca, desde a bagagem do mais velho até a do mais novo. E a taça foi encon­tra­da na bagagem de Benjamim.

13Diante disso, eles rasgaram as suas vestes. Em seguida, todos pu­seram a carga de novo em seus jumentos e re­tornaram à cidade.

14Quando Judá e seus irmãos chegaram à casa de José, ele ainda estava lá. Então eles se lançaram ao chão perante ele.

15E José lhes per­guntou: “Que foi que vocês fizeram? Vocês não sabem que um homem como eu tem poder para adivinhar?”

16Respondeu Judá: “O que diremos a meu senhor? Que podemos falar? Como podemos provar nossa inocência? Deus trouxe à luz a culpa dos teus servos. Agora somos escravos do meu senhor, como também aquele que foi en­contrado com a taça”.

17Disse, porém, José: “Longe de mim fazer tal coisa! Somente aquele que foi encontrado com a taça será meu escravo. Os demais podem voltar em paz para a casa do seu pai”.

18Então Judá dirigiu-se a ele, dizendo: “Por favor, meu senhor, permite-me dizer-te uma palavra. Não se acenda a tua ira contra o teu servo, embora sejas igual ao próprio faraó.

19Meu senhor pergun­tou a estes seus servos se ainda tínhamos pai e algum outro irmão.

20E nós respondemos: Temos um pai já idoso, cujo filho caçula nasceu-lhe em sua velhice. O irmão deste já morreu, e ele é o único filho da mesma mãe que restou, e seu pai o ama muito.

21″Então disseste a teus servos que o trou­xessem a ti para que os teus olhos pudessem vê-lo.

22E nós respondemos a meu senhor que o jovem não poderia deixar seu pai, pois, caso o fizesse, seu pai morreria.

23Todavia disseste a teus servos que, se o nosso irmão caçula não viesse conosco, nunca mais veríamos a tua face.

24Quando voltamos a teu servo, a meu pai, contamos-lhe o que o meu senhor tinha dito.

25″Quando o nosso pai nos mandou voltar para comprar um pouco mais de comida,

26nós lhe dissemos: ‘Só poderemos voltar para lá, se o nosso irmão caçula for conosco. Pois não pode­remos ver a face daquele homem, a não ser que o nosso irmão caçula esteja conosco’.

27″Teu servo, meu pai, nos disse então: ‘Vocês sabem que minha mulher me deu apenas dois filhos.

28Um deles se foi, e eu disse: Com certeza foi despedaçado. E, até hoje, nunca mais o vi.

29Se agora vocês também levarem este de mim, e algum mal lhe acontecer, a tristeza que me causarão fará com que os meus cabelos bran­cos desçam à sepultura’.

30″Agora, pois, se ­eu voltar a teu servo, a meu pai, sem levar o jovem conosco, logo que meu pai, que é tão apegado a ele,

31perceber que o jovem não está conosco, morrerá. Teus servos farão seu velho pai descer seus cabelos brancos à sepultura com tristeza.

32″Além disso, teu servo garantiu a segu­rança do jovem a seu pai, dizendo-lhe: ‘Se eu não o trouxer de volta, suportarei essa culpa diante de ti pelo resto da minha vida!’

33″Por isso agora te peço, por favor, deixa o teu servo ficar como escravo do meu senhor no lugar do jovem e permite que ele volte com os seus irmãos.

34Como poderei eu voltar a meu pai sem levar o jovem comigo? Não! Não posso ver o mal que sobreviria a meu pai”.

Gênesis 45

José dá-se a conhecer

1A essa altura, José já não podia mais conter-se diante de todos os que ali estavam, e gritou: “Façam sair a todos!” Assim, ninguém mais estava presente quando José se revelou a seus irmãos.

2E ele se pôs a chorar tão alto que os egípcios o ouvi­ram, e a notícia chegou ao palácio do faraó.

3Então disse José a seus irmãos: “Eu sou José! Meu pai ainda está vivo?” Mas os seus irmãos ficaram tão pas­mados diante dele que não conseguiam responder-lhe.

4″Cheguem mais perto”, disse José a seus ir­mãos. Quando eles se aproximaram, disse-lhes: “Eu sou José, seu irmão, aquele que vocês ven­deram ao Egito!

