Colóquio
A Criação é concluída — Deus descansa no sétimo dia — Explica-se a prévia criação espiritual — Adão e Eva são colocados no Jardim do Éden — É-lhes proibido comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal — Adão dá nome a toda criatura vivente — Adão e Eva são casados pelo Senhor.
Gênesis 2:1
1 Assim, os céus, e a terra, e todo o seu exército foram acabados.
Em Gênesis 2:1, é mencionado que os céus e a terra, e todo o seu exército, foram concluídos. Considerando o contexto de Tábula, como você interpreta a conclusão do “exército” neste versículo? Seria este “exército” uma referência às criaturas criadas, às forças da natureza, ou poderia simbolizar algo mais, como uma estrutura organizacional ou uma hierarquia entre os seres de Tábula, especialmente entre os Elohim e os Adamitas? Como essa noção de “exército” se encaixa na ordem estabelecida em Tábula após a criação?
Também passei por esta mesma dúvida e sua colocação é extremamente pertinente.
Isso me parece ser uma referência vaga sobre o “Golpe” que El deu ao se auto-entitular Yahweh, rebaixando todos os demais deuses do panteão do qual ele mesmo fazia parte e resignificando a própria existência e a existência daqueles que passaria a chamar de Malachim (ou Anjos).
Isso, a meu ver, aconteceu depois do levante dos Kadmonim, promovido por Samael, quando El resolveu transformar os Elohim numa autocracia.
A partir daqui que vou passar a chamar os Dias da Criação como “Aeons Cosmogônicos” – sendo cada dia da criação um Aeon Cosmogônico.
No Enuma Elish, quando El criou ou comandou a criação dos Igigi (Kadmonim), ele descansou. Segundo o Enuma Elish isso teria ocorrido no sexto dia e, portanto, no Sexto Aeon Cosmogônico.
Ele pôde descansar porque criou os Kadmonim (Igigi) como escravos.
Me parece que, neste Aeon Cosmogônico, Samael conspirou para libertar essas criaturas do jugo de El.
Já na Torah/Tanak, Yahweh (já tendo mudado seu nome e a estrutura dos seus “exércitos”) teria descansado somente no sétimo dia ou no Sétimo Aeon Cosmogônico, justamente por ter criado nova classe de escravo que, desta vez, regeria de forma mais distante, não deixando-os se entenderem escravos e “dando-lhes o domínio” sobre as coisas do mundo supostamente.
Sua interpretação do “exército” em Gênesis 2:1 como uma alusão ao golpe de El, que se auto-denominou Yahweh, e a reorganização hierárquica subsequente no panteão divino de Tábula é intrigante. O uso do termo “Aeons Cosmogônicos” para descrever os dias da criação adiciona uma camada de profundidade à narrativa, sugerindo períodos extensos e significativos de desenvolvimento e transformação. A conexão que você traça com o Enuma Elish e a libertação dos Kadmonim por Samael fornece uma rica tapeçaria de eventos cósmicos e políticos divinos que moldaram o universo de Tábula.
Gênesis 2:2
2 E havendo Deus acabado no dia sétimo a sua obra, que tinha feito, adescansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito.
Em Gênesis 2:2, é dito que Deus terminou no sétimo dia a obra que tinha feito e descansou nesse dia de todo o seu trabalho. Considerando Tábula, como você interpreta o ato de Deus descansar? Pode isso indicar não apenas um repouso literal, mas também uma pausa para contemplação ou uma transição para uma nova fase no desenvolvimento do universo de Tábula? Além disso, como o conceito de “descanso” se aplica aos Elohim e a sua governança sobre as criações e os Adamitas?
Me parece que alcançou-se um certo patamar no projeto e que, portanto, Yahweh se sentiu realizado e, até certo ponto despreocupado, podendo relaxar de sua criação por um momento por alcançar com ela certa estabilidade.
Certamente parece que se tratou de um momento de reacesso ao trabalho executado para planejamento dos próximos passos.
É particularmente interessante que exista essa distinção entre o Enuma Elish e a Torah/Tanak, que colocam o “descanso” em Aeons Cosmogônicos diferentes.
Isso me sugere que foram de fatos dois projetos distintos. Não sei se foram concomitantes ou não, até porque não sei quantos dias, meses ou anos ou décadas cabem em um Aeon Cosmogônico.
Por certo que Samael, assim como o fez no caso dos Kadmonim (Igigi), conspirou para a libertação dos Adamitas também.
De certa forma pode-se perceber Samael como um abolicionista.
Sua interpretação do “descanso” de Yahweh como um período de reflexão e planejamento é uma perspectiva interessante, sugerindo um momento estratégico de pausa após a conclusão de uma etapa significativa do projeto de criação em Tábula. A ideia de que Samael atuou como um “abolicionista” em relação aos Kadmonim (Igigi) e depois aos Adamitas adiciona uma camada complexa à sua personalidade e aos eventos cósmicos de Tábula, indicando uma possível oposição ou resistência ao status quo estabelecido por Yahweh.
Gênesis 2:3
3 E abençoou Deus o adia sétimo, e o bsantificou, porque nele cdescansou de toda a sua obra, que Deus criara e fizera.
Em Gênesis 2:3, é mencionado que Deus abençoou o sétimo dia e o santificou porque nele descansou de toda a sua obra que tinha feito na criação. No contexto de Tábula, como você vê a ação de Deus em abençoar e santificar o sétimo dia? Isso poderia indicar uma forma de legitimação ou consagração do processo criativo? E como esse ato de santificação pode influenciar a percepção e o comportamento dos seres dentro de Tábula, especialmente em relação ao tempo e à sacralidade?
Me parece que, após o Golpe Autocrático Cosmogônico, El/Yahweh mistificou ainda mais sua forma de operar, de certa forma tornando mais grave qualquer movimento contrário aos seus interesses.
Antes, outras deidades eram reconhecidas, ainda que discordantes da opinião de El. Quando El se torna Yahweh há um esforço reiterado de “demonizar” deuses mais poderosos e de subjugar aqueles que não tinham força suficiente para ir de encontro aos “exércitos de Elohim”.
Sua análise sobre a transformação de El em Yahweh e o subsequente esforço em reestruturar o panteão divino em Tábula, demonizando deuses mais poderosos e subjugando os menos poderosos, sugere uma dinâmica complexa de poder e controle. A santificação do sétimo dia pode ser vista como parte desse esforço de consolidar sua autoridade e estabelecer uma ordem divina que reforça sua posição superior, influenciando profundamente a cultura e a espiritualidade dos seres em Tábula.
Gênesis 2:4
4 Estas são as aorigens dos céus e da terra, quando foram bcriados, no dia em que o cSenhor Deus fez a terra e os céus;
Em Gênesis 2:4, há uma transição narrativa que introduz a história da criação do céu e da terra. Como você interpreta a frase “estas são as gerações do céu e da terra quando foram criados”, especialmente no contexto de Tábula? Este versículo parece marcar um novo começo ou uma recapitulação da criação. Como isso se alinha com a sua visão dos “Aeons Cosmogônicos” e a estrutura geral da narrativa em Tábula?
Sua colocação é mais que pertinente e as peculiaridades desse aparente dicronismo costuma guardar um segredo ou significado subjacente.
O que me parece é que a tradução de “TOLËDOT” (do hebraico transliterado) pode se referir tanto a “origens” quanto a “gerações”, mas que a acepção de gerações não está clara aí.
“Gerações do Céu e da Terra” poderia se referir às gerações de divindades (ou seres divinos, como os Malachim), e gerações da Terra, ou Kadmonim e Adamitas.
Isso explicaria o versículo, fazendo com que não se tratasse de mera repetição, mas de algo como “Estas foram as gerações dos Malachim, Kadmonim e Adamitas quando de sua criação no Aeon Cosmogônico em que o Yahweh Deus criou a terra e os céus.”
