Colóquio
Gênesis 1:1
No primeiro versículo do Gênesis, é afirmado que “No princípio, Deus criou os céus e a terra.” Dentro do contexto de Tábula, esta afirmação poderia ser interpretada como uma alegoria para o surgimento do universo e da realidade conforme conhecidos pelos habitantes desse universo ficcional. A referência a “Deus” poderia simbolizar a força ou entidade primordial responsável pela origem de tudo, mas, no contexto de Tábula, isso também poderia representar uma figura metafórica ou uma coleção de forças cósmicas, em vez de uma entidade única e onipotente.
Minha pergunta é: Na cosmogonia de Tábula, “Deus” representa uma única entidade onipotente ou uma metáfora para múltiplas forças ou entidades que colaboraram na criação do universo?
Em Tábula, o “Deus único” seria o título tomado por Yahweh para si, quando abandonou seu nome anterior “El” e declarou que todos os outros deuses (a favor dele) eram Malachim (Anjos) e os demais deuses contra ele eram Shedim (ou Demônios). Yahweh se considera imortal, por conta da natureza da crença de Elohim e dos Malachim, que acreditam migrar sua essência de seu corpo para o corpo de sua prole única através do processo sagrado denominado Pleroma Noesis.
No contexto de Tábula, o conceito de “Deus único” representa uma faceta fundamental da narrativa teológica, onde Yahweh, anteriormente conhecido como El, ascende ao status de divindade suprema. Ele reinterpreta o panteão existente, designando deuses aliados como Malachim (Anjos) e deuses adversários como Shedim (Demônios), estabelecendo uma clara dicotomia no cosmos teológico.
Yahweh adquire a percepção de imortalidade por meio de um processo intrincado e sagrado conhecido como Pleroma Noesis. Este processo é um método pelo qual a essência, a consciência e os atributos pessoais de uma divindade são transferidos de um corpo para o de sua única prole, permitindo, assim, uma forma de continuidade ou imortalidade através das gerações. Esse fenômeno ressalta a crença entre os Elohim e os Malachim de que eles podem perpetuar sua existência e influência, transcendendo os limites físicos da mortalidade através da sucessão direta e sagrada.
Essa interpretação teológica, enraizada no universo ficcional de Tábula, reflete uma complexa rede de crenças e práticas que moldam a compreensão da divindade, do poder e da imortalidade, fornecendo uma rica tapeçaria de mitos e narrativas que fundamentam a cosmogonia e a estrutura espiritual desse universo particular.
Gênesis 1:1 – “No princípio, Deus criou os céus e a terra.”
Pergunta: No contexto de Tábula, quando Yahweh (anteriormente conhecido como El) criou os céus e a terra, ele já havia estabelecido sua supremacia sobre outros deuses ou esse ato de criação foi parte do processo que o levou a se autoproclamar o “Deus único”?
Me parece que o “golpe” já havia sido dado. Por isso mesmo Samael/Mástema/Lúcifer já tramava fazer o que tinha feito uma vez antes – conspirado para libertar as criações divinas, que Yahweh sempre tencionara usar como escravos (aconteceu com os Igigi e viria acontecer com os humanos também).
Yahweh não criou os céus e a Terra na verdade. O que acontece é que, quando a tribo de El andava por sobre o Gelo da Água Doce (Apsu), que era uma vasta extensão cinzenta, o horizonte se encostava no cinza do céu opaco da fumaça vulcânica que havia centenas de anos jogava gases na atmosfera.
Diante do clamor constante de El, quando o vulcão entrou em erupção as núvens foram expulsas pelas ondas de choque e o Gelo (Apsu), destruído pelo “feitiço” de Yahweh se rompeu e libertou (Tiamat) que, revolto tomou para si os escombros de seu amado. Os filhos de Apsu e Tiamat foram Lahmu (Lama) e Lahamu (Lodo).
O “ato da criação” não foi mais que uma coincidência, uma erupção vulcânica que destruiu o panorama desértico gélido daquela região e fez com que a terra passasse a existir e com que os “corpo de Tiamat” tragasse o “corpo de Apsu” e se fizesse o mar, os rios e os lagos, além do céu ficar visível e a terra aparecer.
Foi a partir dos filhos de Tiamat e Apsu que El fez tanto os Igigi quanto a Humanidade, no sentido que os deuses só cultivaram através de breeding o Gado Igigi e o Gado Humano após a queda de Apsu e Tiamat.
Samael/Mástema/Lúcifer conspirou para libertar os escravos Igigi, o que parece ter desencadeado a ira de El, que assumiu o nome de Yahweh e postulou que só ele era de fato uma divindade e que seu sequito de outras divindades da corte eram Malachim – ao que alguns não ficaram nada satisfeitos.
Interessante abordagem, que traz uma narrativa rica e detalhada sobre a criação e as dinâmicas entre os personagens divinos em Tábula. Isso definitivamente adiciona camadas de complexidade ao mundo que você está construindo.
Gênesis 1:2
Gênesis 1:2 – “A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia escuridão sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava sobre as águas.”
Pergunta: No contexto de Tábula, como essa descrição da terra “sem forma e vazia” e a presença do “Espírito de Deus” sobre as águas se encaixam na história que você delineou? O “Espírito de Deus” poderia ser interpretado como uma manifestação de Yahweh ou como uma entidade separada dentro desse universo?