5Agora, não se aflijam nem se recriminem por terem me vendido para cá, pois foi para salvar vidas que Deus me enviou adiante de vocês.

6Já houve dois anos de fome na terra, e nos próximos cinco anos não haverá cultivo nem colheita.

7Mas Deus me enviou à frente de vocês para lhes preservar um remanescente nes­ta terra e para salvar-lhes a vida com gran­de livra­mento.

8″Assim, não foram vocês que me manda­ram para cá, mas sim o próprio Deus. Ele me tornou ministro do faraó, e me fez administra­dor de todo o palácio e governador de todo o Egito.

9Vol­tem depressa a meu pai e digam-lhe: Assim diz o seu filho José: ‘Deus me fez senhor de todo o Egito. Vem para cá, não te demores.

10Tu viverás na região de Gósen e ficarás perto de mim – tu, os teus filhos, os teus netos, as tuas ovelhas, os teus bois e todos os teus bens.

11Eu te sustentarei ali, porque ainda haverá cinco anos de fome. Do contrário, tu, a tua família e todos os teus rebanhos acabarão na miséria’.

12″Vocês estão vendo com os seus próprios olhos, e meu irmão Benjamim também, que realmente sou eu que estou falando com vocês.

13Con­tem a meu pai quanta honra me prestam no Egito e tudo o que vocês mesmos testemunharam. E tragam meu pai para cá de­pressa”.

14Então ele se lançou chorando sobre o seu irmão Benjamim e o abraçou, e Benjamim também o abraçou, chorando.

15Em seguida, bei­jou todos os seus irmãos e chorou com eles. E só depois os seus irmãos conseguiram conversar com ele.

16Quando se ouviu no palácio do faraó que os irmãos de José haviam chegado, o faraó e todos os seus conselheiros se alegraram.

17Disse então o faraó a José: “Diga a seus irmãos que ponham as cargas nos seus animais, voltem para a terra de Canaã

18e retornem para cá, trazendo seu pai e suas famílias. Eu lhes darei o melhor da terra do Egito e vocês poderão desfrutar a fartu­ra desta terra.

19″Mande-os também levar carrua­gens do Egito para trazerem as suas mulheres, os seus filhos e seu pai.

20Não se preocupem com os seus bens, pois o melhor de todo o Egito será de vocês”.

21Assim fizeram os filhos de Israel. José lhes providenciou carruagens, como o faraó tinha ordenado, e também mantimentos para a viagem.

22A cada um deu uma muda de roupa nova, mas a Benjamim deu trezentas peças de prata e cinco mudas de roupa nova.

23E a seu pai enviou dez jumentos carregados com o melhor do que havia no Egito e dez jumen­tas carregadas de trigo, pão e outras provisões para a viagem.

24Depois despediu-se dos seus irmãos e, ao par­tirem, disse-lhes: “Não bri­guem pelo caminho!”

25Assim partiram do Egito e voltaram a seu pai Jacó, na terra de Canaã,

26e lhe deram a notícia: “José ainda está vivo! Na verdade ele é o gover­nador de todo o Egito”. O coração de Jacó quase parou! Não podia acreditar neles.

27Mas, quando lhe relataram tudo o que José lhes dissera, e, vendo Jacó, seu pai, as carruagens que José enviara para buscá-lo, seu espírito reviveu.

28E Israel disse: “Basta! Meu filho José ainda está vivo. Irei vê-lo antes que eu morra”.

Gênesis 46

Jacob vai para o Egipto

1Israel partiu com tudo o que lhe per­tencia. Ao chegar a Ber­seba, ofereceu sacrifícios ao Deus de Isaque, seu pai.

2E Deus falou a Israel por meio de uma visão noturna: “Jacó! Jacó!””Eis-me aqui”, respondeu ele.

3″Eu sou Deus, o Deus de seu pai”, disse ele. “Não tenha medo de descer ao Egito, por­que lá farei de você uma grande nação.

4Eu mes­mo descerei ao Egito com você e certamente o trarei de volta. E a mão de José fecha­rá os seus olhos.”

5Então Jacó partiu de Berseba. Os filhos de Israel levaram seu pai, Jacó, seus filhos e as suas mulheres nas carruagens que o faraó tinha envia­do.

