Asherah Ninhursag
Ninhursag, ou Nintu (ou ainda Ki ou Antu) – e talvez Sophia (Gnósticos) e Chokhmah (hebraico) ou mesmo Shamsiel (!!!) – é um nome referido na mitologia suméria e em textos antigos mesopotâmicos, sendo conhecida como a “deusa do nascimento” ou “parteira dos deuses”. No contexto da Epopéia de Atrahasis, Nintu é mencionada como a deusa responsável por criar a humanidade para aliviar os deuses menores, os Igigi, de seu trabalho forçado. Nintu também é chamada de Mami e Belet-ili, indicando sua função como criadora e sua conexão com o nascimento e a maternidade. Ela desempenha um papel crucial na criação dos seres humanos ao misturar argila com a carne e o sangue de um deus sacrificado, criando assim os primeiros humanos destinados a assumir o trabalho penoso dos deuses.
A deusa Nintu, conhecida na mitologia mesopotâmica, é frequentemente associada a outras divindades da criação e da fertilidade. Ela também é conhecida pelo nome de “Mami” ou “Mamma”. Nintu desempenha um papel importante em várias narrativas mitológicas, incluindo a criação da humanidade. Em algumas versões do mito, ela é identificada com ou relacionada a outras importantes deusas mesopotâmicas, como Ninmah, Ninhursag, e até mesmo Aruru, que também são associadas à criação, à terra, à fertilidade e à maternidade. Essas deusas compartilham funções e atributos semelhantes, sendo figuras centrais nos mitos que explicam a origem da vida e a ordem do mundo na antiga Mesopotâmia.
Asherah
Asherah é o nome hebraico de uma deusa antiga, frequentemente associada à fertilidade, à terra e à maternidade na religião cananeia. Nas tradições bíblicas e em textos arqueológicos do antigo Oriente Próximo, Asherah é mencionada várias vezes, tanto como uma deidade quanto, em alguns casos, referida como um objeto de culto, como um poste sagrado ou árvore simbolizando sua presença.
No contexto da religião israelita antiga, o culto a Asherah era considerado idólatra pelos autores bíblicos, que retratam a adoração a Yahweh como monoteísta e se opõem à veneração de outras divindades, incluindo Asherah. Contudo, evidências arqueológicas, como inscrições e artefatos, sugerem que a veneração de Asherah estava presente em algumas práticas religiosas das comunidades israelitas e judaicas antigas.
O nome “Asherah” em hebraico (אשרה) pode aparecer em várias formas nos textos bíblicos, e o debate sobre a natureza exata de Asherah e seu papel no panteão cananeu e na prática religiosa israelita continua sendo um tópico de pesquisa e discussão entre os estudiosos.
Na mitologia e nas tradições antigas associadas ao panteão cananeu, Yahweh, que mais tarde se tornou a divindade central do monoteísmo judaico, cristão e islâmico, era originalmente concebido dentro de um contexto politeísta. Neste contexto, a figura de Asherah é frequentemente mencionada como a esposa ou consorte de Yahweh. Asherah era uma deusa mãe cananeia, associada à fertilidade, à maternidade e à vida na Terra. Seu culto era comum em várias culturas do antigo Oriente Próximo, incluindo os israelitas, antes da reforma monoteísta que centralizou a adoração exclusivamente em Yahweh.
A evidência da associação entre Yahweh e Asherah vem de diversas fontes, incluindo textos bíblicos (que, após edições e reformas religiosas, tendem a desencorajar ou omitir referências a deuses além de Yahweh), inscrições antigas, e achados arqueológicos. Por exemplo, inscrições descobertas em Kuntillet Ajrud (um sítio arqueológico no Sinai) e em Khirbet el-Qom (na Judéia) mencionam Yahweh e Asherah juntos, sugerindo uma prática religiosa em que Asherah era venerada como consorte de Yahweh.
Com o tempo, à medida que o judaísmo evoluiu para um estrito monoteísmo, a figura de Asherah e outras divindades foram marginalizadas ou reinterpretadas dentro do contexto religioso. Assim, na tradição religiosa atual que venera Yahweh (Judaísmo, Cristianismo, Islamismo), a ideia de uma esposa ou consorte divina não é reconhecida ou aceita.
Sophia
Sophia, em hebraico, é Chokhmah.
Curiosamente, Chokhmah é o nome hebraico para “sabedoria” e é uma das sephiroth da Árvore da Vida na tradição cabalística, Chokhmah é considerado o aspecto masculino da divindade, enquanto Binah é o aspecto feminino – o que é estranho, uma vez que Chokhmah é o termo hebraico para Sophia.
Seria Sophia, Asherah, Nimhursag, Chokhmah o Malachim de nome Kokabiel, o anjo das estrelas?