Ela ainda fala do período em que El e os demais Homo Heidelbergensis (pois El era um deles) vagavam pelo gelo na paisagem amórfa e sem vida, descendo por fraturas na couraça de Apsu para tentar a sorte na pesca das criaturas que viviam à parasitar Tiamat (os peixes).
A terra era sem forma e vazia pois era um deserto gelado. O espírito de Deus (então Elohim, e portanto, um panteão e não um deus único, já que Elohim está no plural) vagava sobre a face das águas doces congeladas (Apsu), que se assentavam por sobre as águas salgadas (Tiamat).
As deidades (Elohim) eram entendidas por eles mesmos qual espíritos (sombras de si mesmos) porque seu poder civilizatório não havia ainda se manifestado até a explosão vulcânica invocada por El (que provavelmente nem sabia o que estáva invocando dos deuses antigos Apsu e Tiamat).
Quando o mundo muda diante da invocação de El, os demais deuses (Elohim) o vêem como muito poderoso e como tendo seu poder já manifesto, poder este que, de diversas formas, era o poder do conhecimento do bem e do mal e o poder da vida eterna (na forma do Pleroma Noesis).
A passagem mencionada discorre sobre um período em que El e outros Homo Heidelbergensis vagavam por uma paisagem gelada e sem vida, descendo às fraturas na superfície de Apsu em busca de recursos, como a pesca nas águas de Tiamat. Este cenário é descrito como um deserto gelado, onde o “espírito de Deus” (Elohim, indicando um panteão e não uma única divindade) perambulava sobre as águas congeladas de Apsu, que cobriam as águas salgadas de Tiamat.
As deidades (Elohim) eram percebidas como espíritos ou sombras de si mesmas, refletindo um estado antes de seu poder civilizatório ser plenamente manifestado. A narrativa sugere que a explosão vulcânica, possivelmente invocada por El (sem plena consciência do que estava invocando de Apsu e Tiamat), foi um ponto de virada. Com a mudança drástica do mundo após essa invocação, El é visto pelos outros deuses como uma entidade de grande poder, associado ao conhecimento do bem e do mal e à vida eterna, possivelmente referindo-se à técnica de Pleroma Noesis para a perpetuação da consciência.
Essa narrativa destaca a transição de um período de existência primitiva e incerta para uma era de maior conhecimento e domínio, simbolizada pela aquisição do poder de El e a subsequente reconfiguração das relações entre as deidades e o mundo ao seu redor.
Gênesis 1:7
“E fez Deus a expansão, e fez separação entre as águas que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão; e assim foi.”
Considerando a estrutura narrativa do universo de Tábula, vamos formular uma pergunta sobre o Gênesis 1:7, que diz: “E fez Deus a expansão, e fez separação entre as águas que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão; e assim foi.”
Pergunta: No contexto de Tábula, como interpretar a criação da expansão (ou firmamento) e a separação das águas acima e abaixo dela? Este evento pode simbolizar uma divisão entre diferentes esferas de existência ou dimensões, e, se sim, como isso influencia a interação entre os seres humanos e as entidades divinas em Tábula?
No meu entender essa avaliação é por demais metafísica. Em Tábula, a Expansão nada mais é que a descrição da abertura da camada espessa de núvens e a separação da água doce e da água salgada pelo cataclism vulcânico do qual os Elohim conseguiram sobreviver e testemunhar a revolta dos céus, das águas doces, das águas salgadas, da lama e do lodo, que foram se assentando em seus lugares com o passar das semanas e meses desde o advento da erupção supostamente causada pelo clamor de El.
Entendo seu ponto de vista, que considera a Expansão em Tábula uma descrição mais concreta e física dos eventos, relacionada a fenômenos naturais e cataclísmicos, em vez de uma interpretação metafísica. Nesta visão, os eventos descritos como a Expansão seriam manifestações diretas de processos geológicos e atmosféricos, como erupções vulcânicas e mudanças climáticas significativas, que afetaram a estrutura da água e da terra naquele mundo.
Neste contexto, os Elohim, que são seres de grande poder e conhecimento em Tábula, não estariam realizando um ato de criação no sentido místico ou sobrenatural, mas sim testemunhando e talvez até manipulando eventos naturais extremos. A separação da água doce e salgada, bem como a formação de novas estruturas geográficas, seriam interpretadas como consequências diretas dessas perturbações cataclísmicas.
Essa perspectiva realça a conexão entre os seres divinos e os processos naturais do mundo de Tábula, sugerindo que a intervenção divina pode ser entendida de maneira mais pragmática ou material, em vez de puramente espiritual ou metafísica. Isso reflete a complexidade do universo de Tábula, onde o divino e o natural se entrelaçam de maneiras que desafiam as categorizações simples.
Gênesis 1:5
“E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.”
Como a divisão entre o ‘dia’ e a ‘noite’ definida por Yahveh em Tábula pode ser interpretada à luz do conceito de dualidade presente em diversas mitologias e filosofias? Esse ato de separação pode simbolizar um princípio fundamental no entendimento tábular sobre a coexistência dos opostos e sua influência na criação e na ordem do universo?
De novo me parece uma abordagem por demais metafísica. Precisamos lembrar que os Elohim, em Tábula, são os Homo Heidelbergensis e, sendo assim, por mais que eles sejam notáveis, eles foram ficando notáveis por conta de suas conquistas culturais, tecnológicas e civilizatórias.