6Também levaram os seus rebanhos e os bens que tinham adqui­rido em Canaã. Assim Jacó foi para o Egito com toda a sua descendên­cia.

7Levou consigo para o Egito seus filhos, seus netos, suas filhas e suas netas, isto é, todos os seus descenden­tes.

8Estes são os nomes dos israelitas, Jacó e seus descendentes, que foram para o Egito:Rúben, o filho mais velho de Jacó.

9Estes foram os filhos de Rúben:Enoque, Palu, Hezrom e Carmi.

10Estes foram os filhos de Simeão:Jemuel, Jamim, Oade, Jaquim, Zoare Saul, filho de uma cananeia.

11Estes foram os filhos de Levi:Gérson, Coate e Merari.

12Estes foram os filhos de Judá:Er, Onã, Selá, Perez e Zerá.Er e Onã morreram na terra de Canaã.Estes foram os filhos de Perez:Hezrom e Hamul.

13Estes foram os filhos de Issacar:Tolá, Puá, Jasube e Sinrom.

14Estes foram os filhos de Zebulom:Serede, Elom e Jaleel.

15Foram esses os filhos que Lia deu a Jacó em Padã-Arã, além de Diná, sua filha. Seus des­cendentes eram ao todo trinta e três.

16Estes foram os filhos de Gade:Zefom, Hagi, Suni, Esbom,Eri, Arodi e Areli.

17Estes foram os filhos de Aser:Imna, Isvá, Isvi e Berias,e a irmã deles, Sera.Estes foram os filhos de Berias:Héber e Malquiel.

18Foram esses os dezesseis descendentes que Zil­pa, serva que Labão tinha dado à sua filha Lia, deu a Jacó.

19Estes foram os filhos de Raquel, mulher de Jacó:José e Benjamim.

20Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om, deu dois filhos a José no Egito: Manassés e Efraim.

21Estes foram os filhos de Benjamim:Belá, Bequer, Asbel, Gera, Naamã,Eí, Rôs, Mupim, Hupim e Arde.

22Foram esses os ca­torze descendentes que Raquel deu a Jacó.

23O filho de Dã foi Husim.

24Estes foram os filhos de Naftali:Jazeel, Guni, Jezer e Silém.

25Foram esses os sete descendentes que Bila, serva que Labão tinha dado à sua filha Ra­quel, deu a Jacó.

26Todos os que foram para o Egito com Jacó, todos os ­seus descendentes, sem contar as mulheres de seus filhos, totalizaram sessenta e seis pessoas.

27Com mais os dois filhos que nas­ceram a José no Egito, os mem­bros da família de Jacó que foram para o Egito chegaram a seten­ta.

28Ora, Jacó enviou Judá à sua frente a Jo­sé, para saber como ir a Gósen. Quando lá che­garam,

29José, de carruagem pronta, partiu para Gósen para encontrar-se com seu pai, Israel. Assim que o viu, correu para abraçá-lo e, abra­çado a ele, chorou longamente.

30Israel disse a José: “Agora já posso mor­rer, pois vi o seu rosto e sei que você ainda está vivo”.

31Então José disse aos seus irmãos e a toda a família de seu pai: “Vou partir e informar ao faraó que os meus irmãos e toda a família de meu pai, que viviam em Canaã, vieram para cá.

32Direi que os homens são pastores, cuidam de rebanhos, e trouxeram consigo suas ovelhas, seus bois e tudo quanto lhes pertence.

33Quando o faraó mandar chamá-los e perguntar: ‘Em que vocês trabalham?’,

34respondam-lhe assim: ‘Teus servos criam rebanhos desde pequenos, como o fizeram nossos antepassados’. Assim lhes será per­mitido habitar na região de Gósen, pois todos os pastores são desprezados pelos egípcios”.

Gênesis 47

1José foi dar as notícias ao faraó: “Meu pai e meus irmãos chegaram de Canaã com suas ovelhas, seus bois e tudo o que lhes pertence, e estão agora em Gósen”.

2Depois escolheu cinco de seus irmãos e os apresentou ao faraó.

3Perguntou-lhes o faraó: “Em que vocês trabalham?”Eles lhe responderam: “Teus servos são pastores, como os nossos antepassados”.