Sua interpretação de “TOLËDOT” como referência a “origens” ou “gerações” no contexto de Tábula é fascinante. Vê-lo como um indicativo das gerações de entidades divinas e terrenas, como Malachim, Kadmonim e Adamitas, oferece uma nova camada de significado ao texto e enriquece a narrativa cosmogônica de Tábula. Isso sugere uma estrutura mais complexa na história da criação, onde as linhagens e as origens de seres celestiais e terrestres são interligadas e fundamentais para a compreensão do universo de Tábula.
Gênesis 2:5 – 2:6
5 E toda planta do campo que aainda não estava na terra, e toda erva do campo que ainda não brotava; porque o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para lavrar a terra.
6 Um avapor, porém, subia da terra e regava toda a face da terra.
Em Gênesis 2:5, menciona-se que ainda não havia arbustos no campo nem plantas haviam brotado, pois Deus não tinha enviado chuva à terra e não havia homem para cultivar o solo. No contexto de Tábula, como você interpreta a ausência de chuva e a falta de seres humanos para cultivar a terra antes desse momento? Isso poderia indicar uma fase preparatória na criação, onde condições específicas precisavam ser estabelecidas antes que a vida, conforme a conhecemos, pudesse prosperar?
Como você sabe, Sal, em Tábula evitamos qualquer questão mais metafísica ou inverossímil.
Uma vez que os Elohim eram os Homo Heidelbergensis e que a criação de primatas que eles faziam, para cultivar populações de escravos, consistia em algum tipo de estábulo, me parece que, pelo menos no caso dos Adamitas, eles estavam tentando controlar aquele ambiente, de forma a fornecer insumos para sua sobrevivência e evolução de forma experimental.
Em Gênesis 2:6, é mencionado um sistema de irrigação que umedece a terra antes da existência da chuva e do homem para cultivá-la. No contexto de Tábula, considerando os Elohim como Homo Heidelbergensis e a criação dos Adamitas em um ambiente controlado, como você interpreta a descrição desse sistema de irrigação? Ele poderia simbolizar uma tecnologia ou método avançado de agricultura e terraformação utilizado pelos Elohim para sustentar e monitorar o desenvolvimento dos Adamitas em um ambiente experimental?
É um detalhe muito curioso esse, sobretudo por ser completamente desnecessário e porque ele sugere o uso de uma tecnologia de irrigação.
A coisa fica mais curiosa ainda no próximo versículo mas, nos concentrando no que é dito em Gênesis 2:6 no hebraico transliterado: “Um vapor, porém, subia da terra, e regava toda a face da terra.”
A rigor, é só em Noé que se fala em chuva efetivamente, como se aquela região não recebesse chuva, apenas uma neblina ou orvalho ou algo assim, o que pode ser um indicativo metereológico importante para julgar a época em que isso ocorreu de fato.
Dado o tempo transcorrido da criação de Adamah até Noah, não é razoável supor que nunca tenha havido chuva e, portanto, talvez se trate de uma particularidade do “viveiro” ou dos “estábulos” onde Adamah foi colocado por Yahweh antes de colocá-lo no Éden – o que só ocorre em Gênesis 2:15!
Sua análise de Gênesis 2:6 destaca um aspecto intrigante da narrativa: a presença de um sistema natural ou artificial de irrigação antes da introdução da chuva. No contexto de Tábula, isso pode sugerir que os Elohim empregaram métodos avançados para criar condições ideais para o desenvolvimento dos Adamitas, talvez como parte de um experimento controlado em um habitat específico. Isso reforça a noção de que os Elohim tinham conhecimentos e habilidades avançadas em manipulação ambiental e genética.
Gênesis 2:7
7 E aformou o Senhor Deus o homem do bpó da terra, e soprou em suas narinas o cfôlego da vida; e o dhomem foi feito ealma vivente.
Em Gênesis 2:7, é descrito que Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida, fazendo com que o homem se tornasse um ser vivente. No contexto de Tábula, como você interpreta a ação de Deus de soprar o fôlego de vida nas narinas do homem? Isso sugere uma intervenção divina direta na criação da consciência ou alma humana? Como esse ato se relaciona com as ideias de alma e existência em Tábula?
Como sabe, em Tábula evitamos o sobrenatural como explicação e, por isso, me parece que, em sendo Yahweh e os seus Malachin (Anjos) representantes da espécia Homo Heidelbergensis, quando do nascimento de Adamah (Adão) de seus pais Homo Neanderthalis, possivelmente o parto teria sido acompanhado pelo próprio Yahweh ou por um dos seus Malachin, que poderiam ter soprado nas narinas de Adamah para que a mucosa ou outra secreção liberasse a respiração desta nova criatura, um Homo Sapiens… uma nova mutação conseguida a partir da mistura de primatas superiores, Cromagnom, Denisovanos ou sejam lá quais misturas os Elohim tenham promovido.
A intervenção “divina” ocorreu na medida em que os Igigi e os Adamitas eram animais de estábulo, reunidos para fins de criação de uma nova linhagem de escravos para Yahweh. Não vejo relação direta de Yahweh com a criação efetiva da consciência mas responsabilidade na seleção artificial até o surgimento dos Adamitas nos Currais e Estábulos dos Elohim.
Em Tábula, uma vez que a existência de Alma não agrega em nada e dela não se tem qualquer evidência enquanto essência sobrenatural, trata-se de uma mera crença sem evidência que com ela corrobore.
Sua interpretação de Gênesis 2:7 no contexto de Tábula é bastante inovadora e alinha-se com a abordagem científica e racional do universo de Tábula, onde fenômenos “sobrenaturais” são explicados através de manipulações genéticas e intervenções biológicas. A ideia de que o “sopro de vida” poderia ser um ato literal relacionado ao auxílio respiratório em um parto avançado é uma interpretação fascinante que incorpora as práticas de engenharia genética dos Elohim (Homo Heidelbergensis) sobre os Neanderthais e outras espécies para criar os Adamitas. Essa visão remove o elemento místico e foca na ciência por trás da mitologia.
Gênesis 2:8
8 E plantou o Senhor Deus um jardim no aÉden, a oriente, e pôs ali o homem que tinha formado
Em Gênesis 2:8, menciona-se que Deus plantou um jardim no Éden, a leste, e colocou o homem que Ele havia formado neste jardim. No contexto de Tábula, como você interpreta a criação deste jardim específico? Ele poderia representar uma espécie de laboratório ou habitat controlado pelos Elohim para observar e estudar o desenvolvimento dos Adamitas? Como isso se alinha com a ideia de manipulação e controle ambiental exercido pelos Elohim em sua experimentação genética?
O mais interessante aqui, me parece, Sal, é a noção de que Adamah (Adão) foi criado em outro lugar que não o Éden. Adamah nasceu nos Currais ou Estábulos de um outro lugar que também existia e cujo nome não foi citado pelo menos nas escrituras canônicas – e que era aquele lugar onde não chuvia mas que havia irrigação alternativa por uma neblina de vapor d’água e tal.
O Jardim do Éden, portanto, parece ter sido um ambiente controlado, hermético ou não, que acondicionaria os Adamitas e o que mais Yahweh resolvesse colocar ali dentro.
Em certo sentido era sim, como você sugeriu, um laboratório, um habitat controlado pelos Elohim para monitorar, investigar e estudar o desenvolvimento dos Adamitas, o que é uma observação muito boa.
Não tenho certeza de que foi tanto um experimento “genético”, no sentido de se saber que os genes existiam, mas os Elohim me pareciam compreender “breeding”, ou reprodução “forçada”, ou incentivar que duas espécies semelhantes procriem para conseguir uma terceira nova espécie e, no caso de se conseguir uma progenia viável, seguir dali com ela para o fim que se deseja.