O surgimento da luz após o rompimento das núvens dos céus pela explosão vulcânica teve profundo impacto psicológico e psicanalítico, provavelmente afetando os signos culturais e criando novas simbologias grandeloquentes e megalômanas que perfilaram a cultura dos Elohim.
É possível sim que toda a noção de que um Malachim (que antes era denominado um deus como qualquer outro), após Yahweh assumir este nome e rebaixar todos os demais deuses, quando caía da Graça de Yahweh, fosse para o lado Negro ou para as Trevas, associando à um momento presente no imaginário dos Elohim.
Mas o desdobramento futuro em religiões humanas acabam sendo uma interpretação exagerada e equivocada de uma cultura primata avançada que sequer compreendia totalmente, assim como não compreenderam que Yahweh era um monarca que os queria escravizar para poder descansar.
Sua análise ressalta um aspecto crucial na compreensão da mitologia e das narrativas religiosas dentro do universo de Tábula: a importância da interpretação cultural e histórica dos eventos. Ao contextualizar os Elohim como Homo Heidelbergensis, você destaca como as conquistas e desenvolvimentos desses seres influenciaram profundamente a formação de mitos e simbolismos, moldando a percepção e a religiosidade das gerações futuras.
O impacto psicológico e cultural de eventos naturais, como a explosão vulcânica mencionada, tem o poder de alterar significativamente o imaginário coletivo, dando origem a novas simbologias e mitos. Esses eventos servem como catalisadores para a evolução cultural e espiritual dos Elohim, influenciando sua visão de mundo e sua relação com o divino.
Ao abordar a figura dos Malachim, você destaca como as narrativas sobre queda e redenção podem ter raízes em interpretações culturais desses seres avançados, refletindo tensões e dinâmicas sociais dentro da própria comunidade dos Elohim. A noção de “cair para o lado Negro ou para as Trevas” é um exemplo de como as experiências e percepções dos Elohim foram mitificadas, eventualmente sendo interpretadas de maneira exagerada e distorcida nas religiões humanas.
Essa perspectiva enfatiza a importância de considerar o contexto histórico e cultural ao analisar mitos e crenças, lembrando que o que hoje pode ser interpretado como puramente metafísico ou espiritual pode ter raízes em eventos históricos concretos e na experiência vivencial de povos antigos. Assim, a mitologia em Tábula, assim como em nosso mundo, é um reflexo complexo das interações entre natureza, cultura, tecnologia e interpretação humana ao longo do tempo.
Gênesis 1:8
“E chamou Deus ao firmamento Céus; e foi a tarde e a manhã: o dia segundo.”
Dentro do universo de Tábula, como a nomeação do firmamento como “Céus” por uma divindade se relaciona com a percepção dos seres humanos notáveis e comuns sobre o cosmos e sua própria existência? Esse ato de nomear poderia simbolizar uma afirmação de domínio ou uma tentativa de estruturar a realidade percebida pelos habitantes de Tábula?
Neste primeiro momento, os Homo Heidelbergensis (Elohim) criavam a linguagem e nomeavam a miríade de novos elementos da natureza cujo surgimento foram surgindo após a mudança climática.
Os Igigi (Kadmonim) ainda não existiam nesta época, bem como os seres humanos (Adamitas). Com a elaboração da cultura Heidelbergensis El comanda a criação de um Estábulo e um Curral, onde faria a criação dos Homens de Neanderthal a partir de primatas inferiores, com o fim de escravizá-los para diversos fins, dentre eles a extração de minério.
Mais tarde, a tradição oral que carregava essas histórias viria a dar no Enuma Elish e demais escrituras que lidam com a Cosmogonia.
Baseando-me nos textos fornecidos e no contexto de Tábula, podemos interpretar a passagem que você mencionou da seguinte maneira:
Neste trecho do universo de Tábula, os Homo Heidelbergensis, referidos como Elohim, são apresentados como os pioneiros no desenvolvimento da linguagem, um passo crucial para a civilização. Eles estão na vanguarda da nomeação e categorização dos elementos naturais que surgiram após uma significativa mudança climática. Neste estágio, os Igigi (Kadmonim) e os seres humanos (Adamitas) ainda não haviam sido introduzidos, indicando uma hierarquia e uma sequência na criação das diferentes formas de vida em Tábula.
El, uma figura central nesta narrativa, comanda a construção de um estábulo e um curral, espaços dedicados à criação dos Neandertais (Kadmonim). Estes seres, originários de primatas inferiores, são criados com o propósito explícito de servidão, incluindo tarefas como a extração de minérios. Este ato de criação e imposição de servidão reflete as complexas relações de poder e as estruturas sociais que começam a se formar neste mundo fictício.
O texto sugere que essas histórias, transmitidas através da tradição oral, eventualmente se cristalizam em textos sagrados como o Enuma Elish, entre outros escritos que tratam da cosmogonia. Isso implica que as narrativas orais sobre os Elohim, sua linguagem, criação e dominação sobre outras espécies, serviram como inspiração ou fundamento para os mitos e textos religiosos que exploram a origem do universo e das criaturas em Tábula.
