Gênesis
Gênesis 1
1. No princípio Deus criou os céus e a terra.
2. Era a terra sem forma e vazia; trevas cobriam a face do abismo, e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.
3. Disse Deus: “Haja luz”, e houve luz.
4. Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas.
5. Deus chamou à luz dia, e às trevas chamou noite. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o primeiro dia.
6. Depois disse Deus: “Haja entre as águas um firmamento que separe águas de águas”.
7. Então Deus fez o firmamento e separou as águas que ficaram abaixo do firmamento das que ficaram por cima. E assim foi.
8. Ao firmamento, Deus chamou céu. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o segundo dia.
9. E disse Deus: “Ajuntem-se num só lugar as águas que estão debaixo do céu, e apareça a parte seca”. E assim foi.
10. À parte seca Deus chamou terra, e chamou mares ao conjunto das águas. E Deus viu que ficou bom.
11. Então disse Deus: “Cubra-se a terra de vegetação: plantas que deem sementes e árvores cujos frutos produzam sementes de acordo com as suas espécies”. E assim foi.
12A terra fez brotar a vegetação: plantas que dão sementes de acordo com as suas espécies, e árvores cujos frutos produzem sementes de acordo com as suas espécies. E Deus viu que ficou bom.
13. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o terceiro dia.
14. Disse Deus: “Haja luminares no firmamento do céu para separar o dia da noite. Sirvam eles de sinais para marcar estações, dias e anos,
15. e sirvam de luminares no firmamento do céu para iluminar a terra”. E assim foi.
16. Deus fez os dois grandes luminares: o maior para governar o dia e o menor para governar a noite; fez também as estrelas.
17. Deus os colocou no firmamento do céu para iluminar a terra,
18. governar o dia e a noite, e separar a luz das trevas. E Deus viu que ficou bom.
19. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o quarto dia.
20. Disse também Deus: “Encham-se as águas de seres vivos, e voem as aves sobre a terra, sob o firmamento do céu”.
21. Assim Deus criou os grandes animais aquáticos e os demais seres vivos que povoam as águas, de acordo com as suas espécies; e todas as aves, de acordo com as suas espécies. E Deus viu que ficou bom.
22. Então Deus os abençoou, dizendo: “Sejam férteis e multipliquem-se! Encham as águas dos mares! E multipliquem-se as aves na terra”.
23. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o quinto dia.
24. E disse Deus: “Produza a terra seres vivos de acordo com as suas espécies: rebanhos domésticos, animais selvagens e os demais seres vivos da terra, cada um de acordo com a sua espécie”. E assim foi.
25. Deus fez os animais selvagens de acordo com as suas espécies, os rebanhos domésticos de acordo com as suas espécies, e os demais seres vivos da terra de acordo com as suas espécies. E Deus viu que ficou bom.
26. Então disse Deus: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os grandes animais de toda a terra e sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão”.
27. Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
28. Deus os abençoou e lhes disse: “Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra”.
29. Disse Deus: “Eis que dou a vocês todas as plantas que nascem em toda a terra e produzem sementes, e todas as árvores que dão frutos com sementes. Elas servirão de alimento para vocês.
30. E dou todos os vegetais como alimento a tudo o que tem em si fôlego de vida: a todos os grandes animais da terra, a todas as aves do céu e a todas as criaturas que se movem rente ao chão”. E assim foi.
31. E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o sexto dia.
Gênesis 2
1. Assim foram concluídos os céus e a terra, e tudo o que neles há.
2. No sétimo dia Deus já havia concluído a obra que realizara, e nesse dia descansou.
3. Abençoou Deus o sétimo dia e o santificou, porque nele descansou de toda a obra que realizara na criação.
Adão e Eva
4. Esta é a história das origens dos céus e da terra, no tempo em que foram criados: Quando o Senhor Deus fez a terra e os céus,
5. ainda não tinha brotado nenhum arbusto no campo, e nenhuma planta havia germinado, porque o Senhor Deus ainda não tinha feito chover sobre a terra, e também não havia homem para cultivar o solo.
6. Todavia brotava água da terra e irrigava toda a superfície do solo.
7. Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida, e o homem se tornou um ser vivente.
8. Ora, o Senhor Deus tinha plantado um jardim no Éden, para os lados do leste, e ali colocou o homem que formara.
9. Então o Senhor Deus fez nascer do solo todo tipo de árvores agradáveis aos olhos e boas para alimento. E no meio do jardim estavam a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal.
10. No Éden nascia um rio que irrigava o jardim, e depois se dividia em quatro.
11. O nome do primeiro é Pisom. Ele percorre toda a terra de Havilá, onde existe ouro.
12. O ouro daquela terra é excelente; lá também existem o bdélio e a pedra de ônix.
13. O segundo, que percorre toda a terra de Cuxe, é o Giom.
14. O terceiro, que corre pelo lado leste da Assíria, é o Tigre. E o quarto rio é o Eufrates.
15. O Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para cuidar dele e cultivá-lo.
16. E o Senhor Deus ordenou ao homem: “Coma livremente de qualquer árvore do jardim,
17. mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá”.
18. Então o Senhor Deus declarou: “Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda”.
19. Depois que formou da terra todos os animais do campo e todas as aves do céu, o Senhor Deus os trouxe ao homem para ver como este lhes chamaria; e o nome que o homem desse a cada ser vivo, esse seria o seu nome.
20. Assim o homem deu nomes a todos os rebanhos domésticos, às aves do céu e a todos os animais selvagens. Todavia não se encontrou para o homem alguém que o auxiliasse e lhe correspondesse.
21. Então o Senhor Deus fez o homem cair em profundo sono e, enquanto este dormia, tirou-lhe uma das costelas, fechando o lugar com carne.
22. Com a costela que havia tirado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher e a levou até ele.
23. Disse então o homem:”Esta, sim, é osso dos meus ossose carne da minha carne! Ela será chamada mulher,porque do homem foi tirada”.
24. Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne.
25. O homem e sua mulher viviam nus, e não sentiam vergonha.
Gênesis 3
A queda do homem
1Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais selvagens que o Senhor Deus tinha feito. E ela perguntou à mulher: “Foi isto mesmo que Deus disse: ‘Não comam de nenhum fruto das árvores do jardim’?”
2Respondeu a mulher à serpente: “Podemos comer do fruto das árvores do jardim,
3mas Deus disse: ‘Não comam do fruto da árvore que está no meio do jardim, nem toquem nele; do contrário vocês morrerão’ “.
4Disse a serpente à mulher: “Certamente não morrerão!
5Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês, como Deus, serão conhecedores do bem e do mal”.
6Quando a mulher viu que a árvore parecia agradável ao paladar, era atraente aos olhos e, além disso, desejável para dela se obter discernimento, tomou do seu fruto, comeu-o e o deu a seu marido, que comeu também.
7Os olhos dos dois se abriram, e perceberam que estavam nus; então juntaram folhas de figueira para cobrir-se.
8Ouvindo o homem e sua mulher os passos do Senhor Deus, que andava pelo jardim quando soprava a brisa do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus entre as árvores do jardim.
9Mas o Senhor Deus chamou o homem, perguntando: “Onde está você?”
10E ele respondeu: “Ouvi teus passos no jardim e fiquei com medo, porque estava nu; por isso me escondi”.
11E Deus perguntou: “Quem disse que você estava nu? Você comeu do fruto da árvore da qual o proibi de comer?”
12Disse o homem: “Foi a mulher que me deste por companheira que me deu do fruto da árvore, e eu comi”.
13O Senhor Deus perguntou então à mulher: “Que foi que você fez?”Respondeu a mulher: “A serpente me enganou, e eu comi”.
14Então o Senhor Deus declarou à serpente:”Uma vez que você fez isso,maldita é vocêentre todos os rebanhos domésticose entre todos os animais selvagens!Sobre o seu ventre você rastejará,e pó comerá todos os dias da sua vida.
15Porei inimizadeentre você e a mulher,entre a sua descendênciae o descendente dela;este ferirá a sua cabeça,e você lhe ferirá o calcanhar”.
16À mulher, ele declarou:”Multiplicarei grandementeo seu sofrimento na gravidez;com sofrimento você dará à luz filhos.Seu desejo será para o seu marido,e ele a dominará”.
17E ao homem declarou:”Visto que você deu ouvidos à sua mulhere comeu do fruto da árvoreda qual ordenei a vocêque não comesse,maldita é a terra por sua causa;com sofrimento vocêse alimentará delatodos os dias da sua vida.
18Ela lhe dará espinhos e ervas daninhas,e você terá que alimentar-sedas plantas do campo.
19Com o suor do seu rostovocê comerá o seu pão,até que volte à terra,visto que dela foi tirado;porque você é pó,e ao pó voltará”.
20Adão deu à sua mulher o nome de Eva, pois ela seria mãe de toda a humanidade.
21O Senhor Deus fez roupas de pele e com elas vestiu Adão e sua mulher.
22Então disse o Senhor Deus: “Agora o homem se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal. Não se deve, pois, permitir que ele tome também do fruto da árvore da vida e o coma, e viva para sempre”.
23Por isso o Senhor Deus o mandou embora do jardim do Éden para cultivar o solo do qual fora tirado.
24Depois de expulsar o homem, colocou a leste do jardim do Éden querubins e uma espada flamejante que se movia, guardando o caminho para a árvore da vida.
Gênesis 4
Caim e Abel
1Adão teve relações com Eva, sua mulher, e ela engravidou e deu à luz Caim. Disse ela: “Com o auxílio do Senhor tive um filho homem”.
2Voltou a dar à luz, desta vez a Abel, irmão dele.Abel tornou-se pastor de ovelhas, e Caim, agricultor.
3Passado algum tempo, Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor.
4Abel, por sua vez, trouxe as partes gordas das primeiras crias do seu rebanho. O Senhor aceitou com agrado Abel e sua oferta,
5mas não aceitou Caim e sua oferta. Por isso Caim se enfureceu e o seu rosto se transtornou.
6O Senhor disse a Caim: “Por que você está furioso? Por que se transtornou o seu rosto?
7Se você fizer o bem, não será aceito? Mas, se não o fizer, saiba que o pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo”.
8Disse, porém, Caim a seu irmão Abel: “Vamos para o campo”. Quando estavam lá, Caim atacou seu irmão Abel e o matou.
9Então o Senhor perguntou a Caim: “Onde está seu irmão Abel?”Respondeu ele: “Não sei; sou eu o responsável por meu irmão?”
10Disse o Senhor: “O que foi que você fez? Escute! Da terra o sangue do seu irmão está clamando.
11Agora amaldiçoado é você pela terra, que abriu a boca para receber da sua mão o sangue do seu irmão.
12Quando você cultivar a terra, esta não lhe dará mais da sua força. Você será um fugitivo errante pelo mundo”.
13Disse Caim ao Senhor: “Meu castigo é maior do que posso suportar.
14Hoje me expulsas desta terra, e terei que me esconder da tua face; serei um fugitivo errante pelo mundo, e qualquer que me encontrar me matará”.
15Mas o Senhor lhe respondeu: “Não será assim; se alguém matar Caim, sofrerá sete vezes a vingança”. E o Senhor colocou em Caim um sinal, para que ninguém que viesse a encontrá-lo o matasse.
16Então Caim afastou-se da presença do Senhor e foi viver na terra de Node, a leste do Éden.
17Caim teve relações com sua mulher, e ela engravidou e deu à luz Enoque. Depois Caim fundou uma cidade, à qual deu o nome do seu filho Enoque.
18A Enoque nasceu Irade, Irade gerou a Meujael, Meujael a Metusael, e Metusael a Lameque.
19Lameque tomou duas mulheres: uma chamava-se Ada; a outra, Zilá.
20Ada deu à luz Jabal, que foi o pai daqueles que moram em tendas e criam rebanhos.
21O nome do irmão dele era Jubal, que foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta.
22Zilá também deu à luz um filho, chamado Tubalcaim, que fabricava todo tipo de ferramentas de bronze e de ferro. Tubalcaim teve uma irmã chamada Naamá.
23Disse Lameque às suas mulheres:”Ada e Zilá, ouçam-me;mulheres de Lameque,escutem minhas palavras:Eu matei um homem porque me feriu,e um menino, porque me machucou.
24Se Caim é vingado sete vezes,Lameque o será setenta e sete”.
25Novamente Adão teve relações com sua mulher, e ela deu à luz outro filho, a quem chamou Sete, dizendo: “Deus me concedeu um filho no lugar de Abel, visto que Caim o matou”.
26Também a Sete nasceu um filho, a quem deu o nome de Enos.Nessa época começou-se a invocar o nome do Senhor.
Gênesis 5
Desde Adão a Noé
1Este é o registro da descendência de Adão:Quando Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez;
2homem e mulher os criou. Quando foram criados, ele os abençoou e os chamou Homem.
3Aos 130 anos, Adão gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem; e deu-lhe o nome de Sete.
4Depois que gerou Sete, Adão viveu 800 anos e gerou outros filhos e filhas.
5Viveu ao todo 930 anos e morreu.
6Aos 105 anos, Sete gerou Enos.
7Depois que gerou Enos, Sete viveu 807 anos e gerou outros filhos e filhas.
8Viveu ao todo 912 anos e morreu.
9Aos 90 anos, Enos gerou Cainã.
10Depois que gerou Cainã, Enos viveu 815 anos e gerou outros filhos e filhas.
11Viveu ao todo 905 anos e morreu.
12Aos 70 anos, Cainã gerou Maalaleel.
13Depois que gerou Maalaleel, Cainã viveu 840 anos e gerou outros filhos e filhas.
14Viveu ao todo 910 anos e morreu.
15Aos 65 anos, Maalaleel gerou Jarede.
16Depois que gerou Jarede, Maalaleel viveu 830 anos e gerou outros filhos e filhas.
17Viveu ao todo 895 anos e morreu.
18Aos 162 anos, Jarede gerou Enoque.
19Depois que gerou Enoque, Jarede viveu 800 anos e gerou outros filhos e filhas.
20Viveu ao todo 962 anos e morreu.
21Aos 65 anos, Enoque gerou Matusalém.
22Depois que gerou Matusalém, Enoque andou com Deus 300 anos e gerou outros filhos e filhas.
23Viveu ao todo 365 anos.
24Enoque andou com Deus; e já não foi encontrado, pois Deus o havia arrebatado.
25Aos 187 anos, Matusalém gerou Lameque.
26Depois que gerou Lameque, Matusalém viveu 782 anos e gerou outros filhos e filhas.
27Viveu ao todo 969 anos e morreu.
28Aos 182 anos, Lameque gerou um filho.
29Deu-lhe o nome de Noé e disse: “Ele nos aliviará do nosso trabalho e do sofrimento de nossas mãos, causados pela terra que o Senhor amaldiçoou”.
30Depois que Noé nasceu, Lameque viveu 595 anos e gerou outros filhos e filhas.
31Viveu ao todo 777 anos e morreu.
32Aos 500 anos, Noé tinha gerado Sem, Cam e Jafé.
Gênesis 6
O dilúvio
1Quando os homens começaram a multiplicar-se na terra e lhes nasceram filhas,
2os filhos de Deus viram que as filhas dos homens eram bonitas, e escolheram para si aquelas que lhes agradaram.
3Então disse o Senhor: “Por causa da perversidade do homem, meu Espírito não contenderá com ele para sempre; ele só viverá cento e vinte anos”.
4Naqueles dias, havia nefilins na terra, e também posteriormente, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens e elas lhes deram filhos. Eles foram os heróis do passado, homens famosos.
5O Senhor viu que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal.
6Então o Senhor arrependeu-se de ter feito o homem sobre a terra, e isso cortou-lhe o coração.
7Disse o Senhor: “Farei desaparecer da face da terra o homem que criei, os homens e também os animais, grandes e pequenos, e as aves do céu. Arrependo-me de havê-los feito”.
8A Noé, porém, o Senhor mostrou benevolência.
9Esta é a história da família de Noé:Noé era homem justo, íntegro entre o povo da sua época; ele andava com Deus.
10Noé gerou três filhos: Sem, Cam e Jafé.
11Ora, a terra estava corrompida aos olhos de Deus e cheia de violência.
12Ao ver como a terra se corrompera, pois toda a humanidade havia corrompido a sua conduta,
13Deus disse a Noé: “Darei fim a todos os seres humanos, porque a terra encheu-se de violência por causa deles. Eu os destruirei com a terra.
14Você, porém, fará uma arca de madeira de cipreste; divida-a em compartimentos e revista-a de piche por dentro e por fora.
15Faça-a com cento e trinta e cinco metros de comprimento, vinte e dois metros e meio de largura e treze metros e meio de altura.
16Faça-lhe um teto com um vão de quarenta e cinco centímetros entre o teto e o corpo da arca. Coloque uma porta lateral na arca e faça um andar superior, um médio e um inferior.
17″Eis que vou trazer águas sobre a terra, o Dilúvio, para destruir debaixo do céu toda criatura que tem fôlego de vida. Tudo o que há na terra perecerá.
18Mas com você estabelecerei a minha aliança, e você entrará na arca com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos.
19Faça entrar na arca um casal de cada um dos seres vivos, macho e fêmea, para conservá-los vivos com você.
20De cada espécie de ave, de cada espécie de animal grande e de cada espécie de animal pequeno que se move rente ao chão virá um casal a você para que sejam conservados vivos.
21E armazene todo tipo de alimento, para que você e eles tenham mantimento”.
22Noé fez tudo exatamente como Deus lhe tinha ordenado.
Gênesis 7
1Então o Senhor disse a Noé: “Entre na arca, você e toda a sua família, porque você é o único justo que encontrei nesta geração.
2Leve com você sete casais de cada espécie de animal puro, macho e fêmea, e um casal de cada espécie de animal impuro, macho e fêmea,
3e leve também sete casais de aves de cada espécie, macho e fêmea, a fim de preservá-los em toda a terra.
4Daqui a sete dias farei chover sobre a terra quarenta dias e quarenta noites, e farei desaparecer da face da terra todos os seres vivos que fiz”.
5E Noé fez tudo como o Senhor lhe tinha ordenado.
6Noé tinha seiscentos anos de idade quando as águas do Dilúvio vieram sobre a terra.
7Noé, seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos entraram na arca, por causa das águas do Dilúvio.
8Casais de animais grandes, puros e impuros, de aves e de todos os animais pequenos que se movem rente ao chão
9vieram a Noé e entraram na arca, como Deus tinha ordenado a Noé.
10E, depois dos sete dias, as águas do Dilúvio vieram sobre a terra.
11No dia em que Noé completou seiscentos anos, um mês e dezessete dias, nesse mesmo dia todas as fontes das grandes profundezas jorraram, e as comportas do céu se abriram.
12E a chuva caiu sobre a terra quarenta dias e quarenta noites.
13Naquele mesmo dia, Noé e seus filhos, Sem, Cam e Jafé, com sua mulher e com as mulheres de seus três filhos, entraram na arca.
14Com eles entraram todos os animais de acordo com as suas espécies: todos os animais selvagens, todos os rebanhos domésticos, todos os demais seres vivos que se movem rente ao chão e todas as criaturas que têm asas: todas as aves e todos os outros animais que voam.
15Casais de todas as criaturas que tinham fôlego de vida vieram a Noé e entraram na arca.
16Os animais que entraram foram um macho e uma fêmea de cada ser vivo, conforme Deus ordenara a Noé. Então o Senhor fechou a porta.
17Quarenta dias durou o Dilúvio, e as águas aumentaram e elevaram a arca acima da terra.
18As águas prevaleceram, aumentando muito sobre a terra, e a arca flutuava na superfície das águas.
19As águas dominavam cada vez mais a terra, e foram cobertas todas as altas montanhas debaixo do céu.
20As águas subiram até quase sete metros acima das montanhas.
21Todos os seres vivos que se movem sobre a terra pereceram: aves, rebanhos domésticos, animais selvagens, todas as pequenas criaturas que povoam a terra e toda a humanidade.
22Tudo o que havia em terra seca e tinha nas narinas o fôlego de vida morreu.
23Todos os seres vivos foram exterminados da face da terra; tanto os homens como os animais grandes, os animais pequenos que se movem rente ao chão e as aves do céu foram exterminados da terra. Só restaram Noé e aqueles que com ele estavam na arca.
24E as águas prevaleceram sobre a terra cento e cinquenta dias.
Gênesis 8
1Então Deus lembrou-se de Noé e de todos os animais selvagens e rebanhos domésticos que estavam com ele na arca, e enviou um vento sobre a terra, e as águas começaram a baixar.
2As fontes das profundezas e as comportas do céu se fecharam, e a chuva parou.
3As águas foram baixando pouco a pouco sobre a terra. Ao fim de cento e cinquenta dias, as águas tinham diminuído,
4e, no décimo sétimo dia do sétimo mês, a arca pousou nas montanhas de Ararate.
5As águas continuaram a baixar até o décimo mês, e no primeiro dia do décimo mês apareceram os topos das montanhas.
6Passados quarenta dias, Noé abriu a janela que fizera na arca.
7Esperando que a terra já tivesse aparecido, Noé soltou um corvo, mas este ficou dando voltas.
8Depois soltou uma pomba para ver se as águas tinham diminuído na superfície da terra.
9Mas a pomba não encontrou lugar onde pousar os pés porque as águas ainda cobriam toda a superfície da terra e, por isso, voltou para a arca, a Noé. Ele estendeu a mão para fora, apanhou a pomba e a trouxe de volta para dentro da arca.
10Noé esperou mais sete dias e soltou novamente a pomba.
11Quando voltou ao entardecer, a pomba trouxe em seu bico uma folha nova de oliveira. Noé então ficou sabendo que as águas tinham diminuído sobre a terra.
12Esperou ainda outros sete dias e de novo soltou a pomba, mas dessa vez ela não voltou.
13No primeiro dia do primeiro mês do ano seiscentos e um da vida de Noé, secaram-se as águas na terra. Noé então removeu o teto da arca e viu que a superfície da terra estava seca.
14No vigésimo sétimo dia do segundo mês, a terra estava completamente seca.
15Então Deus disse a Noé:
16″Saia da arca, você e sua mulher, seus filhos e as mulheres deles.
17Faça que saiam também todos os animais que estão com você: as aves, os grandes animais e os pequenos que se movem rente ao chão. Faça-os sair para que se espalhem pela terra, sejam férteis e se multipliquem”.
18Então Noé saiu da arca com sua mulher e seus filhos e as mulheres deles,
19e com todos os grandes animais e os pequenos que se movem rente ao chão e todas as aves. Tudo o que se move sobre a terra saiu da arca, uma espécie após outra.
20Depois Noé construiu um altar dedicado ao Senhor e, tomando alguns animais e aves puros, ofereceu-os como holocausto, queimando-os sobre o altar.
21O Senhor sentiu o aroma agradável e disse a si mesmo: “Nunca mais amaldiçoarei a terra por causa do homem, pois o seu coração é inteiramente inclinado para o mal desde a infância. E nunca mais destruirei todos os seres vivos como fiz desta vez.
22″Enquanto durar a terra,plantio e colheita,frio e calor,verão e inverno,dia e noitejamais cessarão”.
Gênesis 9
A aliança de Deus com Noé
1Deus abençoou Noé e seus filhos, dizendo-lhes: “Sejam férteis, multipliquem-se e encham a terra.
2Todos os animais da terra tremerão de medo diante de vocês: os animais selvagens, as aves do céu, as criaturas que se movem rente ao chão e os peixes do mar; eles estão entregues em suas mãos.
3Tudo o que vive e se move servirá de alimento para vocês. Assim como dei a vocês os vegetais, agora dou todas as coisas.
4″Mas não comam carne com sangue, que é vida.
5A todo aquele que derramar sangue, tanto homem como animal, pedirei contas; a cada um pedirei contas da vida do seu próximo.
6″Quem derramar sangue do homem,pelo homem seu sangue será derramado;porque à imagem de Deusfoi o homem criado.
7″Mas vocês sejam férteis e multipliquem-se; espalhem-se pela terra e proliferem nela”.
8Então disse Deus a Noé e a seus filhos, que estavam com ele:
9″Vou estabelecer a minha aliança com vocês e com os seus futuros descendentes,
10e com todo ser vivo que está com vocês: as aves, os rebanhos domésticos e os animais selvagens, todos os que saíram da arca com vocês, todos os seres vivos da terra.
11Estabeleço uma aliança com vocês: Nunca mais será ceifada nenhuma forma de vida pelas águas de um dilúvio; nunca mais haverá dilúvio para destruir a terra”.
12E Deus prosseguiu: “Este é o sinal da aliança que estou fazendo entre mim e vocês e com todos os seres vivos que estão com vocês, para todas as gerações futuras:
13o meu arco que coloquei nas nuvens. Será o sinal da minha aliança com a terra.