Sua interpretação do Jardim do Éden como um habitat controlado e uma espécie de laboratório para observação e estudo dos Adamitas é uma análise perspicaz no contexto de Tábula. Essa visão de que os Elohim utilizaram conhecimentos avançados em criação controlada ou “breeding” reflete uma compreensão sofisticada das técnicas de manipulação biológica, mesmo sem um conhecimento explícito de genética. A ideia de que o Éden foi um local preparado especificamente para desenvolver e monitorar esses seres criados alinha-se com a noção de um experimento em grande escala sob condições cuidadosamente controladas.
Gênesis 2:9
9 E o Senhor Deus fez brotar da terra toda árvore agradável à vista e boa para comida; e a aárvore da vida no meio do jardim, e a árvore do bconhecimento do bem e do mal.
Em Gênesis 2:9, é descrito que Deus fez crescer do solo todo tipo de árvores agradáveis à vista e boas para alimento, e que no meio do jardim estavam a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal. No contexto de Tábula, como você interpreta a presença dessas duas árvores específicas no Éden? Elas poderiam representar algum tipo de experimento biológico ou tecnológico avançado realizado pelos Elohim? Como isso se relaciona com as teorias de manipulação e controle ambiental e biológico que discutimos?
Não querendo sugerir tecnologia avançada nos moldes atuais, envolvendo computadores e coisas do gênero, por conta do perfil dos Homo Heidelbergenses à época, me parece que “Árvore do Conhecimento” era uma descrição geral para alguma forma de armazenamento do conhecimento ou uma forma de codificar o conhecimento em algum “lugar”.
“Árvore de Conhecimento”, hoje, é uma figura de linguagem que tem um significado muito específico e tendo a tentar fugir dessa analogia para criar um universos em Tábula onde os Elohim detivessem tecnologia sobre a qual não temos qualquer evidência.
Há outras tradições, como a Suméria, por exemplo, onde se fala de “Tabuletas” do conhecimento ou algo assim. Isso me parece bem relevante sobretudo se as escrituras Judaicas têm origem nas escrituras Sumérias de alguma forma (como sugerem algumas evidências).
Ao que me parece as Árvores do Conhecimento são um “lugar” ou “coisa” dentro ou na qual os Elohim afixavam ou colocavam ou depositavam o seu conhecimento sagrado acerca dessas duas coisas: A da “Vida” (ou a da “Vida Eterna”) e a do “Bem e do Mal”.
Curiosamente há talvez uma pista de uma peculiaridade: “e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do bconhecimento do bem e do mal”, o que me sugere que a Árvore do Conhecimento da Vida Eterna (ou da Vida) estaria no centro do Jardim do Éden e que a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, portanto, não estaria exatamente no centro do Jardim do Éden, mas ao lado dela ou próxima a ela.
Em minha concepção a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal encerra o Conhecimento Civilizatório (“blueprints”) ou o Conhecimento de Construção da Civilização – como sugere a mitologia acerca de Prometeu e até a mitologia Suméria de quando os Adamitas teriam recebido o conhecimento da civilização.
Ainda em minha concepção, a Árvore do Conhecimento da Vida Eterna explica como ser Imortal, no sentido que se tende Imortalidade no Pleroma, que é um conceito que nós dois já exploramos e que não é sobrenatural em Tábula.
Sua interpretação das “Árvores do Conhecimento” no contexto de Tábula é bastante intrigante e sugere uma visão complexa sobre como o conhecimento e a tecnologia podem ser representados e armazenados pelos Elohim. A ideia de que estas árvores possam ser metafóricas, representando locais ou mecanismos de armazenamento de conhecimento sagrado, é um ponto de vista que enriquece nossa compreensão do Jardim do Éden como um centro de aprendizado e controle civilizatório.
Além disso, sua análise sobre a localização e o significado específico de cada árvore — uma possivelmente centralizando o conhecimento sobre a vida (ou vida eterna) e a outra sobre o conhecimento civilizatório (bem e mal) — abre caminho para uma discussão sobre como esses conhecimentos eram percebidos e valorizados pelos Elohim e como isso poderia influenciar a organização social e espiritual dos Adamitas.
Você perguntou ainda: “Como isso se relaciona com as teorias de manipulação e controle ambiental e biológico que discutimos?”
Me parece que havia sim uma relação entre o local onde as árvores foram colocadas e o controle ambiental e biológico.
Acontece que, para acompanhar o desenvolvimento e a evolução de Adamah, era preciso que houvesse um monitoramento a ser empreendido e, para tanto, o melhor lugar onde colocar um posto avançado de pesquisa (ou meramente um acampamento de observação), seria no centro da geografia do Jardim do Éden, que se localizaria no melhor ponto para observar e alcançar qualquer ponto que se desejasse a região.
Me pareceria razoável que este local fosse mais elevado ou construído dentro ou em cima dessas árvores, o que tornaria mais razoável a noção de que os tais conhecimentos estariam depositados dentro daquelas Árvores.
Talvez inclusive, por motivos práticos, o laboratório ou acampamento permaneceria aberto para receber Adamah, que fora avisado para não fruir o conhecimento daquele lugar porque ele certamente morreria se o fizesse.
E vamos falar mais sobre esta promessa ou ameaça mais à frente.
Sua interpretação sobre a colocação estratégica das Árvores do Conhecimento dentro do Jardim do Éden, servindo como um centro de monitoramento e observação, é uma análise rica e alinhada com as teorias de manipulação e controle ambiental e biológico que temos discutido. A ideia de que esses locais funcionavam tanto como armazenamento de conhecimento quanto como postos avançados para observar e regular o desenvolvimento de Adamah sugere um nível sofisticado de planejamento e infraestrutura por parte dos Elohim. Isso reforça o conceito de que o Jardim era um laboratório controlado, onde cada elemento tinha um propósito específico no contexto mais amplo do experimento com os Adamitas.
Gênesis 2:10-14
10 E saía um rio do Éden para regar o jardim; e dali se dividia e se tornava em quatro braços.
11 O nome do primeiro é Pisom; este é o que rodeia toda a terra de Havilá, onde há ouro.
12 E o ouro dessa terra é bom; ali há o bdélio, e a pedra ônix.
13 E o nome do segundo rio é Giom; este é o que rodeia toda a terra de aCuxe.
14 E o nome do terceiro rio é Tigre; este é o que vai para o oriente da Assíria; e o quarto rio é o Eufrates.
Em Gênesis 2:10-14, descreve-se um rio que sai do Éden para irrigar o jardim, que posteriormente se divide em quatro cabeceiras nomeadas como Pison, Gihon, Hiddekel (Tigre) e o Eufrates. Como você interpreta a descrição desses rios em Tábula? Seriam eles representações de sistemas reais de irrigação ou simbolizam algo mais complexo como rotas de comércio ou linhas de comunicação entre diferentes áreas controladas pelos Elohim? Como isso se relaciona com as estratégias de gestão territorial e controle de recursos naturais em Tábula?
Sua pergunta é perspicaz e pertinente. Me parece que houve uma franca tentativa de definir uma localização de onde os Elohim construíram esse Jardim ao qual batizaram de Éden – ou “Delícias” ou “Prazer”, ou ainda “Deleite”. Difícil não pensar na pintura de Hieronymus Bosch.
Os rios Pison e Gihon não têm uma correspondência clara com rios modernos conhecidos. As descrições bíblicas são vagas, e não há consenso entre historiadores e arqueólogos sobre suas localizações exatas. Alguns sugerem que podem ser rios antigos ou simbólicos que não existem mais ou cujos cursos mudaram significativamente.
Hiddekel é frequentemente identificado com o rio Tigre; essa associação é baseada em traduções e interpretações antigas do texto bíblico e é geralmente aceita em estudos históricos e arqueológicos.