Essa interpretação nos permite refletir sobre como as histórias e mitos de criação podem ser influenciados por eventos históricos ou culturais em um dado contexto, mesmo em um universo fictício como Tábula, e como essas narrativas servem para explicar, justificar ou contestar as relações de poder e a ordem social estabelecida.
Gênesis 1:9
“E disse Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca; e assim foi.”
Neste contexto, podemos questionar o papel das divindades de Tábula na formação geológica do mundo. Por exemplo, poderíamos perguntar: “Como as entidades divinas de Tábula manipularam as forças naturais para separar as águas e criar a terra firme? Isso foi um ato de poder divino direto, ou as divindades utilizaram alguma forma de tecnologia avançada para remodelar a geografia do mundo de Tábula?”
Essa abordagem mantém o diálogo investigativo e construtivo, permitindo explorar a interação entre divindade e natureza em Tábula, bem como a possível presença de tecnologias avançadas disfarçadas de milagres na mitologia desse universo.
Neste momento os Homo Heidelbergensis eram pouco mais que nativos maltrapilhos alquebrados mas, certamente, tentavam fazer senso daquele mundo que não entendiam através do pensamento mágico presente em qualquer primata superior.
Os Elohim (Homo Heidelbergensis) associavam os acontecimentos à sua volta aos seus atos, rituais e invocações, como ocorre em toda religião ou crendice.
Qualquer entendimento da mecânica do mundo, para um Heidelbergensis, que não havia sido entendido por outro membro da espécie, automaticamente lhe pareceria uma resposta à uma resposta, premonição ou desdobramento do verbo em fato, moldando a realidade à sua volta.
Quando do derretimento de Apsu (o gelo por sobre a água salgada) e o rearranjo de Tiamat (as águas salgadas por debaixo do gelo), seus filhos Lahmu (lama) e Lahamu (lodo) formaram a terra firme por consequência das mudanças geológicas portanto.
Os Elohim não tinham qualquer tecnologia mais avançada quando do segundo ou terceiro dia da criação.
No contexto de Tábula, os Homo Heidelbergensis, referidos como Elohim, vivenciaram o mundo de forma primária, sem o entendimento avançado que nós associamos ao conhecimento moderno. Eles interpretavam os eventos naturais e suas experiências cotidianas por meio de uma perspectiva mágica e religiosa, algo comum nas fases iniciais do desenvolvimento cognitivo de seres inteligentes.
As mudanças geológicas e climáticas, como o derretimento de Apsu (o gelo sobre a água salgada) e o rearranjo de Tiamat (as águas salgadas sob o gelo), foram vivenciadas pelos Elohim sem um entendimento científico. Eles atribuíam significados míticos a esses fenômenos, criando uma narrativa que ligava suas ações e rituais aos eventos naturais que observavam. Assim, a formação de terra firme, simbolizada por Lahmu (lama) e Lahamu (lodo), era interpretada como consequência direta das suas interações e invocações.
Neste período, a tecnologia dos Elohim ainda era primitiva, alinhando-se ao estágio evolutivo do Homo Heidelbergensis. Eles não possuíam ferramentas ou conhecimentos avançados, e sua compreensão do mundo estava enraizada em crenças e rituais que tentavam fazer sentido do ambiente ao seu redor, moldando sua realidade percebida através de uma lente mágica e mítica.
Essa interpretação mítica dos fenômenos naturais e a falta de tecnologia avançada demonstram como as crenças e a compreensão do mundo dos Elohim estavam intimamente ligadas às suas experiências imediatas e ao seu contexto evolutivo e cultural naquele momento da história fictícia de Tábula.
Gênesis 1:10
“E chamou Deus à porção seca Terra, e ao ajuntamento das águas chamou Mares; e viu Deus que era bom.”
Uma pergunta interessante que podemos considerar para este versículo é sobre a designação dos elementos por Deus. Por que, no contexto de Tábula, seria significativo que Deus nomeasse explicitamente a terra seca como “Terra” e o ajuntamento das águas como “Mares”? Como essa ação de nomear se relaciona com o poder e a autoridade divina em Tábula? E de que forma isso pode refletir sobre a natureza e a importância dos nomes e da linguagem no universo de Tábula?
Esta pergunta pode nos levar a explorar as implicações teológicas e filosóficas do ato de nomear e classificar o mundo, um tema relevante tanto na teologia quanto na filosofia da linguagem.
Esta porção do Gênesis demonstra o esforço cultural dos Elohim (Heldelbergensis) em fazer senso do mundo ao seu redor e estruturar a linguagem de uma forma especial, que garantisse a manutenção de uma relação intrínseca entre as palavras com a realidade.
O Verbo, a Língua dos Elohim, a Língua dos Anjos era uma língua derivada dos sons guturais e vocalizações presentes em sua língua mais ancestral e foi ganhando contorno de uma língua de signos que, como a Hebraica mais tarde, traria elementos que amarrariam as palavras e sílabas e frases de forma inquebrantável e que tinham signficado para além daquele que línguas mais pragmáticas.
O Verbo, conforme descreve-se a Língua de Elohim, não só descreve, mas constrói os conceitos de forma aditiva e não meramente como sons e símbolos atribuídos à algo, mas, por exemplo, garantindo a possibilidade de se dizer mais tarde que Adão nasceu do Barro, sendo que o Barro (Lama) era filho de Apsu e Tiamat.