4Disseram-lhe ainda: “Vie­mos morar aqui por uns tempos, porque a fome é rigorosa em Ca­naã, e os rebanhos de teus servos não têm pasta­gem. Agora, por favor, permite que teus servos se estabeleçam em Gósen”.

5Então o faraó disse a José: “Seu pai e seus irmãos vieram a você,

6e a terra do Egito está a sua disposição; faça com que seu pai e seus irmãos habitem na melhor parte da terra. Deixe-os morar em Gósen. E, se você vê que alguns deles são competentes, ponha-os como responsáveis por meu reba­nho”.

7Então José levou seu pai Jacó ao faraó e o apresentou a ele. Depois Jacó abençoou o faraó,

8e este lhe perguntou: “Quantos anos o senhor tem?”

9Jacó respondeu ao faraó: “São cento e trinta os anos da minha peregrina­ção. Foram poucos e difíceis e não chegam aos anos da pe­regrinação dos meus antepassados”.

10Então, Jacó abençoou o faraó e retirou-se.

11José instalou seu pai e seus irmãos e deu-lhes propriedade na melhor parte das terras do Egito, na região de Ramessés, conforme a or­dem do faraó.

12Providenciou também sustento para seu pai, para seus irmãos e para toda a sua família, de acordo com o número de filhos de cada um.

José e a fome

13Não havia mantimento em toda a região, pois a fome era rigorosa; tanto o Egito como Canaã desfaleciam por causa da fome.

14José recolheu toda a prata que circulava no Egito e em Canaã, dada como pagamento do trigo que o povo comprava, e levou-a ao palácio do faraó.

15Quan­do toda a prata do Egito e de Canaã se esgotou, todos os egípcios foram suplicar a José­: “Dá-nos comida! Não nos deixes morrer só porque a nossa ­prata acabou”.

16E José lhes disse: “Tragam então os seus rebanhos, e em troca lhes darei trigo, uma vez que a prata de vocês acabou”.

17E trouxeram a José os rebanhos, e ele deu-lhes trigo ­em troca de cavalos, ovelhas, bois e jumentos. Durante aquele ano inteiro ele os sustentou em troca de todos os seus rebanhos.

18O ano passou, e no ano seguinte volta­ram a José, dizendo: “Não temos como esconder de ti, meu senhor, que uma vez que a nossa pra­ta acabou e os nossos reba­nhos lhe pertencem, nada mais nos resta para oferecer, a não ser os nossos próprios corpos e as nossas terras.

19Não deixes que morramos­ e que as nossas terras pe­reçam diante dos teus olhos! Compra-nos, e compra as nossas terras, em troca de ­trigo, e nós, com as nossas terras, se­remos escravos do faraó. Dá-nos sementes para que sobrevivamos e não morramos de fome, a fim de que a terra não fique desola­da”.

20Assim, José comprou todas as terras do Egito para o faraó. Todos os egípcios tiveram que vender os seus campos, pois a fome os obri­gou a isso. A terra tornou-se propriedade do faraó.

21Quanto ao povo, José o reduziu à servi­dão, de uma à outra extremidade do Egito.

22Somen­te as terras dos sacerdotes não foram compradas, porque, por lei, esses recebiam sustento regular do faraó, e disso viviam. Por isso não tiveram que vender as suas terras.

23Então José disse ao povo: “Ouçam! Hoje comprei vocês e suas terras para o faraó; aqui estão as sementes para que cultivem a terra.

24Mas vocês darão a quinta parte das suas colheitas ao faraó. Os outros quatro quintos ficarão para vocês como sementes para os cam­pos e como alimento para vocês, seus filhos e os que vivem em suas casas”.

25Eles disseram: “Meu senhor, tu nos sal­vaste a vida. Visto que ­nos favoreceste, seremos escravos do faraó”.

26Assim, quanto à terra, José estabeleceu o seguinte decreto no Egito, que permanece até hoje: um quinto da produção pertence ao faraó. So­mente as terras dos sacerdo­tes não se torna­ram propriedade do faraó.

27Os israelitas se estabeleceram no Egito, na região de Gósen. Lá adqui­riram proprieda­des, foram prolíferos e multiplicaram-se muito.

28Jacó viveu dezessete anos no Egito, e os anos da sua vida chegaram a cento e quarenta e sete.