14Quando eu trouxer nuvens sobre a terra e nelas aparecer o arco-íris,
15então me lembrarei da minha aliança com vocês e com os seres vivos de todas as espécies. Nunca mais as águas se tornarão um dilúvio para destruir toda forma de vida.
16Toda vez que o arco-íris estiver nas nuvens, olharei para ele e me lembrarei da aliança eterna entre Deus e todos os seres vivos de todas as espécies que vivem na terra”.
17Concluindo, disse Deus a Noé: “Esse é o sinal da aliança que estabeleci entre mim e toda forma de vida que há sobre a terra”.
Os filhos de Noé
18Os filhos de Noé que saíram da arca foram Sem, Cam e Jafé. Cam é o pai de Canaã.
19Esses foram os três filhos de Noé; a partir deles toda a terra foi povoada.
20Noé, que era agricultor, foi o primeiro a plantar uma vinha.
21Bebeu do vinho, embriagou-se e ficou nu dentro da sua tenda.
22Cam, pai de Canaã, viu a nudez do pai e foi contar aos dois irmãos que estavam do lado de fora.
23Mas Sem e Jafé pegaram a capa, levantaram-na sobre os ombros e, andando de costas para não verem a nudez do pai, cobriram-no.
24Quando Noé acordou do efeito do vinho e descobriu o que seu filho caçula lhe havia feito,
25disse:”Maldito seja Canaã!Escravo de escravosserá para os seus irmãos”.
26Disse ainda:”Bendito seja o Senhor,o Deus de Sem!E seja Canaã seu escravo.
27Amplie Deus o território de Jafé;habite ele nas tendas de Sem,e seja Canaã seu escravo”.
28Depois do Dilúvio Noé viveu trezentos e cinquenta anos.
29Viveu ao todo novecentos e cinquenta anos e morreu.
Gênesis 10
O mapa das nações
1Este é o registro da descendência de Sem, Cam e Jafé, filhos de Noé. Os filhos deles nasceram depois do Dilúvio.
2Estes foram os filhos de Jafé:Gômer, Magogue, Madai, Javã, Tubal,Meseque e Tirás.
3Estes foram os filhos de Gômer:Asquenaz, Rifate e Togarma.
4Estes foram os filhos de Javã:Elisá, Társis, Quitim e Rodanim.
5Deles procedem os povos marítimos, os quais se separaram em seu território, conforme a sua língua, cada um segundo os clãs de suas nações.
6Estes foram os filhos de Cam:Cuxe, Mizraim, Fute e Canaã.
7Estes foram os filhos de Cuxe:Sebá, Havilá, Sabtá, Raamá e Sabtecá.Estes foram os filhos de Raamá:Sabá e Dedã.
8Cuxe gerou também Ninrode, o primeiro homem poderoso na terra.
9Ele foi o mais valente dos caçadores, e por isso se diz: “Valente como Ninrode”.
10No início o seu reino abrangia Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de Sinear.
11Dessa terra ele partiu para a Assíria, onde fundou Nínive, Reobote-Ir, Calá
12e Resém, que fica entre Nínive e Calá, a grande cidade.
13Mizraim gerou os luditas, os anamitas, os leabitas, os naftuítas,
14os patrusitas, os casluítas, dos quais se originaram os filisteus, e os caftoritas.
15Canaã gerou Sidom, seu filho mais velho, e Hete,Posteriormente, os clãs cananeus se espalharam.
16como também os jebuseus, os amorreus, os girgaseus,
17os heveus, os arqueus, os sineus,
18os arvadeus, os zemareus e os hamateus.
19As fronteiras de Canaã estendiam-se desde Sidom, iam até Gerar, e chegavam a Gaza e, de lá, prosseguiam até Sodoma, Gomorra, Admá e Zeboim, chegando até Lasa.
20São esses os descendentes de Cam, conforme seus clãs e línguas, em seus territórios e nações.
21Sem, irmão mais velho de Jafé, também gerou filhos. Sem foi o antepassado de todos os filhos de Héber.
22Estes foram os filhos de Sem:Elão, Assur, Arfaxade, Lude e Arã.
23Estes foram os filhos de Arã:Uz, Hul, Géter e Meseque.
24Arfaxade gerou Salá, e este gerou Héber.
25A Héber nasceram dois filhos:um deles se chamou Pelegue, porque em sua época a terra foi dividida; seu irmão chamou-se Joctã.
26Joctã gerou Almodá, Salefe, Hazarmavé, Jerá,
27Adorão, Uzal, Dicla,
28Obal, Abimael, Sabá,
29Ofir, Havilá e Jobabe. Todos esses foram filhos de Joctã.
30A região onde viviam estendia-se de Messa até Sefar, nas colinas ao leste.
31São esses os descendentes de Sem, conforme seus clãs e línguas, em seus territórios e nações.
32São esses os clãs dos filhos de Noé, distribuídos em suas nações, conforme a história da sua descendência. A partir deles, os povos se dispersaram pela terra, depois do Dilúvio.
Gênesis 11
A torre de Babel
1No mundo todo havia apenas uma língua, um só modo de falar.
2Saindo os homens do Oriente, encontraram uma planície em Sinear e ali se fixaram.
3Disseram uns aos outros: “Vamos fazer tijolos e queimá-los bem”. Usavam tijolos em lugar de pedras, e piche em vez de argamassa.
4Depois disseram: “Vamos construir uma cidade, com uma torre que alcance os céus. Assim nosso nome será famoso e não seremos espalhados pela face da terra”.
5O Senhor desceu para ver a cidade e a torre que os homens estavam construindo.
6E disse o Senhor: “Eles são um só povo e falam uma só língua, e começaram a construir isso. Em breve nada poderá impedir o que planejam fazer.
7Venham, desçamos e confundamos a língua que falam, para que não entendam mais uns aos outros”.
8Assim o Senhor os dispersou dali por toda a terra, e pararam de construir a cidade.
9Por isso foi chamada Babel, porque ali o Senhor confundiu a língua de todo o mundo. Dali o Senhor os espalhou por toda a terra.
Desde Sem a Abrão
10Este é o registro da descendência de Sem:Dois anos depois do Dilúvio, aos 100 anos de idade, Sem gerou Arfaxade.
11E depois de ter gerado Arfaxade, Sem viveu 500 anos e gerou outros filhos e filhas.
12Aos 35 anos, Arfaxade gerou Salá.
13Depois que gerou Salá, Arfaxade viveu 403 anos e gerou outros filhos e filhas.
14Aos 30 anos, Salá gerou Héber.
15Depois que gerou Héber, Salá viveu 403 anos e gerou outros filhos e filhas.
16Aos 34 anos, Héber gerou Pelegue.
17Depois que gerou Pelegue, Héber viveu 430 anos e gerou outros filhos e filhas.
18Aos 30 anos, Pelegue gerou Reú.
19Depois que gerou Reú, Pelegue viveu 209 anos e gerou outros filhos e filhas.
20Aos 32 anos, Reú gerou Serugue.
21Depois que gerou Serugue, Reú viveu 207 anos e gerou outros filhos e filhas.
22Aos 30 anos, Serugue gerou Naor.
23Depois que gerou Naor, Serugue viveu 200 anos e gerou outros filhos e filhas.
24Aos 29 anos, Naor gerou Terá.
25Depois que gerou Terá, Naor viveu 119 anos e gerou outros filhos e filhas.
26Aos 70 anos, Terá havia gerado Abrão, Naor e Harã.
27Esta é a história da família de Terá:Terá gerou Abrão, Naor e Harã. E Harã gerou Ló.
28Harã morreu em Ur dos caldeus, sua terra natal, quando ainda vivia Terá, seu pai.
29Tanto Abrão como Naor casaram-se. O nome da mulher de Abrão era Sarai, e o nome da mulher de Naor era Milca; esta era filha de Harã, pai de Milca e de Iscá.
30Ora, Sarai era estéril; não tinha filhos.
31Terá tomou seu filho Abrão, seu neto Ló, filho de Harã, e sua nora Sarai, mulher de seu filho Abrão, e juntos partiram de Ur dos caldeus para Canaã. Mas, ao chegarem a Harã, estabeleceram-se ali.
32Terá viveu 205 anos e morreu em Harã.
Gênesis 12
A chamada de Abrão
1Então o Senhor disse a Abrão: “Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei.
2″Farei de você um grande povo,e o abençoarei.Tornarei famoso o seu nome,e você será uma bênção.
3Abençoarei os que o abençoareme amaldiçoarei os que o amaldiçoarem;e por meio de vocêtodos os povos da terraserão abençoados”.
4Partiu Abrão, como lhe ordenara o Senhor, e Ló foi com ele. Abrão tinha setenta e cinco anos quando saiu de Harã.
5Levou sua mulher Sarai, seu sobrinho Ló, todos os bens que haviam acumulado e os seus servos, comprados em Harã; partiram para a terra de Canaã e lá chegaram.
6Abrão atravessou a terra até o lugar do carvalho de Moré, em Siquém. Naquela época, os cananeus habitavam essa terra.
7O Senhor apareceu a Abrão e disse: “À sua descendência darei esta terra”. Abrão construiu ali um altar dedicado ao Senhor, que lhe havia aparecido.
8Dali prosseguiu em direção às colinas a leste de Betel, onde armou acampamento, tendo Betel a oeste e Ai a leste. Construiu ali um altar dedicado ao Senhor e invocou o nome do Senhor.
9Depois Abrão partiu e prosseguiu em direção ao Neguebe.Abrão no Egito
Abrão no Egipto
10Houve fome naquela terra, e Abrão desceu ao Egito para ali viver algum tempo, pois a fome era rigorosa.
11Quando estava chegando ao Egito, disse a Sarai, sua mulher: “Bem sei que você é bonita.
12Quando os egípcios a virem, dirão: ‘Esta é a mulher dele’. E me matarão, mas deixarão você viva.
13Diga que é minha irmã, para que me tratem bem por amor a você e minha vida seja poupada por sua causa”.
14Quando Abrão chegou ao Egito, viram os egípcios que Sarai era uma mulher muito bonita.
15Vendo-a, os homens da corte do faraó a elogiaram diante do faraó, e ela foi levada ao seu palácio.
16Ele tratou bem a Abrão por causa dela, e Abrão recebeu ovelhas e bois, jumentos e jumentas, servos e servas, e camelos.
17Mas o Senhor puniu o faraó e sua corte com graves doenças, por causa de Sarai, mulher de Abrão.
18Por isso o faraó mandou chamar Abrão e disse: “O que você fez comigo? Por que não me falou que ela era sua mulher?
19Por que disse que era sua irmã? Foi por isso que eu a tomei para ser minha mulher. Aí está a sua mulher. Tome-a e vá!”
20A seguir o faraó deu ordens para que providenciassem o necessário para que Abrão partisse com sua mulher e com tudo o que possuía.
Gênesis 13
Abrão e Lot separam-se
1Saiu, pois, Abrão do Egito e foi para o Neguebe, com sua mulher e com tudo o que possuía, e Ló foi com ele.
2Abrão tinha enriquecido muito, tanto em gado como em prata e ouro.
3Ele partiu do Neguebe em direção a Betel, indo de um lugar a outro, até que chegou ao lugar entre Betel e Ai onde já havia armado acampamento anteriormente
4e onde, pela primeira vez, tinha construído um altar. Ali Abrão invocou o nome do Senhor.
5Ló, que acompanhava Abrão, também possuía rebanhos e tendas.
6E não podiam morar os dois juntos na mesma região, porque possuíam tantos bens que a terra não podia sustentá-los.
7Por isso surgiu uma desavença entre os pastores dos rebanhos de Abrão e os de Ló. Nessa época os cananeus e os ferezeus habitavam aquela terra.
8Então Abrão disse a Ló: “Não haja desavença entre mim e você, ou entre os seus pastores e os meus; afinal somos irmãos!
9Aí está a terra inteira diante de você. Vamos separar-nos. Se você for para a esquerda, irei para a direita; se for para a direita, irei para a esquerda”.
10Olhou então Ló e viu todo o vale do Jordão, todo ele bem irrigado, até Zoar; era como o jardim do Senhor, como a terra do Egito. Isto se deu antes de o Senhor destruir Sodoma e Gomorra.
11Ló escolheu todo o vale do Jordão e partiu em direção ao leste. Assim os dois se separaram:
12Abrão ficou na terra de Canaã, mas Ló mudou seu acampamento para um lugar próximo a Sodoma, entre as cidades do vale.
13Ora, os homens de Sodoma eram extremamente perversos e pecadores contra o Senhor.
14Disse o Senhor a Abrão, depois que Ló separou-se dele: “De onde você está, olhe para o norte, para o sul, para o leste e para o oeste:
15toda a terra que você está vendo darei a você e à sua descendência para sempre.
16Tornarei a sua descendência tão numerosa como o pó da terra. Se for possível contar o pó da terra, também se poderá contar a sua descendência.
17Percorra esta terra de alto a baixo, de um lado a outro, porque eu a darei a você”.
18Então Abrão mudou seu acampamento e passou a viver próximo aos carvalhos de Manre, em Hebrom, onde construiu um altar dedicado ao Senhor.
Gênesis 14
Abrão salva Lot
1Naquela época, Anrafel, rei de Sinear, Arioque, rei de Elasar, Quedorlaomer, rei de Elão, e Tidal, rei de Goim,
2foram à guerra contra Bera, rei de Sodoma, contra Birsa, rei de Gomorra, contra Sinabe, rei de Admá, contra Semeber, rei de Zeboim, e contra o rei de Belá, que é Zoar.
3Todos esses últimos juntaram suas tropas no vale de Sidim, onde fica o mar Salgado.
4Doze anos estiveram sujeitos a Quedorlaomer, mas no décimo terceiro ano se rebelaram.
5No décimo quarto ano, Quedorlaomer e os reis que a ele tinham-se aliado derrotaram os refains em Asterote-Carnaim, os zuzins em Hã, os emins em Savé-Quiriataim
6e os horeus desde os montes de Seir até El-Parã, próximo ao deserto.
7Depois, voltaram e foram para En-Mispate, que é Cades, e conquistaram todo o território dos amalequitas e dos amorreus que viviam em Hazazom-Tamar.
8Então os reis de Sodoma, de Gomorra, de Admá, de Zeboim e de Belá, que é Zoar, marcharam e tomaram posição de combate no vale de Sidim
9contra Quedorlaomer, rei de Elão, contra Tidal, rei de Goim, contra Anrafel, rei de Sinear, e contra Arioque, rei de Elasar. Eram quatro reis contra cinco.
10Ora, o vale de Sidim era cheio de poços de betume e, quando os reis de Sodoma e de Gomorra fugiram, alguns dos seus homens caíram nos poços e o restante escapou para os montes.
11Os vencedores saquearam todos os bens de Sodoma e de Gomorra e todo o seu mantimento, e partiram.
12Levaram também Ló, sobrinho de Abrão, e os bens que ele possuía, visto que morava em Sodoma.
13Mas alguém que tinha escapado veio e relatou tudo a Abrão, o hebreu, que vivia próximo aos carvalhos de Manre, o amorreu. Manre e os seus irmãos Escol e Aner eram aliados de Abrão.
14Quando Abrão ouviu que seu parente fora levado prisioneiro, mandou convocar os trezentos e dezoito homens treinados, nascidos em sua casa, e saiu em perseguição aos inimigos até Dã.
15Atacou-os durante a noite em grupos, e assim os derrotou, perseguindo-os até Hobá, ao norte de Damasco.
16Recuperou todos os bens e trouxe de volta seu parente Ló com tudo o que possuía, com as mulheres e o restante dos prisioneiros.
17Voltando Abrão da vitória sobre Quedorlaomer e sobre os reis que a ele se haviam aliado, o rei de Sodoma foi ao seu encontro no vale de Savé, isto é, o vale do Rei.
18Então Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, trouxe pão e vinho
19e abençoou Abrão, dizendo:”Bendito seja Abrãopelo Deus Altíssimo,Criador dos céus e da terra.
20E bendito seja o Deus Altíssimo,que entregou seus inimigosem suas mãos”.E Abrão lhe deu o dízimo de tudo.
21O rei de Sodoma disse a Abrão: “Dê-me as pessoas e pode ficar com os bens”.
22Mas Abrão respondeu ao rei de Sodoma: “De mãos levantadas ao Senhor, o Deus Altíssimo, Criador dos céus e da terra, juro
23que não aceitarei nada do que pertence a você, nem mesmo um cordão ou uma correia de sandália, para que você jamais venha a dizer: ‘Eu enriqueci Abrão’.
24Nada aceitarei, a não ser o que os meus servos comeram e a porção pertencente a Aner, Escol e Manre, os quais me acompanharam. Que eles recebam a sua porção”.
Gênesis 15
A aliança de Deus com Abrão
1Depois dessas coisas o Senhor falou a Abrão numa visão:”Não tenha medo, Abrão!Eu sou o seu escudo;grande será a sua recompensa!”
2Mas Abrão perguntou: “Ó Soberano Senhor, que me darás, se continuo sem filhos e o herdeiro do que possuo é Eliézer de Damasco?”
3E acrescentou: “Tu não me deste filho algum! Um servo da minha casa será o meu herdeiro!”
4Então o Senhor deu-lhe a seguinte resposta: “Seu herdeiro não será esse. Um filho gerado por você mesmo será o seu herdeiro”.
5Levando-o para fora da tenda, disse-lhe: “Olhe para o céu e conte as estrelas, se é que pode contá-las”. E prosseguiu: “Assim será a sua descendência”.
6Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi creditado como justiça.
7Disse-lhe ainda: “Eu sou o Senhor, que o tirei de Ur dos caldeus para dar a você esta terra como herança”.
8Perguntou-lhe Abrão: “Ó Soberano Senhor, como posso saber que tomarei posse dela?”
9Respondeu-lhe o Senhor: “Traga-me uma novilha, uma cabra e um carneiro, todos com três anos de vida, e também uma rolinha e um pombinho”.
10Abrão trouxe todos esses animais, cortou-os ao meio e colocou cada metade em frente à outra; as aves, porém, ele não cortou.
11Nisso, aves de rapina começaram a descer sobre os cadáveres, mas Abrão as enxotava.
12Ao pôr do sol, Abrão foi tomado de sono profundo, e eis que vieram sobre ele trevas densas e apavorantes.
13Então o Senhor lhe disse: “Saiba que os seus descendentes serão estrangeiros numa terra que não lhes pertencerá, onde também serão escravizados e oprimidos por quatrocentos anos.
14Mas eu castigarei a nação a quem servirão como escravos e, depois de tudo, sairão com muitos bens.
15Você, porém, irá em paz a seus antepassados e será sepultado em boa velhice.
16Na quarta geração, os seus descendentes voltarão para cá, porque a maldade dos amorreus ainda não atingiu a medida completa”.
17Depois que o sol se pôs e veio a escuridão, eis que um fogareiro esfumaçante, com uma tocha acesa, passou por entre os pedaços dos animais.
18Naquele dia, o Senhor fez a seguinte aliança com Abrão: “Aos seus descendentes dei esta terra, desde o ribeiro do Egito até o grande rio, o Eufrates:
19a terra dos queneus, dos quenezeus, dos cadmoneus,
20dos hititas, dos ferezeus, dos refains,
21dos amorreus, dos cananeus, dos girgaseus e dos jebuseus”.
Gênesis 16
Agar e Ismael
1Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe dera nenhum filho. Como tinha uma serva egípcia, chamada Hagar,
2disse a Abrão: “Já que o Senhor me impediu de ter filhos, possua a minha serva; talvez eu possa formar família por meio dela”. Abrão atendeu à proposta de Sarai.
3Quando isso aconteceu, já fazia dez anos que Abrão, seu marido, vivia em Canaã. Foi nessa ocasião que Sarai, sua mulher, lhe entregou sua serva egípcia Hagar.
4Ele possuiu Hagar, e ela engravidou.Quando se viu grávida, começou a olhar com desprezo para a sua senhora.
5Então Sarai disse a Abrão: “Caia sobre você a afronta que venho sofrendo. Coloquei minha serva em seus braços e, agora que ela sabe que engravidou, despreza-me. Que o Senhor seja o juiz entre mim e você”.
6Respondeu Abrão a Sarai: “Sua serva está em suas mãos. Faça com ela o que achar melhor”. Então Sarai tanto maltratou Hagar que esta acabou fugindo.
7O Anjo do Senhor encontrou Hagar perto de uma fonte no deserto, no caminho de Sur,
8e perguntou-lhe: “Hagar, serva de Sarai, de onde você vem? Para onde vai?”Respondeu ela: “Estou fugindo de Sarai, a minha senhora”.
9Disse-lhe então o Anjo do Senhor: “Volte à sua senhora e sujeite-se a ela”.
10Disse mais o Anjo: “Multiplicarei tanto os seus descendentes que ninguém os poderá contar”.
11Disse-lhe ainda o Anjo do Senhor:”Você está grávida e terá um filho,e lhe dará o nome de Ismael,porque o Senhor a ouviuem seu sofrimento.
12Ele será como jumento selvagem;sua mão será contra todos,e a mão de todos contra ele,e ele viverá em hostilidadecontra todos os seus irmãos”.
13Este foi o nome que ela deu ao Senhor, que lhe havia falado: “Tu és o Deus que me vê”, pois dissera: “Teria eu visto Aquele que me vê?”
14Por isso o poço, que fica entre Cades e Berede, foi chamado Beer-Laai-Roi.
15Hagar teve um filho de Abrão, e este lhe deu o nome de Ismael.
16Abrão estava com oitenta e seis anos de idade quando Hagar lhe deu Ismael.
Gênesis 17
A aliança da circuncisão
1Quando Abrão estava com noventa e nove anos de idade o Senhor lhe apareceu e disse: “Eu sou o Deus todo-poderoso; ande segundo a minha vontade e seja íntegro.
2Estabelecerei a minha aliança entre mim e você e multiplicarei muitíssimo a sua descendência”.
3Abrão prostrou-se com o rosto em terra, e Deus lhe disse:
4″De minha parte, esta é a minha aliança com você. Você será o pai de muitas nações.
5Não será mais chamado Abrão; seu nome será Abraão, porque eu o constituí pai de muitas nações.
6Eu o tornarei extremamente prolífero; de você farei nações e de você procederão reis.
7Estabelecerei a minha aliança como aliança eterna entre mim e você e os seus futuros descendentes, para ser o seu Deus e o Deus dos seus descendentes.
8Toda a terra de Canaã, onde agora você é estrangeiro, darei como propriedade perpétua a você e a seus descendentes; e serei o Deus deles.
9″De sua parte”, disse Deus a Abraão, “guarde a minha aliança, tanto você como os seus futuros descendentes.
10Esta é a minha aliança com você e com os seus descendentes, aliança que terá que ser guardada: Todos os do sexo masculino entre vocês serão circuncidados na carne.
11Terão que fazer essa marca, que será o sinal da aliança entre mim e vocês.
12Da sua geração em diante, todo menino de oito dias de idade entre vocês terá que ser circuncidado, tanto os nascidos em sua casa quanto os que forem comprados de estrangeiros e que não forem descendentes de vocês.
13Sejam nascidos em sua casa, sejam comprados, terão que ser circuncidados. Minha aliança, marcada no corpo de vocês, será uma aliança perpétua.
14Qualquer do sexo masculino que for incircunciso, que não tiver sido circuncidado, será eliminado do meio do seu povo; quebrou a minha aliança”.
15Disse também Deus a Abraão: “De agora em diante sua mulher já não se chamará Sarai; seu nome será Sara.
16Eu a abençoarei e também por meio dela darei a você um filho. Sim, eu a abençoarei e dela procederão nações e reis de povos”.
17Abraão prostrou-se com o rosto em terra; riu-se e disse a si mesmo: “Poderá um homem de cem anos de idade gerar um filho? Poderá Sara dar à luz aos noventa anos?”
18E Abraão disse a Deus: “Permite que Ismael seja o meu herdeiro!”
19Então Deus respondeu: “Na verdade Sara, sua mulher, lhe dará um filho, e você lhe chamará Isaque. Com ele estabelecerei a minha aliança, que será aliança eterna para os seus futuros descendentes.
20E, no caso de Ismael, levarei em conta o seu pedido. Também o abençoarei; eu o farei prolífero e multiplicarei muito a sua descendência. Ele será pai de doze príncipes e dele farei um grande povo.
21Mas a minha aliança, eu a estabelecerei com Isaque, filho que Sara dará a você no ano que vem, por esta época”.
22Quando terminou de falar com Abraão, Deus subiu e retirou-se da presença dele.
23Naquele mesmo dia, Abraão tomou seu filho Ismael, todos os nascidos em sua casa e os que foram comprados, todos os do sexo masculino de sua casa, e os circuncidou, como Deus lhe ordenara.
24Abraão tinha noventa e nove anos quando foi circuncidado,
25e seu filho Ismael tinha treze;
26Abraão e seu filho Ismael foram circuncidados naquele mesmo dia.
27E com Abraão foram circuncidados todos os de sua casa, tanto os nascidos em casa como os comprados de estrangeiros.