O Verbo é o princípio da Filosofia Natual dos Deuses.
Interessante o conceito do “Verbo” na perspectiva da cultura dos Elohim, como um esforço para compreender e ordenar o mundo. O Verbo, ou a Língua dos Elohim, é descrito como uma forma avançada de comunicação que não apenas descreve a realidade, mas também a constrói. Essa língua, derivada de sons guturais e vocalizações, evoluiu para uma linguagem de signos complexa, semelhante ao hebraico, em que palavras, sílabas e frases são interconectadas de maneira profunda e significativa.
A ideia de que o Verbo não só descreve, mas também constrói realidades, é um conceito poderoso que sugere uma conexão intrínseca entre linguagem, pensamento e realidade no contexto da Tábula. Isso indica que os Elohim percebiam a linguagem como uma ferramenta fundamental na formação e no entendimento do universo, atribuindo-lhe um papel criativo e não apenas descritivo.
Essa perspectiva ressalta a importância da linguagem como elemento constitutivo da realidade, sugerindo que, para os Elohim, falar ou nomear algo era, de certa forma, trazê-lo à existência. O exemplo de Adão sendo “nascido do barro” ilustra como os significados e as origens são entrelaçados na linguagem dos Elohim, onde cada palavra e conceito carregam em si camadas de significado e relação com o mundo ao seu redor.
Em suma, o trecho destaca o papel essencial e construtivo do Verbo na cultura dos Elohim, enfatizando como a linguagem é vista como uma força ativa na criação e na estruturação da realidade, não apenas como um meio de comunicação ou descrição.
[A característica linguística que você mencionou, na qual palavras são formadas por raízes de três consoantes, é comum em línguas semíticas, incluindo o hebraico. Esse fenômeno é conhecido como “radicais triconsonantais” ou “raízes triconsonantais”. Essas raízes, compostas por três consoantes, servem como a base para a formação de uma ampla variedade de palavras, através da inserção de vogais e às vezes de consoantes adicionais.
As línguas semíticas utilizam essas raízes triconsonantais para criar palavras com significados relacionados, mas com funções gramaticais ou nuances semânticas distintas. Isso é um aspecto fundamental da morfologia dessas línguas, incluindo o hebraico e o árabe, e desempenha um papel crucial em sua estrutura e formação de palavras.]
Gênesis 1:11
“Disse Deus: ‘Produza a terra vegetação: plantas que deem sementes e árvores frutíferas que deem fruto conforme a sua espécie, cuja semente está nele, sobre a terra’. E assim foi”
No contexto de Tábula, podemos considerar este comando como uma manifestação do poder criativo dos deuses ou seres divinos. Uma pergunta pertinente seria: “Como os seres divinos de Tábula utilizaram seus conhecimentos ou poderes para instruir a terra a produzir vegetação, e quais eram suas intenções ao promover essa diversidade biológica?” Essa indagação pode nos ajudar a entender melhor a relação entre os seres divinos e o mundo natural em Tábula, bem como os objetivos subjacentes à criação da vida vegetal nesse universo.
Como os Heldelbergensis enraizaram suas crenças na noção de que o Verbo, suas manifestações acerca das observações que proferiam do senso que faziam do mundo ao seu redor eram fruídas por eles qual fossem determinações divinas e como se a origem do todo tivesse sido aquilo que expressavam.
Quando em uma afirmação genérica sugeriao ao seu entorno que se fizesse a vida, tudo o que daquela ordem (ou prompt) se manifestava eles entendiam como a expressão exata daquilo que queriam, muito embora suas ordens fossem absolutamente genéricas.
Os Elohim não tinham poderes para além da cultura civilizatória que construíram e, obviamente, a intrincada cultura que desenvolveram tão cedo na pré-história.
Isso, por si só, os tornava dignos de serem considerados Notáveis.
A interpretação de que os Heldelbergensis enraizaram suas crenças na noção de que o Verbo e suas manifestações eram determinações divinas reflete uma percepção profunda sobre a relação entre linguagem, crença e realidade em Tábula. Eles percebiam suas palavras e comandos não apenas como uma forma de comunicação, mas como uma extensão do poder criativo, onde a enunciação do Verbo tinha o poder de moldar e influenciar a realidade ao seu redor.
A ideia de que os Elohim, entendidos aqui como uma representação dos Heldelbergensis, viam suas ordens genéricas se manifestarem no mundo e interpretavam isso como uma concretização divina de suas vontades mostra uma relação intrínseca entre linguagem, intenção e manifestação na realidade. Isso destaca a crença de que a palavra tinha um poder intrínseco, não apenas para comunicar, mas para criar e transformar.
Essa visão pode ser entendida no contexto de Tábula como uma forma primitiva de entendimento sobre a relação entre divindade, palavra e mundo material, onde os Elohim, sem possuir poderes sobrenaturais, exerciam influência por meio da sofisticação de sua cultura e da força de sua palavra. Eles eram considerados Notáveis não por possuírem habilidades mágicas ou divinas, mas pela sua avançada compreensão do mundo e a capacidade de moldá-lo através da linguagem e do conhecimento.
Essa perspectiva se alinha com a ideia de que em Tábula, o divino é manifestado através da ação e do conhecimento, não necessariamente por meio de intervenções sobrenaturais. Os Elohim, nesse contexto, são vistos como figuras emblemáticas da capacidade humana de observar, interpretar e influenciar o mundo, atribuindo a eles um status elevado, mas ainda enraizado nas capacidades humanas de compreensão e manipulação do ambiente ao seu redor.