29Aproximando-se a hora da sua morte, Israel chamou seu filho José e lhe disse: “Se quer agradar-me, ponha a mão debaixo da minha coxa e prometa que será bondoso e fiel comigo: Não me sepulte no Egito.

30Quando eu descan­sar com meus pais, leve-me daqui do Egito e sepulte-me junto a eles”.José respondeu: “Farei como o senhor me pede”.

31Mas Jacó insistiu: “Jure-me”. E José lhe ju­rou, e Israel curvou-se apoia­do em seu bor­dão.

Gênesis 48

Manassés e Efraim

1Algum tempo depois, disseram a José: “Seu pai está doente”; e ele foi vê-lo, levando consigo seus dois filhos, Manassés e Efraim.

2E anun­ciaram a Jacó: “Seu filho José veio vê-lo”. Israel reuniu suas forças e assentou-se na cama.

3Então disse Jacó a José: “O Deus todo-poderoso apa­receu-me em Luz, na terra de Ca­naã, e ali me abençoou,

4dizendo: ‘Eu o farei prolífero e o multiplicarei. Farei de você uma comunidade de povos e darei esta terra por propriedade perpétua aos seus descendentes’.

5″Agora, pois, os seus dois filhos que lhe nasceram no Egito, antes da minha vinda para cá, serão reconhecidos como meus; Efraim e Manassés serão meus, como são meus Rúben e Simeão.

6Os filhos que lhe nascerem depois de­les serão seus; serão convocados sob o nome dos seus irmãos para receberem sua herança.

7Quan­do eu vol­tava de Padã, para minha tristeza Raquel morreu em Canaã, quando ainda estáva­mos a caminho, a pouca distância de Efra­ta. Eu a sepultei ali, ao lado do caminho para Efrata, que é Belém”.

8Quando Israel viu os filhos de José, per­guntou: “Quem são estes?”

9Respondeu José a seu pai: “São os filhos que Deus me deu aqui”.Então Israel disse: “Traga-os aqui para que eu os abençoe”.

10Os olhos de Israel já estavam enfraqueci­dos por causa da idade avançada, e ele mal po­dia enxergar. Por isso José levou seus filhos para perto dele, e seu pai os beijou e os abraçou.

11E Israel disse a José: “Nunca pensei que veria a sua face novamente, e agora Deus me concede ver também os seus filhos!”

12Em seguida, José os tirou do colo de Israel e cur­vou-se com o rosto em terra.

13E José to­mou os dois, Efraim à sua direita, perto da mão esquerda de Israel, e Manassés à sua esquerda, perto da mão direita de Israel, e os aproximou dele.

14Israel, porém, estendeu a mão direi­ta e a pôs sobre a cabeça de Efraim, embora este fosse o mais novo e, cruzando os braços, pôs a mão esquerda sobre a cabeça de Manassés, embora Manassés fosse o filho mais velho.

15E abençoou a José, dizendo:”Que o Deus, a quem servirammeus pais Abraão e Isaque,o Deus que tem sido o meu pastorem toda a minha vida até o dia de hoje,

16o Anjo que me redimiu de todo o mal,abençoe estes meninos.Sejam eles chamados pelo meu nomee pelos nomes de meus paisAbraão e Isaque,e cresçam muito na terra”.

17Quando José viu seu pai colocar a mão direita sobre a cabeça de Efraim, não gostou; por isso pegou a mão do pai, a fim de mudá-la da cabeça de Efraim para a de Manassés,

18e lhe disse: “Não, meu pai, este aqui é o mais velho; ponha a mão direita sobre a cabeça dele”.

19Mas seu pai recusou-se e respondeu: “Eu sei, meu fi­lho, eu sei. Ele também se tornará um povo, também será grande. Apesar disso, seu irmão mais novo será maior do que ele, e seus descendentes se tornarão mui­tos povos”.

20Assim, Jacó os abençoou naquele dia, dizendo:”O povo de Israel usará os seus nomes para abençoar uns aos outros com esta expressão:Que Deus faça a você como fez a Efra­im e a Manassés!”E colocou Efraim à frente de Manassés.

21A seguir, Israel disse a José: “Estou para morrer, mas Deus estará com vocês e os levará de volta à terra de seus antepassados.