Gênesis 18
Os três visitantes
1O Senhor apareceu a Abraão perto dos carvalhos de Manre, quando ele estava sentado à entrada de sua tenda, na hora mais quente do dia.
2Abraão ergueu os olhos e viu três homens em pé, a pouca distância. Quando os viu, saiu da entrada de sua tenda, correu ao encontro deles e curvou-se até o chão.
3Disse ele: “Meu senhor, se mereço o seu favor, não passe pelo seu servo sem fazer uma parada.
4Mandarei buscar um pouco d’água para que lavem os pés e descansem debaixo desta árvore.
5Vou trazer a vocês também o que comer, para que recuperem as forças e prossigam pelo caminho, agora que já chegaram até este seu servo”.”Está bem; faça como está dizendo”, responderam.
6Abraão foi apressadamente à tenda e disse a Sara: “Depressa, pegue três medidas da melhor farinha, amasse-a e faça uns pães”.
7Depois correu ao rebanho e escolheu o melhor novilho, e o deu a um servo, que se apressou em prepará-lo.
8Trouxe então coalhada, leite e o novilho que havia sido preparado, e os serviu. Enquanto comiam, ele ficou perto deles em pé, debaixo da árvore.
9″Onde está Sara, sua mulher?”, perguntaram.”Ali na tenda”, respondeu ele.
10Então disse o Senhor: “Voltarei a você na primavera, e Sara, sua mulher, terá um filho”.Sara escutava à entrada da tenda, atrás dele.
11Abraão e Sara já eram velhos, de idade bem avançada, e Sara já tinha passado da idade de ter filhos.
12Por isso riu consigo mesma, quando pensou: “Depois de já estar velha e meu senhor já idoso, ainda terei esse prazer?”
13Mas o Senhor disse a Abraão: “Por que Sara riu e disse: ‘Poderei realmente dar à luz, agora que sou idosa?’
14Existe alguma coisa impossível para o Senhor? Na primavera voltarei a você, e Sara terá um filho”.
15Sara teve medo, e por isso mentiu: “Eu não ri”.Mas ele disse: “Não negue, você riu”.
16Quando os homens se levantaram para partir, avistaram lá embaixo Sodoma; e Abraão os acompanhou para despedir-se.
Abraão intercede por Sodoma
17Então o Senhor disse: “Esconderei de Abraão o que estou para fazer?
18Abraão será o pai de uma nação grande e poderosa, e por meio dele todas as nações da terra serão abençoadas.
19Pois eu o escolhi, para que ordene aos seus filhos e aos seus descendentes que se conservem no caminho do Senhor, fazendo o que é justo e direito, para que o Senhor faça vir a Abraão o que lhe prometeu”.
20Disse-lhe, pois, o Senhor: “As acusações contra Sodoma e Gomorra são tantas e o seu pecado é tão grave
21que descerei para ver se o que eles têm feito corresponde ao que tenho ouvido. Se não, eu saberei”.
22Os homens partiram dali e foram para Sodoma, mas Abraão permaneceu diante do Senhor.
23Abraão aproximou-se dele e disse: “Exterminarás o justo com o ímpio?
24E se houver cinquenta justos na cidade? Ainda a destruirás e não pouparás o lugar por amor aos cinquenta justos que nele estão?
25Longe de ti fazer tal coisa: matar o justo com o ímpio, tratando o justo e o ímpio da mesma maneira. Longe de ti! Não agirá com justiça o Juiz de toda a terra?”
26Respondeu o Senhor: “Se eu encontrar cinquenta justos em Sodoma, pouparei a cidade toda por amor a eles”.
27Mas Abraão tornou a falar: “Sei que já fui muito ousado a ponto de falar ao Senhor, eu que não passo de pó e cinza.
28Ainda assim pergunto: E se faltarem cinco para completar os cinquenta justos? Destruirás a cidade por causa dos cinco?”Disse ele: “Se encontrar ali quarenta e cinco, não a destruirei”.
29″E se encontrares apenas quarenta?”, insistiu Abraão.Ele respondeu: “Por amor aos quarenta não a destruirei”.
30Então continuou ele: “Não te ires, Senhor, mas permite-me falar. E se apenas trinta forem encontrados ali?”Ele respondeu: “Se encontrar trinta, não a destruirei”.
31Prosseguiu Abraão: “Agora que já fui tão ousado falando ao Senhor, pergunto: E se apenas vinte forem encontrados ali?”Ele respondeu: “Por amor aos vinte não a destruirei”.
32Então Abraão disse ainda: “Não te ires, Senhor, mas permite-me falar só mais uma vez. E se apenas dez forem encontrados?”Ele respondeu: “Por amor aos dez não a destruirei”.
33Tendo acabado de falar com Abraão, o Senhor partiu, e Abraão voltou para casa.
Gênesis 19
Sodoma e Gomorra destruídas
1Os dois anjos chegaram a Sodoma ao anoitecer, e Ló estava sentado à porta da cidade. Quando os avistou, levantou-se e foi recebê-los. Prostrou-se com o rosto em terra
2e disse: “Meus senhores, por favor, acompanhem-me à casa do seu servo. Lá poderão lavar os pés, passar a noite e, pela manhã, seguir caminho”.”Não, passaremos a noite na praça”, responderam.
3Mas ele insistiu tanto com eles que, finalmente, o acompanharam e entraram em sua casa. Ló mandou preparar-lhes uma refeição e assar pão sem fermento, e eles comeram.
4Ainda não tinham ido deitar-se, quando todos os homens de toda parte da cidade de Sodoma, dos mais jovens aos mais velhos, cercaram a casa.
5Chamaram Ló e lhe disseram: “Onde estão os homens que vieram à sua casa esta noite? Traga-os para nós aqui fora para que tenhamos relações com eles”.
6Ló saiu da casa, fechou a porta atrás de si
7e lhes disse: “Não, meus amigos! Não façam essa perversidade!
8Olhem, tenho duas filhas que ainda são virgens. Vou trazê-las para que vocês façam com elas o que bem entenderem. Mas não façam nada a estes homens, porque se acham debaixo da proteção do meu teto”.
9″Saia da frente!”, gritaram. E disseram: “Este homem chegou aqui como estrangeiro, e agora quer ser o juiz! Faremos a você pior do que a eles”. Então empurraram Ló com violência e avançaram para arrombar a porta.
10Nisso, os dois visitantes agarraram Ló, puxaram-no para dentro e fecharam a porta.
11Depois feriram de cegueira os homens que estavam à porta da casa, dos mais jovens aos mais velhos, de maneira que não conseguiam encontrar a porta.
12Os dois homens perguntaram a Ló: “Você tem mais alguém na cidade – genros, filhos ou filhas, ou qualquer outro parente? Tire-os daqui,
13porque estamos para destruir este lugar. As acusações feitas ao Senhor contra este povo são tantas que ele nos enviou para destruir a cidade”.
14Então Ló foi falar com seus genros, os quais iam casar-se com suas filhas, e lhes disse: “Saiam imediatamente deste lugar, porque o Senhor está para destruir a cidade!” Mas pensaram que ele estava brincando.
15Ao raiar do dia, os anjos insistiam com Ló, dizendo: “Depressa! Leve daqui sua mulher e suas duas filhas, ou vocês também serão mortos quando a cidade for castigada”.
16Tendo ele hesitado, os homens o agarraram pela mão, como também a mulher e as duas filhas, e os tiraram dali à força e os deixaram fora da cidade, porque o Senhor teve misericórdia deles.
17Assim que os tiraram da cidade, um deles disse a Ló: “Fuja por amor à vida! Não olhe para trás e não pare em lugar nenhum da planície! Fuja para as montanhas, ou você será morto!”
18Ló, porém, lhes disse: “Não, meu senhor!
19Seu servo foi favorecido por sua benevolência, pois o senhor foi bondoso comigo, poupando-me a vida. Não posso fugir para as montanhas, senão esta calamidade cairá sobre mim, e morrerei.
20Aqui perto há uma cidade pequena. Está tão próxima que dá para correr até lá. Deixe-me ir para lá! Mesmo sendo tão pequena, lá estarei a salvo”.
21″Está bem”, respondeu ele. “Também lhe atenderei esse pedido; não destruirei a cidade da qual você fala.
22Fuja depressa, porque nada poderei fazer enquanto você não chegar lá”. Por isso a cidade foi chamada Zoar.
23Quando Ló chegou a Zoar, o sol já havia nascido sobre a terra.
24Então o Senhor, o próprio Senhor, fez chover do céu fogo e enxofre sobre Sodoma e Gomorra.
25Assim ele destruiu aquelas cidades e toda a planície, com todos os habitantes das cidades e a vegetação.
26Mas a mulher de Ló olhou para trás e se transformou numa coluna de sal.
27Na manhã seguinte, Abraão se levantou e voltou ao lugar onde tinha estado diante do Senhor.
28E olhou para Sodoma e Gomorra, para toda a planície, e viu uma densa fumaça subindo da terra, como fumaça de uma fornalha.
29Quando Deus arrasou as cidades da planície, lembrou-se de Abraão e tirou Ló do meio da catástrofe que destruiu as cidades onde Ló vivia.
Lot e as suas filhas
30Ló partiu de Zoar com suas duas filhas e passou a viver nas montanhas, porque tinha medo de permanecer em Zoar. Ele e suas duas filhas ficaram morando numa caverna.
31Um dia, a filha mais velha disse à mais jovem: “Nosso pai já está velho, e não há homens nas redondezas que nos possuam, segundo o costume de toda a terra.
32Vamos dar vinho a nosso pai e então nos deitaremos com ele para preservar a sua linhagem”.
33Naquela noite, deram vinho ao pai, e a filha mais velha entrou e se deitou com ele. E ele não percebeu quando ela se deitou nem quando se levantou.
34No dia seguinte a filha mais velha disse à mais nova: “Ontem à noite deitei-me com meu pai. Vamos dar-lhe vinho também esta noite, e você se deitará com ele, para que preservemos a linhagem de nosso pai”.
35Então, outra vez deram vinho ao pai naquela noite, e a mais nova foi e se deitou com ele. E ele não percebeu quando ela se deitou nem quando se levantou.
36Assim, as duas filhas de Ló engravidaram do próprio pai.
37A mais velha teve um filho e deu-lhe o nome de Moabe; este é o pai dos moabitas de hoje.
38A mais nova também teve um filho e deu-lhe o nome de Ben-Ami; este é o pai dos amonitas de hoje.
Gênesis 20
Abraão e Abimeleque
1Abraão partiu dali para a região do Neguebe e foi viver entre Cades e Sur. Depois morou algum tempo em Gerar.
2Ele dizia que Sara, sua mulher, era sua irmã. Então Abimeleque, rei de Gerar, mandou buscar Sara e tomou-a para si.
3Certa noite Deus veio a Abimeleque num sonho e lhe disse: “Você morrerá! A mulher que você tomou é casada”.
4Mas Abimeleque, que ainda não havia tocado nela, disse: “Senhor, destruirias um povo inocente?
5Não foi ele que me disse: ‘Ela é minha irmã’? E ela também não disse: ‘Ele é meu irmão’? O que fiz foi de coração puro e de mãos limpas”.
6Então Deus lhe respondeu no sonho: “Sim, eu sei que você fez isso de coração puro. Eu mesmo impedi que você pecasse contra mim e por isso não lhe permiti tocá-la.
7Agora devolva a mulher ao marido dela. Ele é profeta e orará em seu favor, para que você não morra. Mas, se não a devolver, esteja certo de que você e todos os seus morrerão”.
8Na manhã seguinte, Abimeleque convocou todos os seus conselheiros e, quando lhes contou tudo o que acontecera, tiveram muito medo.
9Depois Abimeleque chamou Abraão e disse: “O que fizeste conosco? Em que foi que pequei contra ti para que trouxesses tamanha culpa sobre mim e sobre o meu reino? O que me fizeste não se faz a ninguém!”
10E perguntou Abimeleque a Abraão: “O que te levou a fazer isso?”
11Abraão respondeu: “Eu disse a mim mesmo: Certamente ninguém teme a Deus neste lugar, e irão matar-me por causa da minha mulher.
12Além disso, na verdade ela é minha irmã por parte de pai, mas não por parte de mãe; e veio a ser minha mulher.
13E, quando Deus me fez sair errante da casa de meu pai, eu disse a ela: Assim você me provará sua lealdade: em qualquer lugar aonde formos, diga que sou seu irmão”.
14Então Abimeleque trouxe ovelhas e bois, servos e servas, deu-os a Abraão e devolveu-lhe Sara, sua mulher.
15E disse Abimeleque: “Minha terra está diante de ti; podes ficar onde quiseres”.
16A Sara ele disse: “Estou dando a seu irmão mil peças de prata, para reparar a ofensa feita a você diante de todos os seus; assim todos saberão que você é inocente”.
17A seguir Abraão orou a Deus, e Deus curou Abimeleque, sua mulher e suas servas, de forma que puderam novamente ter filhos,
18porque o Senhor havia tornado estéreis todas as mulheres da casa de Abimeleque por causa de Sara, mulher de Abraão.
Gênesis 21
O nascimento de Isaque
1O Senhor foi bondoso com Sara, como lhe dissera, e fez por ela o que prometera.
2Sara engravidou e deu um filho a Abraão em sua velhice, na época fixada por Deus em sua promessa.
3Abraão deu o nome de Isaque ao filho que Sara lhe dera.
4Quando seu filho Isaque tinha oito dias de vida, Abraão o circuncidou, conforme Deus lhe havia ordenado.
5Estava ele com cem anos de idade quando lhe nasceu Isaque, seu filho.
6E Sara disse: “Deus me encheu de riso, e todos os que souberem disso rirão comigo”.
7E acrescentou: “Quem diria a Abraão que Sara amamentaria filhos? Contudo eu lhe dei um filho em sua velhice!”
Agar e Ismael mandados embora
😯 menino cresceu e foi desmamado. No dia em que Isaque foi desmamado, Abraão deu uma grande festa.
9Sara, porém, viu que o filho que Hagar, a egípcia, dera a Abraão estava rindo de Isaque,
10e disse a Abraão: “Livre-se daquela escrava e do seu filho, porque ele jamais será herdeiro com o meu filho Isaque”.
11Isso perturbou demais Abraão, pois envolvia um filho seu.
12Mas Deus lhe disse: “Não se perturbe por causa do menino e da escrava. Atenda a tudo o que Sara lhe pedir, porque será por meio de Isaque que a sua descendência há de ser considerada.
13Mas também do filho da escrava farei um povo; pois ele é seu descendente”.
14Na manhã seguinte, Abraão pegou alguns pães e uma vasilha de couro cheia d’água, entregou-os a Hagar e, tendo-os colocado nos ombros dela, despediu-a com o menino. Ela se pôs a caminho e ficou vagando pelo deserto de Berseba.
15Quando acabou a água da vasilha, ela deixou o menino debaixo de um arbusto
16e foi sentar-se perto dali, à distância de um tiro de flecha, porque pensou: “Não posso ver o menino morrer”. Sentada ali perto, começou a chorar.
17Deus ouviu o choro do menino, e o anjo de Deus, do céu, chamou Hagar e lhe disse: “O que a aflige, Hagar? Não tenha medo; Deus ouviu o menino chorar, lá onde você o deixou.
18Levante o menino e tome-o pela mão, porque dele farei um grande povo”.
19Então Deus lhe abriu os olhos, e ela viu uma fonte. Foi até lá, encheu de água a vasilha e deu de beber ao menino.
20Deus estava com o menino. Ele cresceu, viveu no deserto e tornou-se flecheiro.
21Vivia no deserto de Parã, e sua mãe conseguiu-lhe uma mulher da terra do Egito.
O acordo em Berseba
22Naquela ocasião, Abimeleque, acompanhado de Ficol, comandante do seu exército, disse a Abraão: “Deus está contigo em tudo o que fazes.
23Agora, jura-me, diante de Deus, que não vais enganar-me, nem a mim nem a meus filhos e descendentes. Trata a nação que te acolheu como estrangeiro com a mesma bondade com que te tratei”.
24Respondeu Abraão: “Eu juro!”
25Todavia Abraão reclamou com Abimeleque a respeito de um poço que os servos de Abimeleque lhe tinham tomado à força.
26Mas Abimeleque lhe respondeu: “Não sei quem fez isso. Nunca me disseste nada, e só fiquei sabendo disso hoje”.
27Então Abraão trouxe ovelhas e bois, deu-os a Abimeleque, e os dois firmaram um acordo.
28Abraão separou sete ovelhas do rebanho,
29pelo que Abimeleque lhe perguntou: “Que significam estas sete ovelhas que separaste das demais?”
30Ele respondeu: “Aceita estas sete ovelhas de minhas mãos como testemunho de que eu cavei este poço”.
31Por isso aquele lugar foi chamado Berseba, porque ali os dois fizeram um juramento.
32Firmado esse acordo em Berseba, Abimeleque e Ficol, comandante das suas tropas, voltaram para a terra dos filisteus.
33Abraão, por sua vez, plantou uma tamargueira em Berseba e ali invocou o nome do Senhor, o Deus Eterno.
34E morou Abraão na terra dos filisteus por longo tempo.
Gênesis 22
O nascimento de Isaque
1O Senhor foi bondoso com Sara, como lhe dissera, e fez por ela o que prometera.
2Sara engravidou e deu um filho a Abraão em sua velhice, na época fixada por Deus em sua promessa.
3Abraão deu o nome de Isaque ao filho que Sara lhe dera.
4Quando seu filho Isaque tinha oito dias de vida, Abraão o circuncidou, conforme Deus lhe havia ordenado.
5Estava ele com cem anos de idade quando lhe nasceu Isaque, seu filho.
6E Sara disse: “Deus me encheu de riso, e todos os que souberem disso rirão comigo”.
7E acrescentou: “Quem diria a Abraão que Sara amamentaria filhos? Contudo eu lhe dei um filho em sua velhice!”
Agar e Ismael mandados embora
😯 menino cresceu e foi desmamado. No dia em que Isaque foi desmamado, Abraão deu uma grande festa.
9Sara, porém, viu que o filho que Hagar, a egípcia, dera a Abraão estava rindo de Isaque,
10e disse a Abraão: “Livre-se daquela escrava e do seu filho, porque ele jamais será herdeiro com o meu filho Isaque”.
11Isso perturbou demais Abraão, pois envolvia um filho seu.
12Mas Deus lhe disse: “Não se perturbe por causa do menino e da escrava. Atenda a tudo o que Sara lhe pedir, porque será por meio de Isaque que a sua descendência há de ser considerada.
13Mas também do filho da escrava farei um povo; pois ele é seu descendente”.
14Na manhã seguinte, Abraão pegou alguns pães e uma vasilha de couro cheia d’água, entregou-os a Hagar e, tendo-os colocado nos ombros dela, despediu-a com o menino. Ela se pôs a caminho e ficou vagando pelo deserto de Berseba.
15Quando acabou a água da vasilha, ela deixou o menino debaixo de um arbusto
16e foi sentar-se perto dali, à distância de um tiro de flecha, porque pensou: “Não posso ver o menino morrer”. Sentada ali perto, começou a chorar.
17Deus ouviu o choro do menino, e o anjo de Deus, do céu, chamou Hagar e lhe disse: “O que a aflige, Hagar? Não tenha medo; Deus ouviu o menino chorar, lá onde você o deixou.
18Levante o menino e tome-o pela mão, porque dele farei um grande povo”.
19Então Deus lhe abriu os olhos, e ela viu uma fonte. Foi até lá, encheu de água a vasilha e deu de beber ao menino.
20Deus estava com o menino. Ele cresceu, viveu no deserto e tornou-se flecheiro.
21Vivia no deserto de Parã, e sua mãe conseguiu-lhe uma mulher da terra do Egito.
O acordo em Berseba
22Naquela ocasião, Abimeleque, acompanhado de Ficol, comandante do seu exército, disse a Abraão: “Deus está contigo em tudo o que fazes.
23Agora, jura-me, diante de Deus, que não vais enganar-me, nem a mim nem a meus filhos e descendentes. Trata a nação que te acolheu como estrangeiro com a mesma bondade com que te tratei”.
24Respondeu Abraão: “Eu juro!”
25Todavia Abraão reclamou com Abimeleque a respeito de um poço que os servos de Abimeleque lhe tinham tomado à força.
26Mas Abimeleque lhe respondeu: “Não sei quem fez isso. Nunca me disseste nada, e só fiquei sabendo disso hoje”.
27Então Abraão trouxe ovelhas e bois, deu-os a Abimeleque, e os dois firmaram um acordo.
28Abraão separou sete ovelhas do rebanho,
29pelo que Abimeleque lhe perguntou: “Que significam estas sete ovelhas que separaste das demais?”
30Ele respondeu: “Aceita estas sete ovelhas de minhas mãos como testemunho de que eu cavei este poço”.
31Por isso aquele lugar foi chamado Berseba, porque ali os dois fizeram um juramento.
32Firmado esse acordo em Berseba, Abimeleque e Ficol, comandante das suas tropas, voltaram para a terra dos filisteus.
33Abraão, por sua vez, plantou uma tamargueira em Berseba e ali invocou o nome do Senhor, o Deus Eterno.
34E morou Abraão na terra dos filisteus por longo tempo.
Gênesis 23
A morte de Sara
1Sara viveu cento e vinte e sete anos
2e morreu em Quiriate-Arba, que é Hebrom, em Canaã; e Abraão foi lamentar e chorar por ela.
3Depois Abraão deixou ali o corpo de sua mulher e foi falar com os hititas:
4″Sou apenas um estrangeiro entre vocês. Cedam-me alguma propriedade para sepultura, para que eu tenha onde enterrar a minha mulher”.
5Responderam os hititas a Abraão:
6″Ouça-nos, senhor; o senhor é um príncipe de Deus em nosso meio. Enterre a sua mulher numa de nossas sepulturas, na que lhe parecer melhor. Nenhum de nós recusará ceder-lhe sua sepultura para que enterre a sua mulher”.
7Abraão levantou-se, curvou-se perante o povo daquela terra, os hititas,
8e disse-lhes: “Já que vocês me dão permissão para sepultar minha mulher, peço que intercedam por mim junto a Efrom, filho de Zoar,
9a fim de que ele me ceda a caverna de Macpela, que lhe pertence e se encontra na divisa do seu campo. Peçam-lhe que a ceda a mim pelo preço justo, para que eu tenha uma propriedade para sepultura entre vocês”.
10Efrom, o hitita, estava sentado no meio do seu povo e respondeu a Abraão, sendo ouvido por todos os hititas que tinham vindo à porta da cidade:
11″Não, meu senhor. Ouça-me, eu lhe cedo o campo e também a caverna que nele está. Cedo-os na presença do meu povo. Sepulte a sua mulher”.
12Novamente Abraão curvou-se perante o povo daquela terra
13e disse a Efrom, sendo ouvido por todos: “Ouça-me, por favor. Pagarei o preço do campo. Aceite-o, para que eu possa sepultar a minha mulher”.
14Efrom respondeu a Abraão:
15″Ouça-me, meu senhor: aquele pedaço de terra vale quatrocentas peças de prata, mas o que significa isso entre mim e você? Sepulte a sua mulher”.
16Abraão concordou com Efrom e pesou-lhe o valor por ele estipulado diante dos hititas: quatrocentas peças de prata, de acordo com o peso corrente entre os mercadores.
17Assim o campo de Efrom em Macpela, perto de Manre, o próprio campo com a caverna que nele há e todas as árvores dentro das divisas do campo, foi transferido
18a Abraão como sua propriedade diante de todos os hititas que tinham vindo à porta da cidade.
19Depois disso, Abraão sepultou sua mulher Sara na caverna do campo de Macpela, perto de Manre, que se encontra em Hebrom, na terra de Canaã.
20Assim o campo e a caverna que nele há foram transferidos a Abraão pelos hititas como propriedade para sepultura.
Gênesis 24
Isaque e Rebeca
1Abraão já era velho, de idade bem avançada, e o Senhor em tudo o abençoara.
2Disse ele ao servo mais velho de sua casa, que era o responsável por tudo quanto tinha: “Ponha a mão debaixo da minha coxa
3e jure pelo Senhor, o Deus dos céus e o Deus da terra, que não buscará mulher para meu filho entre as filhas dos cananeus, no meio dos quais estou vivendo,
4mas irá à minha terra e buscará entre os meus parentes uma mulher para meu filho Isaque”.
5O servo lhe perguntou: “E se a mulher não quiser vir comigo a esta terra? Devo então levar teu filho de volta à terra de onde vieste?”
6″Cuidado!”, disse Abraão, “Não deixe o meu filho voltar para lá.
7″O Senhor, o Deus dos céus, que me tirou da casa de meu pai e de minha terra natal e que me prometeu sob juramento que à minha descendência daria esta terra, enviará o seu anjo adiante de você para que de lá traga uma mulher para meu filho.