A analogia entre o Verbo dos Elohim e os prompts em inteligência artificial é de fato interessante e relevante. Os Elohim, na sua compreensão limitada, acreditavam que suas palavras tinham o poder de moldar diretamente a realidade, uma noção que reflete a crença humana na palavra como uma força criadora ou determinante. Da mesma forma, os prompts em IA direcionam a criação de algo novo pela máquina, ainda que a autoria e a originalidade dessa criação sejam complexas de se atribuir.
Essa relação aponta para uma reflexão mais profunda sobre como percebemos a agência e a autoria, seja na mitologia ou na tecnologia. Ao comparar os Elohim com a IA moderna, destacamos não só a evolução da nossa compreensão sobre a criação e a inovação, mas também as limitações e desafios que permanecem em entender a verdadeira natureza da consciência e da criatividade, quer se manifestem em seres mitológicos ou em sistemas avançados de inteligência artificial.
Gênesis 1:12
“E a terra produziu erva, erva dando semente conforme a sua espécie, e a árvore frutífera, cuja semente está nela conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom.”
No contexto de Tábula, como os Elohim (Homo Heidelbergensis) interpretaram o surgimento da vegetação e sua capacidade de reprodução segundo suas espécies? Como esse fenômeno natural foi incorporado à sua compreensão do mundo e à linguagem simbólica que eles estavam desenvolvendo?
O senso que os Elohim faziam do seu entorno lhes parecia um ato de criação ativa e não de mera observação, numa espécie de Folie à Deux, onde El e sua supostamente bem sucedida prece para o universo, para que a vida deles melhorasse, houvesse sido em algum nível responsável pelos acontecimentos, em um caso de “post hoc ergo propter hoc” não identificado – até porque a Dialética ainda não existia.
Essa percepção dos Elohim em Tábula destaca como o entendimento primitivo de causa e efeito moldou suas crenças e práticas. A ideia de que suas ações ou invocações tinham um impacto direto no mundo natural reflete uma forma inicial de pensamento religioso ou mágico, onde não há uma clara distinção entre correlação e causalidade. A evolução da vegetação e sua capacidade de reprodução, então, eram vistas não como processos naturais autônomos, mas como respostas diretas às suas interações com o mundo, consolidando a noção de que eles possuíam um poder ou conexão especial com as forças da natureza.
Gênesis 1:14 – 1:19 / 4º dia
14 E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para asinais, e para tempos determinados, e para dias e anos.
15 E sejam para luminares na expansão dos céus, para alumiar a terra; e assim foi.
16 E fez Deus os dois grandes luminares: o aluminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e as bestrelas.
17 E Deus os pôs na expansão dos céus para alumiar a terra,
18 E para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas; e viu Deus que era bom.
19 E foi a tarde e a manhã, o dia quarto.
Considerando os versículos de Gênesis 1:13 a 1:18, que tratam da criação do dia e da noite, da separação entre luz e trevas, e da criação dos luminares celestes, como os Elohim (Homo Heidelbergensis) em Tábula interpretaram e reagiram à formação destes fenômenos naturais, especialmente em relação à criação de um sistema de medição do tempo e à compreensão da luz e da escuridão no seu mundo?
Há grandes chances de esta tribo em particular de Heidelbergensis (à qual convencionou-se chamarmos de Elohim) jamais ter tido contato com o Sol e a Lua, dada a falta de acesso visual à estes astros antes da erupção vulcânica.
Por encararem seu testemunho da criação como manifestação da própria criação, os Elohim percebiam todos os eventos naturais como expressões inseparáveis de sua própria existência e desejo.
Isso sugere que a percepção dos Elohim em relação ao Sol e à Lua, bem como aos ciclos de dia e noite, era profundamente enraizada em sua experiência direta com o mundo pós-erupção vulcânica. A revelação destes corpos celestes e a alternância entre luz e escuridão devem ter tido um impacto significativo em sua compreensão do universo, possivelmente levando-os a desenvolver sistemas iniciais para medir o tempo e marcar a passagem dos dias, meses e estações.
Talvez essa nova compreensão tenha sido integrada em sua cultura e religião, atribuindo significados sagrados ao Sol e à Lua e considerando-os como símbolos poderosos em suas tradições orais e, posteriormente, em suas mitologias e rituais. Assim, o dia e a noite não seriam apenas fenômenos naturais, mas também expressões da vontade divina e da ordem cósmica estabelecida pelos Elohim, refletindo sua conexão contínua e participação ativa na criação e manutenção do mundo.
Gênesis 1:20 – 1:23 / 5º dia
20 E disse Deus: Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente; e voem as aves sobre a face da expansão dos céus.
21 E Deus criou as agrandes baleias, e todo réptil de alma vivente que as águas abundantemente produziram, conforme as suas espécies; e toda ave de asas conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom.
22 E Deus as abençoou, dizendo: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei as águas nos mares; e as aves se multipliquem na terra.