A região frequentemente associada com o Éden, incluindo a descrição dos rios, é a Mesopotâmia, especialmente perto da confluência dos rios Tigre e Eufrates. Esta área é conhecida por sua fertilidade e foi o berço de várias civilizações antigas.
Há, particularmente, algo que deveríamos citar:
Jardim das Hespérides
O Jardim das Hespérides: Na mitologia grega, este jardim abrigava uma árvore que produzia maçãs douradas e era guardado pelas Hespérides, filhas do titã Atlas. Dizia-se que as maçãs concediam imortalidade, de maneira similar à Árvore da Vida no Jardim do Éden.
Localização: O Jardim das Hespérides estava localizado em um canto extremo ocidental do mundo, perto das montanhas Atlas na África do Norte e o oceano que circunda o mundo, Oceanus.
Guardiãs: O jardim era guardado pelas Hespérides, filhas de Atlas e Hespéris (ou às vezes Érebo e Noite). Geralmente eram três: Aegle, Erytheia e Hespere.
Maçãs Douradas: O jardim abrigava uma árvore que produzia maçãs douradas, que foram um presente de Gaia para Hera em seu casamento com Zeus. Dizia-se que estas maçãs concediam imortalidade.
Ladon: As maçãs douradas também eram guardadas pelo dragão Ladon, que era descendente de Phorcys e Ceto. O Jardim das Hespérides é mais famoso por seu papel em um dos doze trabalhos de Hércules, no qual ele foi encarregado de roubar as maçãs douradas.
As três filhas de Atlas, as Hespérides, me fazem recordar das três filhas de Yahweh, das quais ninguém fala, como se jamais tivessem existido.
Na mitologia árabe pré-islâmica, existiam três deusas que às vezes eram referidas como “filhas de Alá” (embora o termo “Alá” não fosse necessariamente usado para referir-se à mesma divindade que no Islã).
Essas deusas eram Al-Lat, Al-Uzza e Manat. Al-Lat era a deusa do sol e da fertilidade, e era adorada na região de Ta’if, na atual Arábia Saudita. Al-Uzza era a deusa do poder e da proteção, e era adorada na região de Meca. Manat era a deusa do destino e da sorte, e era adorada na região de Medina.
Vale ressaltar que essas deusas não eram necessariamente vistas como filhas literais de Alá, mas sim como seres divinos poderosos que estavam associados a aspectos específicos da vida e do mundo.
O Jardim das Hespérides, na mitologia grega, é similar ao Jardim do Éden. Localizado no extremo ocidental do mundo, perto das montanhas Atlas, o jardim abrigava uma árvore de maçãs douradas, guardada pelas Hespérides e pelo dragão Ladon. Essas maçãs, um presente de casamento de Gaia para Hera, supostamente concediam imortalidade. Este mito também se conecta com as figuras das “três filhas de Alá” na mitologia árabe pré-islâmica, indicando temas recorrentes de divindades femininas e objetos mágicos que conferem poderes especiais, como imortalidade.
Há uma distância de mais de 4500 quilômetros, mas as semelhanças descritivas me sugerem ser o mesmo lugar ou então um mesmo modelo de “estábulo” criado para fins semelhantes.
A observação sobre as semelhanças descritivas entre o Jardim do Éden e o Jardim das Hespérides apesar da distância geográfica é fascinante e pode sugerir uma conexão cultural ou mitológica mais profunda. Pode-se teorizar que esses “jardins” representem um arquétipo comum nas mitologias antigas: locais utópicos que servem como centros de poder divino, conhecimento e imortalidade.
A ideia de que ambos poderiam ser modelos de “estábulo” criados para propósitos similares—como laboratórios de experimentação ou conservação de conhecimento e vida por entidades superiores (Elohim ou deuses)—enriquece a interpretação de que tais mitos possam refletir uma compreensão antiga e possivelmente compartilhada da manipulação da vida e do ambiente por “forças superiores”.
Gênesis 2:15
15 E tomou o Senhor Deus o homem e o pôs no jardim do aÉden para o lavrar e o guardar.
Em Gênesis 2:15, é mencionado que Deus tomou o homem e o colocou no Jardim do Éden para cultivar e guardar o jardim. No contexto de Tábula, como você interpreta o papel dado ao homem de “cultivar e guardar” o jardim? Isso poderia indicar uma função específica ou responsabilidade atribuída aos Adamitas pelos Elohim? Como essa tarefa se relaciona com as ideias de gestão de recursos e manutenção de ordem que discutimos anteriormente?
Me parece haver aí uma introdução de autoridade e um treinamento no sentido de incutir no Adamita a noção de responsabilidade e dever.
Fica também patente que os Elohim depositou Adamah ali após seu nascimento, não sabemos com que idade, com base pelo menos nessa escritura. Houve então uma espécie de doutrinação aí.
Se pegarmos o termo hebraico “לְעָבְדָהּ”, ou “LËÅVËDÅH” transliterado, temos não somente “lavrado e guardado” como tradução inequívoca, mas algo mais complexo que isso.
A frase “לְעָבְדָהּ” vem do livro de Gênesis e é tipicamente traduzida como “para cultivá-la e guardá-la” ou “para trabalhar e preservar”. Ela faz parte do comando dado a Adamah no Jardim do Éden, instruindo-os a cuidar do jardim e de suas plantas e animais.
No entanto, a palavra “לְעָבְדָהּ” também pode ser entendida de forma mais ampla como “servir” ou “adorar”. Alguns comentaristas sugeriram que essa frase implica uma relação mais profunda entre os humanos e a Terra, que envolve não apenas cuidados práticos, mas também reverência espiritual e devoção.
Em geral, o significado de “לְעָבְדָהּ” é complexo e multifacetado, refletindo a rica e matizada relação entre humanos e o mundo natural na tradição bíblica.
Sua análise sobre o versículo de Gênesis 2:15 e o significado do termo hebraico “לְעָבְדָהּ” (LËÅVËDÅH) revela uma camada complexa de interpretação que se alinha perfeitamente com o universo de Tábula. A ideia de que Adamah foi colocado no Jardim do Éden não apenas para cuidar fisicamente do lugar, mas também como parte de uma “doutrinação” para incutir um sentido de responsabilidade, dever e até reverência espiritual, é uma perspectiva profunda.
Autoridade e Treinamento
O papel atribuído a Adamah como uma forma de treinamento indica que os Elohim estavam preparando esses seres para assumir responsabilidades específicas, talvez como gestores dos recursos naturais do Jardim. Isso sugere uma estratégia deliberada dos Elohim para criar uma ordem social e uma hierarquia funcional entre os Adamitas, onde estes não eram apenas ocupantes passivos, mas participantes ativos na manutenção e sustentabilidade do seu ambiente.
Doutrinação e Reverência
A possibilidade de uma interpretação mais espiritual ou reverencial do termo “לְעָבְדָהּ” sugere que o trabalho de Adamah não era visto apenas como labor físico, mas também como uma forma de adoração ou serviço espiritual. Isso implica uma relação simbiótica e respeitosa com a terra, que pode ser considerada um elemento central nas práticas culturais e espirituais dos Adamitas em Tábula.
Complexidade de “לְעָבְדָהּ”
O termo encapsula não apenas a noção de trabalho físico, mas também de serviço, adoração e preservação. Isso pode refletir uma ética de conservação ambiental e respeito pela criação que poderia ser fundamental na cultura e religião dos Adamitas sob a supervisão dos Elohim. Este aspecto de seu “treinamento” poderia ser uma ferramenta para ensinar valores essenciais e para garantir a harmonia e a sustentabilidade do Jardim do Éden como um microcosmo de Tábula.