22E a vo­cê, como alguém que está acima de seus irmãos, dou a região montanhosa que tomei dos amorreus com a minha espada e com o meu arco”.

Gênesis 49

Jacob abençoa os filhos

1Então Jacó chamou seus filhos e dis­se: “Ajun­tem-se a meu lado para que eu lhes diga o que lhes acontecerá nos dias que virão.

2″Reúnam-se para ouvir, filhos de Jacó;ouçam o que diz Israel, seu pai.

3″Rúben, você é meu primogênito,minha força,o primeiro sinal do meu vigor,superior em honra, superior em poder.

4Turbulento como as águas,já não será superior,porque você subiu à cama de seu pai,ao meu leito, e o desonrou.

5Simeão e Levi são irmãos;suas espadas são armas de violência.

6Que eu não entre no conselho deles,nem participe da sua assembleia,porque em sua ira mataram homense a seu bel-prazer aleijaram bois,cortando-lhes o tendão.

7Maldita seja a sua ira, tão tremenda,e a sua fúria, tão cruel!Eu os dividirei pelas terras de Jacóe os dispersarei em Israel.

8Judá, seus irmãos o louvarão,sua mão estará sobre o pescoçodos seus inimigos;os filhos de seu pai se curvarãodiante de você.

9Judá é um leão novo.Você vem subindo, filho meu,depois de matar a presa.Como um leão, ele se assenta;e deita-se como uma leoa;quem tem coragem de acordá-lo?

10O cetro não se apartará de Judá,nem o bastão de comandode seus descendentes,até que venha aquelea quem ele pertence,e a ele as nações obedecerão.

11Ele amarrará seu jumentoa uma videira;e o seu jumentinho,ao ramo mais seleto;lavará no vinho as suas roupas;no sangue das uvas,as suas vestimentas.

12Seus olhos serão mais escurosque o vinho;seus dentes, mais brancos que o leite.

13Zebulom morará à beira-mare se tornará um porto para os navios;suas fronteiras se estenderão até Sidom.

14Issacar é um jumento forte,deitado entre as suas cargas.

15Quando ele perceber como é bomo seu lugar de repousoe como é aprazível a sua terra,curvará seus ombros ao fardoe se submeterá a trabalhos forçados.

16Dã defenderá o direito do seu povocomo qualquer das tribos de Israel.

17Dã será uma serpenteà beira da estrada,uma víbora à margem do caminho,que morde o calcanhar do cavaloe faz cair de costas o seu cavaleiro.

18Ó Senhor, eu espero a tua libertação!

19Gade será atacado por um bando,mas é ele que o atacará e o perseguirá.

20A mesa de Aser será farta;ele oferecerá manjares de rei.

21Naftali é uma gazela solta,que por isso faz festa.

22José é uma árvore frutífera,árvore frutífera à beira de uma fonte,cujos galhos passam por cima do muro.

23Com rancor arqueiros o atacaram,atirando-lhe flechas com hostilidade.

24Mas o seu arco permaneceu firme;os seus braços continuaram fortes, ágeis para atirar,pela mão do Poderoso de Jacó,pelo nome do Pastor, a Rocha de Israel,

25pelo Deus de seu pai, que ajuda você,o Todo-poderoso, que o abençoacom bênçãos dos altos céus,bênçãos das profundezas,bênçãos da fertilidade e da fartura.

26As bênçãos de seu pai são superioresàs bênçãos dos montes antigos,às delícias das colinas eternas.Que todas essas bênçãos repousemsobre a cabeça de José,sobre a fronte daquele que foi separadode entre os seus irmãos.

27Benjamim é um lobo predador;pela manhã devora a presae à tarde divide o despojo”.

A morte de Jacob

28São esses os que formaram as doze tri­bos de Israel, e foi isso que seu pai lhes disse, ao abençoá-los, dando a cada um a bênção que lhe pertencia.

29A seguir, Jacó deu-lhes estas instruções: “Estou para ser reunido aos meus antepassados. Sepultem-me junto aos meus pais na caverna do campo de Efrom, o hitita,

30na caverna do cam­po de Macpela, perto de Manre, em Canaã, campo que Abraão comprou de Efrom, o hitita, como propriedade para sepultura.