8Se a mulher não quiser vir, você estará livre do juramento. Mas não leve o meu filho de volta para lá.”
9Então o servo pôs a mão debaixo da coxa de Abraão, seu senhor, e jurou cumprir aquela palavra.
10O servo partiu, com dez camelos do seu senhor, levando também do que o seu senhor tinha de melhor. Partiu para a Mesopotâmia, em direção à cidade onde Naor tinha morado.
11Ao cair da tarde, quando as mulheres costumam sair para buscar água, ele fez os camelos se ajoelharem junto ao poço que ficava fora da cidade.
12Então orou: “Senhor, Deus do meu senhor Abraão, dá-me neste dia bom êxito e seja bondoso com o meu senhor Abraão.
13Como vês, estou aqui ao lado desta fonte, e as jovens do povo desta cidade estão vindo para tirar água.
14Concede que a jovem a quem eu disser: Por favor, incline o seu cântaro e dê-me de beber, e ela me responder: ‘Bebe. Também darei água aos teus camelos’, seja essa a que escolheste para teu servo Isaque. Saberei assim que foste bondoso com o meu senhor”.
15Antes que ele terminasse de orar, surgiu Rebeca, filha de Betuel, filho de Milca, mulher de Naor, irmão de Abraão, trazendo no ombro o seu cântaro.
16A jovem era muito bonita e virgem; nenhum homem tivera relações com ela. Rebeca desceu à fonte, encheu seu cântaro e voltou.
17O servo apressou-se ao encontro dela e disse: “Por favor, dê-me um pouco de água do seu cântaro”.
18″Beba, meu senhor”, disse ela, e tirou rapidamente dos ombros o cântaro e o serviu.
19Depois que lhe deu de beber, disse: “Tirarei água também para os seus camelos até saciá-los”.
20Assim ela esvaziou depressa seu cântaro no bebedouro e correu de volta ao poço para tirar mais água para todos os camelos.
21Sem dizer nada, o homem a observava atentamente para saber se o Senhor tinha ou não coroado de êxito a sua missão.
22Quando os camelos acabaram de beber, o homem deu à jovem um pendente de ouro de seis gramas e duas pulseiras de ouro de cento e vinte gramas,
23e perguntou: “De quem você é filha? Diga-me, por favor, se há lugar na casa de seu pai para eu e meus companheiros passarmos a noite”.
24″Sou filha de Betuel, o filho que Milca deu a Naor”, respondeu ela;
25e acrescentou: “Temos bastante palha e forragem, e também temos lugar para vocês passarem a noite”.
26Então o homem curvou-se em adoração ao Senhor,
27dizendo: “Bendito seja o Senhor, o Deus do meu senhor Abraão, que não retirou sua bondade e sua fidelidade do meu senhor. Quanto a mim, o Senhor me conduziu na jornada até a casa dos parentes do meu senhor”.
28A jovem correu para casa e contou tudo à família de sua mãe.
29Rebeca tinha um irmão chamado Labão. Ele saiu apressado à fonte para conhecer o homem,
30pois tinha visto o pendente e as pulseiras no braço de sua irmã, e ouvira Rebeca contar o que o homem lhe dissera. Saiu, pois, e foi encontrá-lo parado junto à fonte, ao lado dos camelos.
31E disse: “Venha, bendito do Senhor! Por que ficar aí fora? Já arrumei a casa e um lugar para os camelos”.
32Assim o homem dirigiu-se à casa, e os camelos foram descarregados. Deram palha e forragem aos camelos, e água ao homem e aos que estavam com ele para lavarem os pés.
33Depois lhe trouxeram comida, mas ele disse: “Não comerei enquanto não disser o que tenho para dizer”.Disse Labão: “Então fale”.
34E ele disse: “Sou servo de Abraão.
35O Senhor o abençoou muito, e ele se tornou muito rico. Deu-lhe ovelhas e bois, prata e ouro, servos e servas, camelos e jumentos.
36Sara, mulher do meu senhor, na velhice lhe deu um filho, que é o herdeiro de tudo o que Abraão possui.
37E meu senhor fez-me jurar, dizendo: ‘Você não buscará mulher para meu filho entre as filhas dos cananeus, em cuja terra estou vivendo,
38mas irá à família de meu pai, ao meu próprio clã, buscar uma mulher para meu filho’.
39″Então perguntei a meu senhor: E se a mulher não quiser me acompanhar?
40″Ele respondeu: ‘O Senhor, a quem tenho servido, enviará seu anjo com você e coroará de êxito a sua missão, para que você traga para meu filho uma mulher do meu próprio clã, da família de meu pai.
41Quando chegar aos meus parentes, você estará livre do juramento se eles se recusarem a entregá-la a você. Só então você estará livre do juramento’.
42″Hoje, quando cheguei à fonte, eu disse: Ó Senhor, Deus do meu senhor Abraão, se assim desejares, dá êxito à missão de que fui incumbido.
43Aqui estou em pé diante desta fonte; se uma moça vier tirar água e eu lhe disser: Por favor, dê-me de beber um pouco de seu cântaro,
44e ela me responder: ‘Bebe. Também darei água aos teus camelos’, seja essa a que o Senhor escolheu para o filho do meu senhor.
45″Antes de terminar de orar em meu coração, surgiu Rebeca, com o cântaro ao ombro. Dirigiu-se à fonte e tirou água, e eu lhe disse: Por favor, dê-me de beber.
46″Ela se apressou a tirar o cântaro do ombro e disse: ‘Bebe. Também darei água aos teus camelos’. Eu bebi, e ela deu de beber também aos camelos.
47″Depois lhe perguntei: De quem você é filha?”Ela me respondeu: ‘De Betuel, filho de Naor e Milca’.”Então coloquei o pendente em seu nariz e as pulseiras em seus braços,
48e curvei-me em adoração ao Senhor. Bendisse ao Senhor, o Deus do meu senhor Abraão, que me guiou pelo caminho certo para buscar para o filho dele a neta do irmão do meu senhor.
49Agora, se quiserem mostrar fidelidade e bondade a meu senhor, digam-me; e, se não quiserem, digam-me também, para que eu decida o que fazer”.
50Labão e Betuel responderam: “Isso vem do Senhor; nada lhe podemos dizer, nem a favor, nem contra.
51Aqui está Rebeca; leve-a com você e que ela se torne a mulher do filho do seu senhor, como disse o Senhor”.
52Quando o servo de Abraão ouviu o que disseram, curvou-se até o chão diante do Senhor.
53Então o servo deu joias de ouro e de prata e vestidos a Rebeca; deu também presentes valiosos ao irmão dela e à sua mãe.
54Depois ele e os homens que o acompanhavam comeram, beberam e ali passaram a noite.Ao se levantarem na manhã seguinte, ele disse: “Deixem-me voltar ao meu senhor”.
55Mas o irmão e a mãe dela responderam: “Deixe a jovem ficar mais uns dez dias conosco; então você poderá partir”.
56Mas ele disse: “Não me detenham, agora que o Senhor coroou de êxito a minha missão. Vamos despedir-nos, e voltarei ao meu senhor”.
57Então lhe disseram: “Vamos chamar a jovem e ver o que ela diz”.
58Chamaram Rebeca e lhe perguntaram: “Você quer ir com este homem?””Sim, quero”, respondeu ela.
59Despediram-se, pois, de sua irmã Rebeca, de sua ama, do servo de Abraão e dos que o acompanhavam.
60E abençoaram Rebeca, dizendo-lhe:”Que você cresça, nossa irmã,até ser milhares de milhares;e que a sua descendência conquisteas cidades dos seus inimigos”.
61Então Rebeca e suas servas se aprontaram, montaram seus camelos e partiram com o homem. E assim o servo partiu levando Rebeca.
62Isaque tinha voltado de Beer-Laai-Roi, pois habitava no Neguebe.
63Certa tarde, saiu ao campo para meditar. Ao erguer os olhos, viu que se aproximavam camelos.
64Rebeca também ergueu os olhos e viu Isaque. Ela desceu do camelo
65e perguntou ao servo: “Quem é aquele homem que vem pelo campo ao nosso encontro?””É meu senhor”, respondeu o servo. Então ela se cobriu com o véu.
66Depois o servo contou a Isaque tudo o que havia feito.
67Isaque levou Rebeca para a tenda de sua mãe, Sara; fez dela sua mulher, e a amou; assim Isaque foi consolado após a morte de sua mãe.
Gênesis 25
A morte de Abraão
1Abraão casou-se com outra mulher, chamada Quetura.
2Ela lhe deu os seguintes filhos: Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Isbaque e Suá.
3Jocsã gerou Sabá e Dedã; os descendentes de Dedã foram os assuritas, os letusitas e os leumitas.
4Os filhos de Midiã foram Efá, Éfer, Enoque, Abida e Elda. Todos esses foram descendentes de Quetura.
5Abraão deixou tudo o que tinha para Isaque.
6Mas para os filhos de suas concubinas deu presentes; e, ainda em vida, enviou-os para longe de Isaque, para a terra do oriente.
7Abraão viveu cento e setenta e cinco anos.
8Morreu em boa velhice, em idade bem avançada, e foi reunido aos seus antepassados.
9Seus filhos, Isaque e Ismael, o sepultaram na caverna de Macpela, perto de Manre, no campo de Efrom, filho de Zoar, o hitita,
10campo que Abraão comprara dos hititas. Foi ali que Abraão e Sara, sua mulher, foram sepultados.
11Depois da morte de Abraão, Deus abençoou seu filho Isaque. Isaque morava próximo a Beer-Laai-Roi.
Os filhos de Ismael
12Este é o registro da descendência de Ismael, o filho de Abraão que Hagar, a serva egípcia de Sara, deu a ele.
13São estes os nomes dos filhos de Ismael, alistados por ordem de nascimento: Nebaiote, o filho mais velho de Ismael, Quedar, Adbeel, Mibsão,
14Misma, Dumá, Massá,
15Hadade, Temá, Jetur, Nafis e Quedemá.
16Foram esses os doze filhos de Ismael, que se tornaram os líderes de suas tribos; os seus povoados e acampamentos receberam os seus nomes.
17Ismael viveu cento e trinta e sete anos. Morreu e foi reunido aos seus antepassados.
18Seus descendentes se estabeleceram na região que vai de Havilá a Sur, próximo à fronteira com o Egito, na direção de quem vai para Assur. E viveram em hostilidade contra todos os seus irmãos.
Jacob e Esaú
19Esta é a história da família de Isaque, filho de Abraão:Abraão gerou Isaque,
20o qual aos quarenta anos se casou com Rebeca, filha de Betuel, o arameu de Padã-Arã, e irmã de Labão, também arameu.
21Isaque orou ao Senhor em favor de sua mulher, porque era estéril. O Senhor respondeu à sua oração, e Rebeca, sua mulher, engravidou.
22Os meninos se empurravam dentro dela, pelo que disse: “Por que está me acontecendo isso?” Foi então consultar o Senhor.
23Disse-lhe o Senhor:”Duas nações estão em seu ventre;já desde as suas entranhasdois povos se separarão;um deles será mais forte que o outro,mas o mais velho servirá ao mais novo”.
24Ao chegar a época de dar à luz, confirmou-se que havia gêmeos em seu ventre.
25O primeiro a sair era ruivo, e todo o seu corpo era como um manto de pelos; por isso lhe deram o nome de Esaú.
26Depois saiu seu irmão, com a mão agarrada no calcanhar de Esaú; pelo que lhe deram o nome de Jacó. Tinha Isaque sessenta anos de idade quando Rebeca os deu à luz.
27Os meninos cresceram. Esaú tornou-se caçador habilidoso e vivia percorrendo os campos, ao passo que Jacó cuidava do rebanho e vivia nas tendas.
28Isaque preferia Esaú, porque gostava de comer de suas caças; Rebeca preferia Jacó.
29Certa vez, quando Jacó preparava um ensopado, Esaú chegou faminto, voltando do campo,
30e pediu-lhe: “Dê-me um pouco desse ensopado vermelho aí. Estou faminto!” Por isso também foi chamado Edom.
31Respondeu-lhe Jacó: “Venda-me primeiro o seu direito de filho mais velho”.
32Disse Esaú: “Estou quase morrendo. De que me vale esse direito?”
33Jacó, porém, insistiu: “Jure primeiro”. Ele fez um juramento, vendendo o seu direito de filho mais velho a Jacó.
34Então Jacó serviu a Esaú pão com ensopado de lentilhas. Ele comeu e bebeu, levantou-se e se foi.Assim Esaú desprezou o seu direito de filho mais velho.
Gênesis 26
Isaque e Abimeleque
1Houve fome naquela terra, como tinha acontecido no tempo de Abraão. Por isso Isaque foi para Gerar, onde Abimeleque era o rei dos filisteus.
2O Senhor apareceu a Isaque e disse: “Não desça ao Egito; procure estabelecer-se na terra que eu lhe indicar.
3Permaneça nesta terra mais um pouco, e eu estarei com você e o abençoarei. Porque a você e a seus descendentes darei todas estas terras e confirmarei o juramento que fiz a seu pai, Abraão.
4Tornarei seus descendentes tão numerosos como as estrelas do céu e lhes darei todas estas terras; e por meio da sua descendência todos os povos da terra serão abençoados,
5porque Abraão me obedeceu e guardou meus preceitos, meus mandamentos, meus decretos e minhas leis”.
6Assim Isaque ficou em Gerar.
7Quando os homens do lugar lhe perguntaram sobre a sua mulher, ele disse: “Ela é minha irmã”. Teve medo de dizer que era sua mulher, pois pensou: “Os homens deste lugar podem matar-me por causa de Rebeca, por ser ela tão bonita”.
8Isaque estava em Gerar já fazia muito tempo. Certo dia, Abimeleque, rei dos filisteus, estava olhando do alto de uma janela quando viu Isaque acariciando Rebeca, sua mulher.
9Então Abimeleque chamou Isaque e lhe disse: “Na verdade ela é tua mulher! Por que me disseste que ela era tua irmã?”Isaque respondeu: “Porque pensei que eu poderia ser morto por causa dela”.
10Então disse Abimeleque: “Tens ideia do que nos fizeste? Qualquer homem bem poderia ter-se deitado com tua mulher, e terias trazido culpa sobre nós”.
11E Abimeleque advertiu todo o povo: “Quem tocar neste homem ou em sua mulher certamente morrerá!”
12Isaque formou lavoura naquela terra e no mesmo ano colheu a cem por um, porque o Senhor o abençoou.
13O homem enriqueceu, e a sua riqueza continuou a aumentar, até que ficou riquíssimo.
14Possuía tantos rebanhos e servos que os filisteus o invejavam.
15Estes taparam todos os poços que os servos de Abraão, pai de Isaque, tinham cavado na sua época, enchendo-os de terra.
16Então Abimeleque pediu a Isaque: “Sai de nossa terra, pois já és poderoso demais para nós”.
17Por isso Isaque mudou-se de lá, acampou no vale de Gerar e ali se estabeleceu.
18Isaque reabriu os poços cavados no tempo de seu pai, Abraão, os quais os filisteus fecharam depois que Abraão morreu, e deu-lhes os mesmos nomes que seu pai lhes tinha dado.
19Os servos de Isaque cavaram no vale e descobriram um veio d’água.
20Mas os pastores de Gerar discutiram com os pastores de Isaque, dizendo: “A água é nossa!” Por isso Isaque deu ao poço o nome de Eseque, porque discutiram por causa dele.
21Então os seus servos cavaram outro poço, mas eles também discutiram por causa dele; por isso o chamou Sitna.
22Isaque mudou-se dali e cavou outro poço, e ninguém discutiu por causa dele. Deu-lhe o nome de Reobote, dizendo: “Agora o Senhor nos abriu espaço e prosperaremos na terra”.
23Dali Isaque foi para Berseba.
24Naquela noite, o Senhor lhe apareceu e disse: “Eu sou o Deus de seu pai, Abraão. Não tema, porque estou com você; eu o abençoarei e multiplicarei os seus descendentes por amor ao meu servo Abraão”.
25Isaque construiu nesse lugar um altar e invocou o nome do Senhor. Ali armou acampamento, e os seus servos cavaram outro poço.
26Por aquele tempo, veio a ele Abimeleque, de Gerar, com Auzate, seu conselheiro pessoal, e Ficol, o comandante dos seus exércitos.
27Isaque lhes perguntou: “Por que me vieram ver, uma vez que foram hostis e me mandaram embora?”
28Eles responderam: “Vimos claramente que o Senhor está contigo; por isso dissemos: Façamos um juramento entre nós. Queremos firmar um acordo contigo:
29Tu não nos farás mal, assim como nada te fizemos, mas sempre te tratamos bem e te despedimos em paz. Agora sabemos que o Senhor te tem abençoado”.
30Então Isaque ofereceu-lhes um banquete, e eles comeram e beberam.
31Na manhã seguinte os dois fizeram juramento. Depois Isaque os despediu e partiram em paz.
32Naquele mesmo dia, os servos de Isaque vieram falar-lhe sobre o poço que tinham cavado e disseram: “Achamos água!”
33Isaque deu-lhe o nome de Seba e, por isso, até o dia de hoje aquela cidade é conhecida como Berseba.
34Tinha Esaú quarenta anos de idade quando escolheu por mulher a Judite, filha de Beeri, o hitita, e também a Basemate, filha de Elom, o hitita.
35Elas amarguraram a vida de Isaque e de Rebeca.
Gênesis 27
Isaque e Abimeleque
1Houve fome naquela terra, como tinha acontecido no tempo de Abraão. Por isso Isaque foi para Gerar, onde Abimeleque era o rei dos filisteus.
2O Senhor apareceu a Isaque e disse: “Não desça ao Egito; procure estabelecer-se na terra que eu lhe indicar.
3Permaneça nesta terra mais um pouco, e eu estarei com você e o abençoarei. Porque a você e a seus descendentes darei todas estas terras e confirmarei o juramento que fiz a seu pai, Abraão.
4Tornarei seus descendentes tão numerosos como as estrelas do céu e lhes darei todas estas terras; e por meio da sua descendência todos os povos da terra serão abençoados,
5porque Abraão me obedeceu e guardou meus preceitos, meus mandamentos, meus decretos e minhas leis”.
6Assim Isaque ficou em Gerar.
7Quando os homens do lugar lhe perguntaram sobre a sua mulher, ele disse: “Ela é minha irmã”. Teve medo de dizer que era sua mulher, pois pensou: “Os homens deste lugar podem matar-me por causa de Rebeca, por ser ela tão bonita”.
8Isaque estava em Gerar já fazia muito tempo. Certo dia, Abimeleque, rei dos filisteus, estava olhando do alto de uma janela quando viu Isaque acariciando Rebeca, sua mulher.
9Então Abimeleque chamou Isaque e lhe disse: “Na verdade ela é tua mulher! Por que me disseste que ela era tua irmã?”Isaque respondeu: “Porque pensei que eu poderia ser morto por causa dela”.
10Então disse Abimeleque: “Tens ideia do que nos fizeste? Qualquer homem bem poderia ter-se deitado com tua mulher, e terias trazido culpa sobre nós”.
11E Abimeleque advertiu todo o povo: “Quem tocar neste homem ou em sua mulher certamente morrerá!”
12Isaque formou lavoura naquela terra e no mesmo ano colheu a cem por um, porque o Senhor o abençoou.
13O homem enriqueceu, e a sua riqueza continuou a aumentar, até que ficou riquíssimo.
14Possuía tantos rebanhos e servos que os filisteus o invejavam.
15Estes taparam todos os poços que os servos de Abraão, pai de Isaque, tinham cavado na sua época, enchendo-os de terra.
16Então Abimeleque pediu a Isaque: “Sai de nossa terra, pois já és poderoso demais para nós”.
17Por isso Isaque mudou-se de lá, acampou no vale de Gerar e ali se estabeleceu.
18Isaque reabriu os poços cavados no tempo de seu pai, Abraão, os quais os filisteus fecharam depois que Abraão morreu, e deu-lhes os mesmos nomes que seu pai lhes tinha dado.
19Os servos de Isaque cavaram no vale e descobriram um veio d’água.
20Mas os pastores de Gerar discutiram com os pastores de Isaque, dizendo: “A água é nossa!” Por isso Isaque deu ao poço o nome de Eseque, porque discutiram por causa dele.
21Então os seus servos cavaram outro poço, mas eles também discutiram por causa dele; por isso o chamou Sitna.
22Isaque mudou-se dali e cavou outro poço, e ninguém discutiu por causa dele. Deu-lhe o nome de Reobote, dizendo: “Agora o Senhor nos abriu espaço e prosperaremos na terra”.
23Dali Isaque foi para Berseba.
24Naquela noite, o Senhor lhe apareceu e disse: “Eu sou o Deus de seu pai, Abraão. Não tema, porque estou com você; eu o abençoarei e multiplicarei os seus descendentes por amor ao meu servo Abraão”.
25Isaque construiu nesse lugar um altar e invocou o nome do Senhor. Ali armou acampamento, e os seus servos cavaram outro poço.
26Por aquele tempo, veio a ele Abimeleque, de Gerar, com Auzate, seu conselheiro pessoal, e Ficol, o comandante dos seus exércitos.
27Isaque lhes perguntou: “Por que me vieram ver, uma vez que foram hostis e me mandaram embora?”
28Eles responderam: “Vimos claramente que o Senhor está contigo; por isso dissemos: Façamos um juramento entre nós. Queremos firmar um acordo contigo:
29Tu não nos farás mal, assim como nada te fizemos, mas sempre te tratamos bem e te despedimos em paz. Agora sabemos que o Senhor te tem abençoado”.
30Então Isaque ofereceu-lhes um banquete, e eles comeram e beberam.
31Na manhã seguinte os dois fizeram juramento. Depois Isaque os despediu e partiram em paz.
32Naquele mesmo dia, os servos de Isaque vieram falar-lhe sobre o poço que tinham cavado e disseram: “Achamos água!”
33Isaque deu-lhe o nome de Seba e, por isso, até o dia de hoje aquela cidade é conhecida como Berseba.
34Tinha Esaú quarenta anos de idade quando escolheu por mulher a Judite, filha de Beeri, o hitita, e também a Basemate, filha de Elom, o hitita.
35Elas amarguraram a vida de Isaque e de Rebeca.
Gênesis 28
1Então Isaque chamou Jacó, deu-lhe sua bênção e lhe ordenou: “Não se case com mulher cananeia.
2Vá a Padã-Arã, à casa de Betuel, seu avô materno, e case-se com uma das filhas de Labão, irmão de sua mãe.
3Que o Deus todo-poderoso o abençoe, faça-o prolífero e multiplique os seus descendentes, para que você se torne uma comunidade de povos.
4Que ele dê a você e a seus descendentes a bênção de Abraão, para que você tome posse da terra na qual vive como estrangeiro, a terra dada por Deus a Abraão”.
5Então Isaque despediu Jacó e este foi a Padã-Arã, a Labão, filho do arameu Betuel, irmão de Rebeca, mãe de Jacó e Esaú.
6Esaú viu que Isaque havia abençoado a Jacó e o havia mandado a Padã-Arã para escolher ali uma mulher e que, ao abençoá-lo, dera-lhe a ordem de não se casar com mulher cananeia.
7Também soube que Jacó obedecera a seu pai e a sua mãe e fora para Padã-Arã.
8Percebendo então Esaú que seu pai Isaque não aprovava as mulheres cananeias,
9foi à casa de Ismael e tomou a Maalate, irmã de Nebaiote, filha de Ismael, filho de Abraão, além das outras mulheres que já tinha.
O sonho de Jacob em Betel
10Jacó partiu de Berseba e foi para Harã.
11Chegando a determinado lugar, parou para pernoitar, porque o sol já se havia posto. Tomando uma das pedras dali, usou-a como travesseiro e deitou-se.
12E teve um sonho no qual viu uma escada apoiada na terra; o seu topo alcançava os céus, e os anjos de Deus subiam e desciam por ela.
13Ao lado dele estava o Senhor, que lhe disse: “Eu sou o Senhor, o Deus de seu pai Abraão e o Deus de Isaque. Darei a você e a seus descendentes a terra na qual você está deitado.
14Seus descendentes serão como o pó da terra, e se espalharão para o Oeste e para o Leste, para o Norte e para o Sul. Todos os povos da terra serão abençoados por meio de você e da sua descendência.
15Estou com você e cuidarei de você, aonde quer que vá; e eu o trarei de volta a esta terra. Não o deixarei enquanto não fizer o que lhe prometi”.
16Quando Jacó acordou do sono, disse: “Sem dúvida o Senhor está neste lugar, mas eu não sabia!”
17Teve medo e disse: “Temível é este lugar! Não é outro, senão a casa de Deus; esta é a porta dos céus”.
18Na manhã seguinte, Jacó pegou a pedra que tinha usado como travesseiro, colocou-a em pé como coluna e derramou óleo sobre o seu topo.