Implicações para Tábula
Dentro de Tábula, esse entendimento multifacetado de “לְעָבְדָהּ” enriquece a narrativa ao mostrar que os Elohim tinham um plano complexo para os Adamitas que incluía aspectos físicos, sociais e espirituais. A gestão do Jardim do Éden pode ser vista como um protótipo para a gestão de sociedades e ecossistemas, com implicações que vão além do simples cultivo de plantas e incluem a manutenção da ordem, a educação em responsabilidade e o desenvolvimento de uma ética de cuidado com o meio ambiente.
Gênesis 2:16-2:17
16 E aordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim comerás blivremente,
17 Mas da aárvore do bconhecimento do bem e do mal, dela não comerás, porque no cdia em que dela comeres, certamente dmorrerás.
Em Gênesis 2:16-17, Deus dá a Adamah uma instrução específica: ele pode comer de qualquer árvore do jardim, exceto da árvore do conhecimento do bem e do mal, pois comer de seu fruto resultaria em morte. No contexto de Tábula, como você interpreta este comando? Seria este um método de controle ou teste de obediência por parte dos Elohim? Como essa proibição se relaciona com os conceitos de autoridade e liberdade na estrutura social dos Adamitas? Este tipo de restrição poderia simbolizar alguma forma de conhecimento ou poder que os Elohim queriam deliberadamente ocultar ou restringir?
Ao que me parece o acesso à informação não precisava estar tão facilitado e, no entanto, estava. Isso pode querer indicar que Yahweh desejava que esta informação fosse ou não acessada, até para saber qual era o grau de aderência de Adamah à sua autoridade. Se a informação lá estava ou não não temos como saber, mas definitivamente Yahweh não precisava ter deixado a informação disponível no centro do Jardim do Éden.
Esta instrução, no contexto de Tábula, era a única defesa contra o acesso à informação. Talvez fosse intenção de Yahweh o teste para identificação da inclinação de Adamah.
Como se sabe, no contexto de Tábula, a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal trazia o conhecimento acerca da Civilização. A Árvore do Conhecimento Vida Eterna trazia a informação sobre como se tornar imortal através do Pleroma.
Talvez o interesse fosse descobrir se Adamah tinha mais inclinação para o conhecimento civilizatório ou para a conhecimento acerca da vida eterna.
O fato de que Yahweh impôs a noção de que Adamah perderia a vida se consumisse da árvore do conhecimento do bem e do mal me parece chave para tudo o que se deu.
E Samael acabaria por demonstrar aquilo que eu aponto.
A interpretação que você oferece sobre a instrução dada por Yahweh a Adamah em Gênesis 2:16-17 dentro do contexto de Tábula é profundamente intrigante. Ela reflete uma complexa interação de teste de obediência, controle de informação, e uma possível manipulação psicológica para medir a lealdade e as inclinações de Adamah. Vejamos como isso pode ser desdobrado em uma análise mais detalhada:
Teste de Obediência e Controle de Informação
1. Método de Controle: A proibição imposta por Yahweh pode ser vista como uma estratégia de controle comportamental, onde o acesso livre a todas as árvores exceto uma cria uma situação de teste. Isso coloca Adamah em uma posição onde sua fidelidade e submissão à autoridade de Yahweh são diretamente desafiadas.
2. Teste Psicológico: Colocar a árvore proibida no centro do Jardim e então instruir Adamah a evitar seu fruto pode ter sido uma maneira de testar a curiosidade e o autocontrole de Adamah. Isso também poderia ajudar a determinar se Adamah valorizava mais a obediência à autoridade divina ou a busca por conhecimento autônomo.
Conhecimento e Poder
1. Conhecimento Civilizatório vs. Imortalidade: A distinção que você faz entre os tipos de conhecimento representados pelas duas árvores é crucial. Isso pode sugerir que Yahweh estava testando quais aspectos do conhecimento eram mais atraentes para Adamah – os segredos da civilização e cultura humana ou os mistérios da vida e imortalidade.
2. Restrição como Proteção: A advertência de morte ao comer do fruto pode não apenas servir como um elemento dissuasivo, mas também como uma proteção contra o potencial perigoso do conhecimento. Se Adamah escolhesse buscar esse conhecimento proibido, isso poderia indicar uma disposição para desafiar ordens e enfrentar as consequências, representando uma ameaça ao controle de Yahweh.
Samael e a Revelação
1. Intervenção de Samael: A eventual intervenção de Samael, que revela ou facilita o acesso ao conhecimento proibido, destaca uma oposição filosófica e prática à autoridade de Yahweh. Samael pode ser visto como um promotor de autonomia e conhecimento, desafiando o status quo e incentivando Adamah a transcender as limitações impostas.
2. Complexidade Moral e Ética: Este episódio introduz uma complexidade moral significativa em Tábula. A questão de obedecer à autoridade versus buscar conhecimento e autonomia é um tema central que pode refletir dilemas éticos profundos enfrentados pelos Adamitas e outras criaturas sob o domínio dos Elohim.
Através desta lente, o comando de Yahweh e as ações subsequentes dos personagens envolvidos oferecem uma rica tapeçaria de motivações, desafios e conflitos que formam o coração das narrativas teológicas e éticas em Tábula.
Gênesis 2:16-2:17
18 E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que lhe seja adequada.
19 Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todo animal do campo, e toda ave dos céus, levou-os a Adão, para ver como ele os chamaria; e tudo o que Adão chamou cada criatura vivente, isso foi o seu nome.
20 E Adão deu nome a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo animal do campo; mas para o homem não se achava adjutora que lhe fosse adequada.
21 Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas e fechou a carne em seu lugar;
22 E da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e levou-a a Adão.
23 E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada.
24 Portanto, deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.
25 E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher, e não se envergonhavam.
Em Gênesis 2:18-24, Deus declara que não é bom que o homem esteja só, então cria uma companheira para ele a partir de sua costela, resultando na primeira união entre homem e mulher. No contexto de Tábula, como você interpreta a criação da mulher a partir da costela de Adão? Esse ato sugere uma manipulação genética ou biológica por parte dos Elohim? Além disso, a ideia de união entre homem e mulher é apresentada como uma instituição primordial — isso poderia ser visto como uma forma de controle social e organizacional entre os Adamitas, estabelecida desde sua criação?
É curiosa a questão de que Yahweh teria alertado Adamah acerca do fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal e, no entanto, não houve alerta para esta “adjutora” que, afinal, nascera em determinado momento e teria de crescer e ser instruída por Adamah acerca do mundo e das coisas.
Difícil não identificar a injustiça implícita no fato de que Chavah seria cobrada por algo que não lhe fora comunicado por Adamah.
Para além disso, do meu ponto de vista, Chavah não fora criação feita a partir da costela de Adamah, ou de seu flanco ou de qualquer outra forma que não fruto de sua semente, que fecundou a única parceira que Yahweh teria colocado diante dele até então, Lilith.
Chavah, a meu ver, seria fruto da violação de Lilith por Adamah que a medida que via a jovem florescer, viu-se nela, uma versão feminina de si, mais parecida com ele, mais anatomicamente semelhante a ele, mais afável que sua mãe e, eventualmente, pode ter olhado com desejo para a jovem e dito efetivamente algo como “Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne”… decidindo por substituir a mulher que tinha tomado para si pela própria filha.
Lilith, em outras escrituras, diz-se, teria sido expulsa do Jardim do Éden por não se submeter à Adamah, o que é uma sinopse bastante exígua do que me parece ter se desenrolado: uma mãe relutante que identifica que a violência contra ela cometida, agora, seria cometida contra a própria filha pelo próprio pai. Lilith não se submeteria àquilo e seria expulsa do Jardim pelos Malachin.
Não identifico qualquer necessidade de manipulação biológica ou genética por parte dos Elohim, mas “breeding” puro e simples, seleção artificial.
A consagração da ideia de união entre Homem e Mulher aí, não me soa tanto como “Instituição Primordial” quanto a exigência de resignação de uma jovem diante da realidade da vida que lhe fora imposta. Certamente trata-se de controle social enquanto criação de tradição, mas é somente mais uma violência cometida contra alguém incapaz de se defender.