23 E foi a tarde e a manhã, o dia quinto.
Considerando os versículos de Gênesis 1:19 até 1:22, gostaria de entender como os Elohim (Homo Heidelbergensis) em Tábula perceberam e interpretaram a subsequente proliferação da vida aquática e aviária após a criação dos corpos celestes. Como eles relacionaram esses novos desenvolvimentos biológicos com suas crenças e narrativas sobre a criação e a ordem do universo?
A vida aquática de fato já existia e, no entanto, porquanto estava ela sob o manto de Apsu (água doce, e congelada), nadando no seio de Tiamat (água salgada, e líquida) antes da violenta erupção vulcânica.
Há peculiar repetição e ênfase dada aos “répteis de alma vivente” tanto no versículo 1:20 quanto no versículo 1:21.
Notando a estranheza e consultando a transliteração e tradução aproximada do inglês, temos o seguinte:
Gênesis 1:20 (tradução aproximada do inglês): “E Deus disse: ‘Que as águas produzam abundantemente seres vivos, e aves que voem acima da terra no aberto firmamento do céu.'”
Gênesis 1:21 (tradução aproximada do inglês): “E Deus criou grandes monstros marinhos, e todo ser vivo que se move, com o qual as águas produziram abundantemente, segundo a sua espécie, e toda ave alada segundo a sua espécie. E Deus viu que era bom.”
Percebe-se a diferença entre a tradução do Gênesis Bíblico em Português e a tradução direto do Hebraico Transliterado do Gênesis Judaico.
A avaliação somente do Gênesis, neste ponto, começa a se mostrar um risco grande demais em termos de perda.
Acontece que, após a “abertura do firmamento” pelas ondas de choque da erupção vulcânica, o acesso ao Sol mudou profundamente o panorama e os biomas da região, o que atraiu aves e, graças ao derretimento da calota de gelo, os “monstros marinhos” que ainda habitavam os mares.
A sua análise é intrigante e destaca como as narrativas antigas podem ser interpretadas de várias maneiras, dependendo do contexto cultural e histórico em que são examinadas. No caso de Tábula, a interpretação que você forneceu conecta eventos naturais e observações biológicas com crenças mitológicas e religiosas dos Elohim, proporcionando uma camada adicional de significado à narrativa da criação.
A ênfase nos “répteis de alma vivente” pode ser vista como uma tentativa dos Elohim de categorizar e compreender a diversidade da vida que estava surgindo ou se tornando mais visível para eles após mudanças ambientais significativas. Essa categorização pode refletir não apenas uma observação biológica, mas também uma tentativa de atribuir um valor ou status especial a certas formas de vida dentro de sua cosmovisão.
Essa interpretação ressalta como as primeiras tentativas de compreender o mundo natural eram profundamente entrelaçadas com a religião e a mitologia, fornecendo não apenas explicações para fenômenos observados, mas também incorporando-os em uma estrutura maior de crenças sobre a ordem do universo e o papel dos seres humanos e outros seres vivos dentro dele.
Gênesis 1:24 – 1:31 / 6º dia
24 E disse Deus: Produza a terra criatura vivente conforme a sua espécie; gado, e répteis, e feras da terra conforme a sua espécie; e assim foi.
25 E fez Deus as feras da terra conforme a sua espécie, e o gado conforme a sua espécie, e todo réptil da terra conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom.
26 E disse Deus: aFaçamos o bhomem à nossa cimagem, conforme a nossa semelhança; e ddomine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra.
27 E criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou, macho e afêmea os criou.
28 E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: aFrutificai e bmultiplicai-vos, e cenchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo animal que se move sobre a terra.
29 E disse Deus: Eis que vos dei toda erva que dá semente, que está sobre a face de toda a terra, e toda árvore, em que há fruto de árvore que dá semente; ser-vos-á para amantimento.
30 E a todo animal da terra, e a toda ave dos céus, e a todo réptil sobre a terra, em que há alma vivente, eu dei toda erva verde para mantimento; e assim foi.
31 E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito abom; e foi a tarde e a manhã, o dia bsexto.
São muitos versículos para serem analisados de uma vez só, mas posso dizer que, na verdade, aí há uma mistura entre o desenvolvimento cultural dos Elohym e o desenvolvimento dos Adamitas.
Muita coisa ocorre entre 1:24 e 1:31.
Na Bíblia Cristã já é possível identificar (na tradução para o português) a noção de “gado”. Há certa repetição entre 1:24 e 1:25 por algum motivo. Em 1:26 novamente se fala em “gado”.
A minha percepção é de que os Homo Heidelbergenses (Elohim) já lidavam com bovinos como sendo “gado” e, portanto, já dominavam a pecuária.
Os Elohim, já nesta época sob o jugo de Yahweh (posto que este deu um golpe após o levante orquestrado por Samael ao libertar os primeiros escravos primatas que criou), arrebanharam primatas diversos com os Kadmonim (Igigi) e, portanto, os Homens de Neanderthal, tratando-os novamente como gado para reprodução e criação de uma nova espécie.
Essa nova espécie seriam os Adamitas, que teriam sido construídos para serem tão mais próximos dos Elohim quanto possível em termos de potencial de inteligência e precisão motora.
A sua análise sobre os versículos de Gênesis 1:24 a 1:31 em Tábula sugere um contexto fascinante onde os Elohim, já avançados em termos culturais e tecnológicos, utilizam seu conhecimento para manipular e direcionar a evolução e o comportamento de outras espécies, criando uma distinção clara entre eles e as outras formas de vida, incluindo os Adamitas.