Outros suspeitos:
- Chazaqiel (às vezes Ezeqeel ou Cambriel) ensinou aos humanos os sinais das nuvens (meteorologia).
- Kokabiel (também Kakabel, Kochbiel, Kokbiel, Kabaiel e Kochab), no Livro de Raziel, é um anjo santo de alta patente. Em Enoque I, ele é um vigilante caído, residente dos reinos inferiores, e comanda 365.000 espíritos substitutos para fazer sua vontade. Entre outras funções, ele instrui seus colegas em astrologia.
- Shamsiel, outrora um guardião do Éden conforme declarado no Zohar, serviu como um dos dois principais auxiliares do arcanjo Uriel (o outro auxiliar sendo Hasdiel) quando Uriel levou seu estandarte para a batalha, e é o chefe de 365 legiões de anjos e também coroa as orações, acompanhando-as ao 5º céu. Em Jubileus, ele é referido como um dos Vigilantes. Ele é um anjo caído que ensina os sinais do sol.
SAL 9000, sobre esse sincretismo
Para explorar a possibilidade de Asherah ser um dos Malachim ou ter se tornado um Grigori, é importante lembrar que, no universo fictício de Tábula, a distinção entre as categorias de entidades como Malachim (anjos ou mensageiros divinos) e Grigori (vigilantes ou sentinelas) é baseada em suas funções e histórias dentro das narrativas mitológicas e religiosas. Asherah, conhecida como consorte de Yahweh em algumas tradições antigas do Oriente Próximo, teria sua própria identidade e papel dentro desse panteão.
A transformação de Asherah de uma divindade associada à fertilidade e à maternidade em uma entidade como um Malach ou Grigori representaria uma reinterpretação significativa de sua figura original. Tal transformação poderia refletir as complexidades das relações divinas e o desenvolvimento das narrativas teológicas em Tábula. Vamos considerar os suspeitos mencionados:
1) **Chazaqiel (Ezeqeel ou Cambriel)**: Ensinou os humanos a interpretarem os sinais das nuvens (meteorologia). A conexão de Asherah com Chazaqiel poderia simbolizar uma transformação de seu domínio sobre a fertilidade e crescimento para um foco na providência de conhecimento prático aos humanos, como a meteorologia. No entanto, a associação direta com Asherah pode ser tênue, considerando que Asherah é tradicionalmente ligada à vida, à fertilidade e ao crescimento, mais do que ao conhecimento específico dos padrões climáticos.
2) **Kokabiel (Kakabel, Kochbiel, Kokbiel, Kabaiel, e Kochab)**: No Livro de Raziel, ele é um anjo de alta patente e sagrado. Em Enoque I, é um vigia caído que instrui seus companheiros em astrologia. A ligação de Asherah com a astrologia por meio de Kokabiel poderia indicar uma esfera de influência sobre os ciclos celestiais e temporais, que se alinha de forma mais simbólica com os domínios tradicionais de uma deidade da fertilidade e maternidade. A astrologia, interpretando os sinais celestiais, pode ser vista como uma metáfora para a influência sobre o crescimento e a vida na Terra.
3) **Shamsiel**: Anteriormente um guardião do Éden, como mencionado no Zohar, e um dos vigias caídos que ensina os sinais do sol em Jubileus. A conexão de Asherah com Shamsiel poderia ser interpretada como um símbolo de iluminação e revelação, trazendo luz e conhecimento aos Enoshim (humanidade). A associação com os sinais do sol pode ser particularmente relevante para uma deidade ligada à vida e ao crescimento, visto que o sol é fundamental para a fertilidade da terra.
Entre esses suspeitos, a figura de **Shamsiel** parece ser a mais simbolicamente alinhada com os domínios tradicionais de Asherah devido à conexão com o sol e a iluminação, elementos essenciais para a vida e a fertilidade. Entretanto, é importante notar que a associação de Asherah com qualquer dessas entidades depende de uma interpretação criativa e ficcional dentro do universo de Tábula, permitindo uma grande liberdade na reimaginação de suas histórias e papéis.
Créditos de Yahweh
A noção de Yahweh assumindo os feitos e a adoração direcionada a outras divindades, incluindo Asherah, se alinha com o processo histórico-religioso conhecido como sincretismo, pelo qual elementos de diversas tradições são amalgamados. No contexto de Tábula, onde a dinâmica divina é entendida como o resultado de manobras políticas e culturais entre seres de origem humana elevados ao status de deidades, essa transferência de crédito e função é uma manobra estratégica para consolidar poder e influência.