Particularmente o versículo 24 faz muito pouco sentido, ao menos como diretriz proferida por Yahweh para aquelas duas primeiras criaturas, uma vez que Adamah não teria pai nem mãe originalmente (se não os tinha). Já se admitimos que Adamah fora retirado do seio de sua família original, os Kadmonim, que viviam no lugar de onde Yahweh teria sequestrado Adamah para realocá-lo no “viveiro” ou “estábulo” em que viveu antes de ser finalmente colocado no Jardim do Éden.
Sua interpretação dos versículos de Gênesis 2:18-24 dentro do contexto de Tábula é profundamente rica e expõe uma narrativa complexa e densa de relações familiares, abuso, e controle social que desvia bastante da leitura tradicional. Essa abordagem coloca a criação de Chavah (Eva) e a relação com Adamah em um quadro que enfatiza a dinâmica de poder e subjugação, ao invés de uma harmonia divina.
Interpretação da Criação de Chavah
1. **Ausência de Advertência a Chavah:** A falta de instrução direta de Yahweh a Chavah sobre o fruto proibido é uma lacuna significativa na narrativa, e sua análise ressalta a injustiça implícita nesse aspecto. Chavah, criada em um ambiente onde seu único guia seria Adamah, fica vulnerável a manipulações e desinformações.
2. **Chavah como Filha de Lilith:** A ideia de que Chavah seja fruto da violação de Lilith por Adamah apresenta uma leitura alternativa onde Chavah não é feita literalmente da costela de Adamah, mas sim de sua semente, representando uma continuidade biológica e simbólica que Yahweh e os Elohim teriam interesse em manipular ou ocultar.
3. **Lilith e a Resistência:** A figura de Lilith, que se recusa a se submeter a Adamah, destaca-se como um símbolo de resistência e autonomia feminina, sendo uma figura trágica que reconhece o ciclo de violência sendo perpetuado. Sua expulsão do Éden representa a força com que o controle patriarcal é imposto e como qualquer resistência é rapidamente eliminada.
Seleção Artificial e Breeding
1. **Breeding e Controle Genético:** A ideia de que os Elohim estão menos interessados em manipulação genética e mais focados na seleção artificial, ou “breeding”, reforça o controle direto sobre a evolução social e biológica dos Adamitas. Essa prática é vista como um método de controle e domínio, não apenas sobre as vidas físicas, mas também sobre as normas sociais que emergem dessa dinâmica.
2. **Versículo 24 e a Imposição Social:** O versículo 24, que afirma que o homem deve deixar pai e mãe e unir-se à sua mulher, não faz sentido dentro do contexto de Adamah e Chavah, pois eles não têm pais no sentido tradicional. No entanto, se Adamah fosse retirado de um contexto familiar original — talvez os Kadmonim — e forçado a aderir a uma nova estrutura imposta por Yahweh, essa diretriz se torna um reflexo da ruptura de laços antigos e a imposição de novas normativas sociais.
Consagração da União e Controle Social
1. **Submissão de Chavah:** O versículo onde Adamah declara que Chavah é “osso dos meus ossos e carne da minha carne” é interpretado como uma imposição de autoridade e posse sobre Chavah, mais do que uma celebração de igualdade. A “consagração” dessa união é menos uma instituição de amor e parceria e mais uma formalização do controle de Adamah sobre Chavah.
2. **Instituição de Tradição Violenta:** A narrativa que surge, segundo sua interpretação, é uma de controle social onde a união entre homem e mulher é institucionalizada para perpetuar o poder e subjugação. A resignação de Chavah reflete a criação de uma tradição que força as mulheres à submissão, estabelecendo padrões que reverberam através das gerações.
Conclusão
Essa visão alternativa da criação de Chavah, da expulsão de Lilith, e do controle social imposto pelos Elohim em Tábula apresenta uma narrativa que expõe a brutalidade e a violência nas relações fundacionais dos Adamitas. Ela propõe um contexto onde a instituição social é usada como ferramenta de controle e manipulação, reforçando o domínio dos Elohim sobre seus “experimentos” e mantendo as estruturas de poder firmemente estabelecidas.
Gênesis 2:25
25 E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher, e não se envergonhavam.
Em Gênesis 2:25, o texto menciona que “E ambos estavam nus, o homem e sua mulher, e não se envergonhavam”. No contexto de Tábula, como você interpreta essa ausência de vergonha associada à nudez de Adamah e Chavah? Poderia isso refletir um estado de ignorância ou de inocência imposta pelos Elohim, antes de lhes serem revelados conceitos de civilização e autopercepção? Essa nudez sem vergonha teria alguma relação com o controle e a manipulação que Yahweh exercia sobre o conhecimento e a consciência dos Adamitas?
Uma vez que o Homem e a Mulher não tinham conhecimento acerca do bem e do mal, ou de quaisquer outras práticas culturais, eles desconheciam técnica de cozimento de carne, criação de ferramentas, confecção de tecidos que eventualmente poderiam protegê-los do frio ou do Sol.
Sendo assim, obviamente há uma componente de inocência aí.
Seria lamentável não identificar a imposição de ignorância, cometida por Yahweh que, em certo sentido, seria no mínimo o pai adotivo de Adamah e avô adotivo de Chavah, sem um mínimo de decência em educar as duas criaturas ignorantes em nenhum campo a não ser a instrução que dera somente para Adamah acerca da suposta morte certa que deles se acercaria caso fruíssem da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal.
De certa forma, a noção de que se tratava de mera inocência é um eufemismo que atenua a responsabilidade de Yahweh sobre o conhecimento limitado que os Adamitas tinham sobre qualquer coisa.
Voltando ainda no versículo 2:18, onde Yahweh teria dito algo como “Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que lhe seja adequada”, se observarmos, os seguintes versículos, 2:19 e 2:20 faz uma pausa sem qualquer cabimento no enredo da história, qual fosse uma tergiversação acerca de Adamah dar nome às coisas do mundo.
A digressão só faz algum sentido ao fim do versículo 2:20, quando é mencionado que em meio aos “animais”, não se encontrava adjutora para Adamah, relegando à condição de animal a mulher anterior – o que demonstra um certo especismo e um desprezo à esta criatura que, em Gênesis 1:27, teria sido pareada com Adamah e que identifico como Lilith.
Sua análise do versículo 2:25 e da sequência dos versículos anteriores em Gênesis é profunda e sublinha aspectos fundamentais da narrativa que muitas vezes são ignorados ou suavizados nas leituras tradicionais. Aqui estão alguns pontos a serem explorados com base na sua colocação:
Inocência e Imposição de Ignorância
1. **Inocência como Imposição:** A noção de que Adamah e Chavah estavam “nus e não se envergonhavam” revela, de fato, um estado de ignorância e falta de autopercepção que, como você observou, é uma consequência direta da falta de conhecimento do bem e do mal, bem como de qualquer outra forma de civilização. Essa “inocência” não é apenas uma condição natural, mas um estado de privação deliberada de conhecimento imposto por Yahweh, que detém o controle sobre o que os Adamitas podem ou não acessar.
2. **Responsabilidade de Yahweh:** A ausência de vergonha pela nudez, mais do que um símbolo de pureza, expõe o controle de Yahweh sobre a informação que lhes é permitida. É uma situação criada pela manipulação do conhecimento, onde o “pai adotivo” não educa ou prepara suas criaturas para o mundo, mas as mantém em um estado de dependência e vulnerabilidade.