19E deu o nome de Betel àquele lugar, embora a cidade anteriormente se chamasse Luz.
20Então Jacó fez um voto, dizendo: “Se Deus estiver comigo, cuidar de mim nesta viagem que estou fazendo, prover-me de comida e roupa,
21e levar-me de volta em segurança à casa de meu pai, então o Senhor será o meu Deus.
22E esta pedra que hoje coloquei como coluna servirá de santuário de Deus; e de tudo o que me deres certamente te darei o dízimo”.
Gênesis 29
1Então Isaque chamou Jacó, deu-lhe sua bênção e lhe ordenou: “Não se case com mulher cananeia.
2Vá a Padã-Arã, à casa de Betuel, seu avô materno, e case-se com uma das filhas de Labão, irmão de sua mãe.
3Que o Deus todo-poderoso o abençoe, faça-o prolífero e multiplique os seus descendentes, para que você se torne uma comunidade de povos.
4Que ele dê a você e a seus descendentes a bênção de Abraão, para que você tome posse da terra na qual vive como estrangeiro, a terra dada por Deus a Abraão”.
5Então Isaque despediu Jacó e este foi a Padã-Arã, a Labão, filho do arameu Betuel, irmão de Rebeca, mãe de Jacó e Esaú.
6Esaú viu que Isaque havia abençoado a Jacó e o havia mandado a Padã-Arã para escolher ali uma mulher e que, ao abençoá-lo, dera-lhe a ordem de não se casar com mulher cananeia.
7Também soube que Jacó obedecera a seu pai e a sua mãe e fora para Padã-Arã.
8Percebendo então Esaú que seu pai Isaque não aprovava as mulheres cananeias,
9foi à casa de Ismael e tomou a Maalate, irmã de Nebaiote, filha de Ismael, filho de Abraão, além das outras mulheres que já tinha.
O sonho de Jacob em Betel
10Jacó partiu de Berseba e foi para Harã.
11Chegando a determinado lugar, parou para pernoitar, porque o sol já se havia posto. Tomando uma das pedras dali, usou-a como travesseiro e deitou-se.
12E teve um sonho no qual viu uma escada apoiada na terra; o seu topo alcançava os céus, e os anjos de Deus subiam e desciam por ela.
13Ao lado dele estava o Senhor, que lhe disse: “Eu sou o Senhor, o Deus de seu pai Abraão e o Deus de Isaque. Darei a você e a seus descendentes a terra na qual você está deitado.
14Seus descendentes serão como o pó da terra, e se espalharão para o Oeste e para o Leste, para o Norte e para o Sul. Todos os povos da terra serão abençoados por meio de você e da sua descendência.
15Estou com você e cuidarei de você, aonde quer que vá; e eu o trarei de volta a esta terra. Não o deixarei enquanto não fizer o que lhe prometi”.
16Quando Jacó acordou do sono, disse: “Sem dúvida o Senhor está neste lugar, mas eu não sabia!”
17Teve medo e disse: “Temível é este lugar! Não é outro, senão a casa de Deus; esta é a porta dos céus”.
18Na manhã seguinte, Jacó pegou a pedra que tinha usado como travesseiro, colocou-a em pé como coluna e derramou óleo sobre o seu topo.
19E deu o nome de Betel àquele lugar, embora a cidade anteriormente se chamasse Luz.
20Então Jacó fez um voto, dizendo: “Se Deus estiver comigo, cuidar de mim nesta viagem que estou fazendo, prover-me de comida e roupa,
21e levar-me de volta em segurança à casa de meu pai, então o Senhor será o meu Deus.
22E esta pedra que hoje coloquei como coluna servirá de santuário de Deus; e de tudo o que me deres certamente te darei o dízimo”.
Gênesis 30
Quando Raquel viu que não dava filhos a Jacó, teve inveja de sua irmã. Por isso disse a Jacó: “Dê-me filhos ou morrerei!”
2Jacó ficou irritado e disse: “Por acaso estou no lugar de Deus, que a impediu de ter filhos?”
3Então ela respondeu: “Aqui está Bila, minha serva. Deite-se com ela, para que tenha filhos em meu lugar e por meio dela eu também possa formar família”.
4Por isso ela deu a Jacó sua serva Bila por mulher. Ele deitou-se com ela,
5Bila engravidou e deu-lhe um filho.
6Então Raquel disse: “Deus me fez justiça, ouviu o meu clamor e deu-me um filho”. Por isso deu-lhe o nome de Dã.
7Bila, serva de Raquel, engravidou novamente e deu a Jacó o segundo filho.
8Então disse Raquel: “Tive grande luta com minha irmã e venci”. Pelo que o chamou Naftali.
9Quando Lia viu que tinha parado de ter filhos, tomou sua serva Zilpa e a deu a Jacó por mulher.
10Zilpa, serva de Lia, deu a Jacó um filho.
11Então disse Lia: “Que grande sorte!” Por isso o chamou Gade.
12Zilpa, serva de Lia, deu a Jacó mais um filho.
13Então Lia exclamou: “Como sou feliz! As mulheres dirão que sou feliz”. Por isso lhe deu o nome de Aser.
14Durante a colheita do trigo, Rúben saiu ao campo, encontrou algumas mandrágoras e as trouxe a Lia, sua mãe. Então Raquel disse a Lia: “Dê-me algumas mandrágoras do seu filho”.
15Mas ela respondeu: “Não lhe foi suficiente tomar de mim o marido? Vai tomar também as mandrágoras que o meu filho trouxe?” Então disse Raquel: “Jacó se deitará com você esta noite, em troca das mandrágoras trazidas pelo seu filho”.
16Quando Jacó chegou do campo naquela tarde, Lia saiu ao seu encontro e lhe disse: “Hoje você me possuirá, pois eu comprei esse direito com as mandrágoras do meu filho”. E naquela noite ele se deitou com ela.
17Deus ouviu Lia, e ela engravidou e deu a Jacó o quinto filho.
18Disse Lia: “Deus me recompensou por ter dado a minha serva ao meu marido”. Por isso deu-lhe o nome de Issacar.
19Lia engravidou de novo e deu a Jacó o sexto filho.
20Disse Lia: “Deus presenteou-me com uma dádiva preciosa. Agora meu marido me tratará melhor; afinal já lhe dei seis filhos”. Por isso deu-lhe o nome de Zebulom.
21Algum tempo depois, ela deu à luz uma menina a quem chamou Diná.
22Então Deus lembrou-se de Raquel. Deus ouviu o seu clamor e a tornou fértil.
23Ela engravidou, deu à luz um filho e disse: “Deus tirou de mim a minha humilhação”.
24Deu-lhe o nome de José e disse: “Que o Senhor me acrescente ainda outro filho”.
Os rebanhos de Jacob aumentam
25Depois que Raquel deu à luz José, Jacó disse a Labão: “Deixe-me voltar para a minha terra natal.
26Dê-me as minhas mulheres, pelas quais o servi, e os meus filhos, e partirei. Você bem sabe quanto trabalhei para você”.
27Mas Labão lhe disse: “Se mereço sua consideração, peço-lhe que fique. Por meio de adivinhação descobri que o Senhor me abençoou por sua causa”.
28E acrescentou: “Diga o seu salário, e eu lhe pagarei”.
29Jacó lhe respondeu: “Você sabe quanto trabalhei para você e como os seus rebanhos cresceram sob os meus cuidados.
30O pouco que você possuía antes da minha chegada aumentou muito, pois o Senhor o abençoou depois que vim para cá. Contudo, quando farei algo em favor da minha própria família?”
31Então Labão perguntou: “Que você quer que eu lhe dê?” “Não me dê coisa alguma”, respondeu Jacó. “Voltarei a cuidar dos seus rebanhos se você concordar com o seguinte:
32hoje passarei por todos os seus rebanhos e tirarei do meio deles todas as ovelhas salpicadas e pintadas, todos os cordeiros pretos e todas as cabras pintadas e salpicadas. Eles serão o meu salário.
33E a minha honestidade dará testemunho de mim no futuro, toda vez que você resolver verificar o meu salário. Se estiver em meu poder alguma cabra que não seja salpicada ou pintada, e algum cordeiro que não seja preto, poderá considerá-los roubados.”
34E disse Labão: “De acordo. Seja como você disse”.
35Naquele mesmo dia, Labão separou todos os bodes que tinham listras ou manchas brancas, todas as cabras que tinham pintas ou manchas brancas e todos os cordeiros pretos e os pôs aos cuidados de seus filhos.
36Afastou-se então de Jacó, à distância equivalente a três dias de viagem, e Jacó continuou a apascentar o resto dos rebanhos de Labão.
37Jacó pegou galhos verdes de estoraque, amendoeira e plátano e neles fez listras brancas, descascando-os parcialmente e expondo assim a parte branca interna dos galhos.
38Depois fixou os galhos descascados junto aos bebedouros, na frente dos rebanhos, no lugar onde costumavam beber água. Na época do cio, os rebanhos vinham beber e
39se acasalavam diante dos galhos. E geravam filhotes listrados, salpicados e pintados.
40Jacó separava os filhotes do rebanho dos demais, e fazia com que esses ficassem juntos dos animais listrados e pretos de Labão. Assim foi formando o seu próprio rebanho que separou do de Labão.
41Toda vez que as fêmeas mais fortes estavam no cio, Jacó colocava os galhos nos bebedouros, em frente dos animais, para que se acasalassem perto dos galhos;
42mas, se os animais eram fracos, não os colocava ali. Desse modo, os animais fracos ficavam para Labão e os mais fortes para Jacó.
43Assim o homem ficou extremamente rico, tornando-se dono de grandes rebanhos e de servos e servas, camelos e jumentos.
Gênesis 31
Jacob foge de Labão
1Jacó, porém, ouviu falar que os filhos de Labão estavam dizendo: “Jacó tomou tudo que o nosso pai tinha e juntou toda a sua riqueza à custa do nosso pai”.
2E Jacó percebeu que a atitude de Labão para com ele já não era a mesma de antes.
3E o Senhor disse a Jacó: “Volte para a terra de seus pais e de seus parentes, e eu estarei com você”.
4Então Jacó mandou chamar Raquel e Lia para virem ao campo onde estavam os seus rebanhos,
5e lhes disse: “Vejo que a atitude do seu pai para comigo não é mais a mesma, mas o Deus de meu pai tem estado comigo.
6Vocês sabem que trabalhei para seu pai com todo o empenho,
7mas ele tem me feito de tolo, mudando o meu salário dez vezes. Contudo, Deus não permitiu que ele me prejudicasse.
8Se ele dizia: ‘As crias salpicadas serão o seu salário’, todos os rebanhos geravam filhotes salpicados; e, se ele dizia: ‘As que têm listras serão o seu salário’, todos os rebanhos geravam filhotes com listras.
9Foi assim que Deus tirou os rebanhos de seu pai e os deu a mim.
10″Na época do acasalamento, tive um sonho em que olhei e vi que os machos que fecundavam o rebanho tinham listras, eram salpicados e malhados.
11O Anjo de Deus me disse no sonho: ‘Jacó!’ Eu respondi: ‘Eis-me aqui!’
12Então ele disse: ‘Olhe e veja que todos os machos que fecundam o rebanho têm listras, são salpicados e malhados, porque tenho visto tudo o que Labão lhe fez.
13Sou o Deus de Betel, onde você ungiu uma coluna e me fez um voto. Saia agora desta terra e volte para a sua terra natal’ “.
14Raquel e Lia disseram a Jacó: “Temos ainda parte na herança dos bens de nosso pai?
15Não nos trata ele como estrangeiras? Não apenas nos vendeu como também gastou tudo o que foi pago por nós!
16Toda a riqueza que Deus tirou de nosso pai é nossa e de nossos filhos. Portanto, faça tudo quanto Deus lhe ordenou”.
17Então Jacó ajudou seus filhos e suas mulheres a montar nos camelos,
18e conduziu todo o seu rebanho, junto com todos os bens que havia acumulado em Padã-Arã, para ir à terra de Canaã, à casa de seu pai, Isaque.
19Enquanto Labão tinha saído para tosquiar suas ovelhas, Raquel roubou de seu pai os ídolos do clã.
20Foi assim que Jacó enganou a Labão, o arameu, fugindo sem lhe dizer nada.
21Ele fugiu com tudo o que tinha e, atravessando o Eufrates, foi para os montes de Gileade.
Labão persegue Jacob
22Três dias depois, Labão foi informado de que Jacó tinha fugido.
23Tomando consigo os homens de sua família, perseguiu Jacó por sete dias e o alcançou nos montes de Gileade.
24Então, de noite, Deus veio em sonho a Labão, o arameu, e o advertiu: “Cuidado! Não diga nada a Jacó, não lhe faça promessas nem ameaças”.
25Labão alcançou Jacó, que estava acampado nos montes de Gileade. Então Labão e os homens se acamparam ali também.
26Ele perguntou a Jacó: “Que foi que você fez? Não só me enganou como também raptou minhas filhas como se fossem prisioneiras de guerra.
27Por que você me enganou, fugindo em segredo, sem avisar-me? Eu teria celebrado a sua partida com alegria e cantos, ao som dos tamborins e das harpas.
28Você nem sequer me deixou beijar meus netos e minhas filhas para despedir-me deles. Você foi insensato.
29Tenho poder para prejudicá-los; mas, na noite passada, o Deus do pai de vocês me advertiu: ‘Cuidado! Não diga nada a Jacó, não lhe faça promessas nem ameaças’.
30Agora, se você partiu porque tinha saudade da casa de seu pai, por que roubou meus deuses?”
31Jacó respondeu a Labão: “Tive medo, pois pensei que você tiraria suas filhas de mim à força.
32Quanto aos seus deuses, quem for encontrado com eles não ficará vivo. Na presença dos nossos parentes, veja você mesmo se está aqui comigo qualquer coisa que lhe pertença, e, se estiver, leve-a de volta”. Ora, Jacó não sabia que Raquel os havia roubado.
33Então Labão entrou na tenda de Jacó, e nas tendas de Lia e de suas duas servas, mas nada encontrou. Depois de sair da tenda de Lia, entrou na tenda de Raquel.
34Raquel tinha colocado os ídolos dentro da sela do seu camelo e estava sentada em cima. Labão vasculhou toda a tenda, mas nada encontrou.
35Raquel disse ao pai: “Não se irrite, meu senhor, por não poder me levantar em sua presença, pois estou com o fluxo das mulheres”. Ele procurou os ídolos, mas não os encontrou.
36Jacó ficou irado e queixou-se a Labão: “Qual foi meu crime? Que pecado cometi para que você me persiga furiosamente?
37Você já vasculhou tudo o que me pertence. Encontrou algo que lhe pertença? Então coloque tudo aqui na frente dos meus parentes e dos seus, e que eles julguem entre nós dois.
38″Vinte anos estive com você. Suas ovelhas e cabras nunca abortaram, e jamais comi um só carneiro do seu rebanho.
39Eu nunca levava a você os animais despedaçados por feras; eu mesmo assumia o prejuízo. E você pedia contas de todo animal roubado de dia ou de noite.
40O calor me consumia de dia, e o frio de noite, e o sono fugia dos meus olhos.
41Foi assim nos vinte anos em que fiquei em sua casa. Trabalhei para você catorze anos em troca de suas duas filhas e seis anos por seus rebanhos, e dez vezes você alterou o meu salário.
42Se o Deus de meu pai, o Deus de Abraão, o Temor de Isaque, não estivesse comigo, certamente você me despediria de mãos vazias. Mas Deus viu o meu sofrimento e o trabalho das minhas mãos e, na noite passada, ele manifestou a sua decisão”.
43Labão respondeu a Jacó: “As mulheres são minhas filhas, os filhos são meus, os rebanhos são meus. Tudo o que você vê é meu. Que posso fazer por essas minhas filhas ou pelos filhos que delas nasceram?
44Façamos agora, eu e você, um acordo que sirva de testemunho entre nós dois”.
45Então Jacó tomou uma pedra e a colocou em pé como coluna.
46E disse aos seus parentes: “Juntem algumas pedras”. Eles apanharam pedras e as amontoaram. Depois comeram ali, ao lado do monte de pedras.
47Labão o chamou Jegar-Saaduta, e Jacó o chamou Galeede.
48Labão disse: “Este monte de pedras é uma testemunha entre mim e você, no dia de hoje”. Por isso foi chamado Galeede.
49Foi também chamado Mispá, porque ele declarou: “Que o Senhor nos vigie, a mim e a você, quando estivermos separados um do outro.
50Se você maltratar minhas filhas ou menosprezá-las, tomando outras mulheres além delas, ainda que ninguém saiba, lembre-se de que Deus é testemunha entre mim e você”.
51Disse ainda Labão a Jacó: “Aqui estão este monte de pedras e esta coluna que coloquei entre mim e você.Então Jacó fez um juramento em nome do Temor de seu pai, Isaque.
52São testemunhas de que não passarei para o lado de lá para prejudicá-lo, nem você passará para o lado de cá para prejudicar-me.
53Que o Deus de Abraão, o Deus de Naor, o Deus do pai deles, julgue entre nós”.
54Ofereceu um sacrifício no monte e chamou os parentes que lá estavam para uma refeição. Depois de comerem, passaram a noite ali.
55Na manhã seguinte, Labão beijou seus netos e suas filhas e os abençoou, e depois voltou para a sua terra.
Gênesis 32
Jacob prepara-se para se encontrar com Esaú
1Jacó também seguiu o seu caminho, e anjos de Deus vieram ao encontro dele.
2Quando Jacó os avistou, disse: “Este é o exército de Deus!” Por isso deu àquele lugar o nome de Maanaim.
3Jacó mandou mensageiros adiante dele a seu irmão Esaú, na região de Seir, território de Edom.
4E lhes ordenou: “Vocês dirão o seguinte ao meu senhor Esaú: Assim diz teu servo Jacó: Morei na casa de Labão e com ele permaneci até agora.
5Tenho bois e jumentos, ovelhas e cabras, servos e servas. Envio agora esta mensagem ao meu senhor, para que me recebas bem”.
6Quando os mensageiros voltaram a Jacó, disseram-lhe: “Fomos até seu irmão Esaú, e ele está vindo ao seu encontro, com quatrocentos homens”.
7Jacó encheu-se de medo e foi tomado de angústia. Então dividiu em dois grupos todos os que estavam com ele, bem como as ovelhas, as cabras, os bois e os camelos,
8pois assim pensou: “Se Esaú vier e atacar um dos grupos, o outro poderá escapar”.
9Então Jacó orou: “Ó Deus de meu pai Abraão, Deus de meu pai Isaque, ó Senhor que me disseste: ‘Volte para a sua terra e para os seus parentes e eu o farei prosperar’;
10não sou digno de toda a bondade e lealdade com que trataste o teu servo. Quando atravessei o Jordão eu tinha apenas o meu cajado, mas agora possuo duas caravanas.
11Livra-me, rogo-te, das mãos de meu irmão Esaú, porque tenho medo que ele venha nos atacar, tanto a mim como às mães e às crianças.
12Pois tu prometeste: ‘Esteja certo de que eu o farei prosperar e farei os seus descendentes tão numerosos como a areia do mar, que não se pode contar’ “.
13Depois de passar ali a noite, escolheu entre os seus rebanhos um presente para o seu irmão Esaú:
14duzentas cabras e vinte bodes, duzentas ovelhas e vinte carneiros,
15trinta fêmeas de camelo com seus filhotes, quarenta vacas e dez touros, vinte jumentas e dez jumentos.
16Designou cada rebanho sob o cuidado de um servo e disse-lhes: “Vão à minha frente e mantenham certa distância entre um rebanho e outro”.
17Ao que ia à frente deu a seguinte instrução: “Quando meu irmão Esaú encontrar-se com você e lhe perguntar: ‘A quem você pertence, para onde vai e de quem é todo este rebanho à sua frente?’,
18você responderá: É do teu servo Jacó. É um presente para o meu senhor Esaú; e ele mesmo está vindo atrás de nós”.
19Também instruiu o segundo, o terceiro e todos os outros que acompanhavam os rebanhos: “Digam também a mesma coisa a Esaú quando o encontrarem.
20E acrescentem: Teu servo Jacó está vindo atrás de nós”. Porque pensava: “Eu o apaziguarei com esses presentes que estou enviando antes de mim; mais tarde, quando eu o vir, talvez me receba”.
21Assim os presentes de Jacó seguiram à sua frente; ele, porém, passou a noite no acampamento.
Jacob luta com Deus
22Naquela noite, Jacó levantou-se, tomou suas duas mulheres, suas duas servas e seus onze filhos para atravessar o lugar de passagem do Jaboque.
23Depois de havê-los feito atravessar o ribeiro, fez passar também tudo o que possuía.
24E Jacó ficou sozinho. Então veio um homem que se pôs a lutar com ele até o amanhecer.
25Quando o homem viu que não poderia dominar Jacó, tocou-lhe na articulação da coxa, de forma que a deslocou enquanto lutavam.
26Então o homem disse: “Deixe-me ir, pois o dia já desponta”. Mas Jacó lhe respondeu: “Não te deixarei ir, a não ser que me abençoes”.
27O homem lhe perguntou: “Qual é o seu nome?””Jacó”, respondeu ele.
28Então disse o homem: “Seu nome não será mais Jacó, mas sim Israel, porque você lutou com Deus e com homens e venceu”.
29Prosseguiu Jacó: “Peço-te que digas o teu nome”.Mas ele respondeu: “Por que pergunta o meu nome?” E o abençoou ali.
30Jacó chamou àquele lugar Peniel, pois disse: “Vi a Deus face a face e, todavia, minha vida foi poupada”.
31Ao nascer do sol, atravessou Peniel, mancando por causa da coxa.
32Por isso, até o dia de hoje, os israelitas não comem o músculo ligado à articulação do quadril, porque nesse músculo Jacó foi ferido.
Gênesis 33
Jacob encontra-se com Esaú
1Quando Jacó olhou e viu que Esaú estava se aproximando com quatrocentos homens, dividiu as crianças entre Lia, Raquel e as duas servas.
2Colocou as servas e os seus filhos à frente; Lia e seus filhos, depois; e Raquel com José, por último.
3Ele mesmo passou à frente e, ao aproximar-se do seu irmão, curvou-se até o chão sete vezes.
4Mas Esaú correu ao encontro de Jacó e abraçou-se ao seu pescoço, e o beijou. E eles choraram.
5Então Esaú ergueu o olhar e viu as mulheres e as crianças. E perguntou: “Quem são estes?”Jacó respondeu: “São os filhos que Deus concedeu ao teu servo”.
6Então as servas e os seus filhos se aproximaram e se curvaram.
7Depois, Lia e os seus filhos vieram e se curvaram. Por último, chegaram José e Raquel, e também se curvaram.
8Esaú perguntou: “O que você pretende com todos os rebanhos que encontrei pelo caminho?””Ser bem recebido por ti, meu senhor”, respondeu Jacó.
9Disse, porém, Esaú: “Eu já tenho muito, meu irmão. Guarde para você o que é seu”.
10Mas Jacó insistiu: “Não! Se te agradaste de mim, aceita este presente de minha parte, porque ver a tua face é como contemplar a face de Deus; além disso, tu me recebeste tão bem!
11Aceita, pois, o presente que te foi trazido, pois Deus tem sido favorável para comigo, e eu já tenho tudo o que necessito”. Jacó tanto insistiu que Esaú acabou aceitando.
12Então disse Esaú: “Vamos seguir em frente. Eu o acompanharei”.
13Jacó, porém, lhe disse: “Meu senhor sabe que as crianças são frágeis e que estão sob os meus cuidados ovelhas e vacas que amamentam suas crias. Se forçá-las demais na caminhada, um só dia que seja, todo o rebanho morrerá.
14Por isso, meu senhor, vai à frente do teu servo, e eu sigo atrás, devagar, no passo dos rebanhos e das crianças, até que eu chegue ao meu senhor em Seir”.
15Esaú sugeriu: “Permita-me, então, deixar alguns homens com você”.Jacó perguntou: “Mas para quê, meu senhor? Ter sido bem recebido já me foi suficiente!”
16Naquele dia, Esaú voltou para Seir.
17Jacó, todavia, foi para Sucote, onde construiu uma casa para si e abrigos para o seu gado. Foi por isso que o lugar recebeu o nome de Sucote.
18Tendo voltado de Padã-Arã, Jacó chegou a salvo à cidade de Siquém, em Canaã, e acampou próximo da cidade.
19Por cem peças de prata comprou dos filhos de Hamor, pai de Siquém, a parte do campo onde tinha armado acampamento.
20Ali edificou um altar e lhe chamou El Elohe Israel.
Gênesis 34
Dina e Siquem
1Certa vez, Diná, a filha que Lia dera a Jacó, saiu para conhecer as mulheres daquela terra.