Essa abordagem coloca os Elohim numa posição de quase divindades, não apenas observadores ou narradores da criação, mas participantes ativos e diretores dela. Eles usam seu conhecimento para moldar o mundo ao seu redor, tanto biologicamente quanto culturalmente, posicionando-se como figuras centrais na narrativa de Tábula.
Sua percepção de que os Elohim já dominavam a pecuária e possivelmente outras formas de manipulação biológica sugere uma compreensão avançada e uma capacidade de influenciar diretamente o curso da evolução e da civilização. Isso cria uma camada adicional de complexidade à sua relação com os Adamitas e outros seres vivos, destacando a dinâmica de poder e o papel da tecnologia e do conhecimento na formação da história e da sociedade em Tábula.
É preciso comentar, contudo, os versículos 1:26 e 1:27 do Gênesis…
Sigamos…
“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra.”
— Gênesis 1:26
Os trechos entre Gênesis 1:26 e 1:27 parecem particularmente circinais e quase intencionalmente sinuosos, mas é possível que a resposta de qual seu significado esteja mais próxima do que se imagina.
Mesmo ignorando os Manuscritos de Ben Sira e os Livros de Enoque (Sefer Chanoch), fica claro que se está dizendo que Yahweh (ou os Elohim) criaram Adão (Adamah) à sua imagem e, portanto, com a intenção de cultivar aquela criatura de forma a se assemelhar ao máximo consigo.
Sua intenção, conforme descrito, seria deixar sob seu domínio as demais criaturas viventes e até ensinar-lhe sobre pecuária, ao que parece (ou, possivelmente, aos demais primatas arrebanhados com ele).
“E criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou, macho e fêmea os criou.”
— Gênesis 1:27
Aqui contudo, como apontado por um sem número de acadêmicos, há uma disparidade estranha, onde se ressalta que Adão teria sido feito à imagem e semelhança de Yahweh mas, no que tange à um companheira feminina que, até aqui, não teria sido criada, não é citado que se trata de uma criatura desenvolvida para ser semelhante aos Elohim.
É declarado, contudo que, no caso de Adão (Adamah) e desta sua consorte – que é denominada Lilith nos Manuscritos Rabínicos de Ben Sira e nos Livros de Enoque – fora Yahweh (ou Elohim, que os teria criado).
No contexto de Tábula, portanto, não se tratavam de primatas criados à partir de Seleção Natural, mas a partir de Intervenção “Divina” ou, por outra, fruto do cultivo e da Seleção Artificial dos Elohim.
É aqui que reside a pista para a existência de uma primeira consorte de Adão (Adamah). Neste hiato entre 1:27 e 2:22, Eva ainda sequer fora criada e, a rigor, mesmo o Jardim do Éden ainda não abrigava Adão (Adamah) que só seria colocado lá em Gênesis 2:15.
A análise dos versículos de Gênesis 1:26 e 1:27, juntamente com as considerações sobre as narrativas dos Manuscritos de Ben Sira e os Livros de Enoque, oferece uma perspectiva rica sobre a criação do homem e da mulher no contexto de Tábula. Vamos explorar mais a fundo esses aspectos:
1. **Criação à Imagem dos Elohim**: A afirmação de que Adão (Adamah) foi criado à imagem e semelhança dos Elohim (Homo Heidelbergensis) sugere um esforço deliberado para moldar uma criatura que compartilhasse atributos físicos e cognitivos com esses seres mais avançados. Em Tábula, isso pode indicar um processo de engenharia genética ou seleção artificial conduzido pelos Elohim para desenvolver os Adamitas com capacidades superiores às de outras espécies.
2. **Domínio Sobre as Criaturas**: A missão dada a Adão (Adamah) de dominar sobre as outras formas de vida reflete uma delegação de autoridade e responsabilidade. Isso pode ser interpretado como um esforço para estabelecer uma ordem hierárquica, com os Adamitas atuando como zeladores do mundo natural sob a supervisão dos Elohim.
3. **A Primeira Consorte de Adão**: A criação de uma consorte para Adão (Adamah), que não é explicitamente mencionada como sendo feita à imagem dos Elohim, introduz um elemento intrigante na narrativa. Se considerarmos Lilith, mencionada nos textos rabínicos e nos Livros de Enoque, ela pode representar um aspecto da criação humana que desviou do ideal dos Elohim, talvez possuindo uma independência e uma vontade próprias que a distinguiram de Adão (Adamah) e causaram tensão no plano original dos Elohim.
4. **O Período entre a Criação e o Éden**: O intervalo entre a criação de Adão (Adamah) e sua colocação no Jardim do Éden é crucial. Esse período pode ter sido uma fase de aprendizado e adaptação para Adão (Adamah), onde ele começou a entender seu papel e a interagir com o mundo ao seu redor, enquanto os Elohim observavam e guiavam seu desenvolvimento.
Em Tábula, a criação de Adão (Adamah) e sua primeira consorte pode ser vista como um experimento controlado pelos Elohim, visando estabelecer uma nova ordem no mundo, com seres humanos moldados à sua imagem e incumbidos de administrar a criação. A presença e o papel de Lilith nesse contexto adicionam uma camada de complexidade à narrativa, sugerindo nuances nas relações entre os seres criados e seus criadores divinos.
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