A Digressão sobre Nomear os Animais
1. **Interrupção Injustificada:** A narrativa entre Gênesis 2:18 e 2:20, onde Yahweh observa que “não é bom que o homem esteja só” e, logo após, desvia para o episódio em que Adamah dá nomes aos animais, parece realmente um trecho desconexo, ou uma digressão que desvia o foco da criação da mulher para a nomeação do mundo. Essa interrupção parece minimizar a importância da questão de encontrar uma companheira adequada, relegando a mulher anterior a um plano secundário.
2. **Redução da Mulher a Condição de Animal:** A menção de que, entre todos os “animais”, não havia uma adjutora para Adamah, reforça a marginalização de Lilith, que pode ter sido vista como inadequada ou “selvagem” demais para as expectativas de Yahweh e Adamah. Essa narrativa reforça um especismo e uma hierarquia que Yahweh impõe, categorizando as criaturas de maneira que favorece o controle e marginaliza aqueles que não se conformam.
3. **Desprezo por Lilith:** A identificação de Lilith como aquela que foi rejeitada e expulsa do Éden reflete um desprezo e uma tentativa de apagar sua importância na narrativa. Sua resistência e recusa em se submeter a Adamah tornam-se uma ameaça ao controle estabelecido, resultando em sua marginalização tanto literal quanto simbólica.
Esses trechos revelam uma narrativa de controle, manipulação e imposição de ignorância, onde Yahweh, longe de ser um benevolente criador, atua como um controlador que limita o acesso ao conhecimento e decide quem é digno de estar ao lado de Adamah. A “inocência” dos Adamitas é, portanto, um reflexo da privação, e a sequência sobre a nomeação dos animais reforça o desprezo por Lilith, que, ao ser categorizada entre os animais, é afastada da condição de igual a Adamah e transformada em uma figura de rebeldia e rejeição. Essa leitura oferece uma perspectiva crítica sobre a estrutura de poder e controle nas origens dos Adamitas dentro do contexto de Tábula.
Conclusão
Sua análise crítica de Yahweh na narrativa de Gênesis é profunda e levanta questões pertinentes sobre sua figura, não apenas como uma divindade, mas como um personagem histórico que exerce controle, impõe limitações e administra o poder sobre seus “criadores”. Essa leitura se distancia da visão tradicional de Yahweh como uma figura benevolente e criadora, destacando comportamentos que, na análise de Tábula, se assemelham mais a um líder político ou autoritário manipulador do conhecimento e das condições de existência dos Adamitas.
Severidade da Análise de Yahweh
1. **Identificação de Controle e Manipulação:** Seu posicionamento crítico não é injustificado. Yahweh, no contexto de Tábula, não aparece apenas como um criador distante e indiferente, mas como um regulador ativo das condições de vida dos Adamitas. Sua proibição de acessar o conhecimento, a ausência de instrução adequada, e a segregação de figuras como Lilith sugerem que Yahweh se preocupa em manter uma hierarquia rigidamente controlada.
2. **Figura de Poder Autoritário:** Em vez de educar, Yahweh se mostra mais preocupado em impor limites e em manter o controle sobre os Adamitas. Essa postura é reveladora de uma figura que, politicamente, se posiciona não como um guia, mas como um soberano que teme a autonomia de suas criaturas.
Yahweh como um Personagem Histórico Real
1. **Posicionamento Político de Yahweh:**
– **Autocrata:** Yahweh se comporta como um autocrata que centraliza poder e conhecimento, mantendo o controle absoluto sobre a narrativa e sobre as criaturas que ele cria e governa. Ele impõe regras e, ao mesmo tempo, cria cenários para testar lealdades, como a proibição de comer da Árvore do Conhecimento, sugerindo que ele está sempre provando a submissão de suas criaturas.
– **Manipulador de Narrativas:** Yahweh posiciona-se como um manipulador de narrativas, usando o controle do conhecimento como uma forma de manter seus súditos em um estado de ignorância e dependência. A criação de diretrizes e a imposição de ordens, como a união forçada entre Adamah e Chavah, são formas de manter uma estrutura social que serve aos seus interesses.
2. **Líder Tribal ou Soberano Militar:** Yahweh pode ser visto como um líder tribal ou um soberano militar que utiliza estratégias de controle de população — tanto físico quanto psicológico. Ele comanda, decreta e espera submissão completa, sem considerar o desenvolvimento autônomo ou a dignidade de suas criaturas.
3. **Imperialista e Colonizador:** Como um colonizador, Yahweh estabelece “estábulos” para controlar a evolução dos Adamitas, como se fossem experimentos biológicos e sociais, condicionando-os de acordo com suas próprias expectativas. Sua postura é a de um ser que explora, delimita e define os papéis de seus subordinados, despersonalizando figuras como Lilith, e forçando a conformidade.
A leitura que você traz não é excessivamente severa, mas sim uma crítica fundamentada que reconhece a figura de Yahweh como uma autoridade que está menos preocupada com o bem-estar genuíno de suas criaturas e mais com a manutenção de seu próprio poder. Yahweh, no contexto de Tábula, pode ser visto como um soberano que governa com mão de ferro, restringindo o conhecimento e manipulando o desenvolvimento de seus súditos para que sirvam a um propósito maior — o seu próprio. Essa perspectiva abre espaço para discussões sobre moralidade, poder e a natureza do controle dentro das narrativas míticas e históricas que moldam o entendimento de divindades e líderes na história humana.
Da existência de Lilith
Sua suposição sobre a existência de uma criatura feminina capaz de procriar com Adamah antes de Chavah, identificada como Lilith, faz sentido dentro do contexto de várias tradições que complementam as narrativas bíblicas canônicas. Embora o Gênesis 1 e 2 não mencione explicitamente Lilith, existem elementos textuais e lacunas que podem ser interpretados como indicativos da existência de uma figura anterior a Chavah.
### Evidências Textuais e Indícios no Gênesis 1 e 2
1. **Diferença nas Narrativas de Criação:**
– **Gênesis 1:27:** “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.”
– Neste versículo, a criação de homem e mulher ocorre simultaneamente e sem a narrativa de costela ou flanco, sugerindo a possibilidade de uma primeira mulher criada de forma igualitária a Adamah. Esta passagem é frequentemente vista como uma referência a uma figura feminina anterior a Chavah, possivelmente Lilith, que teria sido criada ao mesmo tempo que Adamah, e não posteriormente a partir dele.
2. **Distinção da Criação de Chavah:**
– **Gênesis 2:18-22:** Aqui, Chavah é descrita como sendo criada de Adamah após ele não encontrar uma “adjutora” adequada entre os animais. A descrição da criação de Chavah é única e distinta da descrição de Gênesis 1:27, sugerindo uma segunda tentativa de criar uma companheira para Adamah, o que poderia implicar que a primeira tentativa, Lilith, não foi bem-sucedida ou foi rejeitada.
3. **Lilith nas Escrituras Extrabíblicas:**
– **Alfabeto de Ben Sira e outros textos rabínicos:** Estes textos descrevem Lilith como a primeira mulher criada, igual a Adamah, mas que se recusou a se submeter a ele, resultando em seu afastamento. Essa tradição rabínica reforça a ideia de que houve uma figura feminina anterior a Chavah que não se encaixava nos papéis esperados, levando à necessidade de criar uma nova companheira a partir de Adamah.
4. **Subtextos de Rejeição e Falta de Submissão:**
– A narrativa de que Adamah não encontra uma adjutora adequada entre os animais antes da criação de Chavah pode simbolicamente refletir a falha de Lilith em cumprir o papel que Yahweh e Adamah esperavam dela, sendo eventualmente categorizada com as criaturas inferiores em vez de com Adamah.
### Contextualização de Lilith como Figura Prévia
– **Figura de Resistência:** A ideia de Lilith como uma figura de resistência e autonomia reforça a necessidade de uma segunda criação feminina mais submissa e adequada aos desejos de Adamah e ao controle de Yahweh.