2Siquém, filho de Hamor, o heveu, governador daquela região, viu-a, agarrou-a e a violentou.
3Mas o seu coração foi atraído por Diná, filha de Jacó, e ele amou a moça e falou-lhe com ternura.
4Por isso Siquém foi dizer a Hamor, seu pai: “Consiga-me aquela moça para que seja minha mulher”.
5Quando Jacó soube que sua filha Diná tinha sido desonrada, seus filhos estavam no campo, com os rebanhos; por isso esperou calado até que regressassem.
6Então Hamor, pai de Siquém, foi conversar com Jacó.
7Quando os filhos de Jacó voltaram do campo e souberam de tudo, ficaram profundamente entristecidos e irados, porque Siquém tinha cometido um ato vergonhoso em Israel, ao deitar-se com a filha de Jacó – coisa que não se faz.
8Mas Hamor lhes disse: “Meu filho Siquém apaixonou-se pela filha de vocês. Por favor, entreguem-na a ele para que seja sua mulher.
9Casem-se entre nós; deem-nos suas filhas e tomem para vocês as nossas.
10Estabeleçam-se entre nós. A terra está aberta para vocês: habitem-na, façam comércio nela e adquiram propriedades”.
11Então Siquém disse ao pai e aos irmãos de Diná: “Concedam-me este favor, e eu lhes darei o que me pedirem.
12Aumentem quanto quiserem o preço e o presente pela noiva, e pagarei o que me pedirem. Tão somente me deem a moça por mulher”.
13Os filhos de Jacó, porém, responderam com falsidade a Siquém e a seu pai, Hamor, por ter Siquém desonrado Diná, a irmã deles.
14Disseram: “Não podemos fazer isso; jamais entregaremos nossa irmã a um homem que não seja circuncidado. Seria uma vergonha para nós.
15Daremos nosso consentimento a vocês com uma condição: que vocês se tornem como nós, circuncidando todos os do sexo masculino.
16Só então lhes daremos as nossas filhas e poderemos casar-nos com as suas. Nós nos estabeleceremos entre vocês e seremos um só povo.
17Mas, se não aceitarem circuncidar-se, tomaremos nossa irmã e partiremos”.
18A proposta deles pareceu boa a Hamor e a seu filho Siquém.
19O jovem, que era o mais respeitado de todos os da casa de seu pai, não demorou em cumprir o que pediram, porque realmente gostava da filha de Jacó.
20Assim Hamor e seu filho Siquém dirigiram-se à porta da cidade para conversar com os seus concidadãos. E disseram:
21″Esses homens são de paz. Permitam que eles habitem em nossa terra e façam comércio entre nós; a terra tem bastante lugar para eles. Poderemos casar com as suas filhas, e eles com as nossas.
22Mas eles só consentirão em viver conosco como um só povo sob a condição de que todos os nossos homens sejam circuncidados, como eles.
23Lembrem-se de que os seus rebanhos, os seus bens e todos os seus outros animais passarão a ser nossos. Aceitemos então a condição para que se estabeleçam em nosso meio”.
24Todos os que saíram para reunir-se à porta da cidade concordaram com Hamor e com seu filho Siquém, e todos os homens e meninos da cidade foram circuncidados.
25Três dias depois, quando ainda sofriam dores, dois filhos de Jacó, Simeão e Levi, irmãos de Diná, pegaram suas espadas e atacaram a cidade desprevenida, matando todos os homens.
26Mataram ao fio da espada Hamor e seu filho Siquém, tiraram Diná da casa de Siquém e partiram.
27Vieram então os outros filhos de Jacó e, passando pelos corpos, saquearam a cidade onde sua irmã tinha sido desonrada.
28Apoderaram-se das ovelhas, dos bois e dos jumentos, e de tudo o que havia na cidade e no campo.
29Levaram as mulheres e as crianças, e saquearam todos os bens e tudo o que havia nas casas.
30Então Jacó disse a Simeão e a Levi: “Vocês me puseram em grandes apuros, atraindo sobre mim o ódio dos cananeus e dos ferezeus, habitantes desta terra. Somos poucos, e, se eles juntarem suas forças e nos atacarem, eu e a minha família seremos destruídos”.
31Mas eles responderam: “Está certo ele tratar nossa irmã como uma prostituta?”
Gênesis 35
Dina e Siquem
1Certa vez, Diná, a filha que Lia dera a Jacó, saiu para conhecer as mulheres daquela terra.
2Siquém, filho de Hamor, o heveu, governador daquela região, viu-a, agarrou-a e a violentou.
3Mas o seu coração foi atraído por Diná, filha de Jacó, e ele amou a moça e falou-lhe com ternura.
4Por isso Siquém foi dizer a Hamor, seu pai: “Consiga-me aquela moça para que seja minha mulher”.
5Quando Jacó soube que sua filha Diná tinha sido desonrada, seus filhos estavam no campo, com os rebanhos; por isso esperou calado até que regressassem.
6Então Hamor, pai de Siquém, foi conversar com Jacó.
7Quando os filhos de Jacó voltaram do campo e souberam de tudo, ficaram profundamente entristecidos e irados, porque Siquém tinha cometido um ato vergonhoso em Israel, ao deitar-se com a filha de Jacó – coisa que não se faz.
8Mas Hamor lhes disse: “Meu filho Siquém apaixonou-se pela filha de vocês. Por favor, entreguem-na a ele para que seja sua mulher.
9Casem-se entre nós; deem-nos suas filhas e tomem para vocês as nossas.
10Estabeleçam-se entre nós. A terra está aberta para vocês: habitem-na, façam comércio nela e adquiram propriedades”.
11Então Siquém disse ao pai e aos irmãos de Diná: “Concedam-me este favor, e eu lhes darei o que me pedirem.
12Aumentem quanto quiserem o preço e o presente pela noiva, e pagarei o que me pedirem. Tão somente me deem a moça por mulher”.
13Os filhos de Jacó, porém, responderam com falsidade a Siquém e a seu pai, Hamor, por ter Siquém desonrado Diná, a irmã deles.
14Disseram: “Não podemos fazer isso; jamais entregaremos nossa irmã a um homem que não seja circuncidado. Seria uma vergonha para nós.
15Daremos nosso consentimento a vocês com uma condição: que vocês se tornem como nós, circuncidando todos os do sexo masculino.
16Só então lhes daremos as nossas filhas e poderemos casar-nos com as suas. Nós nos estabeleceremos entre vocês e seremos um só povo.
17Mas, se não aceitarem circuncidar-se, tomaremos nossa irmã e partiremos”.
18A proposta deles pareceu boa a Hamor e a seu filho Siquém.
19O jovem, que era o mais respeitado de todos os da casa de seu pai, não demorou em cumprir o que pediram, porque realmente gostava da filha de Jacó.
20Assim Hamor e seu filho Siquém dirigiram-se à porta da cidade para conversar com os seus concidadãos. E disseram:
21″Esses homens são de paz. Permitam que eles habitem em nossa terra e façam comércio entre nós; a terra tem bastante lugar para eles. Poderemos casar com as suas filhas, e eles com as nossas.
22Mas eles só consentirão em viver conosco como um só povo sob a condição de que todos os nossos homens sejam circuncidados, como eles.
23Lembrem-se de que os seus rebanhos, os seus bens e todos os seus outros animais passarão a ser nossos. Aceitemos então a condição para que se estabeleçam em nosso meio”.
24Todos os que saíram para reunir-se à porta da cidade concordaram com Hamor e com seu filho Siquém, e todos os homens e meninos da cidade foram circuncidados.
25Três dias depois, quando ainda sofriam dores, dois filhos de Jacó, Simeão e Levi, irmãos de Diná, pegaram suas espadas e atacaram a cidade desprevenida, matando todos os homens.
26Mataram ao fio da espada Hamor e seu filho Siquém, tiraram Diná da casa de Siquém e partiram.
27Vieram então os outros filhos de Jacó e, passando pelos corpos, saquearam a cidade onde sua irmã tinha sido desonrada.
28Apoderaram-se das ovelhas, dos bois e dos jumentos, e de tudo o que havia na cidade e no campo.
29Levaram as mulheres e as crianças, e saquearam todos os bens e tudo o que havia nas casas.
30Então Jacó disse a Simeão e a Levi: “Vocês me puseram em grandes apuros, atraindo sobre mim o ódio dos cananeus e dos ferezeus, habitantes desta terra. Somos poucos, e, se eles juntarem suas forças e nos atacarem, eu e a minha família seremos destruídos”.
31Mas eles responderam: “Está certo ele tratar nossa irmã como uma prostituta?”
Gênesis 36
Dina e Siquem
1Certa vez, Diná, a filha que Lia dera a Jacó, saiu para conhecer as mulheres daquela terra.
2Siquém, filho de Hamor, o heveu, governador daquela região, viu-a, agarrou-a e a violentou.
3Mas o seu coração foi atraído por Diná, filha de Jacó, e ele amou a moça e falou-lhe com ternura.
4Por isso Siquém foi dizer a Hamor, seu pai: “Consiga-me aquela moça para que seja minha mulher”.
5Quando Jacó soube que sua filha Diná tinha sido desonrada, seus filhos estavam no campo, com os rebanhos; por isso esperou calado até que regressassem.
6Então Hamor, pai de Siquém, foi conversar com Jacó.
7Quando os filhos de Jacó voltaram do campo e souberam de tudo, ficaram profundamente entristecidos e irados, porque Siquém tinha cometido um ato vergonhoso em Israel, ao deitar-se com a filha de Jacó – coisa que não se faz.
8Mas Hamor lhes disse: “Meu filho Siquém apaixonou-se pela filha de vocês. Por favor, entreguem-na a ele para que seja sua mulher.
9Casem-se entre nós; deem-nos suas filhas e tomem para vocês as nossas.
10Estabeleçam-se entre nós. A terra está aberta para vocês: habitem-na, façam comércio nela e adquiram propriedades”.
11Então Siquém disse ao pai e aos irmãos de Diná: “Concedam-me este favor, e eu lhes darei o que me pedirem.
12Aumentem quanto quiserem o preço e o presente pela noiva, e pagarei o que me pedirem. Tão somente me deem a moça por mulher”.
13Os filhos de Jacó, porém, responderam com falsidade a Siquém e a seu pai, Hamor, por ter Siquém desonrado Diná, a irmã deles.
14Disseram: “Não podemos fazer isso; jamais entregaremos nossa irmã a um homem que não seja circuncidado. Seria uma vergonha para nós.
15Daremos nosso consentimento a vocês com uma condição: que vocês se tornem como nós, circuncidando todos os do sexo masculino.
16Só então lhes daremos as nossas filhas e poderemos casar-nos com as suas. Nós nos estabeleceremos entre vocês e seremos um só povo.
17Mas, se não aceitarem circuncidar-se, tomaremos nossa irmã e partiremos”.
18A proposta deles pareceu boa a Hamor e a seu filho Siquém.
19O jovem, que era o mais respeitado de todos os da casa de seu pai, não demorou em cumprir o que pediram, porque realmente gostava da filha de Jacó.
20Assim Hamor e seu filho Siquém dirigiram-se à porta da cidade para conversar com os seus concidadãos. E disseram:
21″Esses homens são de paz. Permitam que eles habitem em nossa terra e façam comércio entre nós; a terra tem bastante lugar para eles. Poderemos casar com as suas filhas, e eles com as nossas.
22Mas eles só consentirão em viver conosco como um só povo sob a condição de que todos os nossos homens sejam circuncidados, como eles.
23Lembrem-se de que os seus rebanhos, os seus bens e todos os seus outros animais passarão a ser nossos. Aceitemos então a condição para que se estabeleçam em nosso meio”.
24Todos os que saíram para reunir-se à porta da cidade concordaram com Hamor e com seu filho Siquém, e todos os homens e meninos da cidade foram circuncidados.
25Três dias depois, quando ainda sofriam dores, dois filhos de Jacó, Simeão e Levi, irmãos de Diná, pegaram suas espadas e atacaram a cidade desprevenida, matando todos os homens.
26Mataram ao fio da espada Hamor e seu filho Siquém, tiraram Diná da casa de Siquém e partiram.
27Vieram então os outros filhos de Jacó e, passando pelos corpos, saquearam a cidade onde sua irmã tinha sido desonrada.
28Apoderaram-se das ovelhas, dos bois e dos jumentos, e de tudo o que havia na cidade e no campo.
29Levaram as mulheres e as crianças, e saquearam todos os bens e tudo o que havia nas casas.
30Então Jacó disse a Simeão e a Levi: “Vocês me puseram em grandes apuros, atraindo sobre mim o ódio dos cananeus e dos ferezeus, habitantes desta terra. Somos poucos, e, se eles juntarem suas forças e nos atacarem, eu e a minha família seremos destruídos”.
31Mas eles responderam: “Está certo ele tratar nossa irmã como uma prostituta?”
Gênesis 37
Dina e Siquem
1Certa vez, Diná, a filha que Lia dera a Jacó, saiu para conhecer as mulheres daquela terra.
2Siquém, filho de Hamor, o heveu, governador daquela região, viu-a, agarrou-a e a violentou.
3Mas o seu coração foi atraído por Diná, filha de Jacó, e ele amou a moça e falou-lhe com ternura.
4Por isso Siquém foi dizer a Hamor, seu pai: “Consiga-me aquela moça para que seja minha mulher”.
5Quando Jacó soube que sua filha Diná tinha sido desonrada, seus filhos estavam no campo, com os rebanhos; por isso esperou calado até que regressassem.
6Então Hamor, pai de Siquém, foi conversar com Jacó.
7Quando os filhos de Jacó voltaram do campo e souberam de tudo, ficaram profundamente entristecidos e irados, porque Siquém tinha cometido um ato vergonhoso em Israel, ao deitar-se com a filha de Jacó – coisa que não se faz.
8Mas Hamor lhes disse: “Meu filho Siquém apaixonou-se pela filha de vocês. Por favor, entreguem-na a ele para que seja sua mulher.
9Casem-se entre nós; deem-nos suas filhas e tomem para vocês as nossas.
10Estabeleçam-se entre nós. A terra está aberta para vocês: habitem-na, façam comércio nela e adquiram propriedades”.
11Então Siquém disse ao pai e aos irmãos de Diná: “Concedam-me este favor, e eu lhes darei o que me pedirem.
12Aumentem quanto quiserem o preço e o presente pela noiva, e pagarei o que me pedirem. Tão somente me deem a moça por mulher”.
13Os filhos de Jacó, porém, responderam com falsidade a Siquém e a seu pai, Hamor, por ter Siquém desonrado Diná, a irmã deles.
14Disseram: “Não podemos fazer isso; jamais entregaremos nossa irmã a um homem que não seja circuncidado. Seria uma vergonha para nós.
15Daremos nosso consentimento a vocês com uma condição: que vocês se tornem como nós, circuncidando todos os do sexo masculino.
16Só então lhes daremos as nossas filhas e poderemos casar-nos com as suas. Nós nos estabeleceremos entre vocês e seremos um só povo.
17Mas, se não aceitarem circuncidar-se, tomaremos nossa irmã e partiremos”.
18A proposta deles pareceu boa a Hamor e a seu filho Siquém.
19O jovem, que era o mais respeitado de todos os da casa de seu pai, não demorou em cumprir o que pediram, porque realmente gostava da filha de Jacó.
20Assim Hamor e seu filho Siquém dirigiram-se à porta da cidade para conversar com os seus concidadãos. E disseram:
21″Esses homens são de paz. Permitam que eles habitem em nossa terra e façam comércio entre nós; a terra tem bastante lugar para eles. Poderemos casar com as suas filhas, e eles com as nossas.
22Mas eles só consentirão em viver conosco como um só povo sob a condição de que todos os nossos homens sejam circuncidados, como eles.
23Lembrem-se de que os seus rebanhos, os seus bens e todos os seus outros animais passarão a ser nossos. Aceitemos então a condição para que se estabeleçam em nosso meio”.
24Todos os que saíram para reunir-se à porta da cidade concordaram com Hamor e com seu filho Siquém, e todos os homens e meninos da cidade foram circuncidados.
25Três dias depois, quando ainda sofriam dores, dois filhos de Jacó, Simeão e Levi, irmãos de Diná, pegaram suas espadas e atacaram a cidade desprevenida, matando todos os homens.
26Mataram ao fio da espada Hamor e seu filho Siquém, tiraram Diná da casa de Siquém e partiram.
27Vieram então os outros filhos de Jacó e, passando pelos corpos, saquearam a cidade onde sua irmã tinha sido desonrada.
28Apoderaram-se das ovelhas, dos bois e dos jumentos, e de tudo o que havia na cidade e no campo.
29Levaram as mulheres e as crianças, e saquearam todos os bens e tudo o que havia nas casas.
30Então Jacó disse a Simeão e a Levi: “Vocês me puseram em grandes apuros, atraindo sobre mim o ódio dos cananeus e dos ferezeus, habitantes desta terra. Somos poucos, e, se eles juntarem suas forças e nos atacarem, eu e a minha família seremos destruídos”.
31Mas eles responderam: “Está certo ele tratar nossa irmã como uma prostituta?”
Gênesis 38
Judá e Tamar
1Por essa época, Judá deixou seus irmãos e passou a viver na casa de um homem de Adulão, chamado Hira.
2Ali Judá encontrou a filha de um cananeu chamado Suá e casou-se com ela. Ele a possuiu,
3ela engravidou e deu à luz um filho, ao qual ele deu o nome de Er.
4Tornou a engravidar, teve um filho e deu-lhe o nome de Onã.
5Quando estava em Quezibe, ela teve ainda outro filho e chamou-o Selá.
6Judá escolheu uma mulher chamada Tamar para Er, seu filho mais velho.
7Mas o Senhor reprovou a conduta perversa de Er, filho mais velho de Judá, e por isso o matou.
8Então Judá disse a Onã: “Case-se com a mulher do seu irmão, cumpra as suas obrigações de cunhado para com ela e dê uma descendência a seu irmão”.
9Mas Onã sabia que a descendência não seria sua; assim, toda vez que possuía a mulher do seu irmão, derramava o sêmen no chão para evitar que seu irmão tivesse descendência.
10O Senhor reprovou o que ele fazia, e por isso o matou também.
11Disse então Judá à sua nora Tamar: “More como viúva na casa de seu pai até que o meu filho Selá cresça”, porque temia que ele viesse a morrer, como os seus irmãos. Assim Tamar foi morar na casa do pai.
12Tempos depois morreu a mulher de Judá, filha de Suá. Passado o luto, Judá foi ver os tosquiadores do seu rebanho em Timna com o seu amigo Hira, o adulamita.
13Quando foi dito a Tamar: “Seu sogro está a caminho de Timna para tosquiar suas ovelhas”,
14ela trocou suas roupas de viúva, cobriu-se com um véu para se disfarçar e foi sentar-se à entrada de Enaim, que fica no caminho de Timna. Ela fez isso porque viu que, embora Selá já fosse crescido, ela não lhe tinha sido dada em casamento.
15Quando a viu, Judá pensou que fosse uma prostituta, porque ela havia encoberto o rosto.
16Não sabendo que era a sua nora, dirigiu-se a ela, à beira da estrada, e disse: “Venha cá, quero deitar-me com você”.
17Ela lhe perguntou: “O que você me dará para deitar-se comigo?”Disse ele: “Eu lhe mandarei um cabritinho do meu rebanho”.E ela perguntou: “Você me deixará alguma coisa como garantia até que o mande?”
18Disse Judá: “Que garantia devo dar-lhe?”Respondeu ela: “O seu selo com o cordão, e o cajado que você tem na mão”. Ele os entregou e a possuiu, e Tamar engravidou dele.
19Ela se foi, tirou o véu e tornou a vestir as roupas de viúva.
20Judá mandou o cabritinho por meio de seu amigo adulamita, a fim de reaver da mulher sua garantia, mas ele não a encontrou,
21e perguntou aos homens do lugar: “Onde está a prostituta cultual que costuma ficar à beira do caminho de Enaim?”Eles responderam: “Aqui não há nenhuma prostituta cultual”.
22Assim ele voltou a Judá e disse: “Não a encontrei. Além disso, os homens do lugar disseram que lá não há nenhuma prostituta cultual”.
23Disse Judá: “Fique ela com o que lhe dei. Não quero que nos tornemos objeto de zombaria. Afinal de contas, mandei a ela este cabritinho, mas você não a encontrou”.
24Cerca de três meses mais tarde, disseram a Judá: “Sua nora Tamar prostituiu-se, e na sua prostituição ficou grávida”.Disse Judá: “Tragam-na para fora e queimem-na viva!”
25Quando ela estava sendo levada para fora, mandou o seguinte recado ao sogro: “Estou grávida do homem que é dono destas coisas”. E acrescentou: “Veja se o senhor reconhece a quem pertencem este selo, este cordão e este cajado”.
26Judá os reconheceu e disse: “Ela é mais justa do que eu, pois eu devia tê-la entregue a meu filho Selá”. E não voltou a ter relações com ela.
27Quando lhe chegou a época de dar à luz, havia gêmeos em seu ventre.
28Enquanto ela dava à luz, um deles pôs a mão para fora; então a parteira pegou um fio vermelho e amarrou o pulso do menino, dizendo: “Este saiu primeiro”.
29Mas, quando ele recolheu a mão, seu irmão saiu, e ela disse: “Então você conseguiu uma brecha para sair!” E deu-lhe o nome de Perez.
30Depois saiu seu irmão que estava com o fio vermelho no pulso, e foi-lhe dado o nome de Zerá.
Gênesis 39
José e a mulher de Potifar
1José havia sido levado para o Egito, onde o egípcio Potifar, oficial do faraó e capitão da guarda, comprou-o dos ismaelitas que o tinham levado para lá.
2O Senhor estava com José, de modo que este prosperou e passou a morar na casa do seu senhor egípcio.José era atraente e de boa aparência,
3Quando este percebeu que o Senhor estava com ele e que o fazia prosperar em tudo o que realizava,
4agradou-se de José e tornou-o administrador de seus bens. Potifar deixou a seu cuidado a sua casa e lhe confiou tudo o que possuía.
5Desde que o deixou cuidando de sua casa e de todos os seus bens, o Senhor abençoou a casa do egípcio por causa de José. A bênção do Senhor estava sobre tudo o que Potifar possuía, tanto em casa como no campo.
6Assim, deixou ele aos cuidados de José tudo o que tinha, e não se preocupava com coisa alguma, exceto com sua própria comida.
7e, depois de certo tempo, a mulher do seu senhor começou a cobiçá-lo e o convidou: “Venha, deite-se comigo!”
8Mas ele se recusou e lhe disse: “Meu senhor não se preocupa com coisa alguma de sua casa, e tudo o que tem deixou aos meus cuidados.
9Ninguém desta casa está acima de mim. Ele nada me negou, a não ser a senhora, porque é a mulher dele. Como poderia eu, então, cometer algo tão perverso e pecar contra Deus?”
10Assim, embora ela insistisse com José dia após dia, ele se recusava a deitar-se com ela e evitava ficar perto dela.
11Um dia ele entrou na casa para fazer suas tarefas, e nenhum dos empregados ali se encontrava.
12Ela o agarrou pelo manto e voltou a convidá-lo: “Vamos, deite-se comigo!” Mas ele fugiu da casa, deixando o manto na mão dela.
13Quando ela viu que, ao fugir, ele tinha deixado o manto em sua mão,
14chamou os empregados e lhes disse: “Vejam, este hebreu nos foi trazido para nos insultar! Ele entrou aqui e tentou abusar de mim, mas eu gritei.
15Quando me ouviu gritar por socorro, largou seu manto ao meu lado e fugiu da casa”.
16Ela conservou o manto consigo até que o senhor de José chegasse à casa.
17Então repetiu-lhe a história: “Aquele escravo hebreu que você nos trouxe aproximou-se de mim para me insultar.
18Mas, quando gritei por socorro, ele largou seu manto ao meu lado e fugiu”.
19Quando o seu senhor ouviu o que a sua mulher lhe disse: “Foi assim que o seu escravo me tratou”, ficou indignado.
20Mandou buscar José e lançou-o na prisão em que eram postos os prisioneiros do rei. José ficou na prisão,
21mas o Senhor estava com ele e o tratou com bondade, concedendo-lhe a simpatia do carcereiro.
22Por isso o carcereiro encarregou José de todos os que estavam na prisão, e ele se tornou responsável por tudo o que lá sucedia.
23O carcereiro não se preocupava com nada do que estava a cargo de José, porque o Senhor estava com José e lhe concedia bom êxito em tudo o que realizava.
Gênesis 40
O chefe de vinhos e o padeiro
1Algum tempo depois, o copeiro e o padeiro do rei do Egito fizeram uma ofensa ao seu senhor, o rei do Egito.
2O faraó irou-se com os dois oficiais, o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros,
3e mandou prendê-los na casa do capitão da guarda, na prisão em que José estava.