31Ali foram sepultados Abraão e Sara, sua mulher, e Isaque e Rebeca, sua mulher; ali também sepultei Lia.

32″Tanto o campo como a caverna que nele está foram comprados dos hititas”.

33Ao acabar de dar essas instruções a seus filhos, Jacó deitou-se, expirou e foi reunido aos seus antepassados.

Gênesis 50

1José atirou-se sobre seu pai, chorou sobre ele e o beijou.

2Em seguida, deu ordens aos médicos, que estavam ao seu serviço, que embal­sa­massem seu pai Israel. E eles o embalsa­maram.

3Leva­ram qua­renta dias completos, pois esse era o tempo para o embal­samamen­to. E os egípcios choraram sua morte setenta dias.

4Passados os dias de luto, José disse à corte do faraó: “Se posso contar com a bondade de vocês, falem com o faraó em meu favor. Digam-lhe que

5meu pai fez-me prestar-lhe o seguinte juramento: ‘Estou à beira da morte; sepulte-me no túmulo que preparei para mim na terra de Canaã’. Agora, pois, peçam-lhe que me permita partir e sepultar meu pai; logo depois voltarei”.

6Respondeu o faraó: “Vá e faça o sepulta­mento de seu pai como este o fez jurar”.

7Então José partiu para sepultar seu pai. Com ele foram todos os conselheiros do faraó, as autoridades da sua corte e todas as autorida­des do Egito,

8e, além deles, todos os da família de José, os seus irmãos e todos os da casa de seu pai. Somente as crianças, as ovelhas ­e os bois foram deixados em Gósen.

9Carruagens e cava­leiros também o acompanharam. A comiti­va era imen­sa.

10Chegando à eira de Atade, perto do Jor­dão, lamentaram-se em alta voz, com grande amar­gura; e ali José guardou sete dias de pranto pela morte do seu pai.

11Quando os cananeus que lá habitavam viram aquele pranto na eira de Atade, disseram: “Os egípcios estão celebrando uma cerimônia de luto solene”. Por essa razão, aque­le lugar, próximo ao Jordão, foi chamado Abel-Mizraim.

12Assim fizeram os filhos de Jacó o que este lhes havia ordenado:

13Levaram-no à terra de Canaã e o sepultaram na caverna do campo de Macpela, perto de Manre, que, com o campo, Abraão tinha comprado de Efrom, o hitita, para que lhe ser­visse de propriedade para sepultura.

14Depois de sepultar seu pai, José voltou ao Egito, com os seus irmãos e com to­dos os demais que o tinham acompanhado.

15Vendo os irmãos de José que seu pai havia morrido, disseram: “E se José tiver rancor contra nós e resolver retribuir todo o mal que lhe causamos?”

16Então mandaram um recado a José, dizendo: “Antes de morrer, teu pai nos ordenou

17que te disséssemos o seguinte: ‘Peço-lhe que perdoe os erros e pecados de seus ir­mãos que o trataram com tanta maldade!’ Agora, pois, perdoa os pecados dos servos do Deus do teu pai”. Quan­do recebeu o recado, José chorou.

18Depois vieram seus irmãos, prostraram-se diante dele e disseram: “Aqui estamos. Somos teus escravos!”

19José, porém, lhes disse: “Não tenham medo. Estaria eu no lugar de Deus?

20Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tor­nou em bem, para que hoje fosse preservada a vida de muitos.

21Por isso, não tenham medo. Eu sustentarei vocês e seus filhos”. E assim os tranqui­lizou e lhes falou ama­velmente.

A morte de José

22José permaneceu no Egito, com toda a família de seu pai. Viveu cento e dez anos

23e viu a terceira geração dos filhos de Efraim. Além disso, recebeu como seus os filhos de Maquir, filho de Manassés.

24Antes de morrer José disse a seus ir­mãos: “Estou à beira da morte. Mas Deus certamente virá em auxílio de vocês e os tirará desta terra, levando-os para a terra que prometeu com juramento a Abraão, a Isaque e a Jacó”.

25E José fez que os filhos de Israel lhe prestassem um juramento, dizen­do-lhes: “Quando Deus intervier em favor de vocês, levem os meus ossos da­qui”.

26Morreu José com a idade de cento e dez anos. E, depois de embalsamado, foi colocado num sarcófago no Egito.