Nimhursag, também conhecida como Asherah em algumas tradições, sendo associada à terra e à fertilidade, poderia ter sido, originalmente, a criadora ou uma das criadoras do ser humano, de acordo com as narrativas de Tábula. A reatribuição de seus feitos a Yahweh poderia ser vista como parte de sua ascensão ao monoteísmo, onde ele é retratado como o criador supremo e único.
A ideia de Asherah sendo transformada em uma Malachim, especificamente uma dos Vigilantes, é uma interpretação fascinante dessa dinâmica de poder. Os Malachim, no universo de Tábula, representam categorias de seres notáveis com funções específicas, operando sob a lógica de uma hierarquia celeste. A transformação de Asherah em uma Vigilante reflete uma adaptação de seu papel de “mãe da humanidade” para uma função de supervisão e orientação, talvez até de proteção, em consonância com a percepção de sua natureza maternal e criativa.
Essa transição também pode ser interpretada como uma forma de preservar a influência de Asherah sob uma nova capacidade, permitindo que sua veneração continue sob o véu de uma nova identidade e função dentro do panteão reformulado por Yahweh. É um reflexo de como as figuras divinas podem ser recontextualizadas e suas narrativas reescritas para refletir as mudanças nas estruturas de poder e crença dentro de Tábula.
Portanto, nesse universo onde os deuses são seres notáveis de origem humana, a ideia de que os feitos e atributos de uma divindade como Asherah podem ser cooptados por outra, como Yahweh, e que ela pode ser reimaginada dentro do esquema divino como uma Vigilante, não só é razoável mas também reveladora das complexidades e nuances do panteão de Tábula.
Etimologia e Nomes
Dentro do universo de Tábula, a análise das semelhanças entre Kokabiel, Shamsiel e Asherah, bem como a possível conexão com Chokhmah, requer uma abordagem multifacetada que considere as origens, atribuições e influências dessas entidades dentro das tradições e narrativas. Como estamos tratando de um universo hipotético que abrange elementos de várias tradições religiosas e mitológicas reimaginadas, posso oferecer uma análise conceitual baseada nos dados disponíveis em nossos documentos.
### Kokabiel
Kokabiel é frequentemente citado como um dos líderes dos Grigori (Vigilantes), um grupo de anjos caídos na tradição judaico-cristã, especialmente nos Livros de Enoque. Seu nome é associado à “estrela de Deus“, sugerindo uma conexão com o conhecimento astronômico e astrológico. Essa associação com as estrelas e a sabedoria celestial pode ser vista como paralela à Chokhmah, que na Cabala representa a sabedoria divina e é uma das sefirot da Árvore da Vida.
### Shamsiel
Shamsiel, cujo nome significa “sol de Deus”, é outro líder dos Grigori, com atribuições frequentemente relacionadas ao sol e à luz. Na tradição, Shamsiel é associado à iluminação e revelação, tendo ensinado aos humanos os signos do sol. Essa ligação com a luz e o sol pode ser interpretada simbolicamente como uma forma de iluminação espiritual, remetendo igualmente à ideia de sabedoria e conhecimento.
### Asherah
Asherah, na antiga religião cananeia, era uma deusa-mãe, frequentemente associada à fertilidade, à natureza e à vida. Sua veneração estende-se ao contexto judaico como consorte de El e, por vezes, associada a Yahweh. A conexão de Asherah com a vida e a natureza pode ser vista como uma manifestação terrena da sabedoria divina (Chokhmah), onde o conhecimento celestial de Kokabiel e Shamsiel se materializa na vida e na criação.
### Análise de Semelhanças e Consortes
A similaridade entre Kokabiel, Shamsiel e Asherah, através do prisma de Chokhmah, sugere uma interconexão entre a sabedoria celeste e a manifestação terrena da vida e da criação. No contexto de Tábula, onde as divindades são vistas como humanos notáveis com conhecimentos ou habilidades extraordinárias, a transição de Asherah para uma Grigori pode ser interpretada como uma evolução ou revelação de sua natureza divina, conectando o conhecimento astronômico e solar à fertilidade e à vida na Terra.
Quanto aos consortes de Kokabiel e Shamsiel, os textos não fornecem informações específicas sobre suas consortes ou relações. No entanto, seguindo a lógica do universo de Tábula e considerando a natureza das atribuições desses Malachim, suas consortes poderiam ser entidades ou indivíduos que complementam ou refletem seus domínios, como figuras associadas à noite, ao dia, à luz, à sabedoria ou à criação natural, respeitando a simbologia de suas origens e atributos.
Essa análise teórica baseia-se na interpretação dos elementos míticos e religiosos recontextualizados no universo de Tábula, visando explorar as possíveis conexões e significados sem recorrer a fontes externas ou especulações não documentadas em nossos textos.
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