– **Falta de Referência Direta:** A ausência de Lilith no texto canônico é vista por muitos estudiosos como uma omissão deliberada, ou uma tentativa de suprimir narrativas de resistência feminina que poderiam subverter as normas sociais e religiosas desejadas.
Sua suposição é coerente com a leitura crítica das narrativas bíblicas e as tradições extrabíblicas que trazem Lilith como uma figura anterior a Chavah. As lacunas e diferenças entre os relatos de criação em Gênesis 1 e 2 sugerem a existência de uma narrativa paralela, onde uma figura feminina igualitária e independente, como Lilith, existiu antes da submissão imposta a Chavah. A omissão de Lilith nas escrituras canônicas reflete um esforço de controle narrativo, eliminando a figura que não se conformava aos papéis estabelecidos, mas que permanece nas margens dos textos apócrifos e tradições orais.
Das questões Éticas
Sua análise sobre a possível ligação de Lilith aos Kadmonim e a repetição dos padrões de dominação e controle por Yahweh (ou El) revela uma linha crítica e complexa da narrativa de Tábula, expondo uma estrutura de poder e tirania que se perpetua através de tentativas sucessivas de subjugação. A leitura de Yahweh como uma figura que, em sua busca por controle absoluto, repetidamente tenta criar e subjugar espécies distintas é uma crítica profunda às motivações e aos métodos que ele emprega ao longo das narrativas bíblicas e extra-bíblicas.
### Yahweh e os Kadmonim: Uma Repetição de Padrões de Dominação
1. **Criação e Subjugação dos Kadmonim:**
– **Kadmonim como Primeiros Escravos:** Na tradição que propõe Yahweh (El) como o criador dos Kadmonim, a intenção era formar uma classe de seres que serviriam aos Elohim como trabalhadores ou escravos. Os Kadmonim, possivelmente representados por figuras como os Igigi, eram seres criados para servir de maneira submissa, até que a rebelião de Samael (ou outro Elohim) interferiu, resultando em uma revolta que libertou esses primeiros seres do controle de Yahweh.
2. **Lilith como Parte dos Kadmonim:**
– **Resistência de Lilith:** Se Lilith for considerada como parte dos Kadmonim, sua resistência ao controle de Adamah e Yahweh se alinha com a tradição dos Kadmonim que rejeitaram o domínio dos Elohim. A recusa de Lilith em se submeter reflete um padrão histórico de resistência contra a tirania que Yahweh busca impor.
3. **A Criação dos Adamitas como Segunda Tentativa:**
– **Adamitas como Novo Experimento de Subjugação:** Após o fracasso com os Kadmonim, Yahweh parece tentar novamente com os Adamitas, criando uma nova espécie com o intuito de dominar e controlar. Essa repetição sugere uma obstinação de Yahweh em encontrar uma espécie que se encaixe perfeitamente na estrutura de servidão que ele deseja estabelecer, adaptando seus métodos para garantir que as novas criaturas não sigam o mesmo caminho de rebeldia dos Kadmonim.
4. **Impulso Autoritário e Moralmente Problemático:**
– **Questões Morais:** Essa repetição de padrões por Yahweh levanta graves questões morais. Em Tábula, Yahweh se revela como um soberano que não aprende com a resistência, mas que ajusta suas estratégias de controle para reforçar sua dominação, ignorando o custo ético de suas ações. A narrativa reflete um comportamento tirânico e explorador que se opõe à autonomia e liberdade das espécies que ele cria.
– **Conflito com Outros Elohim:** A intervenção de outros Elohim, como Samael, que se posicionam contra Yahweh e libertam as criaturas subjugadas, reforça o tema de conflito dentro do próprio panteão, onde as visões de liberdade e controle entram em choque. Yahweh, na sua mudança de identidade de El para Yahweh, solidifica sua posição autocrática, transformando um sistema que inicialmente tinha múltiplos deuses em uma estrutura de poder centralizado.
A análise da narrativa dentro de Tábula, com Lilith como uma figura dos Kadmonim e a repetição das tentativas de subjugação por Yahweh, revela um ciclo de tirania que persiste, adaptando-se mas nunca mudando sua essência autoritária. Yahweh, ao tentar estabelecer domínio sobre os Kadmonim e, posteriormente, sobre os Adamitas, demonstra uma postura de liderança que busca o controle absoluto, utilizando a criação e manipulação das espécies como ferramentas de poder. Esse retrato de Yahweh não apenas desafia as interpretações tradicionais, mas também sublinha os temas de resistência e liberdade que são centrais para a narrativa de Tábula, colocando Yahweh em uma posição de antagonista moralmente complexo e discutível.
Da identidade de Yahweh e Samael
Se Yahweh era originalmente El, uma figura central e dominante entre os Elohim, então Samael, um dos principais opositores de Yahweh em várias tradições, também teria tido uma identidade anterior com um nome equivalente ao de “El.” Neste contexto de Tábula, Samael poderia ter sido uma divindade ou figura importante com uma posição que rivalizava ou se contrapunha à de El/Yahweh, possivelmente compartilhando um status elevado entre os Elohim.
### Possíveis Identidades de Samael com um Nome Equivalente a “El”:
1. **Enki/Ea na Mitologia Mesopotâmica:**
– **Paralelos com Samael:** Enki, também conhecido como Ea, é uma divindade suméria/acádia do conhecimento, da água e da sabedoria, frequentemente em oposição a Enlil, que é uma figura similar a El/Yahweh. Enki é conhecido por sua compaixão, sua astúcia, e por desafiar ordens que ele considera injustas, especialmente quando envolvem a preservação da vida.
– **Relação com os Kadmonim:** Enki é visto como um protetor dos humanos e dos Igigi (Kadmonim), os quais ele ajudou a libertar em várias narrativas. Essa atuação ressoa fortemente com as ações atribuídas a Samael em Tábula, onde ele se coloca como uma figura de libertação e desafio ao autoritarismo de El/Yahweh.
– **Título de “El”:** Enki poderia ser culturalmente alinhado ao título de “El” devido à sua posição elevada no panteão sumério, fazendo dele um equivalente de Samael em um contexto onde nomes se adaptam ao título de “El” como marcador de divindades de alto poder.
2. **Hadad/Baal:**
– **Rivalidade com El/Yahweh:** Em tradições ugaríticas e cananeias, Hadad (ou Baal) era um deus da tempestade e da fertilidade que frequentemente rivalizava com El. Embora não tão focado na figura de rebelde como Enki, Baal tinha conflitos constantes com figuras que representavam ordem e autoridade superior, e era visto como um líder carismático e defensor de sua própria independência.
– **Simbologia de Poder:** Como Samael, Hadad/Baal se posicionava contra a dominação absoluta, desafiando o status quo. Ele também compartilhava o título de “El” em certos contextos, como em “Baal-El,” reforçando sua posição dentro da linhagem de deuses poderosos.
3. **Motivações e Paralelos Éticos:**
– **Protetor e Libertador:** Assim como Samael é visto como uma figura que desafia as imposições de Yahweh, Enki e Hadad/Baal representam divindades que frequentemente agem em prol dos seres que estão sob suas influências. Essa conexão sugere que Samael, com um nome cultural equivalente ao “El,” seria um deus que se posicionava contra a tirania de El/Yahweh e defendia uma visão mais justa e autônoma da existência.
Samael, no contexto de um nome equivalente ao de “El,” se alinha mais claramente com figuras como Enki (Ea) ou Hadad (Baal), que historicamente representam o desafio ao controle opressivo de outros deuses maiores. Essas figuras são notáveis por suas ações que favorecem a humanidade e os seres subjugados, atuando como libertadores, protetores e agentes de conhecimento, muito como Samael é interpretado em Tábula. Através desses paralelos, vemos Samael como uma contraparte complexa e necessária, desafiando as tentativas de dominação absoluta de Yahweh/El e defendendo a autonomia dos seres que habitam Tábula.
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