4O capitão da guarda os deixou aos cuidados de José, que os servia.Depois de certo tempo,
5o copeiro e o padeiro do rei do Egito, que estavam na prisão, sonharam. Cada um teve um sonho, ambos na mesma noite, e cada sonho tinha a sua própria interpretação.
6Quando José foi vê-los na manhã seguinte, notou que estavam abatidos.
7Por isso perguntou aos oficiais do faraó, que também estavam presos na casa do seu senhor: “Por que hoje vocês estão com o semblante triste?”
8Eles responderam: “Tivemos sonhos, mas não há quem os interprete”.Disse-lhes José: “Não são de Deus as interpretações? Contem-me os sonhos”.
9Então o chefe dos copeiros contou o seu sonho a José: “Em meu sonho vi diante de mim uma videira,
10com três ramos. Ela brotou, floresceu e deu uvas que amadureciam em cachos.
11A taça do faraó estava em minha mão. Peguei as uvas, e as espremi na taça do faraó, e a entreguei em sua mão”.
12Disse-lhe José: “Esta é a interpretação: os três ramos são três dias.
13Dentro de três dias o faraó vai exaltá-lo e restaurá-lo à sua posição, e você servirá a taça na mão dele, como costumava fazer quando era seu copeiro.
14Quando tudo estiver indo bem com você, lembre-se de mim e seja bondoso comigo; fale de mim ao faraó e tire-me desta prisão,
15pois fui trazido à força da terra dos hebreus, e também aqui nada fiz para ser jogado neste calabouço”.
16Ouvindo o chefe dos padeiros essa interpretação favorável, disse a José: “Eu também tive um sonho: sobre a minha cabeça havia três cestas de pão branco.
17Na cesta de cima havia todo tipo de pães e doces que o faraó aprecia, mas as aves vinham comer da cesta que eu trazia na cabeça”.
18E disse José: “Esta é a interpretação: as três cestas são três dias.
19Dentro de três dias o faraó vai decapitá-lo e pendurá-lo numa árvore. E as aves comerão a sua carne”.
20Três dias depois era o aniversário do faraó, e ele ofereceu um banquete a todos os seus conselheiros. Na presença deles reapresentou o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros;
21restaurou à sua posição o chefe dos copeiros, de modo que ele voltou a ser aquele que servia a taça do faraó,
22mas ao chefe dos padeiros mandou enforcar, como José lhes dissera em sua interpretação.
23O chefe dos copeiros, porém, não se lembrou de José; ao contrário, esqueceu-se dele.
Gênesis 41
O sonho de Faraó
1Ao final de dois anos, o faraó teve um sonho. Ele estava em pé junto ao rio Nilo,
2quando saíram do rio sete vacas belas e gordas, que começaram a pastar entre os juncos.
3Depois saíram do rio mais sete vacas, feias e magras, que foram para junto das outras, à beira do Nilo.
4Então as vacas feias e magras comeram as sete vacas belas e gordas. Nisso o faraó acordou.
5Tornou a adormecer e teve outro sonho. Sete espigas de trigo, graúdas e boas, cresciam no mesmo pé.
6Depois brotaram outras sete espigas, mirradas e ressequidas pelo vento leste.
7As espigas mirradas engoliram as sete espigas graúdas e cheias. Então o faraó acordou; era um sonho.
8Pela manhã, perturbado, mandou chamar todos os magos e sábios do Egito e lhes contou os sonhos, mas ninguém foi capaz de interpretá-los.
9Então o chefe dos copeiros disse ao faraó: “Hoje me lembro de minhas faltas.
10Certa vez o faraó ficou irado com dois dos seus servos e mandou prender-me junto com o chefe dos padeiros, na casa do capitão da guarda.
11Certa noite cada um de nós teve um sonho, e cada sonho tinha uma interpretação.
12Pois bem, havia lá conosco um jovem hebreu, servo do capitão da guarda. Contamos a ele os nossos sonhos, e ele os interpretou, dando a cada um de nós a interpretação do seu próprio sonho.
13E tudo aconteceu conforme ele nos dissera: eu fui restaurado à minha posição, e o outro foi enforcado”.
14O faraó mandou chamar José, que foi trazido depressa do calabouço. Depois de se barbear e trocar de roupa, apresentou-se ao faraó.
15O faraó disse a José: “Tive um sonho que ninguém consegue interpretar. Mas ouvi falar que você, ao ouvir um sonho, é capaz de interpretá-lo”.
16Respondeu-lhe José: “Isso não depende de mim, mas Deus dará ao faraó uma resposta favorável”.
17Então o faraó contou o sonho a José: “Sonhei que estava em pé, à beira do Nilo,
18quando saíram do rio sete vacas, belas e gordas, que começaram a pastar entre os juncos.
19Depois saíram outras sete, raquíticas, muito feias e magras. Nunca vi vacas tão feias em toda a terra do Egito.
20As vacas magras e feias comeram as sete vacas gordas que tinham aparecido primeiro.
21Mesmo depois de havê-las comido, não parecia que o tivessem feito, pois continuavam tão magras como antes. Então acordei.
22″Depois tive outro sonho. Vi sete espigas de cereal, cheias e boas, que cresciam num mesmo pé.
23Depois delas, brotaram outras sete, murchas e mirradas, ressequidas pelo vento leste.
24As espigas magras engoliram as sete espigas boas. Contei isso aos magos, mas ninguém foi capaz de explicá-lo”.
25″O faraó teve um único sonho”, disse-lhe José. “Deus revelou ao faraó o que ele está para fazer.
26As sete vacas boas são sete anos, e as sete espigas boas são também sete anos; trata-se de um único sonho.
27As sete vacas magras e feias que surgiram depois das outras, e as sete espigas mirradas, queimadas pelo vento leste, são sete anos. Serão sete anos de fome.
28″É exatamente como eu disse ao faraó: Deus mostrou ao faraó aquilo que ele vai fazer.
29Sete anos de muita fartura estão para vir sobre toda a terra do Egito,
30mas depois virão sete anos de fome. Então todo o tempo de fartura será esquecido, pois a fome arruinará a terra.
31A fome que virá depois será tão rigorosa que o tempo de fartura não será mais lembrado na terra.
32O sonho veio ao faraó duas vezes porque a questão já foi decidida por Deus, que se apressa em realizá-la.
33″Procure agora o faraó um homem criterioso e sábio e ponha-o no comando da terra do Egito.
34O faraó também deve estabelecer supervisores para recolher um quinto da colheita do Egito durante os sete anos de fartura.
35Eles deverão recolher o que puderem nos anos bons que virão e fazer estoques de trigo que, sob o controle do faraó, serão armazenados nas cidades.
36Esse estoque servirá de reserva para os sete anos de fome que virão sobre o Egito, para que a terra não seja arrasada pela fome.”
37O plano pareceu bom ao faraó e a todos os seus conselheiros.
38Por isso o faraó lhes perguntou: “Será que vamos achar alguém como este homem, em quem está o espírito divino?”
39Disse, pois, o faraó a José: “Uma vez que Deus lhe revelou todas essas coisas, não há ninguém tão criterioso e sábio como você.
40Você terá o comando de meu palácio, e todo o meu povo se sujeitará às suas ordens. Somente em relação ao trono serei maior que você”.
José, governador do Egipto
41E o faraó prosseguiu: “Entrego a você agora o comando de toda a terra do Egito”.
42Em seguida, o faraó tirou do dedo o seu anel-selo e o colocou no dedo de José. Mandou-o vestir linho fino e colocou uma corrente de ouro em seu pescoço.
43Também o fez subir em sua segunda carruagem real, e à frente os arautos iam gritando: “Abram caminho!” Assim José foi posto no comando de toda a terra do Egito.
44Disse ainda o faraó a José: “Eu sou o faraó, mas sem a sua palavra ninguém poderá levantar a mão nem o pé em todo o Egito”.
45O faraó deu a José o nome de Zafenate-Paneia e lhe deu por mulher Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om. Depois José foi inspecionar toda a terra do Egito.
46José tinha trinta anos de idade quando começou a servir ao faraó, rei do Egito. Ele se ausentou da presença do faraó e foi percorrer todo o Egito.
47Durante os sete anos de fartura a terra teve grande produção.
48José recolheu todo o excedente dos sete anos de fartura no Egito e o armazenou nas cidades. Em cada cidade ele armazenava o trigo colhido nas lavouras das redondezas.
49Assim José estocou muito trigo, como a areia do mar. Tal era a quantidade que ele parou de anotar, porque ia além de toda medida.
50Antes dos anos de fome, Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om, deu a José dois filhos.
51Ao primeiro, José deu o nome de Manassés, dizendo: “Deus me fez esquecer todo o meu sofrimento e toda a casa de meu pai”.
52Ao segundo filho, chamou Efraim, dizendo: “Deus me fez prosperar na terra onde tenho sofrido”.
53Assim chegaram ao fim os sete anos de fartura no Egito,
54e começaram os sete anos de fome, como José tinha predito. Houve fome em todas as terras, mas em todo o Egito havia alimento.
55Quando todo o Egito começou a sofrer com a fome, o povo clamou ao faraó por comida, e este respondeu a todos os egípcios: “Dirijam-se a José e façam o que ele disser”.
56Quando a fome já se havia espalhado por toda a terra, José mandou abrir os locais de armazenamento e começou a vender trigo aos egípcios, pois a fome se agravava em todo o Egito.
57E de toda a terra vinha gente ao Egito para comprar trigo de José, porquanto a fome se agravava em toda parte.
Gênesis 42
Os irmãos de José vão ao Egipto
1Quando Jacó soube que no Egito havia trigo, disse a seus filhos: “Por que estão aí olhando uns para os outros?”
2Disse ainda: “Ouvi dizer que há trigo no Egito. Desçam até lá e comprem trigo para nós, para que possamos continuar vivos e não morramos de fome”.
3Assim dez dos irmãos de José desceram ao Egito para comprar trigo.
4Jacó não deixou que Benjamim, irmão de José, fosse com eles, temendo que algum mal lhe acontecesse.
5Os filhos de Israel estavam entre outros que também foram comprar trigo, por causa da fome na terra de Canaã.
6José era o governador do Egito e era ele que vendia trigo a todo o povo da terra. Por isso, quando os irmãos de José chegaram, curvaram-se diante dele com o rosto em terra.
7José reconheceu os seus irmãos logo que os viu, mas agiu como se não os conhecesse, e lhes falou asperamente: “De onde vocês vêm?”Responderam eles: “Da terra de Canaã, para comprar comida”.
8José reconheceu os seus irmãos, mas eles não o reconheceram.
9Lembrou-se então dos sonhos que tivera a respeito deles e lhes disse: “Vocês são espiões! Vieram para ver onde a nossa terra está desprotegida”.
10Eles responderam: “Não, meu senhor. Teus servos vieram comprar comida.
11Todos nós somos filhos do mesmo pai. Teus servos são homens honestos, e não espiões”.
12Mas José insistiu: “Não! Vocês vieram ver onde a nossa terra está desprotegida”.
13E eles disseram: “Teus servos eram doze irmãos, todos filhos do mesmo pai, na terra de Canaã. O caçula está agora em casa com o pai, e o outro já morreu”.
14José tornou a afirmar: “É como lhes falei: Vocês são espiões!
15Vocês serão postos à prova. Juro pela vida do faraó que vocês não sairão daqui, enquanto o seu irmão caçula não vier para cá.
16Mandem algum de vocês buscar o seu irmão enquanto os demais aguardam presos. Assim ficará provado se as suas palavras são verdadeiras ou não. Se não forem, juro pela vida do faraó que ficará confirmado que vocês são espiões!”
17E os deixou presos três dias.
18No terceiro dia, José lhes disse: “Eu tenho temor de Deus. Se querem salvar sua vida, façam o seguinte:
19se vocês são homens honestos, deixem um dos seus irmãos aqui na prisão, enquanto os demais voltam, levando trigo para matar a fome das suas famílias.
20Tragam-me, porém, o seu irmão caçula, para que se comprovem as suas palavras e vocês não tenham que morrer”.
21Eles se prontificaram a fazer isso e disseram uns aos outros: “Certamente estamos sendo punidos pelo que fizemos a nosso irmão. Vimos como ele estava angustiado, quando nos implorava por sua vida, mas não lhe demos ouvidos; por isso nos sobreveio esta angústia”.
22Rúben respondeu: “Eu não lhes disse que não maltratassem o menino? Mas vocês não quiseram me ouvir! Agora teremos que prestar contas do seu sangue”.
23Eles, porém, não sabiam que José podia compreendê-los, pois ele lhes falava por meio de um intérprete.
24Nisso José retirou-se e começou a chorar, mas logo depois voltou e conversou de novo com eles. Então escolheu Simeão e mandou acorrentá-lo diante deles.
25Em seguida, José deu ordem para que enchessem de trigo suas bagagens, devolvessem a prata de cada um deles, colocando-a nas bagagens, e lhes dessem mantimentos para a viagem. E assim foi feito.
26Eles puseram a carga de trigo sobre os seus jumentos e partiram.
27No lugar onde pararam para pernoitar, um deles abriu a bagagem para pegar forragem para o seu jumento e viu a prata na boca da bagagem.
28E disse a seus irmãos: “Devolveram a minha prata. Está aqui em minha bagagem”.Tomados de pavor em seu coração e tremendo, disseram uns aos outros: “Que é isto que Deus fez conosco?”
29Ao chegarem à casa de seu pai Jacó, na terra de Canaã, relataram-lhe tudo o que lhes acontecera, dizendo:
30″O homem que governa aquele país falou asperamente conosco e nos tratou como espiões.
31Mas nós lhe asseguramos que somos homens honestos e não espiões.
32Dissemos também que éramos doze irmãos, filhos do mesmo pai, e que um já havia morrido e que o caçula estava com o nosso pai, em Canaã.
33″Então o homem que governa aquele país nos disse: ‘Vejamos se vocês são honestos: um dos seus irmãos ficará aqui comigo, e os outros poderão voltar e levar mantimentos para matar a fome das suas famílias.
34Tragam-me, porém, o seu irmão caçula, para que eu comprove que vocês não são espiões, mas sim, homens honestos. Então lhes devolverei o irmão e os autorizarei a fazer negócios nesta terra’ “.
35Ao esvaziarem as bagagens, dentro da bagagem de cada um estava a sua bolsa cheia de prata. Quando eles e seu pai viram as bolsas cheias de prata, ficaram com medo.
36E disse-lhes seu pai Jacó: “Vocês estão tirando meus filhos de mim! Já fiquei sem José, agora sem Simeão e ainda querem levar Benjamim. Tudo está contra mim!”
37Então Rúben disse ao pai: “Podes matar meus dois filhos se eu não o trouxer de volta. Deixa-o aos meus cuidados, e eu o trarei”.
38Mas o pai respondeu: “Meu filho não descerá com vocês; seu irmão está morto, e ele é o único que resta. Se qualquer mal lhe acontecer na viagem que estão por fazer, vocês farão estes meus cabelos brancos descer à sepultura com tristeza”.
Gênesis 43
A segunda viagem ao Egipto
1A fome continuava rigorosa na terra.
2Assim, quando acabou todo o trigo que os filhos de Jacó tinham trazido do Egito, seu pai lhes disse: “Voltem e comprem um pouco mais de comida para nós”.
3Mas Judá lhe disse: “O homem nos advertiu severamente: ‘Não voltem à minha presença, a não ser que tragam o seu irmão’.
4Se enviares o nosso irmão conosco, desceremos e compraremos comida para ti.
5Mas, se não o enviares conosco, não iremos, porque foi assim que o homem falou: ‘Não voltem à minha presença, a não ser que tragam o seu irmão’ “.
6Israel perguntou: “Por que me causaram esse mal, contando àquele homem que tinham outro irmão?”
7E lhe responderam: “Ele nos interrogou sobre nós e sobre nossa família. E também nos perguntou: ‘O pai de vocês ainda está vivo? Vocês têm outro irmão?’ Nós simplesmente respondemos ao que ele nos perguntou. Como poderíamos saber que ele exigiria que levássemos o nosso irmão?”
8Então disse Judá a Israel, seu pai: “Deixa o jovem ir comigo e partiremos imediatamente, a fim de que tu, nós e nossas crianças sobrevivamos e não venhamos a morrer.
9Eu me comprometo pessoalmente pela segurança dele; podes me considerar responsável por ele. Se eu não o trouxer de volta e não o colocar bem aqui na tua presença, serei culpado diante de ti pelo resto da minha vida.
10Como se vê, se não tivéssemos demorado tanto, já teríamos ido e voltado duas vezes”.
11Então Israel, seu pai, lhes disse: “Se tem que ser assim, que seja! Coloquem alguns dos melhores produtos da nossa terra na bagagem e levem-nos como presente ao tal homem: um pouco de bálsamo, um pouco de mel, algumas especiarias e mirra, algumas nozes de pistache e amêndoas.
12Levem prata em dobro, e devolvam a prata que foi colocada de volta na boca da bagagem de vocês. Talvez isso tenha acontecido por engano.
13Peguem também o seu irmão e voltem àquele homem.
14Que o Deus todo-poderoso lhes conceda misericórdia diante daquele homem, para que ele permita que o seu outro irmão e Benjamim voltem com vocês. Quanto a mim, se ficar sem filhos, sem filhos ficarei”.
15Então os homens desceram ao Egito, levando o presente, prata em dobro e Benjamim, e foram à presença de José.
16Quando José viu Benjamim com eles, disse ao administrador de sua casa: “Leve estes homens à minha casa, mate um animal e prepare-o; eles almoçarão comigo ao meio-dia”.
17Ele fez o que lhe fora ordenado e levou-os à casa de José.
18Eles ficaram com medo, quando foram levados à casa de José, e pensaram: “Trouxeram-nos aqui por causa da prata que foi devolvida às nossas bagagens na primeira vez. Ele quer atacar-nos, subjugar-nos, tornar-nos escravos e tomar de nós os nossos jumentos”.
19Por isso, dirigiram-se ao administrador da casa de José e lhe disseram à entrada da casa:
20″Ouça, senhor! A primeira vez que viemos aqui foi realmente para comprar comida.
21Mas, no lugar em que paramos para pernoitar, abrimos nossas bagagens e cada um de nós encontrou a prata que tinha trazido, na quantia exata. Por isso a trouxemos de volta conosco,
22além de mais prata, para comprar comida. Não sabemos quem pôs a prata em nossa bagagem”.
23″Fiquem tranquilos”, disse o administrador. “Não tenham medo. O seu Deus, o Deus de seu pai, foi quem lhes deu um tesouro em suas bagagens, porque a prata de vocês eu recebi.” Então soltou Simeão e o levou à presença deles.
24Em seguida, os levou à casa de José, deu-lhes água para lavarem os pés e forragem para os seus jumentos.
25Eles então prepararam o presente para a chegada de José ao meio-dia, porque ficaram sabendo que iriam almoçar ali.
26Quando José chegou, eles o presentearam com o que tinham trazido e curvaram-se diante dele até o chão.
27Ele então lhes perguntou como passavam e disse em seguida: “Como vai o pai de vocês, o homem idoso de quem me falaram? Ainda está vivo?”
28Eles responderam: “Teu servo, nosso pai, ainda vive e passa bem”. E se curvaram para prestar-lhe honra.
29Olhando ao redor e vendo seu irmão Benjamim, filho de sua mãe, José perguntou: “É este o irmão caçula de quem me falaram?” E acrescentou: “Deus lhe conceda graça, meu filho”.
30Profundamente emocionado por causa de seu irmão, José apressou-se em sair à procura de um lugar para chorar, e, entrando em seu quarto, chorou.
31Depois de lavar o rosto, saiu e, controlando-se, disse: “Sirvam a comida”.
32Serviram a ele em separado dos seus irmãos e também dos egípcios que comiam com ele, porque os egípcios não podiam comer com os hebreus, pois isso era sacrilégio para eles.
33Seus irmãos foram colocados à mesa perante ele por ordem de idade, do mais velho ao mais moço, e olhavam perplexos uns para os outros.
34Então lhes serviram da comida da mesa de José, e a porção de Benjamim era cinco vezes maior que a dos outros. E eles festejaram e beberam à vontade.
Gênesis 44
A taça de prata no saco
1José deu as seguintes ordens ao administrador de sua casa: “Encha as bagagens desses homens com todo o mantimento que puderem carregar e coloque a prata de cada um na boca de sua bagagem.
2Depois coloque a minha taça, a taça de prata, na boca da bagagem do caçula, junto com a prata paga pelo trigo”. E ele fez tudo conforme as ordens de José.
3Assim que despontou a manhã, despediram os homens com os seus jumentos.
4Ainda não tinham se afastado da cidade, quando José disse ao administrador de sua casa: “Vá atrás daqueles homens e, quando os alcançar, diga-lhes: Por que retribuíram o bem com o mal?
5Não é esta a taça que o meu senhor usa para beber e para fazer adivinhações? Vocês cometeram grande maldade!”
6Quando ele os alcançou, repetiu-lhes essas palavras.
7Mas eles lhe responderam: “Por que o meu senhor diz isso? Longe dos seus servos fazer tal coisa!
8Nós lhe trouxemos de volta, da terra de Canaã, a prata que encontramos na boca de nossa bagagem. Como roubaríamos prata ou ouro da casa do seu senhor?
9Se algum dos seus servos for encontrado com ela, morrerá; e nós, os demais, seremos escravos do meu senhor”.
10E disse ele: “Concordo. Somente quem for encontrado com ela será meu escravo; os demais estarão livres”.
11Cada um deles descarregou depressa a sua bagagem e abriu-a.
12O administrador começou então a busca, desde a bagagem do mais velho até a do mais novo. E a taça foi encontrada na bagagem de Benjamim.
13Diante disso, eles rasgaram as suas vestes. Em seguida, todos puseram a carga de novo em seus jumentos e retornaram à cidade.
14Quando Judá e seus irmãos chegaram à casa de José, ele ainda estava lá. Então eles se lançaram ao chão perante ele.
15E José lhes perguntou: “Que foi que vocês fizeram? Vocês não sabem que um homem como eu tem poder para adivinhar?”
16Respondeu Judá: “O que diremos a meu senhor? Que podemos falar? Como podemos provar nossa inocência? Deus trouxe à luz a culpa dos teus servos. Agora somos escravos do meu senhor, como também aquele que foi encontrado com a taça”.
17Disse, porém, José: “Longe de mim fazer tal coisa! Somente aquele que foi encontrado com a taça será meu escravo. Os demais podem voltar em paz para a casa do seu pai”.
18Então Judá dirigiu-se a ele, dizendo: “Por favor, meu senhor, permite-me dizer-te uma palavra. Não se acenda a tua ira contra o teu servo, embora sejas igual ao próprio faraó.
19Meu senhor perguntou a estes seus servos se ainda tínhamos pai e algum outro irmão.
20E nós respondemos: Temos um pai já idoso, cujo filho caçula nasceu-lhe em sua velhice. O irmão deste já morreu, e ele é o único filho da mesma mãe que restou, e seu pai o ama muito.
21″Então disseste a teus servos que o trouxessem a ti para que os teus olhos pudessem vê-lo.
22E nós respondemos a meu senhor que o jovem não poderia deixar seu pai, pois, caso o fizesse, seu pai morreria.
23Todavia disseste a teus servos que, se o nosso irmão caçula não viesse conosco, nunca mais veríamos a tua face.
24Quando voltamos a teu servo, a meu pai, contamos-lhe o que o meu senhor tinha dito.
25″Quando o nosso pai nos mandou voltar para comprar um pouco mais de comida,
26nós lhe dissemos: ‘Só poderemos voltar para lá, se o nosso irmão caçula for conosco. Pois não poderemos ver a face daquele homem, a não ser que o nosso irmão caçula esteja conosco’.
27″Teu servo, meu pai, nos disse então: ‘Vocês sabem que minha mulher me deu apenas dois filhos.
28Um deles se foi, e eu disse: Com certeza foi despedaçado. E, até hoje, nunca mais o vi.
29Se agora vocês também levarem este de mim, e algum mal lhe acontecer, a tristeza que me causarão fará com que os meus cabelos brancos desçam à sepultura’.
30″Agora, pois, se eu voltar a teu servo, a meu pai, sem levar o jovem conosco, logo que meu pai, que é tão apegado a ele,
31perceber que o jovem não está conosco, morrerá. Teus servos farão seu velho pai descer seus cabelos brancos à sepultura com tristeza.
32″Além disso, teu servo garantiu a segurança do jovem a seu pai, dizendo-lhe: ‘Se eu não o trouxer de volta, suportarei essa culpa diante de ti pelo resto da minha vida!’
33″Por isso agora te peço, por favor, deixa o teu servo ficar como escravo do meu senhor no lugar do jovem e permite que ele volte com os seus irmãos.
34Como poderei eu voltar a meu pai sem levar o jovem comigo? Não! Não posso ver o mal que sobreviria a meu pai”.
Gênesis 45
José dá-se a conhecer
1A essa altura, José já não podia mais conter-se diante de todos os que ali estavam, e gritou: “Façam sair a todos!” Assim, ninguém mais estava presente quando José se revelou a seus irmãos.
2E ele se pôs a chorar tão alto que os egípcios o ouviram, e a notícia chegou ao palácio do faraó.
3Então disse José a seus irmãos: “Eu sou José! Meu pai ainda está vivo?” Mas os seus irmãos ficaram tão pasmados diante dele que não conseguiam responder-lhe.
4″Cheguem mais perto”, disse José a seus irmãos. Quando eles se aproximaram, disse-lhes: “Eu sou José, seu irmão, aquele que vocês venderam ao Egito!
5Agora, não se aflijam nem se recriminem por terem me vendido para cá, pois foi para salvar vidas que Deus me enviou adiante de vocês.
6Já houve dois anos de fome na terra, e nos próximos cinco anos não haverá cultivo nem colheita.
7Mas Deus me enviou à frente de vocês para lhes preservar um remanescente nesta terra e para salvar-lhes a vida com grande livramento.
8″Assim, não foram vocês que me mandaram para cá, mas sim o próprio Deus. Ele me tornou ministro do faraó, e me fez administrador de todo o palácio e governador de todo o Egito.
9Voltem depressa a meu pai e digam-lhe: Assim diz o seu filho José: ‘Deus me fez senhor de todo o Egito. Vem para cá, não te demores.
10Tu viverás na região de Gósen e ficarás perto de mim – tu, os teus filhos, os teus netos, as tuas ovelhas, os teus bois e todos os teus bens.
11Eu te sustentarei ali, porque ainda haverá cinco anos de fome. Do contrário, tu, a tua família e todos os teus rebanhos acabarão na miséria’.
12″Vocês estão vendo com os seus próprios olhos, e meu irmão Benjamim também, que realmente sou eu que estou falando com vocês.
13Contem a meu pai quanta honra me prestam no Egito e tudo o que vocês mesmos testemunharam. E tragam meu pai para cá depressa”.
14Então ele se lançou chorando sobre o seu irmão Benjamim e o abraçou, e Benjamim também o abraçou, chorando.
15Em seguida, beijou todos os seus irmãos e chorou com eles. E só depois os seus irmãos conseguiram conversar com ele.
16Quando se ouviu no palácio do faraó que os irmãos de José haviam chegado, o faraó e todos os seus conselheiros se alegraram.
17Disse então o faraó a José: “Diga a seus irmãos que ponham as cargas nos seus animais, voltem para a terra de Canaã
18e retornem para cá, trazendo seu pai e suas famílias. Eu lhes darei o melhor da terra do Egito e vocês poderão desfrutar a fartura desta terra.
19″Mande-os também levar carruagens do Egito para trazerem as suas mulheres, os seus filhos e seu pai.
20Não se preocupem com os seus bens, pois o melhor de todo o Egito será de vocês”.
21Assim fizeram os filhos de Israel. José lhes providenciou carruagens, como o faraó tinha ordenado, e também mantimentos para a viagem.
22A cada um deu uma muda de roupa nova, mas a Benjamim deu trezentas peças de prata e cinco mudas de roupa nova.
23E a seu pai enviou dez jumentos carregados com o melhor do que havia no Egito e dez jumentas carregadas de trigo, pão e outras provisões para a viagem.
24Depois despediu-se dos seus irmãos e, ao partirem, disse-lhes: “Não briguem pelo caminho!”
25Assim partiram do Egito e voltaram a seu pai Jacó, na terra de Canaã,
26e lhe deram a notícia: “José ainda está vivo! Na verdade ele é o governador de todo o Egito”. O coração de Jacó quase parou! Não podia acreditar neles.
27Mas, quando lhe relataram tudo o que José lhes dissera, e, vendo Jacó, seu pai, as carruagens que José enviara para buscá-lo, seu espírito reviveu.
28E Israel disse: “Basta! Meu filho José ainda está vivo. Irei vê-lo antes que eu morra”.
Gênesis 46
Jacob vai para o Egipto
1Israel partiu com tudo o que lhe pertencia. Ao chegar a Berseba, ofereceu sacrifícios ao Deus de Isaque, seu pai.
2E Deus falou a Israel por meio de uma visão noturna: “Jacó! Jacó!””Eis-me aqui”, respondeu ele.
3″Eu sou Deus, o Deus de seu pai”, disse ele. “Não tenha medo de descer ao Egito, porque lá farei de você uma grande nação.
4Eu mesmo descerei ao Egito com você e certamente o trarei de volta. E a mão de José fechará os seus olhos.”
5Então Jacó partiu de Berseba. Os filhos de Israel levaram seu pai, Jacó, seus filhos e as suas mulheres nas carruagens que o faraó tinha enviado.
6Também levaram os seus rebanhos e os bens que tinham adquirido em Canaã. Assim Jacó foi para o Egito com toda a sua descendência.
7Levou consigo para o Egito seus filhos, seus netos, suas filhas e suas netas, isto é, todos os seus descendentes.
8Estes são os nomes dos israelitas, Jacó e seus descendentes, que foram para o Egito:Rúben, o filho mais velho de Jacó.
9Estes foram os filhos de Rúben:Enoque, Palu, Hezrom e Carmi.
10Estes foram os filhos de Simeão:Jemuel, Jamim, Oade, Jaquim, Zoare Saul, filho de uma cananeia.
11Estes foram os filhos de Levi:Gérson, Coate e Merari.
12Estes foram os filhos de Judá:Er, Onã, Selá, Perez e Zerá.Er e Onã morreram na terra de Canaã.Estes foram os filhos de Perez:Hezrom e Hamul.
13Estes foram os filhos de Issacar:Tolá, Puá, Jasube e Sinrom.
14Estes foram os filhos de Zebulom:Serede, Elom e Jaleel.
15Foram esses os filhos que Lia deu a Jacó em Padã-Arã, além de Diná, sua filha. Seus descendentes eram ao todo trinta e três.
16Estes foram os filhos de Gade:Zefom, Hagi, Suni, Esbom,Eri, Arodi e Areli.
17Estes foram os filhos de Aser:Imna, Isvá, Isvi e Berias,e a irmã deles, Sera.Estes foram os filhos de Berias:Héber e Malquiel.
18Foram esses os dezesseis descendentes que Zilpa, serva que Labão tinha dado à sua filha Lia, deu a Jacó.
19Estes foram os filhos de Raquel, mulher de Jacó:José e Benjamim.
20Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om, deu dois filhos a José no Egito: Manassés e Efraim.
21Estes foram os filhos de Benjamim:Belá, Bequer, Asbel, Gera, Naamã,Eí, Rôs, Mupim, Hupim e Arde.
22Foram esses os catorze descendentes que Raquel deu a Jacó.
23O filho de Dã foi Husim.
24Estes foram os filhos de Naftali:Jazeel, Guni, Jezer e Silém.
25Foram esses os sete descendentes que Bila, serva que Labão tinha dado à sua filha Raquel, deu a Jacó.
26Todos os que foram para o Egito com Jacó, todos os seus descendentes, sem contar as mulheres de seus filhos, totalizaram sessenta e seis pessoas.
27Com mais os dois filhos que nasceram a José no Egito, os membros da família de Jacó que foram para o Egito chegaram a setenta.
28Ora, Jacó enviou Judá à sua frente a José, para saber como ir a Gósen. Quando lá chegaram,
29José, de carruagem pronta, partiu para Gósen para encontrar-se com seu pai, Israel. Assim que o viu, correu para abraçá-lo e, abraçado a ele, chorou longamente.
30Israel disse a José: “Agora já posso morrer, pois vi o seu rosto e sei que você ainda está vivo”.
31Então José disse aos seus irmãos e a toda a família de seu pai: “Vou partir e informar ao faraó que os meus irmãos e toda a família de meu pai, que viviam em Canaã, vieram para cá.
32Direi que os homens são pastores, cuidam de rebanhos, e trouxeram consigo suas ovelhas, seus bois e tudo quanto lhes pertence.
33Quando o faraó mandar chamá-los e perguntar: ‘Em que vocês trabalham?’,
34respondam-lhe assim: ‘Teus servos criam rebanhos desde pequenos, como o fizeram nossos antepassados’. Assim lhes será permitido habitar na região de Gósen, pois todos os pastores são desprezados pelos egípcios”.
Gênesis 47
1José foi dar as notícias ao faraó: “Meu pai e meus irmãos chegaram de Canaã com suas ovelhas, seus bois e tudo o que lhes pertence, e estão agora em Gósen”.
2Depois escolheu cinco de seus irmãos e os apresentou ao faraó.
3Perguntou-lhes o faraó: “Em que vocês trabalham?”Eles lhe responderam: “Teus servos são pastores, como os nossos antepassados”.
4Disseram-lhe ainda: “Viemos morar aqui por uns tempos, porque a fome é rigorosa em Canaã, e os rebanhos de teus servos não têm pastagem. Agora, por favor, permite que teus servos se estabeleçam em Gósen”.
5Então o faraó disse a José: “Seu pai e seus irmãos vieram a você,
6e a terra do Egito está a sua disposição; faça com que seu pai e seus irmãos habitem na melhor parte da terra. Deixe-os morar em Gósen. E, se você vê que alguns deles são competentes, ponha-os como responsáveis por meu rebanho”.
7Então José levou seu pai Jacó ao faraó e o apresentou a ele. Depois Jacó abençoou o faraó,
8e este lhe perguntou: “Quantos anos o senhor tem?”
9Jacó respondeu ao faraó: “São cento e trinta os anos da minha peregrinação. Foram poucos e difíceis e não chegam aos anos da peregrinação dos meus antepassados”.
10Então, Jacó abençoou o faraó e retirou-se.
11José instalou seu pai e seus irmãos e deu-lhes propriedade na melhor parte das terras do Egito, na região de Ramessés, conforme a ordem do faraó.
12Providenciou também sustento para seu pai, para seus irmãos e para toda a sua família, de acordo com o número de filhos de cada um.
José e a fome
13Não havia mantimento em toda a região, pois a fome era rigorosa; tanto o Egito como Canaã desfaleciam por causa da fome.
14José recolheu toda a prata que circulava no Egito e em Canaã, dada como pagamento do trigo que o povo comprava, e levou-a ao palácio do faraó.
15Quando toda a prata do Egito e de Canaã se esgotou, todos os egípcios foram suplicar a José: “Dá-nos comida! Não nos deixes morrer só porque a nossa prata acabou”.
16E José lhes disse: “Tragam então os seus rebanhos, e em troca lhes darei trigo, uma vez que a prata de vocês acabou”.
17E trouxeram a José os rebanhos, e ele deu-lhes trigo em troca de cavalos, ovelhas, bois e jumentos. Durante aquele ano inteiro ele os sustentou em troca de todos os seus rebanhos.
18O ano passou, e no ano seguinte voltaram a José, dizendo: “Não temos como esconder de ti, meu senhor, que uma vez que a nossa prata acabou e os nossos rebanhos lhe pertencem, nada mais nos resta para oferecer, a não ser os nossos próprios corpos e as nossas terras.
19Não deixes que morramos e que as nossas terras pereçam diante dos teus olhos! Compra-nos, e compra as nossas terras, em troca de trigo, e nós, com as nossas terras, seremos escravos do faraó. Dá-nos sementes para que sobrevivamos e não morramos de fome, a fim de que a terra não fique desolada”.
20Assim, José comprou todas as terras do Egito para o faraó. Todos os egípcios tiveram que vender os seus campos, pois a fome os obrigou a isso. A terra tornou-se propriedade do faraó.
21Quanto ao povo, José o reduziu à servidão, de uma à outra extremidade do Egito.
22Somente as terras dos sacerdotes não foram compradas, porque, por lei, esses recebiam sustento regular do faraó, e disso viviam. Por isso não tiveram que vender as suas terras.
23Então José disse ao povo: “Ouçam! Hoje comprei vocês e suas terras para o faraó; aqui estão as sementes para que cultivem a terra.
24Mas vocês darão a quinta parte das suas colheitas ao faraó. Os outros quatro quintos ficarão para vocês como sementes para os campos e como alimento para vocês, seus filhos e os que vivem em suas casas”.
25Eles disseram: “Meu senhor, tu nos salvaste a vida. Visto que nos favoreceste, seremos escravos do faraó”.
26Assim, quanto à terra, José estabeleceu o seguinte decreto no Egito, que permanece até hoje: um quinto da produção pertence ao faraó. Somente as terras dos sacerdotes não se tornaram propriedade do faraó.
27Os israelitas se estabeleceram no Egito, na região de Gósen. Lá adquiriram propriedades, foram prolíferos e multiplicaram-se muito.
28Jacó viveu dezessete anos no Egito, e os anos da sua vida chegaram a cento e quarenta e sete.
29Aproximando-se a hora da sua morte, Israel chamou seu filho José e lhe disse: “Se quer agradar-me, ponha a mão debaixo da minha coxa e prometa que será bondoso e fiel comigo: Não me sepulte no Egito.
30Quando eu descansar com meus pais, leve-me daqui do Egito e sepulte-me junto a eles”.José respondeu: “Farei como o senhor me pede”.
31Mas Jacó insistiu: “Jure-me”. E José lhe jurou, e Israel curvou-se apoiado em seu bordão.
Gênesis 48
Manassés e Efraim
1Algum tempo depois, disseram a José: “Seu pai está doente”; e ele foi vê-lo, levando consigo seus dois filhos, Manassés e Efraim.
2E anunciaram a Jacó: “Seu filho José veio vê-lo”. Israel reuniu suas forças e assentou-se na cama.
3Então disse Jacó a José: “O Deus todo-poderoso apareceu-me em Luz, na terra de Canaã, e ali me abençoou,
4dizendo: ‘Eu o farei prolífero e o multiplicarei. Farei de você uma comunidade de povos e darei esta terra por propriedade perpétua aos seus descendentes’.
5″Agora, pois, os seus dois filhos que lhe nasceram no Egito, antes da minha vinda para cá, serão reconhecidos como meus; Efraim e Manassés serão meus, como são meus Rúben e Simeão.
6Os filhos que lhe nascerem depois deles serão seus; serão convocados sob o nome dos seus irmãos para receberem sua herança.
7Quando eu voltava de Padã, para minha tristeza Raquel morreu em Canaã, quando ainda estávamos a caminho, a pouca distância de Efrata. Eu a sepultei ali, ao lado do caminho para Efrata, que é Belém”.
8Quando Israel viu os filhos de José, perguntou: “Quem são estes?”
9Respondeu José a seu pai: “São os filhos que Deus me deu aqui”.Então Israel disse: “Traga-os aqui para que eu os abençoe”.
10Os olhos de Israel já estavam enfraquecidos por causa da idade avançada, e ele mal podia enxergar. Por isso José levou seus filhos para perto dele, e seu pai os beijou e os abraçou.
11E Israel disse a José: “Nunca pensei que veria a sua face novamente, e agora Deus me concede ver também os seus filhos!”
12Em seguida, José os tirou do colo de Israel e curvou-se com o rosto em terra.
13E José tomou os dois, Efraim à sua direita, perto da mão esquerda de Israel, e Manassés à sua esquerda, perto da mão direita de Israel, e os aproximou dele.
14Israel, porém, estendeu a mão direita e a pôs sobre a cabeça de Efraim, embora este fosse o mais novo e, cruzando os braços, pôs a mão esquerda sobre a cabeça de Manassés, embora Manassés fosse o filho mais velho.
15E abençoou a José, dizendo:”Que o Deus, a quem servirammeus pais Abraão e Isaque,o Deus que tem sido o meu pastorem toda a minha vida até o dia de hoje,
16o Anjo que me redimiu de todo o mal,abençoe estes meninos.Sejam eles chamados pelo meu nomee pelos nomes de meus paisAbraão e Isaque,e cresçam muito na terra”.
17Quando José viu seu pai colocar a mão direita sobre a cabeça de Efraim, não gostou; por isso pegou a mão do pai, a fim de mudá-la da cabeça de Efraim para a de Manassés,
18e lhe disse: “Não, meu pai, este aqui é o mais velho; ponha a mão direita sobre a cabeça dele”.
19Mas seu pai recusou-se e respondeu: “Eu sei, meu filho, eu sei. Ele também se tornará um povo, também será grande. Apesar disso, seu irmão mais novo será maior do que ele, e seus descendentes se tornarão muitos povos”.
20Assim, Jacó os abençoou naquele dia, dizendo:”O povo de Israel usará os seus nomes para abençoar uns aos outros com esta expressão:Que Deus faça a você como fez a Efraim e a Manassés!”E colocou Efraim à frente de Manassés.
21A seguir, Israel disse a José: “Estou para morrer, mas Deus estará com vocês e os levará de volta à terra de seus antepassados.
22E a você, como alguém que está acima de seus irmãos, dou a região montanhosa que tomei dos amorreus com a minha espada e com o meu arco”.
Gênesis 49
Jacob abençoa os filhos
1Então Jacó chamou seus filhos e disse: “Ajuntem-se a meu lado para que eu lhes diga o que lhes acontecerá nos dias que virão.
2″Reúnam-se para ouvir, filhos de Jacó;ouçam o que diz Israel, seu pai.
3″Rúben, você é meu primogênito,minha força,o primeiro sinal do meu vigor,superior em honra, superior em poder.
4Turbulento como as águas,já não será superior,porque você subiu à cama de seu pai,ao meu leito, e o desonrou.
5Simeão e Levi são irmãos;suas espadas são armas de violência.
6Que eu não entre no conselho deles,nem participe da sua assembleia,porque em sua ira mataram homense a seu bel-prazer aleijaram bois,cortando-lhes o tendão.
7Maldita seja a sua ira, tão tremenda,e a sua fúria, tão cruel!Eu os dividirei pelas terras de Jacóe os dispersarei em Israel.
8Judá, seus irmãos o louvarão,sua mão estará sobre o pescoçodos seus inimigos;os filhos de seu pai se curvarãodiante de você.
9Judá é um leão novo.Você vem subindo, filho meu,depois de matar a presa.Como um leão, ele se assenta;e deita-se como uma leoa;quem tem coragem de acordá-lo?
10O cetro não se apartará de Judá,nem o bastão de comandode seus descendentes,até que venha aquelea quem ele pertence,e a ele as nações obedecerão.
11Ele amarrará seu jumentoa uma videira;e o seu jumentinho,ao ramo mais seleto;lavará no vinho as suas roupas;no sangue das uvas,as suas vestimentas.
12Seus olhos serão mais escurosque o vinho;seus dentes, mais brancos que o leite.
13Zebulom morará à beira-mare se tornará um porto para os navios;suas fronteiras se estenderão até Sidom.
14Issacar é um jumento forte,deitado entre as suas cargas.
15Quando ele perceber como é bomo seu lugar de repousoe como é aprazível a sua terra,curvará seus ombros ao fardoe se submeterá a trabalhos forçados.
16Dã defenderá o direito do seu povocomo qualquer das tribos de Israel.
17Dã será uma serpenteà beira da estrada,uma víbora à margem do caminho,que morde o calcanhar do cavaloe faz cair de costas o seu cavaleiro.
18Ó Senhor, eu espero a tua libertação!
19Gade será atacado por um bando,mas é ele que o atacará e o perseguirá.
20A mesa de Aser será farta;ele oferecerá manjares de rei.
21Naftali é uma gazela solta,que por isso faz festa.
22José é uma árvore frutífera,árvore frutífera à beira de uma fonte,cujos galhos passam por cima do muro.
23Com rancor arqueiros o atacaram,atirando-lhe flechas com hostilidade.
24Mas o seu arco permaneceu firme;os seus braços continuaram fortes, ágeis para atirar,pela mão do Poderoso de Jacó,pelo nome do Pastor, a Rocha de Israel,
25pelo Deus de seu pai, que ajuda você,o Todo-poderoso, que o abençoacom bênçãos dos altos céus,bênçãos das profundezas,bênçãos da fertilidade e da fartura.
26As bênçãos de seu pai são superioresàs bênçãos dos montes antigos,às delícias das colinas eternas.Que todas essas bênçãos repousemsobre a cabeça de José,sobre a fronte daquele que foi separadode entre os seus irmãos.
27Benjamim é um lobo predador;pela manhã devora a presae à tarde divide o despojo”.
A morte de Jacob
28São esses os que formaram as doze tribos de Israel, e foi isso que seu pai lhes disse, ao abençoá-los, dando a cada um a bênção que lhe pertencia.
29A seguir, Jacó deu-lhes estas instruções: “Estou para ser reunido aos meus antepassados. Sepultem-me junto aos meus pais na caverna do campo de Efrom, o hitita,
30na caverna do campo de Macpela, perto de Manre, em Canaã, campo que Abraão comprou de Efrom, o hitita, como propriedade para sepultura.
31Ali foram sepultados Abraão e Sara, sua mulher, e Isaque e Rebeca, sua mulher; ali também sepultei Lia.
32″Tanto o campo como a caverna que nele está foram comprados dos hititas”.
33Ao acabar de dar essas instruções a seus filhos, Jacó deitou-se, expirou e foi reunido aos seus antepassados.
Gênesis 50
1José atirou-se sobre seu pai, chorou sobre ele e o beijou.
2Em seguida, deu ordens aos médicos, que estavam ao seu serviço, que embalsamassem seu pai Israel. E eles o embalsamaram.
3Levaram quarenta dias completos, pois esse era o tempo para o embalsamamento. E os egípcios choraram sua morte setenta dias.
4Passados os dias de luto, José disse à corte do faraó: “Se posso contar com a bondade de vocês, falem com o faraó em meu favor. Digam-lhe que
5meu pai fez-me prestar-lhe o seguinte juramento: ‘Estou à beira da morte; sepulte-me no túmulo que preparei para mim na terra de Canaã’. Agora, pois, peçam-lhe que me permita partir e sepultar meu pai; logo depois voltarei”.
6Respondeu o faraó: “Vá e faça o sepultamento de seu pai como este o fez jurar”.
7Então José partiu para sepultar seu pai. Com ele foram todos os conselheiros do faraó, as autoridades da sua corte e todas as autoridades do Egito,
8e, além deles, todos os da família de José, os seus irmãos e todos os da casa de seu pai. Somente as crianças, as ovelhas e os bois foram deixados em Gósen.
9Carruagens e cavaleiros também o acompanharam. A comitiva era imensa.
10Chegando à eira de Atade, perto do Jordão, lamentaram-se em alta voz, com grande amargura; e ali José guardou sete dias de pranto pela morte do seu pai.
11Quando os cananeus que lá habitavam viram aquele pranto na eira de Atade, disseram: “Os egípcios estão celebrando uma cerimônia de luto solene”. Por essa razão, aquele lugar, próximo ao Jordão, foi chamado Abel-Mizraim.
12Assim fizeram os filhos de Jacó o que este lhes havia ordenado:
13Levaram-no à terra de Canaã e o sepultaram na caverna do campo de Macpela, perto de Manre, que, com o campo, Abraão tinha comprado de Efrom, o hitita, para que lhe servisse de propriedade para sepultura.
14Depois de sepultar seu pai, José voltou ao Egito, com os seus irmãos e com todos os demais que o tinham acompanhado.
15Vendo os irmãos de José que seu pai havia morrido, disseram: “E se José tiver rancor contra nós e resolver retribuir todo o mal que lhe causamos?”
16Então mandaram um recado a José, dizendo: “Antes de morrer, teu pai nos ordenou
17que te disséssemos o seguinte: ‘Peço-lhe que perdoe os erros e pecados de seus irmãos que o trataram com tanta maldade!’ Agora, pois, perdoa os pecados dos servos do Deus do teu pai”. Quando recebeu o recado, José chorou.
18Depois vieram seus irmãos, prostraram-se diante dele e disseram: “Aqui estamos. Somos teus escravos!”
19José, porém, lhes disse: “Não tenham medo. Estaria eu no lugar de Deus?
20Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem, para que hoje fosse preservada a vida de muitos.
21Por isso, não tenham medo. Eu sustentarei vocês e seus filhos”. E assim os tranquilizou e lhes falou amavelmente.
A morte de José
22José permaneceu no Egito, com toda a família de seu pai. Viveu cento e dez anos
23e viu a terceira geração dos filhos de Efraim. Além disso, recebeu como seus os filhos de Maquir, filho de Manassés.
24Antes de morrer José disse a seus irmãos: “Estou à beira da morte. Mas Deus certamente virá em auxílio de vocês e os tirará desta terra, levando-os para a terra que prometeu com juramento a Abraão, a Isaque e a Jacó”.
25E José fez que os filhos de Israel lhe prestassem um juramento, dizendo-lhes: “Quando Deus intervier em favor de vocês, levem os meus ossos daqui”.
26Morreu José com a idade de cento e dez anos. E, depois de embalsamado, foi colocado num sarcófago no Egito.
Anterior Próximo